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21/03/2019

Elevação do nível dos oceanos exige políticas de longo prazo

PERIGO DAS ÁGUAS

Elevação do nível dos oceanos exige políticas de longo prazo

Oceanos têm um papel fundamental na regulação do clima do planeta

Além de ameaçar diretamente as populações costeiras, o efeito das mudanças climáticas nos oceanos pode comprometer a regulação do clima de todo o planeta, alertam pesquisadores em novo episódio do programa Ciência Aberta (foto: Felipe Maeda / Agência FAPESP)

A elevação do nível dos oceanos pode ultrapassar 1,6 metro até o fim do século, com consequências desastrosas principalmente para as populações costeiras. Além de medidas para a redução das emissões de gases do efeito estufa a serem adotadas pelos países, os cidadãos precisam mudar hábitos e pressionar os tomadores de decisão para evitar um cenário catastrófico.

A avaliação foi feita pelos pesquisadores que participaram do primeiro episódio do programa Ciência Aberta em 2019, lançado no dia 19 de março com o tema “Oceanos Ameaçados”. A iniciativa é uma parceria da FAPESP com a Folha de S.Paulo.

“São necessárias políticas de Estado, o que não quer dizer políticas de governo. É preciso que seja algo perene, ao longo de décadas”, disse Michel Michaelovitch de Mahiques, professor no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP).

Participaram do programa Ilana Wainer, professora no Departamento de Oceanografia Física do IO-USP e membro do comitê gestor do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) da Criosfera, e Cristiano Mazur Chiessi, professor na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP e líder do subgrupo Paleoclima do Núcleo de Apoio à Pesquisa – Mudanças Climáticas (Incline).

Chiessi lembrou que a cidade de Santos foi uma das primeiras a estabelecer um plano no longo prazo para o enfrentamento das mudanças climáticas. A iniciativa foi parte de um projeto com apoio da FAPESP.

“Não foi algo feito apenas por pesquisadores, mas em conjunto com o poder público e com a sociedade civil. O plano ainda não foi colocado em prática, é muito recente. Mas, se for, vai efetivamente gerar condições um pouco menos difíceis para as populações afetadas pela elevação do nível do mar e por outras questões associadas a mudanças climáticas dos oceanos”, disse o pesquisador (leia mais sobre o assunto em: http://agencia.fapesp.br/22357).

O estudo concluiu que o custo mínimo com obras na região da Ponta da Praia de Santos e na Zona Noroeste, as mais afetadas pela elevação do nível do mar no município, ficaria em torno de R$ 300 milhões. Não se adaptar às mudanças climáticas, por outro lado, poderia custar até R$ 1,5 bilhão (leia em: http://agencia.fapesp.br/25976).

Os pesquisadores ressaltaram que a elevação do nível dos oceanos já ocorreu em outros períodos na Terra, mas não em uma velocidade tão alta como agora.

“A taxa em que esse aumento está ocorrendo é muito rápida. Desde 1993, a elevação é de 3,1 milímetros (mm) por ano. Em 1900, era de 1,7 a 2 mm por ano. A partir de um determinado ponto, o aumento começou a ser exponencial. Mudanças [climáticas] sempre existiram, mas agora estamos alimentando o sistema com os gases [do efeito] estufa”, disse Wainer.

O mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) das Organização das Nações Unidas (ONU), lançado em 2013, apontou que a taxa de elevação do mar seria de 8 a 16 mm por ano até o fim do século, muito maior do que os 3,2 mm anuais observados atualmente. Para o ano 2100, portanto, o nível dos mares subiria entre 50 centímetros e 1 metro.

“É importante mencionar que, quando o quinto relatório do IPCC foi fechado, a compreensão e a representação do degelo das calotas polares eram extremamente incipientes”, disse Chiessi.

Os novos modelos, explicou, preveem um aumento ainda maior, chegando a 1,6 metro de elevação até 2100, levando em conta o derretimento das calotas polares. Estudos recentes, que serão contemplados no próximo relatório do IPCC, indicam valores anda mais altos do que 1,6 metro de elevação para o fim do século.

Sintonia com a atmosfera

Os oceanos têm um papel fundamental na regulação do clima do planeta, ao redistribuir o calor que chega em excesso na região tropical até as regiões polares, ao mesmo tempo em que levam o frio dos polos para os trópicos.

