Opinião


16/03/2019

2050: o ano em que o Brasil encolheu

Miguel Gustavo de Paiva Torres

2050: o ano em que o Brasil encolheu

(Em meados do século XIX, quando o Brasil ainda não tinha completado 30 anos de independência, no Segundo Reinado, empresários e militares norte-americanos inventaram uma teoria “científica”, segundo a qual o território da Amazônia era uma continuidade geográfica do Sul dos Estados Unidos, motivo pelo qual teriam direito à ocupação e colonização de toda aquela Região. Dom Pedro Segundo e o seu Chanceler, o Visconde do Uruguai, com o apoio do Barão de Mauá e do Partido Conservador, fizeram um bordado diplomático que desmontou a tese “científica” e as pretensões expansionistas do emergente império norte-americano.) Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Aqui estou, sentado no meu trono e esperando a morte chegar, aos 97 anos da improvável idade que jamais pensei em alcançar. Sinceramente preferia ter partido bem antes, talvez nos anos 20, quando ainda existia a ilusão de que tudo ainda poderia melhorar no mundo e, com esperança, no meu Brasil, tão complexo, sofrido e gigante por natureza, como cantava o hino nacional daquela época. Brasil não existe mais. Agora somos todos os Estados Unidos das Américas, e a língua portuguesa foi proibida, por suas sutilezas traiçoeiras. Falamos o inglês e o espanhol, únicos idiomas oficiais desta confederação que engoliu nossos antigos países. Somos apenas províncias articuladas no modelo milenar do império romano. O atual presidente dos Estados Unidos das Américas é o general Donald Trump Terceiro- The Third, como é chamado- filho do magnânimo Baron Trump, filho do número 1. E o mais engraçado nessa nossa história recente é que o poderoso Pentágono das Américas não conseguiu manter a Amazônia no seu espaço geográfico. A antiga Amazônia brasileira, peruana, colombiana, boliviana e equatoriana teve que ser dividida com a Europa, Rússia, China, e, pasmem, o Vaticano. Únicos antigos estados que, engolindo os fracos, conseguiram manter status quo soberano, no tratado intercontinental assinado em Paris, em 2045. Realmente, o mundo mudou e não tenho mais interesse em permanecer neste novo mundo, onde não posso falar minha língua materna. Tudo o que foi escrito em português queimado em praça pública na Filadélfia. Lembro ainda hoje quando, há 30 anos, em 2020, falava-se numa hipotética zona do Triplo A na Amazônia, considerada pelos fisiologistas das grandes potências como o “pulmão do mundo”. Motivo de piadas e de gargalhadas nas mesas de bares e nas universidades. Pois bem: O triplo A era apenas uma senha para a operação “papagaio”, que dividiu a Amazônia entre o novo Estados Unidos das Américas e as velhíssimas e poderosas China e Europa. Confesso que a minha maior surpresa foi a bendição do Vaticano a este novo mapa mundial, depois de sua adesão à federação das denominações cristãs universais. Tratava-se apenas de uma atualização do Tratado de Tordesilhas, foi o mote divulgado em campanha na mídia mundial pela diplomacia do Vaticano, famosa por sua competência política, desde o tempo de Rodrigo, Lucrécia e César Bórgia. Quase todos os meus amigos e conhecidos já se foram do convívio terráqueo. Tiveram a sorte de não chegar a este mundo velho e decadente que chamam de novo. Ah. E a Amazônia que era verde e nossa, com a mineração desenfreada parece agora um descampado de crateras lunares. Miguel Gustavo de Paiva Torres é diplomata.
16/03/2019

Brasileiro cordial, onde está você?

Marli Gonçalves

Brasileiro cordial, onde está você?

O pescoço e os ombros latejam, tal a tensão. Qualquer som mais forte, estampido, assusta. Pensamentos atormentados toda hora, por mais distante que esteja dos acontecimentos dos quais se têm notícia todo dia, toda hora. Quer se divertir, manter o humor, mas sente-se culpado. Não pode se isolar do mundo, nem deixar de inquietar-se em observar que a decepção se alastra, e com razão A intuição apita, como se em constante alarme. Responde que está tudo bem, porque já é praxe, e porque se fosse contar que não, algum detalhe, talvez ficasse mesmo falando sozinho. Parece que ninguém mais ouve ninguém até o fim de uma frase; aliás, ninguém mais nem lê nada direito, até o fim, quer brigar de cara. Se houvesse um exame de interpretação de textos, uma grande parte seria reprovada. Aquela expressão “andar com pedras na mão” nunca foi tão visível pelo menos que possa lembrar. Tá cheio de gente andando com os braços carregados delas, para jogar na Geni, na Maria, no João…Em mim, em você. Isso não vai dar certo. A crescente toada de uns contra os outros, e inclusive pelos motivos mais banais e bobos, com demonstrações cabais de ignorância e intolerância cada vez mais frequentes, transforma rapidamente o país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, em um território minado. A gente percebe que está com a sensibilidade bem avariada quando as reações saem do controle, por mais que esforce em manter alguma frieza. Pode sofrer e começar a chorar até vendo propaganda, especialmente se for de banco, perguntando o que pode fazer por você hoje.  Ouve uma música e o coração aperta. Toca o telefone – e como ultimamente parece que ninguém liga mais para ninguém, só uatizapa, o som faz estremecer. O inconsciente coletivo está perturbador. Doente e atingido por um bombardeio, no meio de acontecimentos trágicos. Aparece a dialética do bem e do mal, sem canais de vazão. Ou está comigo ou contra mim, sem variações, e assim ninguém poderá entrar em acordo. Não é mais nem possível brincar que pode ser a água que bebemos; parece o ataque de um vírus, como aqueles dos filmes, e que observamos – sem poder fazer nada – avançando, contaminando amigos, familiares, autoridades, crianças, jovens. Vem se perdendo a noção do convívio, da temperança, do respeito, e a cultura da paz é capaz de estar se escondendo apenas nos portais dos templos que abrigam pessoas mais iluminadas, apavoradas e impotentes. Depois de uma semana difícil como essa, marcada pelo sangue espalhado nos corredores de uma escola em uma pacata cidade do interior, não há como ficarmos alheios que se vem tirando cada vez mais  o valor da vida, e numa escalada mundial repetida agora aqui no país do brasileiro cordial, conceito desenvolvido por Sergio Buarque de Holanda,  e que vem sendo soterrado progressivamente. Nos últimos anos, a política nacional, os transtornos, a corrupção, os embates entre os poderes, a perda de valores e a confusão ética, a pouco esclarecida globalização seguiram criando uma inequívoca reunião de grupos, rede de amigos que nunca se conheceram; patéticos, antes anônimos, tornadas celebridades influentes.  O inimigo ficou invisível e se esparramou. Os idiotas, unidos, tornam-se um enorme perigo, carregando a hipocrisia, o conservadorismo, desejando novamente tudo o que juramos que jamais de novo ocorreria, escorraçar os avanços obtidos com tantos esforços. O Brasil hoje não está nem um pouco razoável. Está indefinido, inseguro, sem personalidade, parado, esperando o que vai dar no meio do abalo dessa já visível decepção – mas que alguns ainda violentamente teimam em não admitir, caminhando em meio aos tropeços vistos, ouvidos e executados. Mudanças esperadas que não vieram e estão com todo jeitão de que não virão, pelo menos não desse horizonte atual que foi desenhado com tanta compreensível esperança. Os brasileiros cordiais precisam retomar seus postos. Marli Gonçalves, Jornalista – Intuição apitando.
15/03/2019

