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A ‘roda gigante’ de 2022

O tempo voa.

Gira a roda gigante de 2022.

Percebe-se sentimento de apreensão, em relação ao futuro.

O Brasil não poderá ser “ilha”, imune de enfrentar os desafios comuns a outras nações.

Cabe a indagar como garantir maior confiança, na pós pandemia.

Em princípio, deve ficar claro, que todos caminhos a percorrer serão obrigatoriamente pela via política, nunca da antipolítica.

Daí jamais justificar-se distância, rejeição a política, ou aos políticos.

Nessa conjuntura, desenha-se a polarização entre o presidente Bolsonaro e o ex Luís Inácio da Silva.

A novidade é o ex-ministro Sérgio Moro ter se lançado na disputa, com discurso mais para 2018, do que 2022.

Não se pode negar o prognóstico de que as eleições gerais serão realizadas em cenário de conflitos.

A instabilidade atinge o estado de direito, que nada mais é do que o fenômeno político, originário da necessidade de disciplinar o poder, através da lei, com respeito ao princípio da separação dos poderes.

Nos últimos anos ocorreram antagonismos entre o governo, o Congresso Nacional e o judiciário.

A viabilização da terceira via está distante.

O fiasco das prévias do PSDB colaborou para o descrédito.

O “gargalo” é a falta de alguém que assuma o indispensável discurso da “paz nacional e prioridade do social”, que o país necessita.

Observa-se a crescente radicalização política.

A economia na contramão da realidade global, tudo sob o falso pretexto de manter o “teto de gastos” para continuarem intocáveis certos “privilégios fiscais” e negado o direito a sobrevivência das multidões desassistidas.

A propósito, a Câmara dos Representantes americana aprovou um pacote de medidas sociais e ambientais – “Build Back Better” (Reconstruir melhor) -, mobilizando cerca de 1,75 trilhão de dólares (9,76 trilhões de reais), que visa resolver problemas acumulados há décadas e dar aos trabalhadores e à classe média possibilidade de lutar.

Joe Biden quer enterrar 40 anos do consenso de Washington, que se resumiu em desregulamentação, menos impostos, privatizações, e o poder absoluto dos mercados.

Como disse o professor Peter Praet “É uma sacudida brutal no sistema que busca causar efeitos imediatos nas vidas dos americanos mais pobres”.

O programa assemelha-se ao que Roosevelt fez com o “New deal” e Lyndon B. Johnson com a cobertura de saúde para aposentados e miseráveis.

Isso acontece em um país que lidera o capitalismo, acolhe a economia de mercado e não pode ser acusado de “comunista” ou “fura teto”, mesmo diante do aumento do déficit orçamentário em US$ 367 bilhões, na próxima década

O Japão é outro exemplo, através do programa multimilionário de 2,7 trilhões de reais, com o objetivo de construir uma sociedade justa, após a pandemia.

Entre as metas está a entrega de cheque de 100.000 ienes (cerca de 4.800 reais) a pessoas com baixos rendimentos e outro de valor semelhante por cada criança com menos de 18 anos, objetivando promover o consumo de produtos básicos e arcar com despesas de educação.

Aumentos salariais também foram aprovados para servidores públicos, especialmente funcionários de casas de repouso, creches, pré-escolas e assistentes sociais.

Observe-se, que o Japão com esse pacote social assumirá um “déficit” de longo prazo, que é o dobro de sua economia, de cerca de 27,8 trilhões de reais.

Nem por isso, o Governo deixou de contar com o apoio do banco central e do Parlamento.

Esses dois exemplos devem inspirar aqueles que irão disputar a eleição de 2022, sob pena da tragédia nacional não ter solução.

A sociedade está imbuída do desejo de resgatar a cidadania plena e a solidariedade social, deixando de lado radicalismos inconsequentes de esquerda ou direita, e amenizando os efeitos da complexa realidade atual.

Se vingarão no Brasil tais propósitos de mudanças socialmente consistentes, ninguém pode ainda responder.

Os candidatos terão que demonstrar firmeza e segurança, convergindo para uma “pauta de prioridades”, em cuja definição seja obedecido o aforisma bíblico do Apocalipse: “Seja quente, ou seja, frio; não seja morno, que eu te vomito”.

A característica da “roda gigante” eleitoral é que dá em cima e em baixo.

Espera-se que em 2022, ela gire para cima e sejam enxergados os horizontes da reconstrução política, social e econômica do pais, com estabilidade responsável e distribuição de renda justa.

Ney Lopes – jornalista, advogado, ex-deputado federal; ex-presidente do Parlamento Latino Americano; ex-presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal; procurador federal – nl@neylopes.com.br – @blogdoneylopes