“Os oceanos, junto com a atmosfera, funcionam como um ar condicionado do planeta, levando calor para as regiões frias e frio para onde está muito quente”, disse Wainer.

Chiessi explicou que a transferência de energia na forma de calor do Atlântico Sul para o Atlântico Norte anualmente é da ordem de 0,4 petawatt, o equivalente ao produzido por 285 mil usinas hidrelétricas de Itaipu. “Essa grande circulação no Atlântico está marcantemente ameaçada”, disse.

“Quando há o derretimento das geleiras, existe um aporte de água doce no mar. Desse modo, não se consegue mais formar essa água profunda e densa necessária para a circulação continuar se movendo. Como consequência, o oceano acaba sendo menos eficiente em redistribuir o calor”, explicou Wainer.

Consciência e tecnologia

Para os pesquisadores, pressionar os tomadores de decisão é fundamental para evitar um cenário catastrófico. Além de diminuir o consumo de plástico, que afeta os ecossistemas marinhos e inevitavelmente chega aos humanos por meio do consumo de peixes e frutos do mar, é fundamental diminuir as emissões de gases do efeito estufa.

“Obviamente, ninguém vai abandonar os carros, parar o transporte aéreo e marítimo da noite para o dia. Não é isso. Mas existem dois pontos importantes. Um é a tomada de consciência, individual e coletiva, de que é necessário um maior respeito pelos oceanos e pelo planeta. E o outro é usar a tecnologia a nosso favor. Optar por meios de transporte menos poluentes, por exemplo. Existem várias coisas que podem ser feitas, senão para impedir, pelo menos para diminuir a taxa de crescimento [de emissões]. Temos que ter consciência de que só temos esse planeta [e por isso] temos que cuidar melhor dele”, disse Mahiques.

O novo episódio de Ciência Aberta, “Oceanos Ameaçados”, pode ser visto em: www.fapesp.br/ciencia-aberta.

Confira também os programas anteriores, que abordaram temas como obesidade, a contribuição das mulheres para o avanço da ciência, depressão em jovens e adolescentes e os novos desafios das cidades. (Agência FAPESP)

 

Leia mais sobre Ciência, Tecnologia e Inovação em BRASIL CTI.

21/03/2019

Ameaça de atirar em Toffoli leva PF à casa de advogado alagoano filiado ao PT

Ameaças ao STF

Ameaça de atirar em Toffoli leva PF à casa de advogado alagoano filiado ao PT

Advogado petista Adriano Argolo nega ameaça e alega ter Twitter clonado

A Polícia Federal (PF) cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa do advogado alagoano Adriano Argolo, na manhã desta quinta-feira (21), no bairro de Guaxuma, em Maceió (AL). Filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), Argolo se autointitula nas redes sociais um dos maiores críticos do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus integrantes. E é alvo do inquérito que apura ameaças contra ministros da Suprema Corte, em mandado expedido pelo ministro Alexandre de Moraes.

A PF apreendeu o aparelho celular do advogado, sob a acusação de que Argolo teria postado nas redes sociais, em novembro do ano passado, uma mensagem com ameaça de atirar contra o ministro-presidente do STF, Dias Toffoli. A postagem investigada citava a suposta intenção do advogado de ir ao STF e dar um tiro nas costas do presidente da Suprema Corte do Judiciário do Brasil.

Durante a operação, a PF apresentou ao advogado a mensagem contante no inquérito, e este negou ter sido o autor da ameaça. E Argolo disse que claramente sua conta no Twitter foi clonada e que nunca seria capaz de proferir qualquer ameaça ao STF, quando entrevistado pela TV Gazeta, nesta manhã.

O advogado admite que boa parte de suas postagens é de cunho político e crítico, mas nunca para ameaçar qualquer membro do Poder Judiciário. E disse que foi surpreendido com a chegada dos policiais federais em sua residência, no Litoral Norte de Maceió.