Campo santo

Paulo Castelo Branco

Campo santo

Nessas terras onde canta o sabiá, há algum tempo, sucessivos acontecimentos dramáticos têm abalado o ânimo da população. A trágica gestão do Partido dos Trabalhadores nos afundou em um mar de dejetos no qual chafurdavam autoridades, políticos, doleiros e outros marginais. O povo, que acreditava no sonho de um mundo melhor, saiu cabisbaixo para não olhar, nem ser olhado pelos geniais criminosos repetidamente conduzidos por policiais para ônibus, e não ao famoso camburão, em direção aos presídios. A cada dia, um arrependido delator aponta e prova as propinas que compravam tudo; e não para, dizem que ainda faltam investigações aprofundadas sobre roubalheiras em governos e empresas púbicas. No meio de tanta tristeza, os crimes contra mulheres assustam dentro e fora de casa. A violência contra crianças e idosos reflete o descaso com o presente e o futuro. A prática da homofobia se transformou em assunto diário. A discriminação de negros, mulatos, indígenas, quilombolas e pobres, apesar da lei, permanece como se fosse fato impossível de ser controlado. E por aí vamos: o atentado contra o presidente Jair Bolsonaro, o rompimento da barragem de Mariana e a de Brumadinho, o incêndio que matou jovens jogadores do Flamengo, as enchentes que afogam São Paulo, a ação de milícias compostas por políticos, matadores, policiais corruptos, e meninos que, com armas pesadas nas mãos, assaltam e matam sem dó nem piedade, atemorizando os impotentes cidadãos. Todas essas situações brotam na mídia de forma escandalosa e contínua. Agora, dois jovens, copiando ações de jogos virtuais, invadem escola e matam, a tiros e flechadas, estudantes e professores. Para encerrar o drama real, os assassinos se suicidam, deixando no ar a indagação da motivação do ato tresloucado. Os inquéritos são instaurados em cada caso, e recomeça o sofrimento dos que perdem os seus entes queridos. No caso do rompimento de Brumadinho, apesar da ação rápida das autoridades para proteger os familiares das vítimas, a busca interminável por corpos tem exaurido as pessoas, os bombeiros e a população da cidade. Os primeiros resultados da investigação determinaram prisões e afastamento de dirigentes da empresa e técnicos prestadores de serviços. Com ação conjunta de autoridades civis e religiosas, psicólogos e representantes da comunidade, poder-se-ia chegar a uma solução menos dolorosa para as famílias das vítimas. Creio que a continuação das buscas por segmentos corporais aumenta a frustração dessas famílias. Hoje, há nos serviços de identificação centenas de fragmentos aguardando testes de DNA para confirmação de origem. Nesse sentido, é de se esperar que os familiares, assistidos por profissionais competentes, admitam o encerramento das buscas e a transformação, de parte da área em que permanecem as buscas,  num campo santo, como se faz em tragédias com grande número de vítimas. A difícil solução fará com que a cidade pranteie seus mortos, e, os sobreviventes retomem os seus caminhos, seus empregos e a paz que tanto buscam.
15/03/2019

