Opinião


18/05/2019

Verdade roubada, mentira vendida

Percival Puggina

Verdade roubada, mentira vendida

Todo dia, toda hora, em algum lugar, alguém está falando a nós, o povo. Falam-nos nos meios de comunicação, nas redes sociais, nas tribunas, nos púlpitos, nos palanques sobre o que nós, o povo, queremos. E sempre há alguém acusando outrem, por estar fazendo as coisas de modo diverso daquele que nós, o povo, desejaríamos. Essa apropriação, que nos converte em gado do discurso alheio, é uma espécie de abigeato praticado cotidianamente. Muitas vezes, a verdade nos é roubada e a mentira vendida ao povo. Há no povo homens e mulheres; há crianças, jovens, adultos e idosos (e também jovens idosos e adultos infantis); há pessoas instruídas e incultas, bem como sábios incultos e acadêmicos tolos; existem pessoas dos campos e das cidades, do febril anonimato das grandes metrópoles e das pequenas comunidades urbanas onde todos se conhecem; há pessoas de várias classes sociais e níveis de renda; há no povo uma diversidade cultural, racial e religiosa. Em cada grupo encontraremos bons e maus, trabalhadores e vadios, pessoas com e sem esperança, enfermos e sãos, cada qual com suas debilidades e fortalezas, vocações, inclinações e tendências políticas. Tudo isso é povo. Como pode alguém, pois, apropriar-se de todos e de cada um, como enlouquecido aparelho de rádio que sintonizasse, simultaneamente, o conjunto das emissoras? Ninguém, a rigor, tem o “povo” nas mãos, seja governo, seja oposição. (Espero que me entendam, quando digo isso, aqueles que mais precisam entender). Lembro-me do governo Olívio Dutra e do Orçamento Participativo (OP). Segundo seus promotores, aquilo era uma forma de atribuir ao “povo”, a decisão sobre o destino das verbas públicas. E o “povo” ia para lá e para cá nas assembleias do OP. Nelas o “povo” deliberava exatamente sobre os gastos não obrigatórios, as tais despesas discricionárias de que hoje tanto se fala. No final do processo, todo o “povo” convergia à Praça da Matriz para um grande comício com bandeiras vermelhas e palavras de ordem. Ali, testemunhavam algo insólito: a trepidante e inolvidável entrega do Orçamento do Estado à Assembleia Legislativa. Juro para vocês! Eu vi isso acontecer, mais de uma vez… As velhas entranhas do Theatro São Pedro, no outro lado da praça, roíam-se de inveja por nunca haverem reunido tanto público nem tantos talentos da nobre arte de representar. Ah! Claro, nenhum OP estadual gaúcho cumpriu, senão minimamente, o que foi deliberado pelo “povo”. O contingenciamento sempre pegou firme. Na recente mobilização do “povo” pela Educação, que ganhou repercussão nacional, eu assisti a uma repórter da Globo sublinhando que o ato não era político nem partidário… Qualquer imagem em close ou microfone aberto mostrava justamente o contrário nos cartazes, nas cores, nos símbolos, nos discursos. A Educação, a pobre e deficiente Educação nacional, foi intensamente maltratada, aliás, na gramática, no desapreço à verdade dos fatos e no escancarado paradoxo de quem silenciou em todos os contingenciamentos promovidos pelos governos petistas (cumprindo a lei, diga-se de passagem), e sai aos berros quando outro governo adota o mesmo procedimento. Existem políticos, jornalistas, sindicalistas, militantes, professores, que têm verdades de fabricação caseira. É uma produção barata, que conta com logística estruturada para circulação e distribuição. Percival Puggina, membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
18/05/2019

Eles podem entrar até na nossa casa

Ronald de Carvalho

Eles podem entrar até na nossa casa

  ‘…matam nosso cão, e não dizemos nada…’   Confundir os direitos privados com a administração dos deveres públicos é erro de responsabilidade do gestor púbico. A administração do governo central não pode interferir nos recursos que não lhe saem do tesouro nacional, daquilo que em dias de Graça já foi chamado de Quinto dos Infernos e hoje é a própria Porta de Dante. Aqueles que já a ultrapassaram, perderam toda a esperança. Dinheiro do Estado é apenas aquele da Res Pública, latinismo da Coisa Pública, resultado do recolhimento de imposto pelas leis tributárias. Muito diferente são as contribuições que chegam da iniciativa privada para cumprir espontaneamente um desígnio constitucional. A noção de propriedade faz referência ao direito à posse de algo. Para a lei, a propriedade é o poder sobre um bem, que permite sua livre disposição além das limitações impostas pelas normativas em vigor. Sobre isso, há mais de 70 anos os empresários brasileiros têm plena consciência e ação. Um compromisso reafirmado pela obediência à Constituição de 1988, em seu artigo 5º, onde estabelece a propriedade como um direito fundamental e em seguida determina que a propriedade deve atender sua função social. Qualquer aula que o governo quiser dar à iniciativa privada de como praticar seu dever de criar empregos, atender à saúde do trabalhador, à cultura, ao lazer, à formação de mão de obra e à construção da cidadania é um grande perigo. Hoje a pressão dos doutores da máquina estatal pode estar começando sobre as grandes associação e organizações confederadas, amanhã, podem entrar na loja ou indústria do cidadão comum. “Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada.” Esses conhecidos versos fazem parte do longo poema “No caminho com Maiakóvski” (1968) do brasileiro Eduardo Alves da Costa. Durante algum tempo o poema foi atribuído ao poeta russo Vladimir Maiakóvski (1893-1930). Na administração das inteligências, muitas vezes, há crimes sem cadáver. A ausência forçada da iniciativa privada na formação da juventude brasileira vai agravar uma herança lamentável. Novo tempo com jovens atores se faz com saúde, esporte, treinamento, capacitação, moderna tecnologia e liberdade de pensar. Um Estado pesado, antigo, quase falido não constrói talentos. O resultado é a ruína do pensamento e da modernidade. Milhares de jovens buscam no exterior seu modelo de sucesso. Os mais pobres se valem do apoio do incentivo de empresários, federação de classe e empreendedores que precisam criar trabalhadores saudáveis, felizes e profissionalmente qualificados. Até quando? Até quando vão roubar-nos a luz, conhecer nosso medo e arrancar-nos a voz da garganta. Ronald de Carvalho é jornalista e consultor estratégico de comunicação.
18/05/2019

