Poder sem Pudor

Poder sem Pudor

O quase ministro

O quase ministro

Durante anos o paulista Castilho Cabral acreditou que quase foi ministro de Jânio Quadros. Tudo por causa de um telefonema nos dias em que o presidente eleito se encontrava em Paris: “Monsieur Castilhô... Monsieur Quadrôs...”, anunciou o telefonista. A voz de Jânio apareceria em seguida: “Castilho, meu bem! Preciso de você no ministério, mas quero uma resposta agora...” Subitamente um ruído cortou a conversa, naqueles tempos sem DDD. “Monsieur Castilhô, São Paulô...” – insistia o tal telefonista, entre chiados. Era tudo uma brincadeira de dois amigos, Otto Lara Rezende (o “telefonista” parisiense) e José Aparecido de Oliveira, imitando Jânio.

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Eu nomeio, você paga

Eu nomeio, você paga

O falecido Humberto Lucena (PB) adorava nomear parentes, quando presidiu o Senado. Ao ser tachado de “a caneta mais rápida de Brasília”, chamou o repórter que o ironizara ameaçando processo. E lorotou: “Nomear parentes só é pejorativo no Sul. No Nordeste, o povo até gosta.” O jornalista, nordestino como Lucena, mas de Pernambuco, perdeu a paciência. Puxou o senador pelo braço e disse ao seu ouvido, firme, quase gritando: “Nós dois sabemos que o sr. está mentindo, mas vou fingir que não ouvi.” Lucena não tocaria mais no assunto. Nem processaria o jornalista.

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É Farroupilha!

É Farroupilha!

Interventor no Rio Grande do Sul, o general Flores da Cunha detestava perder no carteado e, certa vez, impôs à mesa, arrastando as fichas: “Ganhei! Formei uma Farroupilha, o maior jogo numa mesa gaúcha!” Eram só cinco cartas de naipes diferentes. O jogo seguiu e logo depois um dos seus adversários exclamou: “É Farroupilha!” O general reagiu, recolhendo as fichas com a mão esquerda e segurando um 38 com a direita: “Esse jogo só vale uma vez!”

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Santo candidato

Santo candidato

Em visita à Bahia, nos idos de 1936, quando o País especulava sobre sucessão presidencial, Getúlio Vargas ouviu o governador Juracy Magalhães, em um discurso, traçar o perfil ideal de candidato, que para ele deveria ser paciente, honesto, corajoso, empreendedor, prudente, generoso etc. Na viagem de volta, dia seguinte, Getúlio cutucou o genro Amaral Peixoto: “Já sei quem é o candidato de Juracy....” Peixoto arriscou: “Acho que é ele mesmo”. Getúlio concluiu, às gargalhadas: “Não, só pode ser o Senhor do Bomfim!”

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Raposas mineiras

Raposas mineiras

Uma roda especulava sobre a iminente escolha do interventor de Minas Gerais, em 1934, quando Benedito Valadares mencionou a possibilidade de José Maria Alkmin vir a ser o escolhido. Ele fingiu estupefação: “Você está ficando louco, Benedito?!...” Poucos dias depois, Getúlio Vargas anunciaria a escolha de Valadares, que logo receberia um primeiro telegrama de cumprimentos: “Parabéns pela nomeação. Retiro a expressão. Ass., Zé Maria.” Tratava-se de “Zé Maria” Alkmin, que ganhou o cargo de secretário do Interior.

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Solução rápida

Solução rápida

A questão de água, no Nordeste, sempre aguçou rivalidades. Certa vez Juarez Távora, ministro da Viação de Castello Branco, foi ao Rio Grande do Norte visitar obras. Ao desembarcar, ouviu de um líder político local: “Precisamos de um grande açude aqui, porque estamos inferiorizados em relação ao Ceará. Lá, existem 19; aqui, 18.” Távora sacou a solução na hora: “Não tem problema. Mando arrombar um no Ceará e fica empatado.”

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Rapadura salgada

Rapadura salgada

Manoel Gomes da Silva, o Gominho, trocou o MDB pela Arena na eleição municipal de 1976, em Princesa Isabel (cidade histórica da Paraíba), e foi candidato a vice na chapa de Sebastião Feliciano dos Santos, o Batinho, mediante a promessa de assumir no meio do mandato. Passaram-se quatro anos e o compromisso não foi cumprido. Na eleição seguinte, já rompido com a Arena e de volta ao MDB, Gominho tentava se justificar no palanque: “Meus amigos, mais vale uma rapadura salgada do que uma promessa doce!”

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Pianista sem piano

Pianista sem piano

Eleito governador do Rio Grande do Sul em 1934, o general Flores da Cunha foi pressionado pelas oito irmãs e a mãe, durante um ano, a nomear o sobrinho Pedruca para qualquer cargo. Ele resistiu – considerava Pedruca um inútil. Mas não aguentou a pressão do mulherio (quem aguentaria?) e capitulou, dando finalmente instruções a Poti Menezes, chefe da Casa Civil: “Prepare o ato nomeando Pedruca pianista do Palácio Piratini.” O secretario ponderou: “Mas, governador, Pedruca nem sequer sabe tocar piano...” O general liquidou o assunto: “Não faz mal, no Palácio não tem piano mesmo...”

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