Poder sem Pudor

Poder sem Pudor

Um burro na plateia

Um burro na plateia

Contam na Bahia que foi animada a eleição para presidente da Câmara Municipal de Bom Jesus da Lapa, em janeiro de 2001. Indicado pelo prefeito, o vereador Valdivino Borges fazia seu discurso quando alguém o interrompeu para se referir à sua condição de um iletrado: “Sai daí, seu burro!” Valdivino olhou para o agressor e respondeu na lata: “Eu sou burro e sou o presidente da Câmara, e você, que não é, está aí me dando coice!...

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Mais um passista

Mais um passista

Ainda sem saber como seria aproveitado na equipe do ministro das Relações Exteriores Antônio Azeredo da Silveira, seu ex-chefe que acabara de ser nomeado pelo general Ernesto Geisel, o diplomata Marcos Azambuja, que colegas apelidaram de “o pequeno notável”, procurou uma amiga – exatamente a mulher do chanceler, a embaixatriz May: “Na escola de samba do embaixador Azeredo, serei passista ou destaque?” Dona May respondeu com a sua conhecida suavidade, mas sem pestanejar: “Na escola de samba do Silveira, Marcos, o único destaque é ele...”

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O bote da cobra

O bote da cobra

Na repressão que se seguiu ao golpe de 1964, houve verdadeira caça às bruxas. A crônica daquele tempo registrou a história de um agricultor pernambucano fotografado em um comício do governador. “O sr. conhece Miguel Arraes?” perguntou-lhe o policial. “Conheço não, doutor. Só conheço ele de vista. Nunca falei com ele, não.” O policial assumiu atitude inquisidora: “E esta foto do senhor com ele, num comício?” O camponês olhou assustado e jurou: “Vixe, seu major! E não é que o dr. Miguel Arraes estava perto mesmo! Eu nem notei, juro! Se fosse uma cobra, tinha me mordido!”

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Correção automática

Correção automática

Espirituoso, de inteligência brilhante, o embaixador Marcos Azambuja era diplomata em Buenos Aires quando seu chefe, Azeredo da Silveira, após algumas articulações, foi nomeado ministro das Relações Exteriores do presidente Ernesto Geisel. Levou para o Itamaraty todos os que serviam com ele, exceto Azambuja, um cético quanto às suas chances. Azambuja se rendeu e pediu audiência a Silveirinha, que logo lhe passou na cara: “Você nunca acreditou em mim, meu caro...” Azambuja respondeu na bucha: “Errei, mas estou aqui para corrigir!

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Culpa é de JK

Profissão: embromador

A vidente mineira Leila Alckmin ficou famosa, em 1989, quando previu a vitória do candidato do PL à Presidência da República, Guilherme Afif Domingos. Detalhe: o espírito do falecido presidente Juscelino Kubistchek teria relatado a ela como seria o desfecho da eleição. Afif não venceu, nem sequer foi para o segundo turno, mas a vidente carregava na ponta da língua a explicação para o seu fiasco: “Eu nunca disse que Afif seria o presidente. Quem garantiu isso foi JK.” Ah, bom.

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Alkimin, a raposa

Profissão: embromador

A raposa mineira José Maria Alkimin visitava o interior quando encontrou um velho correligionário, dono do jornal local: “Como vai ‘O Combate’”? O homem corrigiu: “Não é ‘O Combate’, é ‘O Debate’”... Alkimin não se fez de rogado: “Ora, eu sei! Refiro-me ao seu combate no ‘O Debate’...” O paciente interlocutor aquiesceu: “Apesar das dificuldades, vai muito bem, deputado.” Alkimin continuou, incorrigível: “Leio seu jornal todos os dias, amigo!” Aí já era demais: “Mas, senhor, o jornal é semanal...” Alkimin não se atrapalhou: “É claro que é semanal. Eu sei! Todas as semanas pergunto para minha secretária: “Cadê ‘O Debate’? É que ele é tão bom que eu acabo lendo todos os dias. Está sempre na minha cabeceira”, mentiu.

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Profissão: embromador

Profissão: embromador

Na campanha presidencial de 1989, Paulo Maluf esteve em Natal (RN) e foi entrevistado no programa do jornalista Petit das Virgens, na TV. Espaçoso, foi chegando e saudando o entrevistador como a um velho amigo. Pouco mais de um mês depois, Maluf rasgaria a máscara. Ele retornou ao mesmo programa da TV Tropical e lá estava outro jornalista, Miranda Sá, substituto e fisicamente muito diferente do primeiro. Maluf o saudou, efusivo: “Olá, grande Petit das Virgens, aqui estou de volta. Como vai a família?”

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Ministro no jantar

Ministro no jantar

ACM sempre viveu às turras com alguém. Era ministro do governo José Sarney e, claro, brigava com outros ministros. Um deles era o da Previdência, Renato Archer. Carta vez os dois se encontraram na antessala do presidente, no Planalto, e ACM puxou conversa: “Esta coisa de vida pública é difícil. Ainda outra dia tive que desmentir um jornal que publicou, imagine, que eu teria dito que naquele dia você não jantaria ministro. Imagine que eu ia dizer uma coisa desta!” Sempre calmo, Archer apenas sorriu e ironizou: “Não se preocupe. Em qualquer hipótese eu não deixaria de jantar.”

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