Manifestações temáticas

Marli Gonçalves

Manifestações temáticas

Aí o Lé vai com Cré. A solução para os conflitos, para essa divisão horrorosa que mergulha o país nesse baixo astral, pode estar bem diante de nossos olhos. Se Lé não pensa a geral como o Cré, Lé com Cré podem e devem se unir em temas específicos, como fizeram essa semana na gigantesca manifestação pela Educação Estou otimista com a proposta. Podemos ir aos poucos, não precisa ser de uma só vez.  Junta um montinho aqui, outro ali, e quando a gente menos esperar, quem sabe o país não volte a ser um lugar legal, amistoso, democrático, e que cada um possa ter suas próprias opiniões sobre alguns fatos sem ser atacado, sem tanta virulência? Para tanto, claro, inicia-se, primeiro, com boa vontade, e com o esquecimento de quem está presidente, qual ex-presidente – ou ex-presidentes, porque ainda tem essa – está preso, ou estão presos. Lembrar que se estão em apuros é porque alguma fizeram, e não adianta se descabelar na defesa deles – os advogados cuidam disso. Vamos só pelo que une, de um lado e de outro. Ninguém concorda com tudo o que esses lados, pontas esquerda e direita, propõem. Escolheremos temas gerais, podem ser importantes, ou mesmo bobos, mas que mobilizem algumas pontas desfiadas dessa nossa insana política. O exemplo dado pelas gigantescas manifestações em mais de uma centena de cidades ocorrida essa semana em protesto pelos cortes, contingenciamentos, agruras, ou seja lá quais raios estão torrando nossa Educação pode ser seguido. Fui pessoalmente ver como foi lá na Avenida Paulista, e foi muito emocionante ver aqueles milhares de jovenzinhos misturados a professores, pais, cientistas, universitários. Tudo bem que acabou sendo contra este governo em geral, mas juntou muitas posições políticas e, inclusive, certamente, gente que votou no homem, mas discorda de algumas de suas ideias e de seus atos, ou mesmo agora já demonstra seu arrependimento, o que é compreensível. Lembrem que as opções na reta final foram dramáticas, duas, diametralmente opostas; e lembrem também do enorme número de abstenções, votos nulos e brancos. Há salvação. Recordam daquela propaganda antiga “o que seria do amarelo se todos gostassem só do azul”? Então…Aos pouquinhos podemos juntar os dois e criar o verde. Como tudo ultimamente tem dado bafafá, peguemos alguns temas. Mês que vem terá a grande parada LGBT em São Paulo. Vocês pensam que não existem gays bolsonaristas? Existem, eu mesma conheço alguns, e com os quais não adianta argumentar nas bases reais. E não são enrustidos, como muitos outros devem ser; são apenas confusos. Vamos falar do que interessa a todos. Mulheres, mais da metade da população. Não é possível que existam mulheres que não se incomodem com o visível crescimento da violência, da ocorrência diária de feminicídios, e da pouca efetividade das ações públicas para a efetiva e real proteção das vítimas. Até quando o silêncio das ruas? A questão das drogas, logo logo logo chegam as Marchas do Legalize Já. Outro assunto que pode unir umas pontas, sem trocadilhos. A mudança aprovada pelo Senado essa semana permitindo o internamento compulsório de dependentes químicos é de uma crueldade e não-entendimento do assunto que será mais um ponto que vale reflexão e união. Outro tema grande é a Previdência. Que precisa de uma reforma, nos parece ponto acordado. Mas qual reforma? Como podemos ficar quietos quando nesse exato momento existem mais de dois milhões de solicitações de aposentadorias, justas, direitos adquiridos, paralisadas? Dizem que o atraso é porque – ironia – os funcionários do próprio INSS estão se aposentando sem serem substituídos. Pensei em mais alguns temas para juntar gregos e troianos, e lés com crés. Veja se você tem mais ideias e ajuda aí porque pelo andar da carruagem precisaremos agir juntos, e rápido. Que tal passeatas de felizes proprietários de Golden retrievers(impressionante, cada vez mais abundantes, pelo menos aqui em São Paulo)? De veganos, preocupados com o escancarado aumento dos preços das frutas, verduras e legumes nas feiras e mercados? Dos que gostam de café sem açúcar? De não usar calcinhas, cuecas o sutiãs? Ou logo mesmo uma manifestação de naturistas, apenas defendendo a beleza e naturalidade da nudez que vem sendo vista como pecado mortal? Enfim, motivos não faltam. Mas tem de combinar antes, em qualquer uma dessas, não citar duas palavras: nem Bolsonaro, nem Lula. Pode ser? Marli Gonçalves, jornalista – Aliás, os jornalistas já deviam faz tempo estar nas ruas protestando por conta dos desacatos que vêm sofrendo. Como e que é?  marligo@uol.com.br/ marli@brickmann.com.br
17/05/2019

Caridade tem hora

Sergio Moura

Caridade tem hora

“Vou ajudar a aprovar o projeto dele”, declarou o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, sobre o pacote anticrime de Moro, de acordo com o Antagonista de 14/5/19. Que condescendência franciscana! Caridade igual é difícil de se encontrar! Ah, se todos os brasileiros tivessem um espírito comunitário tão desprendido quanto o do deputado federal Rodrigo Maia! Parece que os fluminenses puseram uma bola dentro quando o elegeram. O único senão é que ele não entende qual é o papel dele frente aos 209 milhões de brasileiros que ele devia, constitucionalmente, representar. Ele não tem o cargo que tem nem recebe de nós a fortuna mensal que recebe, nem os privilégios de que dispõe, para ser simpático com um ministro de Estado. Ele está ali para defender o bem comum. Se temos um problema de insegurança – 60 mil assassinatos por ano, o 11º país em assassinatos no mundo, de acordo com a OCDE, para ficar só por aqui – e, se este problema vem-se agravando há décadas, é de responsabilidade dele, deputado federal há 21 anos e presidente da Câmara dos Deputados desde 14 de julho de 2016, resolvê-lo. Se não o fez até agora é por descaso, para não citar possíveis outros motivos. Logo depois de o presidente Jair Bolsonaro ter enviado proposta de emenda à Constituição ao Congresso Nacional sobre medidas para aumentar a segurança, Maia declarou que o texto era um “copia e cola” do texto enviado ao Congresso em 8/5/18 por Alexandre de Moraes, atualmente ministro do STF. Fazia, portanto, quase um ano que os congressistas, Rodrigo Maia, inclusive, estavam de posse de alguma proposta para proteger melhor nossa vida e nossa propriedade, sem falar que deve haver muitas outras proposições semelhantes mofando nas gavetas das Casas do Congresso. Por que o nosso presidente da Câmara dos Deputados há quase três anos não acelerou o andamento dessas proposições? Desinteresse. Por que ele não se interessa pela vida e propriedade dos brasileiros? Simples: porque a Constituição defende a irresponsabilidade dos políticos eleitos: eles podem fazer a besteira que fizerem com nossa vida e nossa propriedade, ou se omitirem, que por nada respondem. Põem a culpa sempre no presidente da República, como estão a fazer hoje com as diversas propostas do presidente Bolsonaro. E não deixam de ter alguma razão porque a Constituição cria na mente deles a percepção errônea de que o principal legislador do País deva ser o presidente da República. Aí, eu pergunto: qual é o custo/benefício deste Congresso? O que recebemos pelos cerca de R$ 11 bilhões – R$ 21,5 milhões por cabeça – que gastamos todos os anos com senadores e deputados? O que recebemos é miséria, pobreza ou mediocridade econômica, o que o rendimento médio mensal de R$ 1.330 de 112 milhões de brasileiros (IBGE) comprova. Vale a pena esse investimento? Sérgio Moura, advogado, ex-executivo da IBM Brasil, ex-consultor em formulação de políticas públicas, autor dos livros Chega de Pobreza (edição do autor, 2006) e Podemos ser prósperos – se os políticos deixarem (edição do autor, 2018), Fellow do Institute of Brazilian Issues da George Washington University, Oficial da Ordem do Mérito Brasília e detentor da Medalha do Pacificador
17/05/2019

Senta a pua!

José Maurício de Barcellos

Senta a pua!