A imprensa farsante

José Maurício de Barcellos

A imprensa farsante

Todo poder emana do povo e este pode inclusive exercê-lo diretamente. A partir deste básico princípio constitucional nossa gente está reconstruindo os três poderes da República: o executivo, o legislativo e o judiciário, mas não é o suficiente. Há um quarto poder por assim dizer, talvez tão forte, tão influente e imprescindível a uma verdadeira democracia que está a merecer uma profilaxia geral e irrestrita, para que possa ser exercido por seus profissionais e através de seus veículos – meros concessionários do Estado – com liberdade, com isenção, com seriedade e patriotismo, em prol do povo brasileiro. Falo da imprensa. Nada indigna mais qualquer cidadão honrado deste País do que quando ele avalia o quanto a imprensa tradicional, escrita, falada e televisada solertemente contribuiu, nos últimos 30 anos de governos civis, para que esta Nação fosse vilipendiada, roubada e humilhada perante o Mundo. Quando se pensa no quanto, por pura ganância, muita má-fé e total falta de amor à Pátria, os Conglomerados da Comunicação protegeram e incentivaram as quadrilhas de Sarney a Temer a roubar e a malversar a coisa pública, tenho certeza de que a vontade que se tem é de definitivamente prender e execrar todos os responsáveis diretos e indiretos. Por que não? Porque esses profissionais da imprensa e seus patrões que, em face de clara e inequívoca omissão dolosa foram, sem dúvida, coautores dos maiores crimes praticados contra o povo do Brasil, têm que desfrutar de uma aura de imunidade ou de uma redoma inexpugnável que os isenta de qualquer parcela de culpa, por menor que seja? É incalculável o alcance dos muitos e diferenciados tentáculos da imprensa profissional que transpassam e atravessam os mais recônditos cantos da sociedade e os mais bem protegidos bunkers da vida nacional. Há muito que se sabe do descomunal poder de investigar, de tramar, de induzir, de distorcer ou de corromper dos Barões e de suas terríveis máquinas da Comunicação. Então, com toda licença, digo que não há justificativa alguma que explique o silêncio de toda a grande imprensa em relação aos crimes que desgraçaram nossa gente e fizeram mais de 25 milhões de desvalidos. Por onde andava a legião de repórteres e profissionais de investigações, os famosos “perseguintes” que nada de sólido e objetivo trouxeram a lume? Quando se viu outrora uma só campanha midiática de âmbito nacional, estrondosa e fantástica, como se vê nos tempos de agora contra o atual governo e desde antes de empossado? Qual a posição das zelosas corporações ou associações de profissionais da imprensa sobre este fato inconteste, isto é, sobre este injustificável silêncio que perdurou por décadas a fio? Nunca ouvi se queixarem de nada em favor do homem comum. Pensemos um pouco. Alguém acha ou tem a desfaçatez de afirmar que antes da Operação Lava Jato nunca houve corrupção neste País? Acha, também, que toda a classe política abjeta e execrável só foi descoberta e apontada por Sérgio Moro e sua equipe? Acha ainda que os poderosos veículos de comunicação e as gordas ratazanas e cevadas fuinhas da grande imprensa nunca souberam mesmo de nada em relação à Sarney e sua corja de assaltantes do Maranhão; em relação à Collor e seus ladrões de casaca; em relação à FHC e seus larápios fingidores; em relação ao “Ogro Encarcerado” e à “Anta Guerrilheira” e sua horda de rapineiros vermelhos e, por fim, no que tange ao grande  “Corrupto dos Porões do Jaburu” e seu bem montado bando de assaltantes. É nisto que se quer que acreditemos? Então ponderem comigo. Será que alguém duvida que se o audacioso e destemido ladrão Roberto Jefferson não tivesse colocado a boca no trombone para não ficar sozinho no cadafalso; que se não existissem a Rede Mundial de Computadores e as Redes Sociais; que se os “Intocáveis de Curitiba” não tivessem socorrido esta Terra de Santa Cruz; que se continuássemos à mercê da imprensa como a conhecemos atualmente, então todos nós não estaríamos até hoje sendo roubados e vilipendiados de muitas maneiras, no executivo, no legislativo e no judiciário? Quando me valho de tal argumento relativo à insofismável conivência da imprensa, mormente da extrema imprensa, com os crimes praticados contra a Nação Verde e Amarela, surge logo um “vermelhinho enrustido” para argumentar sorrindo que a “Rede Goebells”, por exemplo, hoje é odiada pela esquerda e pela direita, induzindo que se conclua por sua imparcialidade. O imbecil não alcança. O problema dos nocivos Conglomerados não é nem nunca foi ideológico é meramente financeiro e seu propósito maior não é ser um dos pilares da democracia, mas tão somente manter suas mãos imundas nos cofres públicos. E ai de quem ficar na sua frente. Quando se vê uma grande campanha midiática nacional tal como esta que estamos presenciando que promove uma política inexpressiva e morta em razão da guerra entre facções criminosas ou relativa à propagação de um ódio doido contra Donald Trump, logo se deve perguntar o que o Conglomerado quer ganhar com as próximas eleições ou o quanto dos seus interesses foram contrariados pelo governante estrangeiro? Outro exemplo. Quando o “Sistema Goebells” de jornal, rádio e televisão desenvolveu uma grande campanha midiática até ver o condenado Lula no xilindró, nunca foi em defesa e por apreço ao País ou ao seu povo, foi isto sim com a intenção de pavimentar um caminho seguro para e eleição de outro corrupto tal como o “Ogro Encarcerado” que manteria seu acesso às verbas governamentais, garantindo seus privilégios, isenções e benesses. Por certo que os Barões do tal Conglomerado – concluindo que a Lava Jato derrotou para sempre o petista – fecharam não com um, mas com vários adversários do Capitão, menos com ele que, de pronto, avisou que nunca negociaria com bandido. Também jamais podiam supor ou sequer de longe imaginar em razão das difíceis circunstâncias que cercaram a candidatura Bolsonaro que este se elegeria, contra tudo e contra todos. Engoliram o líder e ainda tiveram que suportar que seus quase 60 milhões de seguidores esfregassem na cara daqueles poderosos, de seus acólitos e serviçais, sua condição de “Mito”, que a voz da rua proclamou. Aí foi demais, surtaram de vez. Imagino que a “Espinha Bolsonaro” esteja encravada na garganta daquela gente e é justo por causa disto que, não podendo impedir sua posse, estão dispostos a usar contra ele tudo que disser ou que fizer daqui por diante. É esta a razão de fato desta guerra covarde, surda e suja que desenvolvem contra Bolsonaro, bem como contra toda sua família e seu governo. Nada mais. É por isso que gritam feito loucos tentando esconder toda sua perfídia e vilania por de trás do amplo direito de expressão e da inarredável liberdade de imprensa. Que liberdade de imprensa é esta de que somente os poderosos podem desfrutar? A rigor não há nenhuma liberdade de imprensa no Brasil. Não há mesmo, porque a liberdade não pode conviver com a falta de independência e a desigualdade de oportunidade, nem se compadece com o desmando e com a corrupção. A sobrevivência da grande imprensa no Brasil depende do quanto os políticos suprem suas algibeiras com dinheiro público, garantindo vantagens e benesses perenes para alguns poucos privilegiados que dominam o mercado midiático de norte a sul do País, em troca de irrestrito apoio e proteção. Pois então que me escute bem uma “Emponderada Mandarim” do desacreditado STF: ao contrário do que ela pavoneou durante um recente julgamento bem reverberado na mídia capciosa, o “cala boca não morreu” continua vivo e muito esperto neste País de faz de conta porque a boca do povão não tem voz nas páginas, nas telas e nos rádios da imprensa dominante que tudo faz para manter incólume o mundo da fantasia em que vivem a doutora e os nababos da máquina governamental. Pois que me escutem também as associações de profissionais e de veículos de imprensa sempre chamados (ou comprados) juntamente com as OAB’s da vida para defender seus asseclas e deformadores de opinião por mais vendidos e facciosos que sejam. O tal conceito de imprensa livre que se quer enfiar goela abaixo deste povo só existe em nossa sociedade para preservar ricas empresas estruturadas em favor da comercialização da notícia e da perpetuação do embuste ou da fraude, tudo enquanto não colide com os interesses dos Barões da Comunicação. O mais é conversa fiada. O povão bem sabe disto. Dei-me ao trabalho de conferir as notícias e as matérias veiculadas em dias diferentes por dois conhecidos jornalões que dizem fazer parte da mídia crítica. Em um total de algumas dezenas de matérias, notas e informações publicadas, todas sem exceção detratavam o Capitão, sua família ou ridicularizavam ferozmente sua equipe de governo e o que é pior, tudo visava na essência martelar a saciedade uma mentira infame, qual seja: Bolsonaro é tosco, despreparado, embusteiro e por conta disto em breve deverá ser “empichado” como foi a Dilma, tal qual expressamente explicou e argumentou insistentemente por mais de duas laudas de um artigo recente, um vendido que se assina “Fulano Sólama”, assim mencionado para não se promover aqui o pilantra da mídia vermelha. “Simbora” combater, como diria o saudoso Simonal! O Brasil precisa de nós e o Capitão não pode ficar sozinho nesta guerra perversa que a imprensa inimiga trava contra ele. Temos muitos meios para fazer, tal como faço aqui nesta independente e corajosa Tribuna ou através das redes sociais, que estão à nossa disposição. Assim como já estamos consertando o executivo; como igualmente expurgamos o legislativo e por certo que livraremos o judiciário dos maus juízes, também podemos libertar a imprensa brasileira das mãos dos donos do pedaço porque o poder que detêm e desfrutam só ao povo pertence. Com toda certeza que não faremos isto da forma que propuseram o bandidaço Zé Dirceu com seu quadrilheiro Franklin Martins e o próprio “Bandoleiro do ABC Paulista”, controlando e amordaçando tudo, mas simplesmente desmontando em definitivo os cartéis da comunicação e taxando fortemente qualquer tentativa de oligopólio ou truste da mídia nacional, pluralizando assim ao máximo os veículos de comunicação pelo País afora e cortando dos odiosos Conglomerados o recebimento de verbas públicas, como ocorre em qualquer Nação livre e civilizada. Jose Mauricio de Barcellos ex Consultor Jurídico da CPRM-MME é advogado. Email: bppconsultores@uol.com.br.
14/03/2019

