Alexandre, o ‘Pequeno’

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A história de Alexandre III da Macedônia, mundialmente conhecido e reverenciado como Alexandre o “Grande” (ou Alexandre Magno), corresponde à de “[….] um dos maiores líderes guerreiros da humanidade”, como registram os historiadores.

Suas investidas sobre as regiões que hoje correspondem ao Egito, à Arábia e ao Afeganistão, além a da Pérsia e a da Grécia, se por um lado nunca registraram uma só derrota, por outro mais engrandeceram sua trajetória, em face das lições sobre poder, sociedade e cultura deixadas para a eternidade.

Com a morte precoce do pai, o Rei Filipe II, o jovem precisou assumir o trono aos 20 anos, revelando uma vocação nata como grande conquistador cujos objetivos políticos ultrapassaram os campos de batalha e visaram à formação de um único povo, com a junção sociocultural de gregos e bárbaros que conquistava.

A grandeza do jovem conquistador de homens e de almas provinha de sua índole – marca de nascença que acompanha o indivíduo do berço ao túmulo. Não poderia ter resultado em nada menor.

Rollenhagem (1583-1619), poeta, escritor e advogado alemão, falando acerca da índole das pessoas sempre lembrava que “[…] a rã, embora a pusessem num tanque de ouro, saltaria de novo para o pântano”, porque aqueles de má índole (explico eu) possuem más entranhas e não são diretos, mas dissimulados; não são grandiosos ou excepcionais, mas medíocres; não são valentes, mas bravateiros; não são honrados e probos, mas venais.

Relembrando a história antiga, lamento a má sorte de nossa gente. Para enobrecer a origem do seu povo, os macedônios tiveram um grande rei, Alexandre III, e nós que nem ao menos soubemos respeitar um bom e culto imperador em um passado não muito distante, milênios depois temos que nos ver às voltas com um Mandarim homônimo do grande monarca macedônio, nomeado pelo “Corrupto dos Porões do Jaburu” para a Suprema Corte do Brasil, Alexandre de Moraes, o “Pequeno”.

Falo do ministro, do agente público regiamente pago por todos nós, não da pessoa ou do homem porque para mim, como certamente para milhões de homens de honra, o que representa aquele tipo de gente pouco se me dá.

E porque pouco se me dá, não vou emitir juízo de valor algum acerca das denúncias que pesam sobre Moraes, publicadas em 2017 na revista Exame, no sentido de que ele mentiu em seu Currículo Lattes e que plagiou trechos de um livro de um autor espanhol, sem a devida citação em seu trabalho acadêmico. Este é o passado do caçador de notícias falsas de hoje.

Nem é de se espantar. Nestes tempos de gente menor e sem valor na política – tal como os “Contras” e os “Terceiroviistas”, a prática de falsear a qualificação acadêmica para obter vantagem indevida passou a ser recorrente. O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella dizia ser doutor em Engenharia Civil pela Universidade de Pretória, na África do Sul. A ex-presidente Dilma Rousseff afirmava ser mestra e doutora em Economia pela Unicamp. A ministra Carmen Lúcia, do STF, dizia ter doutorado em Direito pela USP. Tudo falso.

Rejeitado por milhares de estudantes de direito e um sem número de senadores subscritores de em alentado manifesto que apresentaram na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal quando de sua indicação para compor o STF, o Ministro de Temer, chamado de canalha em praça pública por milhões de brasileiros, tornou-se mais odiado que o Mandarim Gilmar Mendes e, a rigor, encarna o carrasco dos tempos de agora e o maior algoz de quem, calcado no princípio constitucional de liberdade de expressão ouse desagradá-lo de alguma forma. Simples assim.

Já não surpreende o que Alexandre, o “Pequeno”, tem feito contra o Brasil por conta de seu inconformismo em relação ao resultado das urnas de 2018 e de uma psicótica perseguição de cunho político partidário.

Seus inquéritos ilegais e abusivos, nos quais são negados acesso aos advogados de suas vítimas; que prendem, aleijam, põem em risco a vida e sufocam até o mais elementar direito do cidadão de prover sua mantença ou de sua família, arguindo ficções criminais ou delitos jamais previstos no ordenamento brasileiro, afrontam um enorme elenco de liberdades individuais e, por via de consequência, o estado de direito para assim desmoralizar a própria Corte que integra, bem como outras instituições republicanas, que as mantém reféns de seus ímpetos despóticos e demoníacos.

Seus atos que no Brasil não podem ser revistos por qualquer Juízo ou Tribunal e que por isso mesmo já foram submetidos às Cortes Internacionais de Justiça, agora chegaram ao máximo do descalabro quando, por desumana perseguição política, incluiu o Brasil no abominável “Clube” das ditaduras que bloquearam o aplicativo de mensagens Telegram, atingindo inconsequentemente cerca de 70 milhões de brasileiros e as atividades de diversos entes governamentais.

Além do Brasil, apenas Azerbaijão, Bahrein, Belarus, China, Cuba, Hong Kong, Índia, Indonésia, Irã, Paquistão e Rússia já bloquearam o Telegram para seus habitantes.

A decisão de Moraes foi adotada monocraticamente, isto é, ao seu inteiro alvedrio, e nos autos de um dos inquéritos sobre a suposta disseminação de notícias falsas. Nesta decisão o tal servidor público alega a demora do Telegram em atender sua determinação de banir o jornalista “Allan dos Santos” do cenário nacional e internacional e igualmente uma postagem do Presidente da República.

Em seu despacho o ministro escreveu que estava atendendo a um pedido da Polícia Federal, pedido este que o presidente Jair Bolsonaro disse em entrevista à TV Jovem Pan News, que a PF não havia formulado.

Pelas redes sociais está sendo divulgado que o senador Marcos Rogério (PL-RO), convicto de que o Ministro faltou com a verdade, vai pedir que a advocacia do Senado Federal examine todas as peças do processo para confirmar a existência de um pedido de bloqueio do Telegram por parte da Polícia Federal, no qual se baseou expressamente a decisão do Ministro Alexandre de Moraes. Na hipótese do pedido inexistir nos autos, a meu sentir é caso bastante para embasar mais um pedido de impeachment do colérico Ministro.

Aquele que o establishment venal e corrupto dizia que não teria competência para governar esta Terra de Santa Cruz, que não estaria à altura do cargo e da missão que lhe confiou o povo brasileiro, tem revelado uma força de caráter e de espírito que vem surpreendendo este mundo de tão poucos líderes de valor e de coragem.

O presidente eleito que tem a força das armas e das ruas como jamais se viu na história recente deste País, em face de sua acendrada convicção patriótica, tem tolerado deste Mandarim de Temer e dos vermelhos em geral que o apoiam, muito mais que qualquer outro mandatário teria suportado sem adotar medidas efetivas para arredar o perigo que o País atravessa nas mãos daquele julgador.

É este Presidente que não se deixa seduzir pelas regalias e pelas vantagens do momento e que se comove com a perspectiva de um bem futuro ou de um Brasil maior e melhor que, juntamente com os patriotas vêm sofrendo o martírio daqueles que, como Alexandre – o “Pequeno”, em razão de suas mesquinhez e fraqueza, temem o líder e desprezam o povo.

Daí a razão para tanta arrogância, para tanta maldade e para esta louca usurpação de poderes, jamais presenciada na história política desta Nação, mas vamos lutando.

Jose Mauricio de Barcellos ex Consultor Jurídico da CPRM-MME é advogado. E-mail: bppconsultores@uol.com.br.

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