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Não faz muito tempo li, no jornal Japan Times, uma interessante notícia. Dizia que em um futuro não muito distante todo prédio no Japão teria, no telhado, painéis solares de geração de energia elétrica. O plano do governo é ter uma capacidade de geração estimada em 108 gigawatts até 2030 – e 370 até 2050. Eis aí algo relevante, dado estarmos a falar da terceira maior economia do planeta.

Mais ou menos na mesma época Jose Montilla, Ministro da Indústria da Espanha, anunciou a obrigatoriedade da instalação de painéis solares em prédios novos. Apurou-se, naquele país, que ao longo de cinco anos a instalação desses geradores em 3,5 milhões de prédios proporcionou uma economia de € 245 milhões apenas em combustíveis – desconsiderados os ganhos em função da redução dos índices de poluição etc.

Na França anunciou-se a construção de uma imensa central de produção de energia elétrica a partir do sol. Com capacidade instalada de 1 gigawatt, quase equivalente a de algumas centrais nucleares, será a maior da Europa. Suprirá as necessidades de estimadas 600.000 pessoas da região de Bordeaux.

Nos EUA funciona, desde 2014, a Usina de Energia Solar de Ivanpah. Situada na California, produz energia elétrica suficiente para abastecer 140.000 residências. Considerada a realidade nacional estamos a falar de uma matriz que responde por 97,2 gigawatts, capaz de prover energia elétrica para 18 milhões de residências. Responde por 3% da geração de energia elétrica dos EUA (dados de 2021).

No Reino Unido anunciou-se, em junho de 2021, que a capacidade instalada de geração de energia solar alcançou 13,5 gigawatts – já respondendo por 4,1% do consumo nacional de energia elétrica. Eis aí um exemplo digno de atenção, considerado o clima notoriamente desfavorável daquele país.

Na Europa como um todo projetou-se para 2030 que 20% da geração de energia elétrica virão de painéis solares – cujas instalação e manutenção criarão 4 milhões de empregos!

Enquanto tudo isso acontecia pelo mundo afora li, no “site” Diário do Poder, a seguinte notícia: “O bilionário lobby das distribuidoras de energia tenta acabar com as regras definidas pela Aneel, agência reguladora, destinadas a estimular a utilização da energia solar no Brasil, inclusive residencial” (08 de abril de 2021). Será que conseguiram?

Pedro Valls Feu Rosa é desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.