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Ricardo Galvão

Após críticas de Bolsonaro a dados de desmate, diretor do Inpe é exonerado

Ricardo Galvão foi criticado pelo presidente por dados que apontam alta do desmatamento e rebateu as declarações de Bolsonaro

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Diretor do Inpe (dir.) diz que discurso sobre Bolsonaro 'causou constrangimento' e será exonerado. Foto: Reprodução

O ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, decidiu exonerar o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão, após críticas a dados sobre desmatamento considerados sensacionalistas pelo governo.

Pontes e Galvão se reuniram por cerca de duas horas na manhã desta sexta-feira, 2.

Segundo ele, o motivo de sua exoneração foi porque seu discurso em relação ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) criou constrangimento.

“Minha fala sobre o presidente gerou constrangimento, então eu serei exonerado”, disse Ricardo Galvão. Ele lembrou que tinha um mandato de quatro anos, mas que, apesar isso, o regimento prevê que o ministro pode substituí-lo “em uma situação de perda de confiança”. O diretor afirmou ainda que a a conversa com Pontes foi muito cortês e que concorda com a exoneração.

No dia 20, ao Jornal Nacional, Galvão afirmou que “ele [Bolsonaro] tem um comportamento como se estivesse em botequim. Ou seja, ele fez acusações indevidas a pessoas do mais alto nível da ciência brasileira, não estou dizendo só eu, mas muitas outras pessoas”. “Isso é uma piada de um garoto de 14 anos que não cabe a um presidente da República fazer”, disse o diretor do Inpe.

Os alertas do desmatamento no Brasil registraram alta de 88% em junho e de 212% em julho, segundo análise feita com base em dados do públicos do Inpe, que foram compilados pelo sistema conhecido como Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter). Além de ganhar destaque na mídia brasileira, o avanço do desmatamento foi noticiado pela revista ‘The Economist’ e outras publicações estrangeiras.

​No dia 19 de julho, em café da manhã com jornalistas estrangeiros, Bolsonaro questionou os dados de desmatamento.  “Com toda a devastação de que vocês nos acusam de estar fazendo e ter feito no passado, a Amazônia já teria se extinguido”, disse. “É lógico que eu vou conversar com o presidente do Inpe. [São] Matérias repetidas que apenas ajudam a fazer com que o nome do Brasil seja malvisto lá fora”, disse mais tarde no mesmo dia.

O presidente afirmou também que os dados do Inpe não correspondiam à verdade e sugeriu que Galvão poderia estar a “serviço de alguma ONG.”

O engenheiro Ricardo Galvão foi nomeado diretor do Inpe em 2016 pelo então ministro Gilberto Kassab, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações Comunicações. Na época, Galvão era professor titular da USP e presidente da Sociedade Brasileira de Física. Também é membro do conselho da Sociedade Europeia de Física e ex-diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas.

As informações sobre desmatamento produzidas pelo Inpe — tanto o Deter quanto o Prodes, que mede o desmate anual— são públicas e podem acessadas pelo portal TerraBrasilis, do Inpe. A plataforma pode ser acessada aqui. (Com informações da Folhapress)

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