Eu fico sempre muito à vontade para combater tudo isso que vem ocorrendo contra o Brasil deste novo tempo porque, bem antes do surpreendente Movimento Revolucionário Popular de 2018 – MRP 2018 – tomar as ruas e praças deste país, eu sustentava que nossa sociedade havia apodrecido a tal ponto e com ela as nossas instituições, que outra saída não existiria senão a ruptura total, com o povo indo para as ruas para fechar as instituições ditas  republicanas consumidas pelo maior roubo da coisa pública da história contemporânea, bem como pela incompetência generalizada e impossível de ser corrigida, aliada ao cínico desmando dos poderosos. Concitei os patriotas, então, para chamarem as Forças Armadas exigindo que cumprissem sua missão constitucional, visando a restabelecer a Lei, a Ordem e o Progresso, tudo em um período inequívoco e determinado. Fiquei rouco de tanto escrever, fiquei exausto de gritar por aí, pregando como São João Batista no deserto – “excusez du peu” por tanta ousadia e presunção – sustentando que quem quer que fosse eleito nas eleições passadas não conseguiria governar com essa canalha vermelha mal-intencionada, encastelada no poder desde 1985. Cansei de avisar que toda a banda podre do Legislativo se reelegeria e com mais desenvoltura colocaria o dedo em nossos narizes dizendo que estavam voltando com força total, pois as urnas os teriam absolvido. Exauri-me explicando que o lado negro do Judiciário, mormente os Mandarins nomeados pelos presidentes corruptos ou acusados de corrupção pela “Lava Jato”, permaneceriam a postos para proteger e fortalecer a classe política abominável, pagando um pouco do muito que lograram arrancar do erário nacional, para si e para os seus. Convencido de que o Governo Central bem como também os da maioria dos entes da Federação estavam completamente dominados por facções criminosas que há três décadas se revezavam, eu brandia por todo canto que o Brasil não tinha mais a menor chance de dar a volta por cima. Todavia, o pior não aconteceu e todos bem sabem das razões, motivos e fatos que resultaram na era Bolsonaro. Não vou ficar enfadonhamente repassando tudo, como repete e repete sem parar um monótono realejo. Não é isto que pretendo. O quero dizer é que os brasileiros de verdade, justos os que salvaram o Brasil na beira do precipício, apenas cumpriram parte de sua missão e muito devem à Pátria ainda. Cada um dos quase cinquenta milhões de brasileiros que, no peito e na raça, tirou do Planalto a quadrilha de Temer e que promoveu o mais fantástico expurgo da nossa história dos maus no Legislativo ou que ainda agora acusa o poder Judiciário pelas ruas do País inteiro, ainda não fez o bastante, aliás, ainda não fez o mais importante. Primeiro vou falar o que, no meu modestíssimo entender, não podem os patriotas fazer e, por via de consequência, como se pode continuar na luta. Não podem largar o peso da reconstrução da Nação Verde e Amarela nas costas do Capitão e de sua equipe. Eles são muito bons, são valentes, são destemidos, são cultos e competentes como nunca se viu nas hostes da vermelhada, mas sem a nossa intervenção eficaz vão acabar sitiados e prisioneiros da horda de malfeitores que os tem atacado por todos os lados, noite e dia. Não podem se omitir quando os patifes no Congresso Nacional insistirem em chantagear o executivo para aprovar as reformas econômicas, sociais e políticas que o MRP de 2018 escolheu para reconstruir esta “Terra de Santa Cruz”. Penso que devemos convocar, pelas redes sociais, o povão para cercar a Câmara e o Senado em cada votação importante, deixando claro que nenhum dos canalhas lá homiziados nas casas do povo vai mais desafiar sua soberana vontade. Neste passo consintam os militares de hoje que lhes relembrem o estrago que a classe política fez em suas fileiras, seduzindo, corrompendo e pisando no ideal dos mesmos até que lograram consentir que os governos civis tomassem o País de assalto em 1985, mentindo, falseando a verdade, iludindo e por fim jogando nossas Forças Armadas contra o povo para, nas mãos dos FHC’s da vida, humilhá-los da forma mais cruel por 30 longo anos. Confio muito nos valores, nos princípios e incondicionalmente no pacto de honra dos militares, que os traidores da Pátria subestimam porque são ordinários. Contudo, alerto que aquela gente é ruim, velhaca, vendida ao social-comunismo e, por pouco, não nos transformou numa Venezuela. Por mais amarga que seja a recordação dos nossos homens dos botões dourados, nada justifica que repitam o erro de confiarem numa turma abominável. Como negociar com os Zé Dirceu’s da política? Com bandido não tem acordo ou articulação porque depois do aperto de mão vem a facada nas costas. Nestes dias de maio em que se lembra a vitória dos aliados na “Segunda Grande Guerra”, vale invocar contra a vermelhada o  grito de guerra do 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvCa) da Força Aérea Brasileira: “Senta a pua!” Igualmente conclamo todos quanto, “por fás ou por nefas”, estejam inconformados com a roubalheira no serviço público e que abominam os príncipes e os nababos da máquina governamental que pugnem no sentido de que os trastes do STF sejam de imediato, defenestrados de suas funções, exigindo que os novos membros dos Tribunais Superiores venham a ser escolhidos à margem de qualquer influência política. Se pelo menos isso conseguirmos alcançar – e registrem que ficou claro com as últimas eleições que podemos até muito mais – os maus estarão emparedados. Se fizermos destes procedimentos cívicos um hábito, os derrotados, os ressentidos e os inconformados com a nova ordem não se arriscarão sair de suas tocas e enfiarão suas violas no saco. Com sorte vão gastar o que roubaram daqui no estrangeiro e nenhuma falta nos farão ou saudades deixarão. Avaliem o Brasil progredindo e crescendo com os trilhões de dólares de que nos fala o Professor Paulo Guedes e nossa sociedade livre dos “Mandarins Solta Bandidos” ou Comunistas do STF; dos caciques proprietários das sociedades de bandidos travestidas de partidos políticos; dos criminosos do colarinho branco; dos ex-sócios espúrios do BNDES; dos corruptos Ministros das Equipes de Sarney a Temer; dos príncipes e nababos da máquina publica; dos Chefes das ONG’S petistas ou das de seus puxadinhos PSOL e PCdoB; dos imbecis “uspinianos” de que nos fala o Mestre Olavo de Carvalho; dos deformadores de opinião e dos lacaios dos Barões dos Conglomerados das Comunicações, mormente dos execráveis vendidos do “Sistema Goebells” ou dos vermes do jornaleco “A Fuça de São Paulo” e quejandos. Caso isso venha acontecer penso que nossa gente sofrida estaria efetivamente desagravada. Que brasileiro honrado algum se deixe levar pelo mantra daqueles que sustentaram a corja apeada do poder. É certo que nos indigna, todo dia, aquilo que falam e o que escrevem. Tem “posudo” imbecil da extrema imprensa lutando diariamente em suas colunas para destruir a liderança do Capitão e para tanto, solertemente, tenta intrigar sua equipe contra o mesmo. Vai morrer seco. Tem embusteiro que viveu da fama de artista cretino dizendo que Bolsonaro é um psicopata nocivo para as futuras gerações. Lula e Dilma ele acha que foram benéficos, fazer o quê? Tem jovem ordinário da imprensa marrom ficando verde de tanto ressentimento e acusando Bolsonaro de ser ressentido como ele porque deu um basta na indústria da multa dos IBAMA’s da vida. Tem lacaio da esquerda “Gramisciniana” pugnando para que os doutrinadores comunistas continuem sua escalada de destruição do ensino no Brasil. Tem articulista “Sólama” que viu, em sua bola de cristal rachada, que o Congresso vai derrotar e liquidar o Presidente da República e impichá-lo, mais cedo ou mais tarde. A todo instante se vê um “ongueiro” comparsa do tráfico e da bandidagem brandindo a tese de que o Brasil é contra o armamento da população, esquecendo que já se fez um plebiscito no País que decidiu justamente ao contrário. Assim não dá para continuar feliz. Avalie o caro leitor o grau de loucura daquela gente que adoeceu de ódio ao perder seus privilégios. Em uma rádio do “Sistema Goebells” ouvi o Editor de uma revista do mesmo grupo – sempre por fora de sua época – anunciar eufórico (sob os aplausos do locutor esquerdista e os risinhos “nervóticos” de sua “partner” com voz de taquara rachada) que a edição desta semana estará inteiramente dedicada a provar que os conservadores abandonaram o Capitão à mercê da própria sorte. Orquestradamente, a petralhada patife está proclamando que a última manifestação estudantil derrotou o Presidente nas redes sociais e a “Anta Guerrilheira” gritava, em Curitiba, que Bolsonaro foi para o chão e que o “Ogro Encarcerado” está pronto para assumir a Presidência do Brasil. A esquerdalha não é somente doida é patética. Enquanto estivermos percorrendo as sendas deles, estaremos perdendo tempo com as intrigas e futricas dos vermelhos. Na medida em que nos dedicarmos àquelas metas estaremos unidos em torno do propósito de salvar o Brasil e nem nos lembraremos dos cães raivosos que diariamente ladram do lado de lá da cerca contra o Capitão e sua gente. Se nos dispusermos a cerrar fileiras contra tudo e todos que arrastaram o Brasil para o lamaçal em que foi jogado, vamos assistir novamente o que a esquerda delinquente e a direita bandida fez na década de 1970, ou seja, caiu fora permitindo que o Brasil passasse da 48ª para a 8ª economia do Mundo. A meta agora é chegar a ser uma das quatro maiores economias do planeta. Porque não? Esta é nossa estrela guia. Esta é nossa missão e para quem ousar bombardear: “Senta a Pua!” Jose Mauricio de Barcellos ex Consultor Jurídico da CPRM-MME é advogado. Email: bppconsultores@uol.com.br).
16/05/2019

Reforma universitária já!

