O ‘banho de sangue’ de Trump

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Ninguém se engane, a democracia americana está em risco. É inacreditável e inadmissível a tolerância com a retórica violenta e apocalíptica do republicano Donald Trump. Cada dia, ele semeia em seus discursos a raiva e a vingança, com base na “teoria da conspiração”, movimento de extrema-direita, que tem como guru uma figura anônima chamada “QAnon”, que só se manifesta em mensagens enigmáticas pela internet.

As teorias conspiratórias vão desde a ficção-política, até autênticos casos de paranoia eleitoral, com sementes de revolta A concepção central, sem fundamento, é de que o presidente Donald Trump está secretamente liderando uma repressão contra enorme rede de pedófilos, que inclui importantes democratas e a elite de Hollywood.

A ferocidade do ex-presidente, manifestou-se em seu linguajar ruidoso, ao anunciar em Ohio, numa concentração política recente, que haverá um “banho de sangue” nos Estados Unidos se ele não for eleito em novembro próximo. Pura violência política. Trump também se referiu-se aos réus de 6 de janeiro como “pessoas incríveis” e “reféns” a quem ajudará, quando for eleito. Ele criou, de fato, um culto patriótico em torno de si próprio.

Trump acusou os migrantes de “envenenar o sangue do país” – uma declaração com conotações do Mein Kampf de Hitler. Ele também os chamou – sem provas -, de criminosos, argumentando que todos são egressos de prisões, instituições e asilos de loucos. Além disso, Trump elogia os desordeiros de 6 de janeiro como “patriotas inacreditáveis” ” a quem ajudará quando for eleito

As últimas declarações são alarmantes para a China e a Europa, os principais concorrentes americanos. Trump “encoraja” a Rússia atacar membros (europeus) da OTAN que não gastam o suficiente em defesa para sustentar a Aliança Atlântica. Ele disse a Putin que pode fazer “o que diabos quiser” com os aliados da OTAN.

Quanto à China, ele está ameaçando aumentar as tarifas sobre seus produtos de exportação, mesmo que signifique menor crescimento para a economia americana. Um abismo poderá abrir-se entre os EUA, a Europa e a China.

Tump renegou acordos internacionais sobre alterações climáticas, envio de tropas, comércio e armas nucleares. Ele formou relações mais estreitas com autocratas como o presidente russo Vladimir Putin e o líder norte-coreano Kim Jong-un – “Nós nos apaixonamos”, disse ele. Também proibiu cidadãos de países árabes de viajarem para os EUA; ameaçou retirar as bases dos EUA da Coreia do Sul; e descreveu o Haiti e El Salvador como “países de merda”.

Sondagem recente, publicada pela Reuters, indica que os dois candidatos estão praticamente empatados. 39% dos eleitores preferem Biden, e 38% optam por Trump. Há um grande número de indecisos. A indagação é o que se pode aguardar de uma campanha política, na qual um dos candidatos enfrenta 91 acusações criminais?

Ney Lopes – jornalista, advogado, ex-deputado federal; ex-presidente da CCJ da Câmara Federal – ex-presidente do Parlamento Latino-Americano, procurador federal – nl@neylopes.com.br – blogdoneylopes.com.br

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