Indignai-vos

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Estamos no Rio Grande do Sul, nesta semana, recordando a Revolução Farroupilha – uma interessante revolta de inspiração Republicana, contra a truculência do poder centralizador do Império, entre 1835 e 1845. Lembro um trecho do Hino Riograndense, que cantamos com orgulho e emoção: “Mas não basta pra ser livre ser forte, aguerrido e bravo. Povo que não tem virtude acaba por ser escravo”.

Perfeita definição do que vem acontecendo com o Brasil e com a Humanidade. Somos progressivamente escravos da insegurança, da indisciplina social, da fragilização da família, da baixa qualidade educacional, das alterações ambientais, do ódio, do desemprego, da pobreza, da ganancia, do individualismo. Estamos jogando fora os princípios éticos que nos conduziram às fantásticas conquistas das ciências, da tecnologia e das artes, da Liberdade, da Solidariedade e da Justiça Social.

Em 2010 foi lançado o manifesto “Indignez vous”, (“Indignai-vos”). O autor, com 93 anos à época, participou da Resistência francesa na 2ª Guerra Mundial, foi prisioneiro em Buchenwald, participou da elaboração da Declaração Universal dos Direitos Humanos, (1948). Seu nome Stéphane Hessel.

Não suportando a apatia do povo francês, na defesa e na promoção dos ideais da sua juventude, Hessel escreveu um manifesto, difícil de publicar pela falta de interesse dos jornais e das grandes editoras. A primeira tiragem foi de seis mil exemplares. Hoje mais de dois milhões estão publicados.

Hessel denuncia a ignorância da população sobre o futuro trágico, o desinteresse da juventude em reagir às injustiças do mundo, o conluio dos políticos com o poder econômico, a subserviência ao mercado, a supremacia das questões financeiras nas preocupações governamentais, a tragédia da crise ambiental, o abismo que se aprofunda entre os muito ricos e os muito pobres, cristalizado a trágica situação social da minoritária classe dirigente e a imensa maioria dos marginalizados dos benefícios do progresso. Me esforço para fazer o mesmo.

O desafio que se apresenta é organizar a crescente indignação do povo contra a anarquia e o cinismo do grupo de homens e mulheres, que se apoderaram da nação. Os políticos, os governantes, a classe dominante, que opera a política e a economia em função dos seus interesses, precisam perceber que o povo não tolera mais este processo de exclusão.

Indignai-vos.

Eurico de Andrade Neves Borba, aposentado, ex professor da PUC RIO, ex Presidente do IBGE, membro do Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade, mora em Ana Rech, Caxias do Sul.    eanbrs@uol.com.br

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