Nelson Valente

Reforma universitária já!

Senhor ministro da Educação, Abraham Weintraub: Reforma universitária já! Não se discute o ensino superior no Brasil, discute-se o acesso ao ensino superior, por isso, não existe uma política universitária, uma política educacional do ensino superior. Minha decepção nesse período é que não tenhamos discutido os objetivos do ensino superior no Brasil. Vivemos um modelo de ensino superior nas Universidades e nas principais universidade do país que é o mesmo desde 1968 (Lei 5540/68), quando foi aprovado a Reforma Universitária. Valorizou a departamentalização e acenou com uma série de outras medidas, todas elas tornando por base a educação norte-americana ou que se pratica na Alemanha. Uma estrutura pesadíssima, ultrapassada e decadente. Qual será a universidade do futuro? Substituirão as atuais salas de aula? Cada escola terá a sua missão, que não se bastará com a simples transmissão do saber, pois deverá se identificar com as necessidades do mercado de trabalho. Esse registro é que dará força à palavra “tecnoestrutura”, criada por Galbraight para identificar a trilogia governo, empresa, escola. Nunca essa ligação será tão oportuna e, por isso mesmo, tão indispensável. A universidade é uma instituição plurifuncional. A pesquisa é, ao lado da docência, uma das funções básicas dessa instituição. Recentemente, os autores subdividem, as funções da universidade em docência, pesquisa e extensão ou de serviços ou em missão cultural (transmissão e conservação do saber), missão investigadora (produção e progresso do saber), missão técnico-profissional (formação de profissionais de alto nível) e missão social (serviço social da universidade). Se queremos projetar a universidade brasileira para os próximos trinta anos. Viveremos uma outra época, de incríveis conquistas científicas e tecnológicas, alimentadas pelo uso de computador e da Internet, e é claro que a indústria do conhecimento, representada pelos nossos pesquisadores, não poderá concorrer com os produtos de outras nações se não estivermos devidamente apetrechados, inclusive do ponto de vista dos recursos humanos qualificados. Se a Universidade envelheceu, foi por se manter presa uma concepção das relações entre o ensino e a pesquisa, inadequada às realidades modernas. Somente analisando a fundo estas relações e estas realidades é que será possível chegar-se às verdadeiras soluções e traçar o caminho do futuro. A Universidade hoje está de fato desacreditada. De toda parte afloram reivindicações e denúncias. Estudantes, ministros, jornalistas, pais, industriais e mesmo alguns docentes não se cansam de criticar publicamente a Universidade e de acusá-la de todo tipo de insuficiência. Não apenas as privadas, também as públicas, cujos resultados nos órgãos classificadores são ruins. Algumas dessas críticas não passam de inverdades, outras são perfeitamente justificadas e correspondem a carências reais. Mas, mesmo neste último caso, a opinião resvala para detalhes de importância secundária quando se trata de diagnosticar as verdadeiras causas do mal. O tema mais importante que está agendado no CNE (Conselho Nacional de Educação) é sobre o credenciamento e recredenciamento de universidades, inclusive as federais, estaduais e municipais. Esse é um tema que está muitos anos atrasado. O governo não providenciou esse recredenciamento e as universidades federais nunca se importaram se são credenciadas ou não. As universidades federais são criadas por lei, pelo Congresso Nacional, mas a lei não as credencia. A LDBEN nº 9394/96 – diz que quaisquer universidades devem ser credenciadas. As novas universidades devem ser credenciadas e as antigas deverão ser “recredenciadas”. Elas apresentaram as exigências burocráticas para o MEC, mas isso não passa pelo escrutínio de uma reunião pública. Não menos importante será a discussão sobre o credenciamento e recredenciamento das universidades privadas, visto que nunca aconteceu no país este processo de recredenciamento universitário. Ninguém vê o óbvio: a pirâmide está invertida. A maior prova disso é o abandono da primeira infância. É nela que o Brasil começa, e seu abandono é a maior das ameaças à pirâmide invertida que caracteriza nosso País. Mesmo a educação é um exemplo do desequilíbrio da pirâmide invertida. O Brasil dá mais ênfase ao topo, o ensino superior, do que à base, o ensino fundamental. O resultado é outra manifestação de instabilidade: a qualidade do ensino superior vem sendo puxada para baixo por causa da má qualidade do ensino médio; e este também vem perdendo qualidade por causa da piora no ensino fundamental. No ensino público: faltam 400 mil professores no ensino básico (fundamental e médio) no País. A maior carência é para as disciplinas de matemática, química, física e biologia. Há escolas que nem as têm na grade. Mas, as universidades devem ensinar o quê? É para continuar formando quais profissionais na graduação? Nós queremos universidades de qualificação mundial no Brasil? Queremos universidades de ponta comparadas às de outros países? O que devemos ensinar aos estudantes universitários? Não se discute o ensino superior no Brasil, discute-se o acesso ao ensino superior, por isso, não existe uma política universitária, uma política educacional do ensino superior. A Coreia do Sul está lutando bravamente para constituir universidades de qualificação mundial. A China tem um plano de fazer 100 universidades de qualificação mundial até 2021. A Alemanha tem um programa de 2,5 bilhões de euros para a qualificação. O presidente francês deu autonomia para as principais universidades e exigiu que elas se qualifiquem. Portugal e Austrália também têm feito movimentos nessa direção. A Inglaterra tem pelo menos três universidades de classe mundial e os EUA tem um caminhão delas. E o Brasil, quer o que com seu ensino superior? Nelson Valente é professor universitário, jornalista e escritor.
16/05/2019

Protestos não prenunciam derrocada

Paulo Kramer

Protestos não prenunciam derrocada

Manifestações de ontem, que misturaram protestos contra o contingenciamento orçamentário das universidades e institutos federais com apelos à soltura de Lula, adicionam tensão à guerrilha de desgaste movida pelo Centrão contra um Executivo que, até agora, tem se recusado a jogar segundo as regras do presidencialismo de coalizão/cooptação/corrupção. Mas será que esses protestos prenunciam a derrocada do governo JB, como as Jornadas de Junho (2013) foram o prelúdio ao impeachment da Dilma e, em seguida, à eleição do ‘mito’? Creio que não. A gente recorda que ali, depois de um fugaz protagonismo da extrema esquerda não petista à testa dos movimentos, a iniciativa passou rapidamente para as mãos de grupos de ativistas (presenciais e digitais) situados do centro para a direita do espectro político-ideológico, a exemplo do MBL, do Vem Pra Rua, entre outros. Sinceramente, não percebo uma alteração nessa correlação de forças políticas e socioculturais. O que não significa que o governo esteja navegando em céu de brigadeiro: à medida que as pessoas percebem que a qualidade dos serviços públicos de saúde, segurança e educação não melhora ‘da água para o vinho’ com a rapidez sonhada, e à medida, também, que a retomada da economia — e, portanto, dos empregos — demora para ‘engrenar’, a tendência é o presidente e o seu governo sofrerem desgaste da sua popularidade, o que os torna mais vulneráveis às investidas clientelistas e enfraquece sua imagem perante aquelas tais bases socioculturais. A ironia disso tudo é que, na minha opinião, Bolsonaro foi o primeiro político a intuir corretamente que aqueles protestos de meados de 2013, de início difusos, volatilizados, sem uma liderança nítida etc, refletiam a mudança política ‘tectônica’ da qual ele acabaria sendo o maior beneficiário. Paulo Kramer é cientista político.
15/05/2019

