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‘Governo do Amazonas negava a urgência da pandemia’, diz deputado à CPI

Fausto Júnior (MDB) foi relator de CPI estadual sobre gastos contra a covid, mas não pediu indiciamento do governador Wilson Lima

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O deputado estadual do Amazonas Fausto Junior (MDB-AM). Foto: Reprodução/TV Senado

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia do Senado, nesta terça-feira (29), o deputado estadual do Amazonas Fausto Júnior (MDB), disse que a CPI em seu estado deveria ter indiciado todos os governadores desde 2011. O deputado foi o relator de uma CPI estadual que investigou superfaturamento de equipamentos médicos comprados pelo governo local para combate à pandemia. O período incluiu a gestão do presidente da CPI do Senado, senador Omar Aziz (PSD-AM), que foi governador do Amazonas de 2010 a 2014.

“Todos os governadores investigados pela CPI mereciam ser indiciados. Eu propus isso na comissão e não foi aceito. O certo era pra ser indiciado inclusive o ex-governador Omar Aziz, pela gestão dele na saúde, não somente o governador Wilson Lima, todos têm participação”, afirmou Fausto.

Aziz cobrou então explicações sobre o que tinha encontrado de irregularidade em 2011. Fausto Júnior disse então que Aziz gastou R$ 50 milhões em 2014 apenas com verbas indenizatórias. “E isso é um gravíssimo crime?”, questionou Aziz. O deputado estadual respondeu que, apesar de legal, considerava a atitude condenável. “Não há crime”, insistiu Aziz. “Vossa excelência teve a oportunidade de investigar esses pagamentos indenizatórios, mas não o fez. Você colocou em seu relatório apenas os números, sem concluir nada”, criticou o senador.

O presidente da CPI da Pandemia do Senado lembrou ao deputado que ele foi convocado como testemunha, e não para acusá-lo. Em sua defesa, Omar Aziz acrescentou ainda que teve os processos aprovados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Omar Aziz disse em determinado momento que iria mostrar aos amazonenses porque o relator da comissão da Saúde do Amazonas não indiciou o governador do Amazonas, porque a corrupção fez com que Fausto Junior não indiciasse Wilson Lima. Segundo Omar, o depoente teve uma “evolução fantástica” de imóveis em condomínios de altíssimo custo.

Segundo Aziz, a CPI do Senado vai investigar o deputado estadual, quebrará o sigilo de uma conselheira do Tribunal de Contas do Amazonas, mãe do deputado estadual, e de empresas que receberam mais de R$ 500 milhões do governo do Estado.

Wilson Lima

As acusações contra Omar Aziz vieram depois da insistência do relator da CPI da Pandemia, senador Renan Calheiros (MDB-AL), para o que depoente explicasse por que não indiciou em seu relatório final da CPI do estado, o governador amazonense Wilson Lima (PSC). Apesar de reconhecer a responsabilidade do governador do Amazonas na crise da saúde no estado, Fausto Júnior disse que decidiu não pedir o indiciamento do gestor quando foi relator da CPI no Amazonas. De acordo com o deputado, as informações que ligavam Lima estavam nas mãos da Polícia Federal, e não da CPI da Assembleia Legislativa.

Respondendo a perguntas feitas pelo senador Humberto Costa (PT-PE), o deputado estadual Fausto Vieira (MDB) disse ter convicção de que o governador Wilson Lima sabia das irregularidades que ocorriam no Estado, mas ressaltou que a CPI da Saúde da Assembleia Legislativa não tinha provas para indiciá-lo.

Questionado pelo relator da CPI sobre a revogação de um decreto que aplicava medidas de restrição para evitar o avanço do número de casos do novo coronavírus, Júnior afirmou que o Legislativo não foi consultado. “Essa foi uma decisão estritamente do governo do estado. É importante frisar que havia uma negação da urgência dos casos da pandemia naquele momento e o povo foi pego de surpresa. Isso que motivou a irritação das pessoas”, disse.

Segundo o balanço apresentado por Fausto Júnior, a CPI da Saúde no Amazonas fez 50 pedidos de indiciamento e 14 pessoas foram presas em decorrência das apurações feitas pelos deputados. Segundo ele, foram detectados mais de 17 crimes após visitas dos deputados aos hospitais do estado.

Fausto Vieira disse que a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) não foi consultada pelo governador Wilson Lima (PSC) sobre a revogação do decreto de lockdown editado para conter a circulação da Covid-19. Dias depois da decisão, o Estado viu o número de casos e óbitos aumentar exponencialmente.

Dias depois da decisão do gestor estadual, eclodiu a crise do oxigênio em Manaus. Para o parlamentar, “houve prejuízo incalculável”.

O deputado estadual, em sua fala inicial, que a saúde pública do Amazonas era “uma bomba relógio” e que a pandemia foi o estopim para a crise que atingiu o Estado nos últimos meses.

“Já tínhamos um sistema a beira do colapso. Como receberíamos a pandemia com um sistema tão frágil? Era uma tragédia anunciada”, afirmou.

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