“Faço críticas pontuais, tenho cerca de 26 mil seguidores no Twitter e todos percebem que faço diversas críticas políticas. Critiquei o processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma, as várias nuances da Lava Jato, mas jamais seria capaz de fazer uma ameaça a um ministro do Supremo Tribunal Federal. Isto só acontece por uma pessoa que desconhece as leis. Minha conta foi clonada. Nunca postei que gostaria de dar um tiro no tiro nas costas do ministro Dias Toffoli. Só uma pessoa que absurdamente desconhece os trâmites da legislação brasileira faria uma ameaça dessa. Há um incômodo com minhas postagens, que são políticas. Me posicionei contra o impeachment da Dilma e contra vários fatores que considero ilegais da Operação Lava Jato. E é público e notório que clonaram uma conta minha”, argumenta Argolo, ao declarar ser pacífico, não ter armas, nem saber atirar.

O advogado disse ter tomado conhecimento hoje da clonagem de sua conta, com a apresentação da postagem pela Polícia Federal. E antecipou que seus advogados entrarão com recurso para trancar o processo, alegando absoluta falta de provas e indícios que o incriminam neste inquérito.

Veja uma série de publicações do advogado, criticando o STF e conclamando “luta popular”:

O Twitter de Adriano Argolo não mostra a mensagem alvo da investigação e só é possível consultar publicações depois do dia 24 de novembro de 2018. No ferfil, também há críticas ao presidente da República Jair Bolsonaro (STF), chamado de “miliciano nazifascista” em diversas publicações. Sua última postagem foi final da noite de ontem (20), quando disse que “a melhor coisa do mundo é ser nordestino de esquerda”, depois de alertar que sua conta estaria sendo atacada há dias “por uma aliança já esperada de cirominions e bolsominions”.

Os alvos das outras ordens judiciais expedidas pelo STF são pessoas que utilizaram perfis nas redes sociais para disseminar mensagens ofensivas e até com ameaças explícitas contras membros do Supremo. (Com informações da Gazetaweb e TV Gazeta de Alagoas)

21/03/2019

Governo de SP usa carne de frigorífico interditado na merenda escolar

Fraude econômica

Governo de SP usa carne de frigorífico interditado na merenda escolar

Secretaria da Educação, após ser informada, diz que recolherá produto e afastará responsável

A gestão do governador João Doria (PSDB) firmou contrato de fornecimento de carne para a merenda escolar com três frigoríficos que tiveram atividades suspensas pelo Ministério da Agricultura. O produto de ao menos uma das empresas continuou a ser entregue a colégios estaduais mesmo após a aplicação da penalidade.

O ministério informou à reportagem que determinou a suspensão das atividades dos frigoríficos após constatar fraude econômica.

Embora não tenha detalhado a natureza das autuações, fraude econômica consiste em comercializar um produto diferente do que o que foi combinado –por exemplo, vender carne de segunda como se fosse de primeira, ou misturar rejeitos à carne.

Os três frigoríficos com atividades suspensas respondem pelo fornecimento da maior parte das carnes servidas aos alunos do estado desde o ano passado.

São eles: NS Alimentos, que fornece carne de porco e coxão mole; Centroeste, que tem contratos para carne moída; e Fridel, com contrato para patinho e coxão mole, e que foi reaberto nesta quarta (20).

Segundo o Ministério da Agricultura, a suspensão das atividades da NS Alimentos foi determinada em 30 de janeiro. Ainda assim, a empresa firmou no dia 11 de fevereiro contratos com a Secretaria da Educação do estado no valor de R$ 7,9 milhões para compra de coxão mole e pernil.

Os documentos estão assinados por Júlio César Forte Ramos, chefe da Coordenadoria de Infraestrutura e Serviços Escolares da secretaria, e por uma representante da empresa.

Documentos obtidos pela Folha mostram ainda que parte das escolas continuou recebendo carne da NS Alimentos mesmo após a secretaria ter sido notificada da suspensão de atividades em razão de fraude econômica.

O produto fornecido foi a carne patinho em cubos congelada, adquirida por meio de um contrato firmado no ano passado. A Fridel também teve um contrato assinado em 20 de fevereiro, mesmo dia em que suas atividades foram suspensas.

Parte das escolas estaduais relata problemas no recebimento de carne nas últimas semanas. É o caso da escola Dora Peretti, em Mogi das Cruzes (Grande SP). Em Americana, professores afirmam que diretores e pais de alunos da cidade têm bancado a aquisição de carne alguns dias da semana. A secretaria nega.