Difícil de entender

Oswaldo Teixeira de Macedo

Difícil de entender

Para o sociólogo e geógrafo Demétrio Magnoli, que escreve sempre n’O Globo, o chanceler Ernesto Araújo – que entende que a fé cristã, a família, a liberdade e a grandeza são princípios e valores que devem integrar a diplomacia brasileira – é uma personalidade autoritária que propõe asneiras retóricas. Para Magnoli, o ministro das Relações Exteriores, que defende a transferência da embaixada do Brasil para Jerusalém – reafirmando nossas relações com Israel, a única democracia do Oriente Médio, um dos mais avançados centros mundiais de ciência e tecnologia, onde estão as mais profundas origens espirituais e materiais da cultura judaico-cristã – e a reaproximação com os Estados Unidos – nosso mais tradicional aliado, parceiro fundamental no processo da industrialização brasileira e formalmente repudiado, desde 1977, por Ernesto Geisel e seu chanceler criptocomunista – é alguém que propõe insanas iniciativas. Não satisfeito com suas acusações, Demétrio Magnoli considera que Ernesto Araújo “plagia” Celso Amorim, o chanceler petista, insinuando em ambos um viés autoritário. No entanto, ao reconhecer que “o paralelo entre os dois chanceleres tem limites”, Magnoli admite, implicitamente, que, ao contrário de Ernesto Araújo, Celso Amorim tomou iniciativas sadias e sábias tais como: – inventar a cúpula América do Sul – Países Árabes (ASPA) formada pela Unasul e a Liga dos Estados Árabes (LEA) para buscar pontos de convergência em temas políticos, comerciais, sociais e culturais de grande importância; – ir reunir-se com o chanceler turco Ahmet Davutoglu para convocar uma reunião, “o mais rápido possível”, entre o Irã e os maiores poderes mundiais, inclusive os Estados Unidos, para negociar o programa nuclear iraniano e assim “criar uma nova ordem mundial”; ou – engendrar com o presidente russo Vladimir Putin e o economista Jim O’Neal, do Goldman Sachs Group Inc., a formação do BRICS, um clube reunindo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, para exercer maior influência geopolítica, Para finalizar sua esdrúxula comparação, Magnoli afirma que “a política externa de Amorim obedecia a centros de comando claros: Lula e o PT” e que a de Ernesto Araújo “emana de um centro de comando clandestino, constituído por Olavo de Carvalho, Eduardo Bolsonaro e Steve Bannon”. Três perguntas, Demétrio Magnoli: Desde quando o Lula é centro de comando? Qual a clareza de comando que iluminava a associação do Partido dos Trabalhadores com o Fórum de São Paulo, a obscura cúpula que reunia, na mesma sala, partidos clandestinos e grupos terroristas como as Farc e o Mir chileno? Desde quando ‘centro de comando clandestino’ é formado por pessoas que possuem nome e sobrenome? Oswaldo Teixeira de Macedo é diplomata.
14/03/2019

O espetáculo macabro em Suzano

Nelson Valente

O espetáculo macabro em Suzano

O noticiário brasileiro, depois do massacre de Suzano, tenta estabelecer o que se passou na cabeça do assassino para comentar essa monstruosidade com os estudantes. Por todos os canais abertos e fechados, pululam especialistas em tudo. Psicólogos, Psiquiatras, Psicanalistas Religiosos, Policiais e os “analistas” de tudo tentam emplacar uma “explicação”. O máximo da violência moderna é o terrorismo, que ainda tem um sentido político. Mas a pós-moderna não tem sentido nem político nem psicológico. É um ato de ruptura, de um nonsense absoluto, uma explosão cega. É um “sair de si”, na linguagem da psicanálise. Na recente escalada de crimes cometidos no Brasil, nenhum massacre foi mais grave e sangrento do que esse na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro e agora em Suzano/SP., em uma escola estadual. Pela extensão, o espetáculo macabro avançou um patamar no rol de explosões periódicas de insanidade. Volta e meia, malucos saem atirando contra multidões. Movidos por convicções obscuras. Professores e colegas também não aquilataram o perigo, mas para isso pode haver uma explicação. No ambiente ferozmente competitivo das Escolas Públicas e Particulares, os alunos são virtualmente forçados a se agrupar de acordo com seu prestígio e seus talentos. No topo do microcosmo estão os atletas, os bons alunos com vaga garantida na universidade e as garotas bonitas. Alguma coisa muito errada, maligna, se esconde nas entranhas da sociedade brasileira. Quando vem à tona, todo o mundo se pergunta como é possível que horrores assim ocorram num país como o Brasil. Aceitar que a violência possa ser naturalizada é uma tentativa de diluir o terror que ela provoca, de se submeter aos seus efeitos, e de não se implicar com as possibilidades, mesmo pequenas, de sua transformação. Aceitar que a violência possa ser banalizada e naturalizada é uma tentativa de diluir o seu impacto, seu terror; de se evadir de seus efeitos, de não se implicar com a existência de suas manifestações e com as possibilidades, por pequenas que sejam, de sua transformação. Esta banalização da violência é, talvez, um dos aliados mais fortes de sua perpetuação. A virulência deste hábito mental é tão daninha e potente que, quem quer que se insurja contra este preconceito, arrisca-se a ser estigmatizado de “idealista”, “otimista ingênuo” ou “bobo alegre”. Que a violência aterrorize e que diante de uma cena assim todos pareçam dizer: “já que não é comigo não vou me meter”, que a solidariedade desapareça por um risco de se expor a própria vida, a isso já nos acostumamos. Adolescentes ou adultos desequilibrados, malucos com manias conspiratórias e outras anomalias não são, obviamente, exclusividade americana. Não se encontra em outros países, contudo, nada similar em termos de explosão gratuita de violência assassina. Como sobrevivemos nós a um cotidiano tão ameaçador para a vida? Que custo isso nos traz? Estes que morrem nas ruas, nas chacinas, nos assaltos, não são nossos parceiros de guerra? A agressão física cedeu espaço ao trabalho de convencimento verbal do educador em relação aos seus alunos. Chegou o momento de compreender que é preciso dar tratamento de choque à nossa educação. Agora, no entanto, parece que há uma crise na ciência do comportamento nas escolas brasileiras – chegam notícias de uma violência inaudita contra professores em sala de aula ou fora dela, sobretudo as de ensino médio. O previsível, porém, é que gente muito desajustada no Brasil e sempre consegue acesso desimpedido às armas de fogo. Prefiro fazer uma previsão tristemente óbvia: “Há um grande número de outros garotos por aí que estão acumulando ressentimentos dentro de si, e fora do nosso alcance”. Ou seja: vai acontecer de novo. A educação é o caminho, antes que o país afunde na ignorância, violência e miséria. Educação máxima. Nelson Valente é professor universitário, jornalista e escritor.
13/03/2019

