Sofrimento e agonia

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Minha alma sangra junta com a tristeza dos gaúchos. Chuvas deram trégua, mas o cenário de destruição permanece desolador e brutal. Porto Alegre e muitas outras cidades seguem alagadas. O Estado faliu. Empresários clamam por ajuda. De pires nas mãos. Bares e restaurantes sobreviventes das enxurradas anunciam promoções com descontos atrativos. É o desejo do reencontro. O gaúcho é bravo. Sabe que dor não se aplaca sem luta. Calendário dos horrores anuncia 1 mês da tragédia climática. O rescaldo do que restou é assustador. Mortos e desaparecidos caminham juntos em desenfreada tortura. A leptospirose aumenta sem piedade. Garças resolveram aparecer na lama e no barro, em busca de peixes. A burocracia sufoca quem procura auxílios do governo.  O oceânico sofrimento estancou o choro.
Gosto da vida. Quero viver muito. Tem dias que uma força maligna insiste em me arrastar para o abismo da escuridão. Respiro fundo. Rezo com as mãos estendidas para voltar ao caminho das flores e da sensatez. Percebo que as forças negativas têm a volúpia da torpe persistência. Faço de contas que navego em direção ao amor perdido e vejo clarear a luz que habita meu coração. Nunca me entreguei a mensageiros fantasmas. Mariposas da má-fé. Caminho nas nuvens do afago. Não acolho amarguras alheias. O lodo dos outros não me interessa. Bastam os meus, que enfrento com fervor e coragem.
Comovente e hilária a indócil cobertura do Grupo Globo, sobre o julgamento do ex-presidente Trump. Dependendo dos rapazolas e moçoilas da empresa, Trump está morto e enterrado, politicamente. Açodamento abissal. O sangue nos olhos é implacável . Repetem tanto as imagens da atriz pornô, que o vestido dela está mudando de cor.
Vicente Limongi Netto é jornalista e servidor aposentado do Senado Federal.
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