O Ministério da Agricultura informou que a suspensão do Fridel, determinada em 20 de fevereiro por “fraude econômica (substituição de matéria prima)”, foi revogada nesta quarta-feira (20) após nova fiscalização e apresentação de programas de autocontrole de rastreabilidade.

Em relação aos demais, diz que “as ações cautelares de suspensão destes estabelecimentos são mantidas até que o interessado comprove em processo administrativo que identificou o motivo que originou a não conformidade, que implementou medidas corretivas e preventivas visando eliminar novos casos de fraude e que adotou todas as ações/destinações adequadas sobre o produto com fraude”.

O cardápio da merenda das escolas da rede estadual vem sofrendo alterações desde a gestão Márcio França (PSB), que continuam sob Doria.

Entre as mudanças, está a volta de produtos processados que antes não estavam no cardápio, contrariando a preferência que vinha sendo dada a alimentos in natura. Foram compradas, por exemplo, almôndegas com molho pronto já congelado e foi aberto processo para aquisição de molho de tomate em pó.

Além disso, menus feitos pela chef Janaina Rueda foram substituídos sem aviso no final do ano passado por refeições que têm gerado críticas por falta de nutrientes ou pela repetição de alimentos.

O secretário de Educação do Estado de São Paulo, Rossieli Soares, afirmou por meio de nota que, “ao tomar ciência de que produtos de frigoríficos com atividades suspensas pelo Ministério da Agricultura foram distribuídos pela pasta, determinou abertura de investigação para apurar as responsabilidades”.

Declarou ainda que, assim que identificados, os responsáveis serão afastados. “O secretário ordenou que todo o material entregue seja recolhido das escolas”, diz a nota. (FolhaPress)

21/03/2019

País mantém desde 2011 diferença de aprendizagem entre ricos e pobres

Educação

País mantém desde 2011 diferença de aprendizagem entre ricos e pobres

83% dos estudantes mais ricos saem da escola pública tendo aprendido o adequado em língua portuguesa; entre estudantes mais pobres, apenas 17%

No Brasil, enquanto 83% dos estudantes mais ricos saem da escola pública tendo aprendido o adequado em língua portuguesa ao final do ensino médio, entre os estudantes mais pobres, essa porcentagem é 17%. Em matemática, 63,6% dos alunos mais ricos aprenderam o adequado e apenas 3,1% dos mais pobres saem da escola sabendo o mínimo considerado suficiente na disciplina. Os dados são do Todos pela Educação (TPE), organização social, sem fins lucrativos.

A entidade analisou os microdados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2017 e mostrou que há diferença grande e constante, desde 2011, entre o desempenho dos mais ricos e dos mais pobres em todos os níveis analisados, no 5º e no 9º ano do ensino fundamental e no 3º ano do ensino médio. A disparidade entre as porcentagens de estudantes que aprendem o adequado chega a ser quase cinco vezes maior entre aqueles com maior nível socioeconômico e os com menor nível.

“A educação, que poderia ser uma das principais ferramentas para diminuir a desigualdade de aprendizagem não tem conseguido fazer isso de maneira consistente no Brasil”, diz o diretor de Políticas Educacionais do TPE, Olavo Nogueira Filho. “A gente está avançando na média brasileira, mas está mantendo um alto grau de desigualdade entre alunos de nível socioeconômico mais alto e mais baixo. Estamos melhorando sem conseguir diminuir esse resultado entre mais ricos e mais pobres”, avalia.

O Saeb avalia estudantes quanto aos conhecimentos de língua portuguesa e matemática e é aplicado de dois em dois anos. A avaliação é de responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que classifica os estudantes em seis grupos, considerando o nível socioeconômico.

O grupo 1 reúne os estudantes com o menor poder aquisitivo. São, em maior parte, estudantes com renda familiar mensal de até um salário mínimo e que têm, em casa, bens elementares, como uma geladeira e uma televisão, sem máquina de lavar roupa ou computador. Os pais ou responsáveis têm formação até o 5º ano do ensino fundamental ou inferior.

Na outra ponta, está o grupo 6, com estudantes com renda familiar mensal de sete salários mínimos ou mais, cujos pais ou responsáveis completaram a faculdade e que tem em casa três ou mais televisores, dois ou mais computadores, entre outros bens.

