quinta-feira, 17 outubro 2019

Poder sem Pudor

Poder sem Pudor

O fogo da juventude

O fogo da juventude

Eliseu Resende era senador septuagenário quando lembrou da candidatura ao governo de Minas, em 1982, contra Tancredo Neves. Inexperiente, cometeu um erro ao criticar a idade do adversário: “Não podemos entregar o Estado a quem, numa idade provecta, não pode sustentar o peso da administração.” Tancredo não passou recibo. Foi à TV elogiar o rival e acabar com ele: “Konrad Adenauer deixou o governo da Alemanha aos 80 anos, após reconstruir o país. Já o jovem Nero...”

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Gargalhando por dentro

Gargalhando por dentro

Jânio Quadros estava em campanha para presidente, em 1960, e foi a Sete Lagoas (MG) para um comício com Magalhães Pinto, que disputava o governo de Minas contra Tancredo Neves. No comício, os oradores foram recebidos com ovos e vaias. A comitiva seguiu para uma cidade vizinha. No carro, Jânio ficou um tempão esperando que Magalhães Pinto dissesse alguma coisa. Desconfiava que ele estava por trás das vaias e dos ovos. Até que perdeu a paciência com o impassível aliado: “Os mineiros são terríveis. Quando não riem por dentro, riem por fora.”

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Cheiro de povo

Cheiro de povo

Ao chegar a Belo Horizonte (MG) na campanha presidencial de 1960, Jânio Quadro recusou as ofertas de hospedagem, inclusive a do aliado Magalhães Pinto. Preferiu um hotel, “para evitar ciúmes e intimidades”. Para garantir a privacidade do candidato, Magalhães conseguiu que a Polícia Militar isolasse o hotel, mas ao deixar o prédio para ir ao comício, Jânio ficou revoltado com o aparato. Desabafou com Magalhães: “É por isso que a UDN de vocês não ganha eleição. Eu quero meu povo!” Seguiu para o comício nos braços dos eleitores. Magalhães foi a pé.

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Um mar de leite

Um mar de leite

A base eleitoral do senador potiguar Agenor Maria era o sertão, município de Currais Novos, onde tinha uma fazenda de gado leiteiro. Certa vez, alugou uma casa de praia, em Natal, e levou com ele um velho empregado de sua fazenda, seu Chico, que nunca tinha visto o mar. “Chico, veja só que imensidão. Imagine tudo isso sendo nosso e, em vez de água, leite!” – disse Agenor, puxando conversa na varanda da casa. A resposta do velho vaqueiro foi carregada de significado: “Prestava não, dr. Agenor. E aonde a gente ia achar tanta água pra misturar nesse leite?”

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Índio malandro

Índio malandro

O cacique Mário Juruna foi eleito deputado em 1982, pelo PDT carioca, e fez história, de gravador em punho, cobrando promessas e compromissos dos políticos com a causa indígena. Mas, curiosamente, o deputado Mário Juruna não nomeou índios xavantes para a sua assessoria; só escolheu brancos. A um repórter que perguntou o motivo, ele explicou: “Branco entende malandragem de branco.”

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Reino animal

Reino animal

No final dos anos 1970, quando Arena e MDB eram os partidos autorizados pela ditadura, vivia em Manaus um comerciante sírio, Salim, conhecido por “Jacaré”. Certo dia, às vésperas da eleição de 1978, recebeu uma ligação: “Aqui é Luís Humberto, da Comissão de Finanças da Arena. Estamos reunindo recursos para a campanha do vice-governador João Bosco, nosso candidato ao Senado. Precisamos de sua contribuição financeira.” Ele respondeu na bucha: “De jeito nenhum, patrício. A Arena só tem leão ou rato. Eu sou Jacaré.”

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Manhas do Malvadeza

Manhas do Malvadeza

O jornalista Luiz Cláudio Cunha entrevistava ACM, então governador da Bahia, para um perfil na revista Playboy que ganharia um título magnífico, inspirado no filme do baiano em Glauber Rocha: “Deus e o Diabo na terra do Sol”. O almoço estava no final quando o telefone tocou. Era Clóvis Rossi, da Folha. ACM não queria deixar de atender, tampouco falar. Ele já havia parado de comer, mas meteu uma garfada na boca e pegou o telefone: “Aô, bubo bem?” disse, de boca cheia. Constrangido, Rossi se desculpou pela interrupção do almoço e desligou.

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Separados pela língua

Separados pela língua

Quando se filiou ao PTB, após ser derrotado para vereador na capital gaúcha, Cristopher Goulart, neto do ex-presidente João Goulart, alfinetou a prima, num encontro em Porto Alegre: “Se meu avô Jango estivesse vivo, não estaria no PDT porque era o partido de Brizola.” A deputada estadual Juliana Brizola (PDT-RS) retrucou, incorporando o espírito do avô: “Não posso dizer em que partido meu tio-avô Jango estaria, mas com certeza não seria no partido do Roberto Jefferson.”

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