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08/03/2019

Mulheres em cargos de chefia chegam a ganhar um terço do salário pago a homens

Dia Internacional da Mulher

Mulheres em cargos de chefia chegam a ganhar um terço do salário pago a homens

Enquanto uma dirigente de serviços de saúde ganha R$ 4.764, um homem no mesmo cargo recebe R$ 14.891

Mulheres em cargos de chefia podem chegar a ganhar um terço do salário pago a homens que desempenham a mesma função. Em 2018, o rendimento médio mensal de uma dirigente de serviços de saúde, por exemplo, era de R$ 4.764, enquanto sua contraparte masculina ganhava R$ 14.891. Já uma dirigente de explorações de mineração recebia R$ 5.439, enquanto eram pagos a um diretor equivalente R$ 17.006. Os números fazem parte de uma pesquisa do IBGE divulgada nesta sexta-feira (8), quando se celebra o Dia Internacional da Mulher. O instituto partiu da base de dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua para analisar as diferenças de rendimento médio real entre mulheres e homens de 25 a 49 anos, ocupados na semana de referência. Essa população totalizava 56,4 milhões de pessoas em 2018 -45,3% de mulheres. Apesar dos exemplos extremos para uma diretora do campo da saúde ou da mineração, a diferença salarial entre homens e mulheres está espalhada pelas mais diversas áreas e níveis de instrução, observa a analista Adriana Beringuy, da Coordenação de Emprego e Rendimento do IBGE. “Fizemos uma seleção de ocupações numerosas e variadas, com maior e menor presença feminina, exigências mais altas e mais baixas de escolaridade, e o que percebemos é que em qualquer situação desses cenários continuamos vendo a mulher com rendimentos inferiores aos dos homens”, afirma. No ano passado, o valor médio da hora trabalhada era de R$ 13 para mulheres e de R$ 14,2 para homens, ou seja, o pagamento delas por hora representava 91,5% daquele oferecido aos homens. Se a base de comparação for o rendimento total, a proporção cai ainda mais. Em 2018, as mulheres recebiam, em média, R$ 2.050 -79,5% dos R$ 2.579 dos homens. O rendimento médio da população ocupada de 25 a 49 anos de idade era de R$ 2.260. Parte disso se explica porque as mulheres têm uma jornada de trabalho semanal menor: 37,9 horas, ante 42,7 horas dos homens. Beringuy ressalta que o estudo computou as horas de trabalhos voltados para o mercado, isto é, excluindo o tempo dedicado a atividades domésticas e cuidados de terceiros. “Nessa outra conta, sabemos por outros estudos que as mulheres muitas vezes chegam a superar os homens em número de horas trabalhadas”, afirma. Além disso, a jornada dos homens caiu 1,6 hora em relação a 2012 (início da série histórica do IBGE), enquanto a das mulheres reduziu apenas 0,4 hora. Essa diferença de carga horária não é suficiente para explicar toda a disparidade salarial entre homens e mulheres, aponta Beringuy. As mulheres representam 59% dos trabalhadores dos setores de serviços e comércio e trabalham 88% das horas dos homens, mas recebem 66,2% do salário deles. No detalhe, uma gerente de comércios atacadistas e varejistas ganha R$ 2.668, enquanto um homem no mesmo posto recebe R$ 4.045. “A jornada não explica tudo, assim como a educação também não”, diz a analista do IBGE. Ela cita, por exemplo, as médicas especialistas, que ganham 71,8% do que recebem seus pares masculinos: R$ 12.618 ante R$ 17.572. Advogadas e juristas têm um rendimento médio de R$ 5.033, 72,6% do recebido pelos homens. Olhando para grandes grupos, o IBGE constatou que as mulheres eram maioria entre profissionais das ciências e intelectuais (63%), mas recebiam 64,8% dos rendimentos médios dos homens. “Isso abre espaço para outras questões, como qual será a especialização que as médicas têm buscado? São as de maior remuneração, como cirurgia e anestesia? E mais: elas são empregadas ou são donas dos seus próprios negócios?”, questiona Beringuy. As mulheres conseguiam chegar mais perto dos salários dos homens em trabalhos de rendimento médio mais baixo. Em ocupações elementares (auxiliares em geral), o salário delas era 89,8% daquele recebido pelos homens, mas o valor de R$ 951 não chegava nem a um salário mínimo (R$ 954 em 2018). Os homens nesses cargos ganhavam R$ 1.060. “Em ocupações cujo salário é muito nivelado pelo piso mínimo, a diferença é menor. Conforme olhamos para ocupações que exigem maior escolaridade ou cujos rendimentos são maiores, essa remuneração de referência vai se perdendo, há um leque maior de cargos dentro da própria carreira, e aí as diferenças também começam a aumentar”, diz Beringuy. Sejam brancas, pretas ou pardas, as mulheres têm rendimentos inferiores aos dos homens de mesma cor. Mas essa diferença é maior entre mulheres e homens brancos (76,2%) do que entre mulheres e homens pretos ou pardos (80,1%). De acordo com o IBGE, essa menor desigualdade pode estar relacionada ao fato de que a população preta ou parda como um todo tem ocupações com pagamentos mais baixos, muitas vezes de um salário mínimo. Questão de tempo A diferença de horas trabalhadas entre mulheres e homens aumenta conforme aumenta a faixa etária, e isso também afeta diretamente os rendimentos. Em 2018, a mulher ocupada com 25 a 29 anos de idade recebia 86,9% do rendimento médio do homem e trabalhava 3,6 horas a menos. No grupo de 40 a 49 anos, a diferença chega a 5,4 horas, e essas mulheres ganhavam 74,9% do rendimento médio real dos homens. O estudo observa ainda que o tempo de trabalho na ocupação exercida influencia a evolução profissional e o planejamento de carreira, com consequentes efeitos sobre a remuneração do trabalhador. Interrupções de trabalho muitas vezes fazem com que as pessoas topem se reinserir no mercado em vagas com rendimentos mais baixos. “Você volta para o mercado na base da carreira e vai acumulando uma trajetória que não é linear. Se isso já é difícil para os homens, imagine para mulheres que ficam grávidas ou têm de reduzir sua carga horário para cuidar de outros”, diz a analista. (FolhaPress)
08/03/2019