A diferença é constatada desde o 5º ano do ensino fundamental, quando 90,4% dos mais ricos aprendem o adequado em língua portuguesa e 83,9%, em matemática e apenas 26,3% dos mais pobres aprendem o adequado em português e 18,1%, em matemática.

De acordo com Nogueira Filho, a escola pública não está cumprindo um de seus principais potenciais: reduzir desigualdades. “Para fazer isso, é preciso ter uma política educacional que se preocupe com essa questão. Uma política educacional que se traduza em mais recursos para quem tem maior desafio”, defende.

De acordo com o diretor, ocorre o contrário no país. “Os municípios mais vulneráveis, em geral, são os que têm menor investimento por aluno quando comparados com regiões de nível socioeconômico mais elevado”.

Aprendizagem adequada

De acordo com o levantamento do TPE, em média, considerando juntos todos os níveis socioeconômicos, houve melhora na aprendizagem no país, no ensino fundamental. No ensino médio, há praticamente estagnação desde 2001.

O maior salto foi no 5º ano do ensino fundamental. Em 2001, 23,7% dos estudantes aprendiam o adequado em língua portuguesa e 14,9%, em matemática. Essas porcentagens chegaram a 60,7% e a 48,9%, respectivamente, em 2017.

No final do ensino médio, em 2001, 25,8% dos jovens deixavam a escola sabendo o mínimo adequado em português e 11,6%, em matemática. Em 2017, essas porcentagens passaram para 29,1% em língua portuguesa e reduziram para 9,1% em matemática.

O TPE considera como aprendizagem adequada estudantes que obtiveram pelo menos, em língua portuguesa, 200 pontos no 5º ano do ensino fundamental, 275 no 9º ano e 300 no final do ensino médio. Em matemática, é necessário tirar pelo menos 225 pontos no 5º ano, 300 pontos no 9º ano e 350 pontos no 3º ano do ensino médio.

As pontuações foram definidas por um conjunto de especialistas que buscou como referência, inclusive, o desempenho de estudantes de nível semelhante em outros países.

Seguindo os níveis propostos pelo Inep, essas pontuações significam que os estudantes devem estar pelo menos no nível 5 de 10 níveis em matemática e no nível 4 de 9 níveis em língua portuguesa, no 5º ano; no nível 4 de 8 níveis em português e 5 de 9 níveis em matemática, no 9º ano; e no 6 de 10 em matemática e nível 4 de 8 níveis em língua portuguesa, no 3º ano do ensino médio.

Ministério da Educação

No ano passado, o Ministério da Educação divulgou, pela primeira vez, o nível que considera adequado para cada etapa. Os níveis considerados são mais rígidos do que os definidos pelo Todos pela Educação, considerando adequado apenas o nível 7 em ambas disciplinas. A métrica foi questionada por especialistas.

Pelo critério do MEC, apenas 1,62% dos estudantes obtiveram o mínimo adequado em língua portuguesa ao final do ensino médio e 4,52%, o mínimo em matemática, em 2017. (ABr)

21/03/2019

Após atentado, Nova Zelândia vai proibir venda de armas de estilo militar

50 mortos

Após atentado, Nova Zelândia vai proibir venda de armas de estilo militar

Segundo a primeira-ministra, lei vai entrar em vigor em 11 de abril

Após o duplo ataque a mesquitas na Nova Zelândia, a primeira-ministra Jacinda Ardern anunciou que armas semi-automáticas e automáticas de estilo militar não serão mais vendidas no país. O ataque provocou 50 mortos e muitos feridos.

Segundo Ardern, a lei deve entrar em vigor em 11 de abril. O governo estuda propostas para incentivar donos de armas deste tipo a entregá-las às autoridades.

“Toda arma semi-automática usada no ataque terrorista na sexta-feira será proibida”, disse ela.

No último dia 15, pela manhã, fiéis muçulmanos estavam reunidos em mesquitas quando atiradores entraram, utilizando armas semi-automáticas e automáticas de estilo militar.

Quatro homens foram presos e um deles é considerado o principal responsável pela violência.