Lava Jato S/A

Jorge Oliveira

Lava Jato S/A

Atenas, Grécia – De tanto ouvir falar de quantias bilionários desviadas pelos políticos e empresários durante os interrogatórios da Lava Jato, os procuradores, à frente da operação que revelou o maior escândalo de corrupção da história do país, cresceram os olhos. E agora, tristemente, surge a notícia de que um grupo deles lá do Paraná vai criar um fundo para administrar R$ 2,5 bilhões, fortuna da Petrobrás que andou pelos Estados Unidos e voltou para Brasil de forma misteriosa. Incrível, a Lava Jato virou uma empresa no país das bananas. Essa montanha de dinheiro que vai para a fundação desses procuradores é fruto de uma manobra que deixou a Petrobrás à mercê da República do Paraná na base do “dá ou desce”. Ou seja: fragilizada, a estatal aceitou um acordo com a justiça norte-americana que culminou com o desembolso de R$ 2,5 bilhões para evitar um processo na terra do Tio Sam. Mas acredite: esse dinheiro voltou, como por encanto, para uma conta do Ministério Público do Paraná para criar a tal fundação. O ministro Marco Aurélio, do STF, foi o primeiro a espernear: “É pernicioso fazendo surgir “super órgãos”, inviabilizando o controle fiscal financeiro. É a perda de parâmetros, é o descontrole, é a bagunça administrativa. É a Babel…” Quis dizer, em outras palavras, que ninguém vai entender como será manipulado tanto dinheiro. Portanto, ele enxerga nisso uma ação indevida dos procuradores com o dinheiro que deveria voltar para os cofres da União e não ficar nas mãos de um grupelho que extrapola totalmente as suas funções. Na verdade, o MP de Curitiba se transformou numa célula ideológica e age como se estivesse disputando espaço político com a esquerda, a quem culpa pelos desmandos do país. Afasta-se, assim, das suas funções institucionais estabelecidas pelo art. 129 da Constituição. No aparelho do MP é que foi gerado o ministro da Justiça, Sergio Moro, o mais poderoso do governo Bolsonaro. A ideologização desse grupo fica mais evidente quando se conhece os objetivos da fundação idealizada por um de seus integrantes mais notórios, o procurador Deltan Dallagnol. Promoção da cidadania Formação de lideranças Aperfeiçoamento das práticas políticas Promover a conscientização da população brasileira O último item cheira a puro fascismo, quando tenta impor à população lição de civismo e conscientização como se o povo brasileiro vivesse na profunda ignorância política e precisasse de tutor para se conscientizar. Pelo movimento político que fazem, esses procuradores estão usando de suas prerrogativas para agir como partido político sem serem votados. E agora, com o caixa entupido de dinheiro, o céu é o limite. A República do Paraná foi mordida pela mosca azul. E sem realizar nenhum tipo de ação que justifique abocanhar esse caixa bilionário, os procuradores veem-se, de uma hora para outra, bilionários com o dinheiro alheio, cujo destino seria o Tesouro Nacional, que poderia revertê-lo em investimentos na educação e na saúde, setores mais carentes do país. Ora, a chiadeira com o descalabro é geral. E a pergunta que mais se faz é: como os procuradores se apossam do dinheiro de uma empresa estatal, devorada pela corrupção, para criar uma entidade de fins privados a pretexto de, por exemplo, “promover a cidadania”? Somos todos idiotas em aceitar que a Lava Jato se transforme em uma empresa privada utilizando-se de dinheiro público? Ou somos meros fantoches manipulados por um grupo de autocratas indiferentes a opinião pública? Dizem alguns procuradores, artífices dessa indecência, que a sociedade será chamada para compor o status da entidade. Quem vai escolher esses nomes? Será por concurso público ou algum iluminado, de posse dessa fortuna, vai dar as cartas e compor a diretoria? Não vejo, a bem da verdade, procurador administrando empresa com dinheiro público. É uma excrecência. Estão no MP para serem guardiões das leis, fiscais do poder público. Não me parece justo “esses deuses da honestidade” criarem uma empresa de capital privado para fazer trabalho com viés ideológico, tarefa que cabe aos políticos com respaldo do voto popular.
13/03/2019

Massacre copiado

Miguel Lucena

Massacre copiado

Não se conhece ainda a motivação do massacre ocorrido em escola pública de Suzano, São Paulo, na manhã desta quarta-feira, 12. O crime foi praticado por dois jovens, um de 25 anos e outro de 17. Arrisco-me, porém, a afirmar que a ação é uma cópia do que vimos ocorrer, de vez em quando, nos Estados Unidos. Somos muito suscetíveis a copiar as coisas dos países mais em voga a cada época, como fizemos com Portugal, por ser o nosso colonizador, Inglaterra e França, na sequência, e por fim os Estados Unidos. Incorporamos a língua estrangeira em nosso falar cotidiano, inserindo termos franceses, ingleses e espanhóis em orações portuguesas, como se fosse a coisa mais natural do mundo. “E o meu aprouche?”, pergunta o lobista, já querendo um adiantamento. No cinema, as pessoas passam mais tempo comendo aquelas pipocas em baldes de cinco litros e bebendo refrigerante de mil/ml do que vendo os filmes, tudo imitação norteamericana. O processo violento pode ter sido desencadeado por humilhações vividas pelos assassinos/suicidas, fala-se muito em bullying, mas o modo de agir é claramente copiado. Sempre houve bullying nas escolas, com outro nome: perturbar, zoar, zonar, mexer, bolir, sacanear e escarnecer, mas não causava tanta polêmica como agora. As crianças estão crescendo em redomas de vidro, imunes a frustrações, podres de mimadas, como diz Theodore Dalrymple, e se tornam jovens cheios de não-me-toques, violentos e sem originalidade. Miguel Lucena é Delegado de Polícia Civil do DF, jornalista e escritor.

Mais Notícias

21/03/2019

Dia Internacional da Síndrome de Down é tema em comissão no Senado

21 de março

Dia Internacional da Síndrome de Down é tema em comissão no Senado

Iniciativa foi da Comissão de Assuntos Sociais da Casa, presida pelo senador Romário

Pessoas com Síndrome de Down, parlamentares, representantes de organizações da sociedade civil, professores e especialistas de diversas áreas, comemoram nesta quinta (21), no Senado, o Dia Internacional da Síndrome de Down. A iniciativa foi da Comissão de Assuntos Sociais da Casa, presida pelo senador Romário (Pode-RJ). Segundo o senador, pai de Ivy Faria, portadora da síndrome, o tema deste ano traz uma reflexão sobre como garantir autonomia para crianças, jovens e adultos com Down, e foi inspirado no tema da Agenda 2030 das Organizações das Nações Unidas (ONU), Leave No One Behind (Não deixe ninguém para trás). Celebrada por 193 países, segundo a ONU, tradicionalmente na data é promovida a conscientização sobre a importância da inclusão das pessoas com Down na sociedade, além de trazer para discussão o tema e combater o preconceito. Na programação deste ano, além de relatos de experiências de pessoas com Síndrome de Down, que contaram como superaram limites e conquistaram seus sonhos, haverá a apresentação de projetos que ajudam no desenvolvimento da fala e da leitura. Uma central de atendimento humanizado, dará acolhimento às pessoas com trissomia 21 (Síndrome de Down). “As pessoas com deficiência foram excluídas da vida social e negligenciadas por políticas durante muitos anos, por isso esse tema é importante e traz uma mensagem clara, a de que nenhuma pessoa pode ser deixada para trás. E como fazemos isso? Com educação universal, inclusão, e, acima de tudo, respeito à diversidade”, disse o senador Romário. O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, participou da abertura do evento e, muito emocionado, contou da relação afetuosa com seu irmão mais novo, José Eduardo, que este ano completa 50 anos, portador da Síndrome de Down. Toffoli lembrou que no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) há um grupo de trabalho formado por magistrados que têm filhos com Síndrome de Down ou outras deficiências. “Vamos fazer um trabalho para que a magistratura tenha leis exclusivas para que, nessas hipóteses, o juiz, a juíza possa ter preferência de escolha do local onde vai exercer a magistratura e, assim, dar o devido apoio ao filho”, disse o ministro, referindo-se à situações na qual o juiz é empossado em um local no início da carreira e depois é transferido para cidades de interior onde não há escolas preparadas para pessoas especiais. Exposição Paralelamente ao evento, o Senado exibe, até o dia 28 de março, a exposição de fotos “Um olhar especial para a natureza”, resultado de uma parceria entre a fotógrafa Gi Sales e o Diário da Inclusão Social. Para captar as imagens, foram realizadas oficinas fotográficas com 11 jovens com Síndrome de Down, quando registraram os principais pontos turísticos de Brasília. (ABr)
21/03/2019

