Mais Lidas

Porta voz do 'novo'

Deputado ironiza ‘nova política’ de Renan Filho, após se tornar alvo na disputa da ALE

Marcelo Victor disse não crer na interferência do governador em favor do tio

acessibilidade:
Deputado estadual Marcelo Victor (SD-AL). Foto: Ascom ALE

Pivô da crise aberta pelo governador Renan Filho (MDB) contra a liberdade de voto dos parlamentares alagoanos, o deputado estadual Marcelo Victor (SD-AL) foi diplomático ao comentar sobre a interferência direta do chefe do Executivo na disputa pela Presidência da Assembleia Legislativa do Estado (ALE). Mas o adversário de Olavo Calheiros lançou mão da ironia ao afirmar não crer na “tese de interferência” de Renan Filho em favor do tio, porque o governador prega ser integrante da “nova política”, mesmo exonerando indicados de deputados que não declararam voto no candidato da família Calheiros.

“Tenho com o governador Renan Filho, em quem votei e para quem pedi voto, uma relação muito boa, de respeito mútuo. Eu apoio seu governo e ele sabe da minha lealdade e da defesa das proposições governamentais que tenho encampado no Legislativo. Portanto, não acredito nessa tese da interferência. Ele é um porta voz importante da nova política”, respondeu Marcelo Victor, ao ser questionado pelo Diário do Poder sobre como avalia a interferência de Renan Filho na eleição da Mesa Diretora do Legislativo.

Com apoio e votos prometidos de 21 dos 27 deputados estaduais alagoanos, Marcelo Victor conversou com o governador sobre a disputa na última quinta-feira (3), um dia depois de reunir o grupo de 20 parlamentares apoiadores da chapa de oposição a Olavo Calheiros. No mesmo dia da conversa, uma foto com 19 destes deputados circulou na imprensa, como demonstração de apoio a Marcelo Victor para presidente e o governador iniciou as exonerações e cobrança direta pelo apoio dos parlamentares aliados à eleição de seu tio Olavo.

O Diário do Poder apurou com parlamentares do grupo de apoio a Marcelo Victor que a conversa entre o deputado e o governador foi “descontraída, porém direta”. O candidato a presidente da ALE disse que não desistiria da candidatura e Renan Filho disse que trabalharia para vencê-lo. “Marcaram para o dia 02 de fevereiro um cachimbo da paz”, confidenciou um deputado, em referência ao dia seguinte da eleição da Mesa do Legislativo.

Após observar a perda de apoio de Olavo Calheiros para presidir a ALE, o governador expôs, através de exonerações e abordagens aos seus aliados, sua estratégia de minar de forma dura e lenta o grupo de deputados apoiadores de Marcelo Victor, para fazer os demais recuarem da ideia de não votar em sei tio.

A medida tensionou a relação com os parlamentares aliados. E estrategistas do governo já difundem a justificativa de que tais exonerações ocorridas desde quinta-feira (3) seriam parte da reforma administrativa em curso, para remodelar a estrutura de cargos e secretarias do governo, no 2º mandato, com a possibilidade de retorno dos exonerados. Mas esta é uma tese criada para amenizar a crise exposta, afirmam representantes do grupo de apoio a Marcelo Victor.

Nem o governador, nem sua assessoria responderam aos questionamentos do Diário do Poder acerca da pressão sobre os parlamentares e se esta seria uma posição que fere a independência dos poderes, ou faz parte de seu jogo político.

Até agora, as exonerações atingiram secretários e servidores comissionados indicados ou com relação próxima aos deputados Galba Novaes (MDB), Jó Pereira (MDB), Marcelo Beltrão (MDB) e Inácio Loiola (PDT), no Procon, IMA, e secretarias da Cultura e Assistência Social.