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CPI: Mayra diz que não foi informada sobre risco de falta de oxigênio em Manaus

Comissão ouve a secretária do Ministério da Saúde, conhecida como 'capitã cloroquina', investigada pela crise do oxigênio no Amazonas

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A secretária do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, na CPI da Pandemia. Foto: Reprodução/TV Senado

Conhecida como “capitã cloroquina”, a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, presta depoimento à CPI da Pandemia. Mesmo com habeas corpus que lhe garante direito de ficar em silêncio sobre fatos ocorridos entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021, quando o Amazonas vivia um colapso na saúde, Mayra tem respondido aos questionamentos dos parlamentares.

Questionada pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), sobre em que momento a secretária percebeu que faltaria oxigênio medicinal em Manaus, Mayra disse que “não houve uma percepção que faltaria”.

“Não houve uma percepção que faltaria. Pelo que eu tenho de provas, é que nós tivemos uma comunicação por parte da secretaria estadual, que transferiu para o ministro um e-mail da White Martins [empresa fabricante de oxigênio] dando conta de que haveria um problema de abastecimento, segundo eles mencionado como um problema na rede”, afirmou.

Mayra Pinheiro afirmou que teve conhecimento do desabastecimento de oxigênio em Manaus em 8 de janeiro. Ela disse que esteve na cidade até o dia 5, mas não foi informada pela Secretaria de Saúde do Amazonas sobre falta do insumo.

Aplicativo TrateCov

O senador Renan Calheiros questionou se Mayra Pinheiro foi a responsável pela criação do “TrateCov”, ao que ela respondeu: “não posso dizer se sim ou não”. Segundo a secretária, o Tratecov servia como uma plataforma para auxiliar médicos no diagnóstico da Covid. De acordo com senadores, no entanto, o aplicativo também receitava cloroquina para crianças e adolescentes.

A secretária afirmou à CPI que o aplicativo foi alvo de uma extração de dados, e não um hackeamento, como afirmou o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, na semana passada.

Mayra frisou que não houve alterações no aplicativo porque ele era seguro. A retirada do ar foi feita para que houvesse uma investigação. Já Pazuello afirmou na semana passada à CPI que o aplicativo foi manipulado e colocado no ar pelo hacker.

“Ele não conseguiu hackear. Hackear é quando você usa a senha de alguém. Foi uma extração indevida de dados. O termo usado [por Pazuello] foi um termo de leigos”, tentou justificar. “O que ele [a pessoa que inspecionou o aplicativo] fez foram simulações indevidas, fora de contexto epidemiológico”, disse Mayra, que indicou que um jornalista foi o autor da extração.

Mayra nega ainda que o ministério tenha indicado tratamento para a Covid.

O senador Omar Aziz questionou então a secretária do Ministério da Saúde sobre a decisão de não recolocar o aplicativo “TrateCov” no ar. Mais cedo, ao senador Renan Calheiros, ela disse que a plataforma salvaria vidas.

“Se a senhora tinha a certeza de que o aplicativo salvava dias, por que não devolveu ele pro ar? Morreram pessoas na minha cidade”, disse o presidente da CPI, que é do Estado do Amazonas. Aziz foi interrompido pelo senador governista Marcos Rogério (DEM-RO). “Até ontem o senhor era contra o aplicativo”, disse o parlamentar do DEM. “Você não entende ironia, não, rapaz?”, rebateu Aziz.

Relator menciona genocídio e causa tumulto

Ao iniciar seu questionamento à secretária do Ministério da Saúde, o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), lembrou o julgamento de Nuremberg, que julgou crimes cometidos por oficiais nazistas na 2ª Guerra Mundial, fazendo um paralelo entre a situação atual da pandemia do novo coronavírus e o período do nazismo na Alemanha. “O tribunal da história é implacável”, disse.

A fala de Renan gerou bate-boca na CPI. Senadores da base governista reagiram à comparação e afirmaram que haveria um pré-julgamento e um paralelo “absurdo”, segundo descreveu o líder do governo, Fernando Bezerra (MDB-PE).

“Não podemos dizer ainda que houve genocídio. Mas podemos dizer que há sim uma semelhança assustadora, uma semelhança terrível, uma semelhança tenebrosa no comportamento de algumas altas autoridades que testemunharam aqui na CPI e o relato que acabei de ler sobre um dos marechais no nazismos no tribunal de Nuremberg”, finalizou Renan.

“O cara é doente” e “ele é maluco”, disparou o senador Flávio Bolsonaro (Podemos-RJ).

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