Juiz Marcelo Brêtas mandar prender o ex-presidente Michel Temer

Lava Jato

Juiz Marcelo Brêtas mandar prender o ex-presidente Michel Temer

Ex-ministro Moreira Franco também é alvo da Polícia Federal

O ex-presidente Michel Temer foi preso em São Paulo, no âmbito da Operção Lava Jato. A ordem de prisão foi expedida pelo juiz Marcelo Brêtas, titular da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, responsável pela Lava Jato no Estado. Brêtas também autorizou a Polícia Federal a cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão em endereços de Moreira Franco, ex-ministro de Minas e Energia no governo Temer e atual presidente da Fundação Ulysses Guimarães, do MDB. Veja aqui mais informações.
21/03/2019

Elevação do nível dos oceanos exige políticas de longo prazo

PERIGO DAS ÁGUAS

Elevação do nível dos oceanos exige políticas de longo prazo

Oceanos têm um papel fundamental na regulação do clima do planeta

A elevação do nível dos oceanos pode ultrapassar 1,6 metro até o fim do século, com consequências desastrosas principalmente para as populações costeiras. Além de medidas para a redução das emissões de gases do efeito estufa a serem adotadas pelos países, os cidadãos precisam mudar hábitos e pressionar os tomadores de decisão para evitar um cenário catastrófico. A avaliação foi feita pelos pesquisadores que participaram do primeiro episódio do programa Ciência Aberta em 2019, lançado no dia 19 de março com o tema “Oceanos Ameaçados”. A iniciativa é uma parceria da FAPESP com a Folha de S.Paulo. “São necessárias políticas de Estado, o que não quer dizer políticas de governo. É preciso que seja algo perene, ao longo de décadas”, disse Michel Michaelovitch de Mahiques, professor no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP). Participaram do programa Ilana Wainer, professora no Departamento de Oceanografia Física do IO-USP e membro do comitê gestor do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) da Criosfera, e Cristiano Mazur Chiessi, professor na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP e líder do subgrupo Paleoclima do Núcleo de Apoio à Pesquisa – Mudanças Climáticas (Incline). Chiessi lembrou que a cidade de Santos foi uma das primeiras a estabelecer um plano no longo prazo para o enfrentamento das mudanças climáticas. A iniciativa foi parte de um projeto com apoio da FAPESP. “Não foi algo feito apenas por pesquisadores, mas em conjunto com o poder público e com a sociedade civil. O plano ainda não foi colocado em prática, é muito recente. Mas, se for, vai efetivamente gerar condições um pouco menos difíceis para as populações afetadas pela elevação do nível do mar e por outras questões associadas a mudanças climáticas dos oceanos”, disse o pesquisador (leia mais sobre o assunto em: http://agencia.fapesp.br/22357). O estudo concluiu que o custo mínimo com obras na região da Ponta da Praia de Santos e na Zona Noroeste, as mais afetadas pela elevação do nível do mar no município, ficaria em torno de R$ 300 milhões. Não se adaptar às mudanças climáticas, por outro lado, poderia custar até R$ 1,5 bilhão (leia em: http://agencia.fapesp.br/25976). Os pesquisadores ressaltaram que a elevação do nível dos oceanos já ocorreu em outros períodos na Terra, mas não em uma velocidade tão alta como agora. “A taxa em que esse aumento está ocorrendo é muito rápida. Desde 1993, a elevação é de 3,1 milímetros (mm) por ano. Em 1900, era de 1,7 a 2 mm por ano. A partir de um determinado ponto, o aumento começou a ser exponencial. Mudanças [climáticas] sempre existiram, mas agora estamos alimentando o sistema com os gases [do efeito] estufa”, disse Wainer. O mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) das Organização das Nações Unidas (ONU), lançado em 2013, apontou que a taxa de elevação do mar seria de 8 a 16 mm por ano até o fim do século, muito maior do que os 3,2 mm anuais observados atualmente. Para o ano 2100, portanto, o nível dos mares subiria entre 50 centímetros e 1 metro. “É importante mencionar que, quando o quinto relatório do IPCC foi fechado, a compreensão e a representação do degelo das calotas polares eram extremamente incipientes”, disse Chiessi. Os novos modelos, explicou, preveem um aumento ainda maior, chegando a 1,6 metro de elevação até 2100, levando em conta o derretimento das calotas polares. Estudos recentes, que serão contemplados no próximo relatório do IPCC, indicam valores anda mais altos do que 1,6 metro de elevação para o fim do século. Sintonia com a atmosfera Os oceanos têm um papel fundamental na regulação do clima do planeta, ao redistribuir o calor que chega em excesso na região tropical até as regiões polares, ao mesmo tempo em que levam o frio dos polos para os trópicos. “Os oceanos, junto com a atmosfera, funcionam como um ar condicionado do planeta, levando calor para as regiões frias e frio para onde está muito quente”, disse Wainer. Chiessi explicou que a transferência de energia na forma de calor do Atlântico Sul para o Atlântico Norte anualmente é da ordem de 0,4 petawatt, o equivalente ao produzido por 285 mil usinas hidrelétricas de Itaipu. “Essa grande circulação no Atlântico está marcantemente ameaçada”, disse. “Quando há o derretimento das geleiras, existe um aporte de água doce no mar. Desse modo, não se consegue mais formar essa água profunda e densa necessária para a circulação continuar se movendo. Como consequência, o oceano acaba sendo menos eficiente em redistribuir o calor”, explicou Wainer. Consciência e tecnologia Para os pesquisadores, pressionar os tomadores de decisão é fundamental para evitar um cenário catastrófico. Além de diminuir o consumo de plástico, que afeta os ecossistemas marinhos e inevitavelmente chega aos humanos por meio do consumo de peixes e frutos do mar, é fundamental diminuir as emissões de gases do efeito estufa. “Obviamente, ninguém vai abandonar os carros, parar o transporte aéreo e marítimo da noite para o dia. Não é isso. Mas existem dois pontos importantes. Um é a tomada de consciência, individual e coletiva, de que é necessário um maior respeito pelos oceanos e pelo planeta. E o outro é usar a tecnologia a nosso favor. Optar por meios de transporte menos poluentes, por exemplo. Existem várias coisas que podem ser feitas, senão para impedir, pelo menos para diminuir a taxa de crescimento [de emissões]. Temos que ter consciência de que só temos esse planeta [e por isso] temos que cuidar melhor dele”, disse Mahiques. O novo episódio de Ciência Aberta, “Oceanos Ameaçados”, pode ser visto em: www.fapesp.br/ciencia-aberta. Confira também os programas anteriores, que abordaram temas como obesidade, a contribuição das mulheres para o avanço da ciência, depressão em jovens e adolescentes e os novos desafios das cidades. (Agência FAPESP)   Leia mais sobre Ciência, Tecnologia e Inovação em BRASIL CTI.
21/03/2019

