quarta-feira, 18 setembro 2019

Poder sem Pudor

Poder sem Pudor

Dois em um

Além de Petrônio Portela, articulador da abertura política, o Piauí tinha o senador biônico Lucídio Portela. Ao contrário do irmão, Lucídio tinha fama de rude. Certa vez ele elogiava a ditadura quando citou o escritor Fiódor Dostoievsky. Um senador de oposição aparteou: “Interessante sua citação de Dostoievsky. A propósito, o nobre colega já leu ‘Crime e Castigo’? O velho Lucídio multiplicou por dois o clássico romance da literatura russa: “Li os dois!”.

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Latindo por votos

Na campanha de Tancredo Neves ao governo de Minas, em 1982, o deputado Ronan Tito espalmava a mão e perguntava que número era aquele. O povão respondia “Cachorro!”, numa alusão ao jogo do bicho. “Pois Tancredo será o cachorro que vai expulsar os ladrões do Palácio da Liberdade!”, exclamava Tito. A estratégia de gosto duvidoso preocupava os amigos de Tancredo, que provocaram uma reunião sobre o assunto. O vice Hélio Garcia não via motivo para apreensão: “Se é para ganhar a eleição, tem até que latir...”

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O lobby dos enforcados

Em 1988, uma comitiva do Ministério da Indústria e Comércio tentava com o governo Saddam Hussein quitar dívidas de US$2 bilhões com empresas brasileiras, entre elas a Mendes Júnior. Ressabiado, o deputado da extinta Arena Israel Pinheiro avisou ao ministro Roberto Cardoso Alves: “O pessoal do Saddam que saber mais do ‘contrato dos enforcados’.” Pergunta daqui, pergunta dali, “Robertão” matou a charada: Saddam mandou enforcar funcionários iraquianos subornados pelos brasileiros.

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Susto na campanha

Aloysio Nunes Ferreira era líder do governo na Assembleia paulista e confessou ao governador Orestes Quércia que, sem tempo para campanha, temia ser derrotado na disputa para deputado. O pior é que o prefeito de Rio Preto, Manoel Antunes, era seu concorrente na mesma base. Quércia ligou para Antunes: “Soube da sua candidatura, parabéns. Conte comigo!” Aluysio quase tem um infarto. Quércia tentou acalmá-lo: “Tenho algo melhor para você.” De fato, ele acabaria eleito vice-governador na chapa de Luiz Antônio Fleury Filho.

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Só por telefone

Benedito Valadares estava no final do último mandato de senador, nos anos 1970, e evitava jornalistas. Certo dia, acabou encurralado em um corredor do Senado. Atônito, pegou o telefone mais próximo e fingiu que falava com alguém. Conversa demorada. Os jornalistas se impacientaram e ele reagiu: “Não têm respeito? Não veem que estou falando com o Carvalho Pinto?” Um jornalista o desmascarou: “Mas o Carvalho Pinto está ali do lado!” Valadares deu uma olhada, viu o colega, mas insistiu na desculpa: “É que eu só falo com ele por telefone…”

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Livros em alta

Após a última reunião do Conselho de Ética do Senado, quando o então senador Demóstenes Torres (DEM-TO) enfrentava acusações das quais somente se livraria tardiamente, após perder o mandato, o ex-deputado Robson Tuma (PTB-SP) tentou ironizou o parlamentar, experiente procurador: “Vou presentear o senhor com um livro de Direito...” Demóstenes respondeu na bucha: “E eu vou presentear o senhor com uma biblioteca inteira.”

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Grampo torcedor

Quando se especializava na União Soviética, o genial pianista Arthur Moreira Lima e sua família eram monitorados pela ditadura, que grampeava seus telefones, no Rio de Janeiro. Certa vez, ele esperou horas por uma ligação para saber o resultado de um jogo decisivo do seu time querido, o Fluminense. Mas sua mãe de nada sabia, nem havia ninguém por perto para ela perguntar. Arthur praguejava lá de Moscou quando o sujeito que escutava a ligação clandestinamente, também Fluminense doente, gritou: “Flusão venceu! Foi 2 a 1!” E desligou.

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Fonte do planeta

Certa vez, ao ouvir do alagoano Geraldo Bentes, seu ex-secretário de Turismo, a piada de que os rios Capiberibe e Beberibe, do Recife, formam o oceano Atlântico, para ilustrar a suposta “mania de grandeza” dos pernambucanos, o recifense Cristovam Buarque, ex-senador do DF, protestou imediatamente: - E quem disse que esses rios formam só o Atlântico?

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