A proibição será aplicada a todos os semi-automáticos estilo militar (MSSA) e rifles de assalto, juntamente com peças usadas para converter armas em MSSAs e todas as revistas de alta capacidade. (ABr)

21/03/2019

Alteração em célula de defesa torna obesos e diabéticos mais suscetíveis a infecções

O PESO E O RISCO

Alteração em célula de defesa torna obesos e diabéticos mais suscetíveis a infecções

Estudo realizado na USP foi publicado na revista Scientific Reports

Estudo da USP publicado na Scientific Reports mostra que os neutrófilos desses indivíduos são menos eficazes no reconhecimento de bactérias e morrem mais facilmente (imagem: Blausen Medical / Wikimedia Commons)

Indivíduos obesos e com diabetes do tipo 2 estão mais propensos a desenvolver doenças infecciosas, pois as duas condições afetam o sistema imune. O que não se sabia até agora era o mecanismo envolvido na queda da imunidade desses pacientes.

Estudo realizado no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e publicado na revista Scientific Reportssugere que o fenômeno está ligado a alterações nos neutrófilos, as primeiras células de defesa a reagir diante de um agente invasor.

O trabalho é resultado do projeto de doutorado do bioquímico Wilson Mitsuo Tatagiba Kuwabara, realizado sob orientação da bióloga Tatiana Carolina Alba-Loureiro, com apoio da FAPESP. A investigação foi conduzida no ICB-USP, no antigo laboratório do professor Rui Curi, atualmente no Instituto Butantan e na Universidade Cruzeiro do Sul.

“Esse trabalho tem uma relevância muito grande, pois demonstra que as condições de resistência à insulina, que chamamos de síndrome metabólica, estão ligadas a uma alteração importante nos neutrófilos. Indica também que essa alteração pode estar na origem da suscetibilidade que obesos e diabéticos do tipo 2 apresentam em relação a processos infecciosos”, disse Curi.

Kuwabara conta que até agora não se sabia a razão pela qual obesos e diabéticos são mais vulneráveis ao agravamento de doenças infecciosas. “Encontramos a resposta ao investigar, nos neutrófilos, o que ocorre com a proteína TLR4 quando esta reconhece a toxina LPS [lipopolissacarídeo, principal componente da membrana externa de bactérias gram-negativas] dos patógenos invasores”, disse.

Os receptores do tipo Toll (do inglês toll-like receptors, ou TLR) são uma família de proteínas que fazem parte do sistema imune. Prejuízos no processo de ativação de TLR4 estão associados a uma menor capacidade das células de defesa de combater microrganismos.

“O TLR4 é um receptor de membrana, ou seja, está presente na membrana externa da maioria das células do organismo. Mas seu papel principal se dá nas células do sistema imunológico. Ao fazer o contato com patógenos invasores, o TLR4 desencadeia a resposta de defesa”, disse Kuwabara.

A ativação do TLR4 ocorre quando esse receptor reconhece a toxina LPS das bactérias gram-negativas – causadoras de doenças como clamidíase, brucelose, salmonelose, meningite, cólera, sífilis e peste bubônica, entre muitas outras. Após o reconhecimento do invasor, um sinal é enviado ao sistema imune, que aumenta a produção de substâncias inflamatórias.

Modelos experimentais

Para entender o que ocorre com a ativação do TLR4 em indivíduos obesos e diabéticos do tipo 2, Kuwabara realizou experimentos com dois modelos diferentes: um com ratos da linhagem Goto-Kakizaki e outro com ratos Wistar.

A linhagem Goto-Kakizaki foi selecionada no Japão, nos anos 1970, para o estudo de diabetes. Esses animais apresentam naturalmente todos os sintomas clássicos do diabetes do tipo 2, como resistência à insulina, hiperglicemia de jejum, hiperinsulinemia e aumento dos níveis de triglicérides e colesterol plasmáticos. Os ratos foram importados especialmente para o experimento no ICB-USP e são os únicos representantes da linhagem Goto-Kakizaki no Brasil.

O segundo modelo foi feito com ratos Wistar, a linhagem comum usada em laboratórios, que foram submetidos a uma dieta rica em gorduras por oito semanas. Um terceiro grupo de controle, também de ratos Wistar, recebeu a ração padrão e não apresentou aumento de peso. Foram usados ao menos oito animais em cada modelo do experimento.

Após as oito semanas de dieta de engorda, os ratos Wistar apresentavam sintomas de obesidade, como acúmulo de gordura hepática, intolerância à glicose, aumento do tecido adiposo branco, resistência à insulina e inflamação.

