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Interferência na ALE

Deputado avisa: não dá para Renan Filho agir como ‘Coronel Saruê’ para eleger o tio

Apoio a Marcelo Victor foi reafirmado por 21 deputados, após governador tomar cargos

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Deputado estadual Bruno Toledo. Foto: Ascom ALE

O deputado estadual Bruno Toledo (Pros-AL) afirmou hoje (7) que o governador Renan Filho precisa reconhecer as limitações de seu papel no Executivo estadual, se curvar e respeitar a decisão da maioria do Poder Legislativo de apoiar a eleição do deputado Marcelo Victor (SD-AL) como presidente. Para o deputado que se tornou anfitrião das reuniões de opositores da candidatura de Olavo Calheiros (MDB-AL) a presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), o comportamento de Renan Filho de intervir na disputa em favor do tio não pode ser o mesmo do Coronel Saruê, personagem da novela Velho Chico.

A declaração acontece depois de o governador finalizar a última semana retaliando deputados aliados com exonerações de secretários da Cultura e Assistência Social e presidentes do Procon e do IMA, indicados por parlamentares que rejeitaram voto ao seu tio na eleição da Mesa Diretora do Legislativo. O grupo formado por 21 dos 27 deputados consolidou o apoio a Marcelo Victor neste domingo (6), em reunião na casa do deputado Bruno Toledo, desta vez, sem foto, mas com a presença da deputada Jó Pereira (MDB-AL) e Sílvio Camelo (PV-AL).

“É importante para um político buscar seus interesses, mas tudo tem limite. Não dá pra agir como o “Coronel Saruê”. É preciso que ele entenda que o modelo institucional brasileiro pressupõe a existência autônoma de três poderes. Então, é preciso que ele se curve e respeite o Poder Legislativo e reconheça suas próprias limitações e seu papel exclusivamente no executivo. Pelo que vejo o grupo está muito coeso e quer privilegiar seu papel. Se o governador quiser uma boa convivência com o Legislativo uma boa postura deve ser a humildade e a de respeito aos seus interlocutores, sobretudo se estes contam com o contato direto com o povo”, disse Toledo, ao responder ao Diário do Poder sobre como avaliava a postura de Renan Filho.

Na reunião de ontem que consolidou a oposição à candidatura de Olavo Calheiros, estiveram presentes os deputados  Davi Davino (PP), Gilvan Barros Filho (PSD), Dudu Ronalsa (PSDB), Léo Loureiro (PP), Cabo Bebeto (PSL), Ângela Garrote (PP), Marcelo Beltrão (MDB), Marcelo Victor (SD), Davi Maia (DEM), Silvio Camelo (PV), Cibele Moura (PSDB), Francisco Tenório (PMN), Tarcizo Freire (PP), Inácio Loiola (PDT), Jó Pereira (MDB), Bruno Toledo (Pros), Marcos Barbosa (PRB), Galba Novaes (MDB), Yvan Beltrão (PSD) e Paulo Dantas (MDB).

A maioria dos deputados que dizem não votar em Olavo Calheiros é da base governista, ao contrário de Bruno Toledo, Cabo Bebeto e Davi Maia. Mas nenhum dos apoiadores do governo fala, ainda, em formar um bloco de oposição, mesmo com a postura de enfrentamento do governador, que pareceu disposto a usar cargos do Estado como moeda de troca por votos em seu tio.

Renan Filho e sua assessoria ainda não responderam aos questionamentos do Diário do Poder sobre sua interferência na eleição do Legislativo.

Até agora, as exonerações atingiram secretários e cerca de 20 servidores comissionados indicados e com relação próxima aos deputados Galba Novaes (MDB), Jó Pereira (MDB), Marcelo Beltrão (MDB) e Inácio Loiola (PDT).

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