Turismo e eventos: a importância da capacidade instalada

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Março marca o início da alta temporada dos eventos no País, considerando os de apelo comercial, concentração e capacidade de atração de grande público. Em São Paulo, mais de 300 grandes montagens estão agendadas para 2024 (fonte: SPTuris). A capital paulista é o principal mercado nacional, situação construída ao longo de décadas e em muito relacionada ao tamanho da cidade e região metropolitana como mercado consumidor, os espaços adequados e infraestrutura de apoio, como transportes e hotelaria.

Depois de um 2023 recheado, principalmente no entretenimento, a expectativa é de consolidação. Os maiores eventos terão 809 dias de execução (sem considerar montagem e desmontagem). Ou seja, excluindo os períodos naturalmente vacantes, como carnaval e feriados prolongados (que serão poucos), a cidade terá quatro ou cinco grandes eventos acontecendo simultaneamente em diversos momentos.

São feiras, como a Bienal do Livro, que deverá receber mais de 600 mil visitantes, shows, festivais e eventos esportivos – este mês por exemplo, acontecerão a Fórmula E, no circuito de rua do Anhembi, e o Lollapalooza, em Interlagos. Juntos, reunirão 320 mil participantes.

O turismo, em muito aquecido pelos eventos, enfileirou índices positivos no biênio 22/23. O principal dado considerado pelo poder público é a geração de empregos, com superávit de 33 mil e 28,6 mil respectivamente. Este ano deve marcar a recuperação dos números de pré-pandemia em todos os segmentos do setor.

Ocorre, contudo, que mesmo com números e vigor expressivos, ainda há uma margem de contribuição. Olhando a taxa média de ocupação anual dos hotéis, por exemplo, em torno de 65%, ficamos satisfeitos com o copo meio cheio. Porém, “capacidade instalada” não pode ser desprezada, principalmente pelos efeitos em cascata: mais noites de hotel ocupadas são sinônimo de consumo variado na cidade.

Diminuir a ociosidade terá um resultado bastante positivo. Daí o empenho na atração de turistas pelos ativos de reconhecida qualidade da cidade, como a oferta cultural, as compras ou os serviços de saúde, por exemplo.

Os eventos reforçam esta estratégia. Em julho, depois de dez anos, retornará ao Autódromo de Interlagos a FIA World Endurance Championship (WEC/Le Mans), carimbando a capital paulista como única do mundo a receber as três principais categorias do automobilismo mundial. Em 6 de setembro, no estádio do Corinthians, talvez o evento mais esperado dos últimos anos: a primeira partida oficial de futebol americano do hemisfério sul, organizada pela bilionária NFL.

A realização desses eventos embute uma série de benefícios fundamentais. Empregos são gerados por meio da contratação de serviços locais, o consumo dos turistas incrementa a atividade econômica, o desenvolvimento regional é potencializado, com impactos positivos na segurança e no sistema de transportes, investimentos privados são atraídos e até as relações humanas são melhoradas, pela diversão ou trocas culturais. Entender essa dinâmica é basilar para qualquer plano de incremento do setor.

Gustavo Pires é presidente da SPTuris, empresa da Prefeitura de São Paulo

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