Usando os pobres

Miguel Lucena

Usando os pobres

“Por uma universidade em defesa dos trabalhadores e do povo pobre”, estampava a faixa segurada por uma mocinha bem vestida, pele macia, cabelos sedosos e pequeno pircieng no nariz, durante manifestação contra o corte de verbas não obrigatórias para universidades públicas brasileiras. Em 1919, Lênin, o chefe da revolução comunista da Rússia, escreveu a brochura “Como iludir o povo”, na qual desencava falsas palavras de ordem. Nada mais falso do que a palavra de ordem na faixa da estudante de classe média alta. O povo foi alijado do ensino público superior. Pobre e trabalhador estudam na escola pública fundamental de péssima qualidade e não conseguem acesso ao ensino público superior, reservado ao vestibular dos que estudam nas escolas privadas caras e frequentam cursinhos pré-vestibular que custam os olhos da cara. Para conseguirem uma graduação, os pobres e trabalhadores deixam de comer para pagar faculdade particular, porque a pública, mesmo que eles consigam passar no vestibular, tem uma grade horária diurna que inviabiliza a frequência de quem labuta para ganhar a vida. Uma prova de que a universidade pública não é dos trabalhadores nem do povo é que 80% dos professores da educação básica  são formados em faculdades particulares. Pobre continua pagando escola para ricos. Os falsos slogans não  nos enganam mais. Miguel Lucena é Delegado de Polícia Civil do DF, jornalista e escritor.

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19/05/2019

Polícia prende envolvido no desabamento de prédio no Rio de Janeiro

Milícia imbobiliária

Polícia prende envolvido no desabamento de prédio no Rio de Janeiro

Rafael Gomes da Costa era procurado pela venda de apartamentos no prédio que desabou e matou 24 pessoas

A Polícia Civil prendeu, na noite de sábado (18), um dos envolvidos no desabamento de um prédio na comunidade da Muzema, em Jacarepaguá. Rafael Gomes da Costa era procurado pela venda de apartamentos no edifício que desabou no dia 12 de abril, deixando 24 mortos. Segundo nota divulgada pela assessoria da Polícia Civil, Rafael foi capturado do bairro do Leblon, durante diligências com a intermediação de seu advogado e a delegada Adriana Belém, da 16ª Delegacia de Polícia (Barra), responsável pelas investigações. Rafael vai responder pelo crime de homicídio qualificado multiplicado por 24 vezes, além de ser investigado por lavagem de dinheiro e organização criminosa. Outras duas pessoas continuam foragidas: José Bezerra de Lima, o Zé do Rolo, e Renato Siqueira Ribeiro. A polícia suspeita de que a construção do prédio que desabou, e outros construídos sem licenciamento na região da Muzema, seja feita pela atuação, direta ou indireta, da milícia que atua na localidade. (ABr)
19/05/2019

Senador que derrotou Renan assume a Presidência do PSDB de Alagoas

Liderança em Alagoas

Senador que derrotou Renan assume a Presidência do PSDB de Alagoas

Prefeito de Maceió reconhece a dimensão política do campeão de votos Rodrigo Cunha

O prefeito de Maceió (AL), Rui Palmeira, transferiu o comando do PSDB de Alagoas ao senador tucano Rodrigo Cunha, mais votado da disputa pelo Senado, em 2018, com diferença de mais de dez pontos percentuais em votos válidos, para o segundo colocado Renan Calheiros (MDB-AL). A mudança foi anunciada pelo prefeito neste sábado (18). A iniciativa de Rui Palmeira reconhece a dimensão política do parlamentar que, desde sua primeira campanha eleitoral em 2014, foi campeão consecutivo de votos para deputado estadual e senador, em Alagoas. Mas o prefeito garante que construirá com Rodrigo Cunha as candidaturas do PSDB nas eleições municipais de 2020. “Pessoal, estou passando a presidência do diretório estadual do PSDB de Alagoas para o senador Rodrigo Cunha, que é, sem a menor dúvida, a maior liderança tucana no Estado de Alagoas. Estarei junto com Rodrigo e nossas lideranças na construção das candidaturas tucanas para o próximo ano eleitoral na capital e interior. Agradeço o apoio recebido da executiva estadual e do PSDB nacional durante a minha gestão, com a certeza de que seguiremos em frente, unidos”, disse Rui Palmeira, nas redes sociais. Em 2018, o então deputado estadual Rodrigo Cunha foi eleito senador, com diferença de mais de dez pontos percentuais para o senador reeleito Renan Calheiros (MDB-AL); obtendo o apoio de 871.922 alagoanos, com 34,28% dos votos válidos. Junto com Rodrigo Cunha, Rui Palmeira está à frente dos esforços políticos em busca por soluções e responsabilizações para a tragédia que ameaça a vida e os bens de cerca de 40 mil moradores de três bairros atingidos pelo afundamento do solo causado pela Braskem, com a extração de sal-gema por 44 anos, que reativou uma falha geológica adormecida há milhões de anos, na área urbana da capital alagoana. Candidatura negada A sucessão foi fruto de consenso entre os dois líderes do PSDB de Alagoas. Mas ao contrário da reação de alguns eleitores nas redes sociais, não representa a sinalização de candidatura do senador à prefeitura de Maceió, tendo em vista que Rodrigo Cunha, mesmo liderando a pesquisa para a sucessão na capital alagoana, já negou ao Diário do Poder ter interesse na disputa, que já tem o vice-prefeito Marcelo Palmeira (PP) como pré-candidato. Rodrigo Cunha pontuou, em março, 29,5% das intenções de voto para prefeito de Maceió, em levantamento do Instituto Paraná Pesquisas; seguido do deputado federal João Henrique Caldas, o JHC (PSB), com 22,1%, e do ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), com 11,5%. O senador Rodrigo Cunha não comentou sobre a nova missão, nas redes sociais. E o Diário do Poder não conseguiu respostas sobre suas prioridades no comando do PSDB. Em novembro de 2017, com a renúncia do ex-governador Teotonio Vilela Filho ao comando do PSDB, o prefeito Rui Palmeira assumiu a presidência da sigla, com a missão de articular as candidaturas do pleito de 2018, quando era incentivado a disputar o governo do Estado, contra a reeleição de Renan Filho (MDB). O mandato é de dois anos, mas seu término ocorreu em abril, para Rui Palmeira, exatamente dois anos após a eleição de Téo Vilela para a Presidência do PSDB.  
19/05/2019