Ameaça de atirar em Toffoli leva PF à casa de advogado alagoano filiado ao PT

Ameaças ao STF

Ameaça de atirar em Toffoli leva PF à casa de advogado alagoano filiado ao PT

Advogado petista Adriano Argolo nega ameaça e alega ter Twitter clonado

A Polícia Federal (PF) cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa do advogado alagoano Adriano Argolo, na manhã desta quinta-feira (21), no bairro de Guaxuma, em Maceió (AL). Filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), Argolo se autointitula nas redes sociais um dos maiores críticos do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus integrantes. E é alvo do inquérito que apura ameaças contra ministros da Suprema Corte, em mandado expedido pelo ministro Alexandre de Moraes. A PF apreendeu o aparelho celular do advogado, sob a acusação de que Argolo teria postado nas redes sociais, em novembro do ano passado, uma mensagem com ameaça de atirar contra o ministro-presidente do STF, Dias Toffoli. A postagem investigada citava a suposta intenção do advogado de ir ao STF e dar um tiro nas costas do presidente da Suprema Corte do Judiciário do Brasil. Durante a operação, a PF apresentou ao advogado a mensagem contante no inquérito, e este negou ter sido o autor da ameaça. E Argolo disse que claramente sua conta no Twitter foi clonada e que nunca seria capaz de proferir qualquer ameaça ao STF, quando entrevistado pela TV Gazeta, nesta manhã. O advogado admite que boa parte de suas postagens é de cunho político e crítico, mas nunca para ameaçar qualquer membro do Poder Judiciário. E disse que foi surpreendido com a chegada dos policiais federais em sua residência, no Litoral Norte de Maceió. “Faço críticas pontuais, tenho cerca de 26 mil seguidores no Twitter e todos percebem que faço diversas críticas políticas. Critiquei o processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma, as várias nuances da Lava Jato, mas jamais seria capaz de fazer uma ameaça a um ministro do Supremo Tribunal Federal. Isto só acontece por uma pessoa que desconhece as leis. Minha conta foi clonada. Nunca postei que gostaria de dar um tiro no tiro nas costas do ministro Dias Toffoli. Só uma pessoa que absurdamente desconhece os trâmites da legislação brasileira faria uma ameaça dessa. Há um incômodo com minhas postagens, que são políticas. Me posicionei contra o impeachment da Dilma e contra vários fatores que considero ilegais da Operação Lava Jato. E é público e notório que clonaram uma conta minha”, argumenta Argolo, ao declarar ser pacífico, não ter armas, nem saber atirar. O advogado disse ter tomado conhecimento hoje da clonagem de sua conta, com a apresentação da postagem pela Polícia Federal. E antecipou que seus advogados entrarão com recurso para trancar o processo, alegando absoluta falta de provas e indícios que o incriminam neste inquérito. Veja uma série de publicações do advogado, criticando o STF e conclamando “luta popular”: O Twitter de Adriano Argolo não mostra a mensagem alvo da investigação e só é possível consultar publicações depois do dia 24 de novembro de 2018. No ferfil, também há críticas ao presidente da República Jair Bolsonaro (STF), chamado de “miliciano nazifascista” em diversas publicações. Sua última postagem foi final da noite de ontem (20), quando disse que “a melhor coisa do mundo é ser nordestino de esquerda”, depois de alertar que sua conta estaria sendo atacada há dias “por uma aliança já esperada de cirominions e bolsominions”. Os alvos das outras ordens judiciais expedidas pelo STF são pessoas que utilizaram perfis nas redes sociais para disseminar mensagens ofensivas e até com ameaças explícitas contras membros do Supremo. (Com informações da Gazetaweb e TV Gazeta de Alagoas)
21/03/2019

Governo de SP usa carne de frigorífico interditado na merenda escolar

Fraude econômica

Governo de SP usa carne de frigorífico interditado na merenda escolar

Secretaria da Educação, após ser informada, diz que recolherá produto e afastará responsável

A gestão do governador João Doria (PSDB) firmou contrato de fornecimento de carne para a merenda escolar com três frigoríficos que tiveram atividades suspensas pelo Ministério da Agricultura. O produto de ao menos uma das empresas continuou a ser entregue a colégios estaduais mesmo após a aplicação da penalidade. O ministério informou à reportagem que determinou a suspensão das atividades dos frigoríficos após constatar fraude econômica. Embora não tenha detalhado a natureza das autuações, fraude econômica consiste em comercializar um produto diferente do que o que foi combinado –por exemplo, vender carne de segunda como se fosse de primeira, ou misturar rejeitos à carne. Os três frigoríficos com atividades suspensas respondem pelo fornecimento da maior parte das carnes servidas aos alunos do estado desde o ano passado. São eles: NS Alimentos, que fornece carne de porco e coxão mole; Centroeste, que tem contratos para carne moída; e Fridel, com contrato para patinho e coxão mole, e que foi reaberto nesta quarta (20). Segundo o Ministério da Agricultura, a suspensão das atividades da NS Alimentos foi determinada em 30 de janeiro. Ainda assim, a empresa firmou no dia 11 de fevereiro contratos com a Secretaria da Educação do estado no valor de R$ 7,9 milhões para compra de coxão mole e pernil. Os documentos estão assinados por Júlio César Forte Ramos, chefe da Coordenadoria de Infraestrutura e Serviços Escolares da secretaria, e por uma representante da empresa. Documentos obtidos pela Folha mostram ainda que parte das escolas continuou recebendo carne da NS Alimentos mesmo após a secretaria ter sido notificada da suspensão de atividades em razão de fraude econômica. O produto fornecido foi a carne patinho em cubos congelada, adquirida por meio de um contrato firmado no ano passado. A Fridel também teve um contrato assinado em 20 de fevereiro, mesmo dia em que suas atividades foram suspensas. Parte das escolas estaduais relata problemas no recebimento de carne nas últimas semanas. É o caso da escola Dora Peretti, em Mogi das Cruzes (Grande SP). Em Americana, professores afirmam que diretores e pais de alunos da cidade têm bancado a aquisição de carne alguns dias da semana. A secretaria nega. O Ministério da Agricultura informou que a suspensão do Fridel, determinada em 20 de fevereiro por “fraude econômica (substituição de matéria prima)”, foi revogada nesta quarta-feira (20) após nova fiscalização e apresentação de programas de autocontrole de rastreabilidade. Em relação aos demais, diz que “as ações cautelares de suspensão destes estabelecimentos são mantidas até que o interessado comprove em processo administrativo que identificou o motivo que originou a não conformidade, que implementou medidas corretivas e preventivas visando eliminar novos casos de fraude e que adotou todas as ações/destinações adequadas sobre o produto com fraude”. O cardápio da merenda das escolas da rede estadual vem sofrendo alterações desde a gestão Márcio França (PSB), que continuam sob Doria. Entre as mudanças, está a volta de produtos processados que antes não estavam no cardápio, contrariando a preferência que vinha sendo dada a alimentos in natura. Foram compradas, por exemplo, almôndegas com molho pronto já congelado e foi aberto processo para aquisição de molho de tomate em pó. Além disso, menus feitos pela chef Janaina Rueda foram substituídos sem aviso no final do ano passado por refeições que têm gerado críticas por falta de nutrientes ou pela repetição de alimentos. O secretário de Educação do Estado de São Paulo, Rossieli Soares, afirmou por meio de nota que, “ao tomar ciência de que produtos de frigoríficos com atividades suspensas pelo Ministério da Agricultura foram distribuídos pela pasta, determinou abertura de investigação para apurar as responsabilidades”. Declarou ainda que, assim que identificados, os responsáveis serão afastados. “O secretário ordenou que todo o material entregue seja recolhido das escolas”, diz a nota. (FolhaPress)
21/03/2019

