A decadência do processo educacional

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O preceito constitucional, (art. 205), diz, com sabedoria, que: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

O processo educacional público e privado são fracos, na maioria das suas unidades escolares e universitárias, na transmissão dos saberes, do pensamento lógico e crítico, da linguagem e dos comportamentos exigidos para o necessário viver coletivo em sociedades democráticas.

A juventude não está sendo preparada nem para o trabalho, nem para o exercício da cidadania e muito menos para a consciência do ser digno, detentor de direitos naturais inalienáveis, que é.

A sociedade brasileira não é educadora, nunca foi. Não exibe comportamento que possa servir de exemplo para a juventude perplexa, que testemunha o que os meios de comunicação divulgam nos programas, quase sempre, vulgares, os que mais atraem o grande público. As novelas dão pouca importância ao conteúdo moral das suas narrativas. As notícias sobre a corrupção dos políticos, mancomunados com empresários, transmitem para a população, incapacitada de exercer um raciocínio critico, o sentimento de que todos roubam, enganam e competem e que esses são os comportamentos normais do ser humano. É nesse ambiente de deboche que a nossa juventude está sendo criada (educada?).

A família educadora deixou de ensinar, pelo exemplo, ser ela o lugar privilegiado para a concretização do amor, para a criação dos filhos, que interiorizariam o aprendizado por observação e participação progressiva, na organização e na vida da pequena comunidade, com os seus valores e sentimentos de respeito, honestidade, cuidados recíprocos e responsabilidade coletiva. A família está se tornando, apenas, uma organização administrativa para a “criação física” de homens e mulheres, destinados ao mercado de trabalho e apresentar um comportamento submisso à classe dominante, aquele minoritário grupo de pessoas bem formadas intelectualmente, ricas, detentores dos poderes que determinam os rumos da economia, da política e da sociedade.

Sem a atuação da família, do Estado e da sociedade, unidos na promoção do Humanismo, poucas esperanças podemos nutrir sobre um futuro justo e solidário da Humanidade, fruto da educação integral de qualidade para todos.

Eurico de Andrade Neves Borba, 83, ex professor da PUC RIO, ex Presidente do IBGE, é do Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade, mora em Ana Rech, Caxias do Sul. eanbrs@uol.com.br

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