Empresas garantem suprimento do País, em caso de greve de caminhoneiros

Entrevista

Empresas garantem suprimento do País, em caso de greve de caminhoneiros

Para Vander Francisco Costa, presidente da CNT, tabela prejudicou caminhoneiros

Para Vander Francisco Costa, presidente da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), se houvesse uma nova paralisação de caminhoneiros, as transportadoras dariam conta de abastecer o país. Ao governo, caberia apenas garantir segurança nas estradas. Para ele, a lei da tabela do piso do frete prejudicou os próprios autônomos. Com o preço tabelado, ficou mais barato para as transportadoras aumentarem as frotas do que contratar terceiros. Soma-se a isso, a falta de demanda para todo o setor, devido a lentidão econômica. O que mudou após a paralisação de 2018? Não mudou grande coisa. Para os carreteiros, houve um pequeno aumento no preço praticado, cerca de 30%. A tabela do frete mínimo é cumprida por algumas transportadoras, por outras não. E a cabotagem apresentou um crescimento na ordem de 20% a 25%. As empresas estão buscando um modal mais competitivo para fazer o transporte. Esses movimentos diminuem o serviço para os caminhoneiros autônomos? O que está impactando mesmo é a falta de demanda. Havia a preocupação muito grande que alguns embarcadores comprassem frota, mas isso não ocorreu. Compraram somente aquelas empresas que, por decisão estratégica, optaram por ter frota própria. Mas foi por estratégia de negócio e não por medo de greve de carreteiro. De acordo com a Fenabrave, houve um aumento de 46% no número de emplacamentos de caminhão de 2017 para 2018. A maior parte são empresas de transporte que está comprando. Hoje há uma opção das transportadoras em trabalhar mais com frotas próprias e menos com autônomo. Essa decisão tem alguma coisa a ver com a paralisação de 2018? Tem, por conta da insegurança jurídica da tabela do frete. Nós temos uma lei [da tabela do frete] que é impositiva, mas não se sabe se ela é constitucional ou inconstitucional. Tem ações no STF (Supremo Tribunal Federal) que estão aguardando o voto do ministro [Luiz] Fux. Se ele entender que é constitucional, todo mundo que contratou um carreteiro abaixo da tabela passa a ter um passivo muito grande. As empresas teriam de pagar para quem foi contratado abaixo da tabela? Se for [julgada] constitucional, sim, porque a lei está vigorando. Os efeitos dela não foram suspensos. Por outro lado, se for julgado como inconstitucional, prevalece o que foi pago. Mas ficou essa insegurança muito grande. É por isso que os carreteiros estão sentindo falta [de fretes], o mercado deles diminuiu em função dessa insegurança jurídica. Os autônomos reclamam que, após maio, as transportadoras compraram muitos caminhões e tiraram o trabalho deles. Você não consegue revogar a lei da oferta e da procura. Na hora que, de forma impositiva, surge uma lei de tabela de frete querendo agredir a lei de mercado, naturalmente as empresas passam a buscar pelo preço. Com uma tabela de frete imposta artificialmente, fica mais barato você ter frota própria [do que contratar caminhoneiro terceirizado]. A tabela que está sendo desenvolvida pela Esalq-USP agradaria autônomos e transportadoras? Não. Não tem como fazer uma tabela de frete que consiga agradar o Brasil inteiro. Se você pegar o óleo diesel, vai ver que tem diferença [de preço] muito grande de uma região para outra, até mesmo dentro de um mesmo estado, e isso impacta no preço final [do frete]. O consumo do óleo diesel muda de acordo com a marca do veículo e com o terreno por onde ele irá circular -se estou subindo uma serra, vou gastar mais do que se estiver no plano. Em São Paulo, gasta-se menos com óleo e mais com o pedágio. Ou seja, são muitas variáveis. Qual a melhor solução? A tabela do frete foi necessária naquele momento da greve. Os contratantes de frete estavam usando o poder econômico para impor um preço abaixo do custo variável. Quem são os contratantes? As trades fazem isso com muita frequência. As agrícolas, por exemplo, compram a safra dos produtos quando ainda estão sendo plantando. E naquele preço, já desconta uma parcela pelo frete. Ou seja, ela está estimando o preço do frete. Então, quem estima para cobrar, joga o preço para cima; na hora de pagar o frete, ela usa o poder de barganha e paga menos [para as transportadoras] do que o mercado cobra. As transportadoras não ganham muito não, quem ganha são esses intermediários. E qual a solução para a situação dos autônomos? Primeiro precisa ter segurança jurídica. O Supremo precisa interpretar a constituição. Tem que julgar. Julga e acaba. Outra coisa é a Petrobras. Ela tem como trabalhar com mais previsibilidade em benefício da sociedade brasileira e sem comprometer seus resultados. Ela pode determinar aumento de preço a cada três ou quatro meses e fazer hedge do preço. É uma ferramenta que tem disponibilidade no mercado internacional. Se quisesse, o governo também poderia fazer um imposto flexível no preço do óleo diesel para poder suportar as pequenas variações diárias e dar mais previsibilidade do preço. ​Os caminhoneiros dizem que o frete não cobre mais suas despesas básicas. Talvez a melhor decisão que o judiciário pode tomar é acatar os dois argumentos da ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade). O primeiro fala que é inconstitucional. O segundo diz que deve haver livre concorrência, mas, quando tem um desequilíbrio econômico-financeiro, é obrigação do governo interferir. E no caso do frete, estava tendo esse desequilíbrio quando algumas empresas pagavam menos do que o custo necessário para o carreteiro ter uma vida com dignidade. Para concertar, o STF pode por a tabela valendo por seis meses e depois o mercado volta a trabalhar normalmente. A interferência no domínio econômico tem que ser temporária, só para corrigir a distorção. E por que o sr. acha que isso não está sendo feito? Por absoluta falta de vontade, de sensibilidade política, falta de querer. Isso é feito no mundo inteiro pelas grandes petroleiras. Não estou querendo que volte aquela [política do] governo passado, que segurou artificialmente por três anos e meio, não é isso. Mas, sim, usar uma ferramenta de mercado. A CNT tem conversado com o governo? Eu tenho conversado com a [pasta] de Infraestrutura e Economia. Especificamente sobre o preço do óleo diesel, ainda não conversamos. Tiveram algumas audiências, mas foram eleitos outros interlocutores para falar, por ocasião da ameaça de greve. O sr. está falando sobre as reuniões com as lideranças dos caminhoneiros autônomos? É complexo você negociar com uma categoria se orgulha em ter lideranças esparsas. São lideranças regionais, as vezes com mais de uma por estado, e por tipo de carga transportada. O governo abriu mão de falar com as transportadoras por causa da greve e acabou indo falar direto com o autônomo. Porque havia uma ameaça de greve, certo? Cheguei a falar com alguns ministros que [no caso de uma outra paralisação], se eles garantirem que nossos caminhões vão poder transitar com segurança, sem risco aos motoristas, nós garantimos o suprimento do Brasil. A nossa frota é mais do que o dobro que a dos autônomos. E metade dos autônomos trabalha como agregado nas empresas de transportes. Então, se tiver segurança, se não tiver risco de morte como teve no ano passado, os nossos motoristas vão trabalhar e vão garantir o abastecimento. Ano passado, houve investigações sobre transportadoras que poderiam estar fazendo locaute. Isso aconteceu? Alguns empresários tiveram simpatia pela greve, assim como boa parte da população aplaudiu o movimento no começo da greve, porque tinham a visão equivocada de que era o preço do diesel que estava alto. Não era o preço que estava alto, mas o frete é que estava baixo. Se eu conseguir passar o diesel para o preço do meu frete final, ele passa a ser só mais um componente na formação de custo. A subida do frete não pode impactar a inflação? Muito pouco, eu fiz algumas contas. Se você aplicar a tabela no transporte no litro de leite, vai ver um repasse de um centavo. Não é tão significativo assim. Quem é o maior impactado com o aumento do preço do frete? É o lucro de quem está pagando pelo frete. A opção então não foi diminuir os lucros, mas comprar frota. O preço da tabela do frete ficou acima do custo de operar frota própria, com caminhoneiros que trabalham no esquema CLT. (Folhapress)
19/05/2019

