Uma alma penada

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I
Depois de vagar na mata,
Saído do submundo,
Sob um manto de mistério
E de desgosto profundo,
Lázaro encontrou a morte
E viajou pro outro mundo.

II
Na derradeira viagem,
Sem saber que havia morrido,
Ele saiu aprontando,
Mexeu no desconhecido
E provocou os fantasmas
Com os quais ninguém tinha bulido.

III
Fez a primeira parada
No oitão do purgatório:
Achou um velho entupido,
Usurário e predatório,
E no fogareiro dele
Botou três supositórios.

IV
Viu um dono de cartório
Alterando uma certidão,
Mandou alterar 10 mil,
Na ponta de um facão,
E disse que ia comprar
10 mil votos na eleição.

V
Passou na porta do Céu,
Mas São Pedro não abriu,
Lázaro ficou afobado
E disse que não curtiu:
– Pescador filho de uma égua,
Vá pra puta que o pariu!

VI
Quando chegou no Inferno,
Viu na porta Lampião,
Corisco, Pilão Deitado,
Volta Seca e Cansanção,
E um grupo de políticos
De mais de uma facção.

VII
Soltou um grito: – Arriégua!
Não sei o que fazer mais,
Dei de cara com uns políticos
Do time de Satanás,
Será que estou em Brasília
Ou no entorno de Goiás?

VIII
Deu quatro passos atrás
E saiu desembestado,
Cão Coxo correu atrás,
Mas não teve resultado,
Disse: – Ele sumiu daqui,
Deve estar na CPI
Que fizeram no Senado!

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