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Adriano Barros

Elétricos contra o ostracismo automotivo nacional

Quando ouvimos falar em carros elétricos, é comum vir à cabeça ruas da Alemanha, dos EUA ou da China. Nosso imaginário tende a pensar que nesses mercados, o carro elétrico é comum.

A verdade é que somente 3% da frota mundial de veículos é composta por elétricos. E, sim, há países que estão mais avançados do que outros. Estados Unidos, China e países europeus são bons exemplos de onde os carros elétricos podem ser vistos com mais frequência.

Mas você sabe qual é o ponto em comum desses mercados?

O principal deles não é a exigência dos consumidores locais ou o desejo das empresas em limpar o ar daquela região específica.

A grande semelhança desses mercados são as políticas públicas implementadas em prol da eletrificação das frotas locais.

Nos Estados Unidos, o motorista que adquire um carro elétrico pode ter até USD 7.500 em isenção de impostos. Na Alemanha, são quatro mil euros de incentivo dado pelo governo para quem quiser comprar um carro zero emissão. Já na China, quem quiser ser proprietário de um carro à combustão precisa esperar ser contemplado através de sorteio para poder comprar uma placa, que custa muito caro. Já aqueles que querem um elétrico, não precisam passar por este processo e têm a venda facilitada e subsidiada pelo governo.

Esses são apenas alguns exemplos de políticas feitas para incentivar a eletrificação das frotas com o objetivo final de reduzir significativamente as emissões de carbono.

Em janeiro, a General Motors divulgou seu plano de ser neutra em carbono até 2040. Plano ambicioso que inclui deixar de vender veículos leves a combustão em 2035.

Esses são alguns exemplos de como o mundo caminha para a eletrificação e os países que não tomarem iniciativas hoje para entrar neste jogo num futuro próximo estão fadadas ao ostracismo automotivo.

Existem iniciativas bem-intencionadas,pontuais e isoladas. Porém, a força que essa transformação exige não é para um coletivo de pequenas ações e sim para um robusto plano nacional, de longo prazo, que dê previsibilidade, segurança, que realmente mostre que a nação está disposta a fazer parte da nova realidade e que crie condições do setor estar inserido no mercado global.

Temos a vantagem de ter os principais minérios das baterias aqui na América do Sul, mas ainda somos meros fornecedores dessas commodities. A bateria é responsável por cerca de 60% do custo e do peso de um veículo elétrico. Criar condições para que este setor se desenvolva no País é chave para o setor produtivo nacional, para o futuro da mobilidade, para a atração de novos investimentos, manutenção dos empregos e transformação do Brasil numa plataforma de exportação desses veículos.

Somos um mercado automotivo importante e precisamos agir como tal. Nossas montadoras estão presentes globalmente e já comprovaram que irão decidir por permanecer nos mercados que gerarem condições competitivas.

Enquanto outras reformas são complexas de serem aprovadas e implementadas, embora extremamente necessárias, um plano nacional de fomento à diminuição de emissões de poluentes pode criar condições de uma indústria inteira a permanecer investindo no Brasil.

Adriano Barros é vice-presidente da ANFAVEA -Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, diretor de Relações Governamentais da General Motors e é especialista em questões regulatórias e fiscais.