A fim de avaliar a resposta neutrofílica ao LPS, foi realizada a instilação intratraqueal de LPS nos ratos dos modelos para obesidade e diabetes do tipo 2. Foi colocada uma cânula na traqueia dos ratos e, com uma seringa, foi injetada uma solução com LPS diretamente nos pulmões.

Decorridas seis horas, os ratos foram sacrificados a fim de avaliar a reação do sistema imune à instilação de LPS. Nesse momento, foram coletadas amostras de sangue de cada animal, assim como feita uma lavagem bronco-alveolar para coleta das células neutrófilas daquele ambiente inflamatório.

Foram realizadas no conteúdo da lavagem bronco-alveolar dos diferentes grupos a contagem de neutrófilos, a dosagem de citocinas e quimiocinas (proteínas que promovem inflamação) e a atividade da enzima mieloperoxidase (MPO, responsável por produzir espécies reativas de oxigênio que ajudam a eliminar patógenos).

Constatou-se que a instilação intratraqueal de LPS promoveu a migração de neutrófilos para os pulmões. O número dessas células de defesa coletadas na lavagem bronco-alveolar foi menor nos ratos obesos e nos ratos Goto-Kakizaki do que no grupo de controle. Da mesma forma, os ratos Goto-Kakizaki e os ratos obesos apresentaram menor atividade de MPO quando comparados ao grupo controle.

“Após o estímulo com LPS, observou-se menor viabilidade em neutrófilos coletados dos ratos Goto-Kakizaki. Comparados aos animais do grupo de controle, os neutrófilos circulantes no sangue dos ratos Goto-Kakizaki apresentaram maior incidência de morte, representada pela perda de integridade celular e aumento do conteúdo de uma enzima que desencadeia a morte celular [caspase-3 clivada]”, disse Kuwabara.

“Com relação aos ratos obesos, percebemos que seus neutrófilos eram mais suscetíveis à morte celular mesmo quando ainda estavam no sangue, portanto antes de migrar para os pulmões para combater a inflamação provocada pela instilação de LPS”, disse.

Segundo o pesquisador, os dados demonstram que os neutrófilos dos grupos Goto-Kakizaki e obesos tiveram uma resposta prejudicada ao LPS, ou seja, são tolerantes ao LPS. “Essa tolerância pode ser a explicação para as maiores taxas de morte em indivíduos obesos e diabéticos em decorrência de infecções por bactérias”, disse Kuwabara.

Razão bioquímica

De acordo com o professor Curi, o trabalho é importante porque conseguiu demonstrar que os neutrófilos dos ratos obesos e dos ratos diabéticos, quando entram em contato com bactérias, não conseguem reagir com eficácia. “É assim que o processo infeccioso se instala”, disse.

O TLR4 é um receptor essencial para a resposta imune inata e a perda de sua capacidade de ativação compromete o processo inflamatório.

“Agora sabemos a razão bioquímica pela qual obesos e diabéticos são mais propensos a desenvolver doenças. Falta descobrir o mecanismo por trás dessa alteração que reduz a viabilidade dos neutrófilos. Mais estudos devem ser realizados para elucidar por que o TLR4 é inativado nessas células”, disse Curi.

A pesquisa publicada na Scientific Reports está inserida no Projeto Temático “Mecanismos celulares e moleculares envolvidos na resistência à insulina e inflamação em ratos Wistar obesos e Goto-Kakizaki magros: causas e associações com dieta e exercício físico” e na pesquisa “Hipertrofia do músculo esquelético em ratos com diabetes mellitus tipo I”, ambos coordenados por Curi e apoiados pela FAPESP.

Kuwabara é, atualmente, pós-doutorando no ICB-USP, sob orientação do professor José Cipolla Neto, e bolsista da FAPESP.

O artigo Obesity and Type 2 Diabetes mellitus induce lipopolysaccharide tolerance in rat neutrophils (doi: https://doi.org/10.1038/s41598-018-35809-2), de Wilson Mitsuo Tatagiba Kuwabara, Caroline Naomi Fukusawa Yokota, Rui Curi e Tatiana Carolina Alba-Loureiro, está publicado em www.nature.com/articles/s41598-018-35809-2. (Agência FAPESP)

 

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