Cientistas brasileiros sugerem redefinição dos limites da Amazônia

NOVO TAMANHO DA FLORESTA

Cientistas brasileiros sugerem redefinição dos limites da Amazônia

Estudo é resultado de um extenso trabalho de mapeamento da Amazônia por satélite

Pesquisadores de três universidades brasileiras publicaram na última edição da revista científica Biodiversity and Conservation o artigo Redefining the Cerrado-Amazonia transition: implications for conservation (Redefinindo a transição Cerrado-Amazônia: implicações para a conservação, em tradução livre). A pesquisa revelou que a região é maior do que indicado nos mapas oficiais e área de transição da floresta com o Cerrado é mais biodiversa do que em cada bioma em separado. Resultado de um extenso trabalho de mapeamento da Amazônia por satélite, o estudo recebeu financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), no âmbito dos Programas PELD (Pesquisas Ecológicas de Longa Duração) e PPBio (Pesquisa em Biodiversidade). O fomento à pesquisa em biodiversidade é, ainda, parte do compromisso do CNPq com a Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade – EPANB, que visa conservar a biodiversidade e usar sustentavelmente os componentes da biodiversidade. Os pesquisadores levaram em conta 30 anos de análises, a partir de 1984 e nos demais anos, até 2014, e observaram que a transição Cerrado-Amazônia (TCA) sofreu mais desmatamento do que as florestas e savanas, se analisadas individualmente. Segundo o engenheiro florestal Ben Hur Marimon Junior, professor da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq e líder da pesquisa, e Eraldo Matricardi, da Universidade de Brasília (UnB), especialista em Geoprocessamento, os limites foram mal compreendidos principalmente ao sul da Amazônia, onde muitas áreas de florestas foram mapeadas como Cerrado, que é menos protegido por lei. “Como consequência, as perdas de vegetação atingiram níveis próximos ao colapso em áreas de intensa atividade agropecuária”, afirmam os pesquisadores. O que os motivou a pesquisar os limites da Amazônia foi a constatação, em campo, de que muitas áreas no mapa oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que constavam Cerrado eram, na verdade, florestas ecotonais, isto é, de transição ambiental (de contato entre os biomas). Ben Hur explica que são florestas diferentes, de árvores menores, muito importantes porque formam uma espécie de escudo de proteção das áreas. “E são bastante resistentes a queimadas, por exemplo”. Essa resistência – complementa – se refere à capacidade de rebrota. “Não significa que não são afetadas. Elas pegam fogo, mas conseguem brotar novamente com grande capacidade, fazendo um trabalho como se fosse de proteção às matas de transição. Por outro lado, constatamos que áreas de florestas maiores, mais densas, também constavam como Cerrado denso nos mapas oficiais. Então, a gente se perguntou o que aconteceu que levou a esses erros de mapeamento? E decidimos refazer os limites”, conta Ben Hur. Ao checarem o mapeamento oficial, os pesquisadores verificaram que as ferramentas utilizadas na época, quando os mapas foram produzidos, nos anos 1970, eram imagens de radar. “Existem falhas nos mapas oficiais porque a tecnologia não permitia o mesmo nível de detalhamento que temos hoje”, diz Eduardo Queiroz Marques, mestre em Ecologia e Conservação pela Unemat, onde também atua como pesquisador técnico, e primeiro autor do artigo. Mapa publicado no artigo pelos pesquisadores apresenta o limite Cerrado-Amazônia definido considerando os tipos de vegetação que ocorrem nesta região. A linha divisória entre os biomas definidos neste estudo (em azul) não coincide com a linha previamente definida pelo mapeamento oficial (em preto) Proteção ambiental Sem uma visualização mais precisa da vegetação, possível nos dias atuais graças aos satélites, era natural que algumas áreas de florestas de transição fossem confundidas com Cerrado, na avaliação dos pesquisadores. “Essa imprecisão aconteceu não por falta de capacidade técnica ou de empenho das equipes que trabalharam no mapeamento, mas pela característica da tecnologia aplicada na época. De qualquer modo, é uma situação que precisa ser corrigida, uma vez que florestas de contato foram compreendidas como algum tipo de Cerrado”, salienta Ben Hur. Mas, afinal, qual a relação desses achados com a proteção das áreas? De acordo com Beatriz Marimon, professora da Unemat e coautora do estudo, alguns tipos de florestas foram confundidos com Cerrado, que é menos protegido por lei. “Como consequência dessa imprecisão, foi permitido o desmatamento acima do que deveria”, alerta a pesquisadora, que lidera a Rede CNPq/PELD e RAINFOR de Inventários Amazônicos. “É como se a grande barreira de proteção da Amazônia tivesse sido rompida”, complementa Bem Hur. Os pesquisadores dizem que não podem precisar ainda o quanto a Amazônia real é maior do que a oficial, mas a sua fronteira com o Cerrado deve ser reconsiderada como uma extensa faixa, com larguras que podem chegar até 250 km, e essa medida é importante para a preservação da floresta. “É preciso reposicionar a Amazônia e o Cerrado nos mapas oficiais para melhor adequar os dois maiores biomas brasileiros às leis e políticas públicas de proteção da biodiversidade”, enfatiza Matricardi. “A agropecuária é o grande motor do desenvolvimento do Centro-Oeste brasileiro, mas é preciso garantir a manutenção das florestas nativas para que elas continuem cumprindo o seu papel de regulação climática. Por isso, apontamos para a necessidade urgente da criação de uma zona especial de amortecimento ao sul e sudeste da Amazônia, para preservar a vegetação e garantir chuvas regulares para as lavouras e pastagens da região”, diz Ben Hur. Líder do projeto CNPq/PPBio, que investiga a vegetação no sul da Amazônia, o pesquisador salienta que o erro de mapeamento levou a um erro de planejamento, cujo resultado é a perda de muitas florestas de transição. Para Bem Hur, os resultados do estudo são importantes para compreender o que aconteceu nas bordas da Amazônia, onde houve “uma grande ruptura de um cinturão de florestas ecotonais, deixando a área mais vulnerável ao fogo e aos ventos, que começam a abrir muitas clareiras”. Para complicar ainda mais a situação, segundo Bem Hur, a região é bastante sensível às mudanças climáticas, tanto em âmbito local quanto global, devido ao aquecimento do planeta. “Porque quando se desmata uma região de floresta, você tem um aumento de temperatura, e tem redução de chuvas, que é outro trabalho em que estamos revelando a magnitude, o quanto reduzem as chuvas após o desmatamento. Tudo isso é chamado de efeito de borda, ou seja, está acontecendo pelas bordas da Amazônia”. Ben Hur conclui relembrando uma máxima dos anos 1970: “Quando a política era de incentivo a ocupação das fronteiras da Amazônia, os pioneiros diziam: – Olha, a floresta amazônica é como um prato de sopa quente, é devorada pelas bordas. Então, esse foi o grande problema, houve uma falta de planejamento, porque nós não tivemos o mapeamento apropriado, e consequentemente não tivemos um planejamento adequado para proteger mais essas florestas de transição, e acabou-se criando um efeito de borda grande, que ameaça a Amazônia como um todo. Estamos refazendo os limites e até o final deste ano lançaremos o novo mapa”. Fazem parte da pesquisa equipes do Laboratório de Ecologia Vegetal da Unemat, Campus de Nova Xavantina, do Laboratório de Geoprocessamento vinculado ao curso de Engenharia Florestal do Instituto de Tecnologia da UnB, do Departamento de Zoologia – Coleção Herpetológica da UnB, e Centro de Ciências Biológicas e da Natureza da Universidade Federal do Acre (UFAC). Além das três universidades brasileiras, há ainda a cooperação com a Universidade de Leeds, Inglaterra, que não participou diretamente da publicação, mas integra o projeto que faz os levantamentos visando ao novo mapa a ser lançado ainda em 2019. O artigo completo está disponível em  https://doi.org/10.1007/s10531-019-01720-z A EPANB A EPANB é um instrumento de monitoramento do progresso das ações brasileiras que constam de seu Plano de Ação para a Biodiversidade. Ela é um também um instrumento que cumpre a Meta 17 de Aichi, assumida pelo Brasil no âmbito da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB, por sua sigla em português). O CNPq atua, especialmente, no cumprimento da Meta 19 da EPANB, de incentivo à ciência e tecnologia para a biodiversidade. Saiba mais: http://www.mma.gov.br/images/arquivo/80049/EPANB/EPANB_PORT.pdf (CNPq)   Leia mais sobre Ciência, Tecnologia e Inovação em BRASIL CTI.
19/05/2019

Eleições na União Europeia testam a vitalidade do bloco

Eleições pós-Brexit

Eleições na União Europeia testam a vitalidade do bloco

Eleições para as 751 vagas no parlamento europeu revela perigos para o projeto de integração após o Brexit