País mantém desde 2011 diferença de aprendizagem entre ricos e pobres

Educação

País mantém desde 2011 diferença de aprendizagem entre ricos e pobres

83% dos estudantes mais ricos saem da escola pública tendo aprendido o adequado em língua portuguesa; entre estudantes mais pobres, apenas 17%

No Brasil, enquanto 83% dos estudantes mais ricos saem da escola pública tendo aprendido o adequado em língua portuguesa ao final do ensino médio, entre os estudantes mais pobres, essa porcentagem é 17%. Em matemática, 63,6% dos alunos mais ricos aprenderam o adequado e apenas 3,1% dos mais pobres saem da escola sabendo o mínimo considerado suficiente na disciplina. Os dados são do Todos pela Educação (TPE), organização social, sem fins lucrativos. A entidade analisou os microdados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2017 e mostrou que há diferença grande e constante, desde 2011, entre o desempenho dos mais ricos e dos mais pobres em todos os níveis analisados, no 5º e no 9º ano do ensino fundamental e no 3º ano do ensino médio. A disparidade entre as porcentagens de estudantes que aprendem o adequado chega a ser quase cinco vezes maior entre aqueles com maior nível socioeconômico e os com menor nível. “A educação, que poderia ser uma das principais ferramentas para diminuir a desigualdade de aprendizagem não tem conseguido fazer isso de maneira consistente no Brasil”, diz o diretor de Políticas Educacionais do TPE, Olavo Nogueira Filho. “A gente está avançando na média brasileira, mas está mantendo um alto grau de desigualdade entre alunos de nível socioeconômico mais alto e mais baixo. Estamos melhorando sem conseguir diminuir esse resultado entre mais ricos e mais pobres”, avalia. O Saeb avalia estudantes quanto aos conhecimentos de língua portuguesa e matemática e é aplicado de dois em dois anos. A avaliação é de responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que classifica os estudantes em seis grupos, considerando o nível socioeconômico. O grupo 1 reúne os estudantes com o menor poder aquisitivo. São, em maior parte, estudantes com renda familiar mensal de até um salário mínimo e que têm, em casa, bens elementares, como uma geladeira e uma televisão, sem máquina de lavar roupa ou computador. Os pais ou responsáveis têm formação até o 5º ano do ensino fundamental ou inferior. Na outra ponta, está o grupo 6, com estudantes com renda familiar mensal de sete salários mínimos ou mais, cujos pais ou responsáveis completaram a faculdade e que tem em casa três ou mais televisores, dois ou mais computadores, entre outros bens. A diferença é constatada desde o 5º ano do ensino fundamental, quando 90,4% dos mais ricos aprendem o adequado em língua portuguesa e 83,9%, em matemática e apenas 26,3% dos mais pobres aprendem o adequado em português e 18,1%, em matemática. De acordo com Nogueira Filho, a escola pública não está cumprindo um de seus principais potenciais: reduzir desigualdades. “Para fazer isso, é preciso ter uma política educacional que se preocupe com essa questão. Uma política educacional que se traduza em mais recursos para quem tem maior desafio”, defende. De acordo com o diretor, ocorre o contrário no país. “Os municípios mais vulneráveis, em geral, são os que têm menor investimento por aluno quando comparados com regiões de nível socioeconômico mais elevado”. Aprendizagem adequada De acordo com o levantamento do TPE, em média, considerando juntos todos os níveis socioeconômicos, houve melhora na aprendizagem no país, no ensino fundamental. No ensino médio, há praticamente estagnação desde 2001. O maior salto foi no 5º ano do ensino fundamental. Em 2001, 23,7% dos estudantes aprendiam o adequado em língua portuguesa e 14,9%, em matemática. Essas porcentagens chegaram a 60,7% e a 48,9%, respectivamente, em 2017. No final do ensino médio, em 2001, 25,8% dos jovens deixavam a escola sabendo o mínimo adequado em português e 11,6%, em matemática. Em 2017, essas porcentagens passaram para 29,1% em língua portuguesa e reduziram para 9,1% em matemática. O TPE considera como aprendizagem adequada estudantes que obtiveram pelo menos, em língua portuguesa, 200 pontos no 5º ano do ensino fundamental, 275 no 9º ano e 300 no final do ensino médio. Em matemática, é necessário tirar pelo menos 225 pontos no 5º ano, 300 pontos no 9º ano e 350 pontos no 3º ano do ensino médio. As pontuações foram definidas por um conjunto de especialistas que buscou como referência, inclusive, o desempenho de estudantes de nível semelhante em outros países. Seguindo os níveis propostos pelo Inep, essas pontuações significam que os estudantes devem estar pelo menos no nível 5 de 10 níveis em matemática e no nível 4 de 9 níveis em língua portuguesa, no 5º ano; no nível 4 de 8 níveis em português e 5 de 9 níveis em matemática, no 9º ano; e no 6 de 10 em matemática e nível 4 de 8 níveis em língua portuguesa, no 3º ano do ensino médio. Ministério da Educação No ano passado, o Ministério da Educação divulgou, pela primeira vez, o nível que considera adequado para cada etapa. Os níveis considerados são mais rígidos do que os definidos pelo Todos pela Educação, considerando adequado apenas o nível 7 em ambas disciplinas. A métrica foi questionada por especialistas. Pelo critério do MEC, apenas 1,62% dos estudantes obtiveram o mínimo adequado em língua portuguesa ao final do ensino médio e 4,52%, o mínimo em matemática, em 2017. (ABr)