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Queiroga, devolva-me a cruz

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Símbolo, substantivo masculino, com origem no grego sýmbolon, significa, segundo o dicionário Michaelis “Qualquer coisa usada para representar ou substituir outra, estabelecendo uma correspondência ou relação entre elas”.

As instituições de Estado possuem os mais diversos símbolos, que sintetizam seus objetivos, missões e valores. Muitas delas têm em seus desenhos as estrelas.

Estrelas que vemos sendo ostentadas no peito de diversos militares, condecorados ao longo desses últimos quatro anos por esse (des)governo. Constelações laureando a miséria para a qual o país voltou. A fome, que novamente assombra a população. A devastação do meio ambiente. A vergonha de ter tornado essa nação pária internacional. A morte dos nossos rios. A morte de nosso povo.

Os sanitaristas escolheram como símbolo do Ministério da Saúde a cruz. Não ao acaso. Ela representa a dor e a morte, intrínsecas ao duro ofício que é lidar com a vida. Entretanto, a cruz também representa a fé, a alegria e a esperança.

A insígnia do Ministério da Saúde, tão distinta das demais instituições hoje se vê achincalhada por esses “ministrinhos” que vêm ocupando cadeira tão importante. E por “secretariozinhos”, que trabalham arduamente para afundar ainda mais a cruz.

A imprensa tem divulgado as manobras que um certo secretário de ciência – ainda que de ciência não entenda – tem feito para aparelhar um dos órgãos mais respeitados na saúde pública brasileira, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).

A Conitec, câmara técnica plural, composta por diversas instituições de grande representatividade na saúde pública brasileira, que sustenta suas recomendações com base na ciência, no rigor metodológico, tem sido duramente atacada por não ter ratificado os delírios presidenciais em torno de medicações comprovadamente ineficazes.

Cláudio Maierovitch esteve à frente da extinta Citec, que precedeu e deu parte das bases para o que viria ser a Conitec. Clarice Petramale presidiu o órgão nos seus cinco primeiros anos e consolidou a Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) no país. Vania Canuto vem carregando o fardo de estar à frente da instituição, que dá efetividade ao art. 196 da constituição Federal, garantindo que sejam ofertados à população tratamentos eficazes, efetivos e que permitam a sustentabilidade do SUS. Nomes de peso na saúde pública. De importância nacional e internacional.

Nomes que têm sofrido ataques de canalhas que tornaram o Brasil um campo de terra arrasada e destruíram o projeto de um país justo e igualitário. Canalhas estes que não deveriam ter saído do esgoto. E que para lá, se Deus quiser, retornarão e ficarão marcados para sempre na lata do lixo da história.

Sigamos olhando para o futuro, assim como desenhado no antigo símbolo da Conitec. E unidos, em prol da ciência e da saúde pública de qualidade, de mãos dadas como o atual símbolo da Comissão. Afinal, parafraseando Quintana, esses que estão aí passarão, nós passarinho.

Cid Pimentel é professor e consultor em Saúde Pública.

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