sábado, 4 abril 2020

Poder sem Pudor

Poder sem Pudor

Fagulha no olho

Fagulha no olho

Coronel Toniquinho Pereira era chefe político em Itapetininga (SP), quando se viu obrigado a receber o governador – seu adversário – na estação ferroviária de Iperó. Cheio de má vontade, assim que o trem chegou à estação, Toniquinho foi logo reclamando do chefe da estação: “Entrou uma fagulha no meu olho...” Alguém lembrou: “O trem é elétrico, coronel. Não solta fagulha.” Toniquinho não desistiu: “Então foi um quilowatt.”

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Entrevista de emprego

Entrevista de emprego

Após o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, o vice Café Filho assumiu o cargo e logo nos primeiros dias chamou o amigo Rubem Braga: “Preciso de você!” A resposta do escritor fez histórisa: “Café, você virou presidente, está bem empregado, a vida arrumada. Quem precisa sou eu. Estou duro, desempregado, precisando trabalhar.” Ganhou o emprego de adido cultural à embaixada do Brasil em Santiago.

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Encarando o provocador

Encarando o provocador

Jânio Quadros fazia campanha para o governo paulista, em 1982, quando um mendigo, com toco de cigarro pendurado na boca, gritou: “Fujão! Fujão! Fujão!”. Jânio ignorou o homem, enquanto seus assessores tentavam silenciá-lo. Mas ao descer do palanque, ele se viu frente a frente com o mendigo, que, claro, gritava a plenos pulmões: “Fujaããão!”. Jânio olhou-o fixamente e se dirigiu a ele, resoluto. Todos temiam que o ex-presidente, aos 65 anos, decidira esmurrar o homem, que se calou de repente e ficou paradão, com medo. Jânio levantou o braço sobre um segurança e, num golpe rápido, ao invés do soco, retirou o toco de cigarro dos lábios provocadores, colocou-o na própria boca e foi embora. O mendigo permaneceu inerte. E emocionado.

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Bombinha de nada

Bombinha de nada

Corria o sombrio 1º de abril de 1964 quando um homem simples, carregando uma caixa, dirigia-se à rua do Príncipe, onde ficava o então IV Exército, no Recife. Um soldado armado de fuzil gritou “alto!”. Assustado, o homem passou a gritar, enquanto era preso: “É uma d’água! É uma d’água!”  O engano seria desfeito horas depois, quando um capitão o interrogou: “Afinal, o que é ‘uma d’água’?” O homem esclareceu: “Meu capitão, eu sou encanador e estou levando uma bomba d’água na caixa. Se eu dissesse que era uma bomba, os seus soldados iam me trazer aqui vivo para conversar com o senhor?”

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Bom negócio

Bom negócio

O ex-ministro Gustavo Krause conta em seu livro “Poder Humor” que Ibrahim Abi-Ackel era ministro da Justiça do general João Figueiredo quando recebeu a atriz Ruth Escobar. Ele tentava fazê-la desistir de montar peças teatrais em presídios, e argumentou: “Penso em sua segurança. Mesmo que agora não haja problema, dentro de dez anos um desses bandidos, já em liberdade, pode até estuprá-la.” Determinada a levar adiante o projeto, Ruth Escobar ironizou a ameaça: “Pois, ministro, um estupro, se for daqui a dez anos, até que pode ser um bom negócio.”

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Noé, o sobrevivente

Cunhado de qualidade

Noé era figura conhecida, no Rio Grande do Norte, por sua capacidade de ficar bem com todos os governos. Não foi diferente no levante comunista de 1935, quando Giocondo Dias, do PCB, ocupou o Palácio Potengi, sede do governo local, enquanto Dinarte Mariz subia a serra, de Caicó para Natal. Uma turba raivosa invadiu um jornal ligado ao governo, disposta a empastelar tudo, e, lá, encontrou o inefável Noé. “Afinal, com quem você está?” gritou um manifestante. “Estou com Deus... ofende?”, respondeu baixinho, com olhar de súplica. Escapou, mais uma vez.

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A vida privada é pública

Cunhado de qualidade

Repórter da Manchete, Alexandre Garcia informou certa vez que o presidente João Figueiredo devorava barras de chocolate que escondia numa lata, na cozinha da Granja do Torto. O general acabara de ser operado do coração. Ficou furioso. Ordenou investigação para identificar o auxiliar que vazara a informação e mandou um recado mal-educado ao jornalista, acusando-o de invadir sua privacidade. Alexandre respondeu por carta, argumentando que, ao aceitar ser presidente, ele abriu mão da privacidade. E advertiu que o chocolate fazia mal também ao País, com o risco de entupir outra artéria. Conhecido pelo jeito duro e até truculento, o general Figueiredo teve uma reação inesperada. Em carta a Alexandre – que a guarda até hoje – ele reconheceu que o jornalista tinha razão.

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Cunhado de qualidade

Cunhado de qualidade

O ex-governador de Alagoas Guilherme Palmeira, ex-ministro do Tribunal de Contas da União, conversava com o deputado Nelson Costa, que entrou para o folclore político ao pedir, como souvenir, a guimba do cigarro que o general João Figueiredo. “Sinceramente, não sei o que seria de mim sem o meu cunhado”, reconheceu Costa a Palmeira, “ele me ajuda muito.” O então governador estranhou: “Desculpe, Nelson, mas que cunhado??” O deputado apontou para a parede: “Aquele ali, pendurado no crucifixo.” Era como ele se referia a Jesus Cristo, orgulhoso da irmã, que, freira, se “casou” com o filho de Deus.

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