segunda-feira, 21 outubro 2019

Poder sem Pudor

Poder sem Pudor

O pistolão certo

O pistolão certo

O talentoso jornalista Mauro Santayana acabara de ser nomeado adido cultural à embaixada do Brasil em Roma, nos anos 1980. Um belo cargo, no belíssimo Palácio Doria Pamphilij, sede da nossa embaixada na Piazza Navona, centro de Roma. Um amigo encontrou Santayana e foi logo gozando: “Puxa, esse é o emprego que pedi a Deus!...” O jornalista respondeu na bucha: “Acho que você pediu ao cara errado. Quem me nomeou foi o presidente José Sarney.” Dono de um texto brilhante, Santayana foi quem redigiu o discurso de posse do presidente Tancredo Neves, afinal lido por Sarney.

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Longe é melhor

Longe é melhor

Jânio Quadros só perdeu no Maranhão, na disputa presidencial de 1960, com Henrique Teixeira Lott, graças ao apoio que o pesadíssimo marechal recebeu do cacique Vitorino Freire. Um pouco antes da eleição, um repórter perguntou a Vitorino: “Há perigo de o Jânio ganhar no Maranhão?” Ele não precisou pensar muito para responder, convicto: “Perigo existe. Basta que o Lott volte duas vezes ao Maranhão.” Não voltou e venceu.

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O céu que nos protege

O céu que nos protege

Pós-graduado em política e dificuldades, ainda assim o saudoso deputado pernambucano Thales Ramalho tinha muito a aprender. Em campanha para novo mandato, ele viu que a seca tornara desoladora a paisagem Serra Talhada, em seu Estado. Puxou conversa com um agricultor: “A terra está ruim, não é, meu amigo?” Ele contou depois que a resposta do homem representou a lição do dia: “A terra até que tá boa, dotô. O céu é que não está prestando...”

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Votos garantidos

Votos garantidos

O “coronel” e vereador Nei Ferreira era candidato à reeleição, em Vitória da Conquista (BA), quando visitou um bairro da cidade: “Aqui eu quero 750 votos!”, gritou no palanque. Um cabo eleitoral cochichou: “Pois o sr. vai ter 1.500 votos, coronel”. Ferreira voltou a proclamar, ao microfone: “Eu sei que 1.500 eleitores já prometeram votar em mim neste bairro, mas como eleitor é um animal muito safado, eu aceito a metade!

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O fogo da juventude

O fogo da juventude

Eliseu Resende era senador septuagenário quando lembrou da candidatura ao governo de Minas, em 1982, contra Tancredo Neves. Inexperiente, cometeu um erro ao criticar a idade do adversário: “Não podemos entregar o Estado a quem, numa idade provecta, não pode sustentar o peso da administração.” Tancredo não passou recibo. Foi à TV elogiar o rival e acabar com ele: “Konrad Adenauer deixou o governo da Alemanha aos 80 anos, após reconstruir o país. Já o jovem Nero...”

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Gargalhando por dentro

Gargalhando por dentro

Jânio Quadros estava em campanha para presidente, em 1960, e foi a Sete Lagoas (MG) para um comício com Magalhães Pinto, que disputava o governo de Minas contra Tancredo Neves. No comício, os oradores foram recebidos com ovos e vaias. A comitiva seguiu para uma cidade vizinha. No carro, Jânio ficou um tempão esperando que Magalhães Pinto dissesse alguma coisa. Desconfiava que ele estava por trás das vaias e dos ovos. Até que perdeu a paciência com o impassível aliado: “Os mineiros são terríveis. Quando não riem por dentro, riem por fora.”

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Cheiro de povo

Cheiro de povo

Ao chegar a Belo Horizonte (MG) na campanha presidencial de 1960, Jânio Quadro recusou as ofertas de hospedagem, inclusive a do aliado Magalhães Pinto. Preferiu um hotel, “para evitar ciúmes e intimidades”. Para garantir a privacidade do candidato, Magalhães conseguiu que a Polícia Militar isolasse o hotel, mas ao deixar o prédio para ir ao comício, Jânio ficou revoltado com o aparato. Desabafou com Magalhães: “É por isso que a UDN de vocês não ganha eleição. Eu quero meu povo!” Seguiu para o comício nos braços dos eleitores. Magalhães foi a pé.

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Um mar de leite

Um mar de leite

A base eleitoral do senador potiguar Agenor Maria era o sertão, município de Currais Novos, onde tinha uma fazenda de gado leiteiro. Certa vez, alugou uma casa de praia, em Natal, e levou com ele um velho empregado de sua fazenda, seu Chico, que nunca tinha visto o mar. “Chico, veja só que imensidão. Imagine tudo isso sendo nosso e, em vez de água, leite!” – disse Agenor, puxando conversa na varanda da casa. A resposta do velho vaqueiro foi carregada de significado: “Prestava não, dr. Agenor. E aonde a gente ia achar tanta água pra misturar nesse leite?”

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