Quando cerca de 200 milhões de pessoas forem às urnas nos 28 países-membros da União Europeia (UE) nos próximos dias, não estarão em jogo apenas as 751 cadeiras da legislatura que inicia seus trabalhos no Parlamento continental em julho, entre Bruxelas e Estrasburgo. No fundo, os participantes do segundo maior pleito do mundo (só perdendo para o da Índia) vão mesmo se pronunciar sobre a vitalidade (ou o anacronismo) da cartilha de valores que há décadas pauta o bloco. A quantas andam a defesa da democracia e dos direitos humanos, a promoção da justiça social e o engajamento pelo desenvolvimento sustentável? A consulta coincide com o acirramento da animosidade entre duas alas de líderes: a que se pretende progressista e pan-europeia, liderada pelo presidente francês, Emmanuel Macron, e pela chanceler alemã, Angela Merkel; e a nacional-populista, encarnada pela trinca Viktor Orbán (Hungria), Matteo Salvini (Itália) e Marine Le Pen (França). Impulsionado por bons desempenhos de siglas ultraconservadoras em toda a Europa, o segundo grupo busca ganhar peso para pôr fim à placidez reinante no Parlamento, onde o Partido Popular Europeu (PPE; centro-direita, 217 assentos) e uma aliança de legendas social-democratas (centro-esquerda, 186), as duas principais forças, dão as cartas. “Vai ser um plebiscito sobre concepções de vida política”, diz o cientista político Olivier Costa, professor do Collège d’Europe, em Bruges. “O que está em questão é se o homem providencial, o chefe cheio de músculos e de amigos nas finanças e na mídia pode se sair melhor do que um presidente democraticamente eleito e sustentado por uma maioria parlamentar.” Para o pesquisador, a novidade em relação à eleição passada, em 2014, é o grau de articulação dos radicais. “Existe uma Internacional Populista com um projeto claro: atacar a integração europeia e a democracia liberal, contrapondo a elas noções tradicionalistas como família, pátria, ordem e cristandade.” Não se trata mais de pôr abaixo a UE mas, antes, de enfraquecê-la (ou desvirtuá-la) por dentro. A ordem é se apoderar de suas instituições. “Nunca na história da construção europeia tivemos uma configuração tão hostil à UE”, sustenta Costa. “Sempre houve eurocéticos, mas hoje se somam a eles violações ao Estado de Direito em países como Hungria e Polônia. Vivemos uma regressão democrática.” Apesar do alerta do professor, o que pesquisas de intenção de voto mostram é que os radicais deverão ter cacife para se fazer ouvir, mas não para assumir as rédeas do Parlamento e impor sua agenda. Ainda assim, insiste o analista, é forçoso notar a erosão do binômio hegemônico de PPE e social-democracia, que tinha 70% da preferência três eleições atrás e agora periga não passar dos 50%. E os estragos que a maré populista pode fazer em nível nacional, mesmo se tratando de um pleito europeu, tampouco são negligenciáveis. Macron, por exemplo, sofreria um duro golpe se sua República em Marcha chegasse atrás da Reunião Nacional de Le Pen, como indicam as últimas sondagens. No Reino Unido, o Partido Conservador (governo) surge em quinto lugar, o que, se confirmado no dia 23, certamente irá precipitar a queda da primeira-ministra, Theresa May, já às voltas com o impasse sobre o formato do brexit, a retirada britânica da UE. O adeus de Londres, aliás, é uma nuvem que paira sobre essa eleição. Quase três anos depois do plebiscito em que escolheram se desligar do bloco, os britânicos são convocados às urnas para apontar representantes… europeus. Depois de dois adiamentos, a nova data-limite para o divórcio é 31 de outubro. “O brexit desempenha papel ambivalente”, avalia Costa. “Por um lado, apaziguou ardores de eurocéticos, que descobriram que deixar a UE não era simples. Por outro, criou desconfiança em relação à futura bancada britânica, cuja única tarefa talvez vá ser sabotar o Parlamento [enquanto o Reino Unido não sai].” A economia é outro foco de angústia na Europa, ainda que não apareça na linha de frente do debate eleitoral “”o vice-premiê italiano Salvini, por exemplo, prefere praguejar contra imigrantes a tentar sanar as contas públicas de seu país. O PIB da zona do euro (19 dos 28 países) deverá crescer apenas 1,2% neste ano, contra 2,4% em 2017 e 1,9% em 2018. A Alemanha, locomotiva do bloco, só deve avançar 0,8% em 2019, segundo o FMI. A mesa está posta para discursos messiânicos e salvadores da pátria. (Folhapress)
19/05/2019

Demora da reforma da Previdência tem levado a previsões de crescimento cada vez menores

Compasso de espera

Demora da reforma da Previdência tem levado a previsões de crescimento cada vez menores

Após 11 quedas, previsão semanal de economistas ouvidos pelo BC é de 1,45%

Com a tramitação da reforma da Previdência em ritmo menor do que o esperado, o mercado financeiro tem reduzido cada vez mais a previsão para o crescimento da economia este ano. O fraco desempenho da economia foi apontado na última semana pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que apresentou queda de 0,68% no primeiro trimestre deste ano. No início do ano, a previsão de instituições financeiras consultadas pelo Banco Central (BC) para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país), era de 2,5%. Agora, após 11 reduções consecutivas na pesquisa semanal, chega a 1,45%. Economistas e o governo argumentam que, sem a reforma da Previdência, o endividamento do governo aumenta e diminui a confiança dos investidores sobre a capacidade de o país de honrar os pagamentos da dívida pública. Com isso, os investimentos são reduzidos e há comprometimento da capacidade de criar emprego e gerar crescimento econômico. Reforma da Previdência O professor de macroeconomia do Ibmec-RJ e economista da Órama Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Alexandre Espírito Santo disse que, no final do ano passado e início de 2019, os analistas acreditavam que a reforma da Previdência, por ser considerado o principal problema fiscal do país, tramitaria de forma mais célere no Congresso Nacional. “Por ser mais ou menos um consenso na sociedade que é necessário fazer a reforma, acreditávamos que ia tramitar de maneira célere, que a gente teria no final do primeiro semestre a reforma encaminhada no Congresso Nacional com grandes chances de estar aprovada. Entretanto, depois que o governo começou, as coisas não fluíram dessa forma”. Na visão do economista, o governo precisa focar na aprovação da reforma. “A articulação política é um problema até de alguma forma natural porque é um governo novo. Apesar de ter pessoas com experiência, governos quando são colocados pela primeira vez encontram dificuldades. Só que o país infelizmente está precisando de velocidade. A gente tem muito desemprego e crescimento pífio”, argumentou. Para ele, há grande chance de a reforma ser “desidratada”. “Dependendo de quanto for desidratada é um problema, porque o país precisa dessa poupança. Os empresários que estavam querendo começar a investir adiaram os investimentos para quando efetivamente a reforma sair e a gente tiver efetivamente os números na mãos. E aí rapidamente as revisões [para o crescimento do PIB] aconteceram”, afirmou. Copom No último dia 14, na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC adiantou que a economia pode apresentar recuo no primeiro trimestre deste ano. Segundo o documento, o processo de recuperação gradual da atividade econômica sofreu interrupção no período recente, mas a expectativa é de retomada adiante. Na quinta-feira (16), o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que o desempenho recente da economia foi decepcionante. Ele destacou que é preciso resolver a situação fiscal para o país voltar a ter investimentos. “Ficamos decepcionados com o resultado”, disse. Campos Neto acrescentou que existia a expectativa no mercado financeiro de que, após eleição, a questão fiscal fosse rapidamente resolvida. Entretanto, como isso não ocorreu, o mercado está em processo de espera pelas reformas. “Incertezas continuam no ar. Isso explica um pouco esse adiamento da decisão de investir”. Previsão de crescimento O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse no dia 14, que a equipe econômica já está trabalhando com uma previsão de crescimento de 1,5% neste ano. Segundo ele, a reformulação de expectativas diante da demora na aprovação da reforma da Previdência justificou a revisão das estimativas. O governo deve divulgar no próximo dia 22, a nova previsão para o crescimento da economia neste ano. Em março, o governo previa expansão de 2,2%. Com a desaceleração do crescimento econômico, as receitas do governo diminuem, o que provavelmente tornará necessário novo contingenciamento (bloqueio) de verbas do Orçamento deste ano. O resultado do PIB do primeiro trimestre deste ano será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no próximo dia 30. (ABr)