Mais Lidas

Boquinhas da família

Alvo da PF, deputada empregou marido e irmã na saída do mandato na ALE

Deputada Thaíse Guedes foi indiciada na Sururugate por 25 crimes de peculato

acessibilidade:
Deputada Thaise Guedes empregou seu marido Rodrigo Manuci do Carmo. Foto: Divulgação Facebook

A deputada estadual Thaíse Guedes (PTB-AL) mantém seu talento para fabricar escândalos até a reta final de seu mandato e, talvez, de sua carreira política. Não reeleita para o que seria seu terceiro mandato na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), a deputada empregou no Legislativo Estadual o seu marido, sua irmã e até uma pessoa identificada como a babá que trabalha em sua casa. As nomeações foram formalizadas no dia 2 de janeiro, mas somente foram publicadas ontem (17) no Diário Oficial, a duas semanas do fim do mandato da parlamentar indiciada pela Polícia Federal acusada de 25 crimes de peculato, no âmbito da Operação Sururugate.

A partir das nomeações revogadas hoje (18) após repercussão na imprensa, os parentes da deputada receberiam salários brutos de R$ 10.702,98, com as famigeradas “gratificações por dedicação excepcional (GDEs)”que poderiam fazer os salários atingirem R$ 21 mil por cargo.

Os beneficiados pelas nomeações foram o marido da deputada, Rodrigo Manuci do Carmo; e a irmã Thayane de Souza Guedes. A nomeada no mesmo dia, Rosimeire do Nascimento Azevedo foi citada como tia da deputada. E Edna Maria dos Santos Silva foi apontada como babá na casa de Thaíse Guedes.

Os atos do diretor de Administração de Pessoal da ALE, Darlan Cavalcante das Neves não citam a madrinha política dos nomeados. E, com a exceção da nomeação de Rosimeire do Nascimento Azevedo, todos os atos foram revogados hoje.

Em nota, a Mesa Diretora do Legislativo de Alagoas comunicou que, para efeito de nomeação, é de inteira responsabilidade dos parlamentares a indicação de seus auxiliares de gabinete. E considerou positivo o controle social dos atos praticados pela administração pública.

Escândalos recorrentes

Em outubro de 2017, a deputada  Thaise Guedes foi a primeira parlamentar alagoana indiciada pela PF no âmbito da Operação Sururugate, deflagrada em março daquele ano para investigar o rombo de R$ 150 milhões dos cofres do Legislativo de Alagoas. E quando deixava a Superintendência da PF em Maceió (AL), seus assessores agrediram uma equipe de reportagem da TV Gazeta, afiliada à Rede Globo.

De acordo com o então superintendente da PF em Alagoas, delegado Bernardo Gonçalves, a deputada foi indiciada pela prática de 25 vezes o crime de peculato, envolvendo o desvio de mais de R$ 220 mil de recursos públicos.

As investigações constataram a participação da deputada Thaise Guedes no esquema de desvio de recursos públicos por meio do pagamento de salários a funcionários fantasmas da Assembleia. A parlamentar ganhou fama nacional em reportagem do Fantástico, em 2015, flagrada pelo Ministério Público Estadual usando documentos de duas lavadeiras para desviar recursos da ALE.

“Identificou-se uma servidora, por exemplo, que recebia Bolsa Família, porque realmente era pobre, e nunca recebeu esses salários. Foram aproximadamente R$ 140 mil em 13 meses. Ela sequer tinha conhecimento de que era servidora da Assembleia Legislativa. Essa testemunha contou que forneceu cópia de seus documentos pessoais para deputada, com o objetivo de conseguir um emprego no comércio local. Mas seus documentos foram utilizados sem o conhecimento dela, para a prática dessa fraude”, disse o ex-superintendente da PF, em entrevista ao vivo à TV Gazeta.

Além do desvio de recursos usando documentos de pessoas que tentavam conseguir emprego, a PF disse ter provas de que a deputada tinha dois servidores vinculados ao seu gabinete, recebendo salários superiores aos valores efetivamente pagos. Nesse caso, a diferença foi de R$ 80 mil.

A deputada estadual Thaise Guedes comoveu Alagoas e o Brasil durante a adolescência, após ter tido pernas e braços amputados quando foi vítima de um erro médico no diagnóstico da meningite meningocócica tipo C. A tragédia familiar que a obrigou a viver em uma cadeira de rodas, desde os 13 anos de idade, foi a mesma que deu origem a uma denúncia recebida pela Gazeta de Alagoas, em 2012. Naquele ano, a Previdência Social bloqueou um benefício social pago ilegalmente à deputada durante pelo menos quatro anos, quando ela passou a receber, como vereadora de Maceió, salário acima do limite previsto pela legislação.

O valor estimado à época como recebido ilegalmente da Previdência pela era deputada era de R$ 15 mil, que seria cobrado à deputada pela União.

O Diário do Poder não obteve respostas para as tentativas de contato com a deputada.

Reportar Erro