Em 2018, mulheres representaram 15% dos eleitos nas esferas federal e estadual

Dia Internacional da Mulher

Em 2018, mulheres representaram 15% dos eleitos nas esferas federal e estadual

Percentual é maior que o registrado em 2014, mas ainda é pouco em relação à presença dos homens em espaços políticos

No ano passado os brasileiros elegeram os novos representantes políticos que os representarão até às próximas eleições. Pela primeira vez, em 2018, foi obrigatório que os partidos destinassem pelo menos 30% dos repasses do Fundo Partidário para candidaturas femininas, como forma de incentivo à representatividade feminina na política. A decisão é do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2014, cerca de 11% do total de eleitos no Legislativo estadual e Executivo em esfera federal e estadual eram mulheres. Em 2018, esse percentual cresceu para 15%. O aumento da presença delas nos espaços de poder aumentou, mas ainda representa um índice baixo em relação ao número de homens que ocupam cadeiras do Executivo e Legislativo. Na Câmara dos Deputados, para a legislatura de 2019 a 2022, o número de mulheres deputadas federais representa 15% do total de parlamentares na Casa. Dos 513 deputados federais, apenas 77 são mulheres. No entanto, esse índice já é o maior que o registrado na última legislatura, quando apenas 51 mulheres ocupavam cadeiras na Câmara — representando 10% do total. O Distrito Federal foi a unidade da federação que mais elegeu mulheres: cinco dos oito parlamentares que representam o DF. São Paulo elegeu o maior número de deputadas, com 11 delas ocupando as 70 cadeiras do estado. Na contramão, Maranhão, Sergipe e Amazonas não elegeram nenhuma mulher. Algumas dessas mulheres eleitas para a Câmara adicionaram ainda mais representatividade à Casa: Joênia Wapichana (Rede-RR) é a primeira mulher indígena a ocupar o cargo de deputada federal. Já no Senado, o número de mulheres diminuiu após as eleições de 2018. A bancada feminina na Casa passou de 13 integrantes para 12, com sete senadores eleitas no último pleito e uma vaga de suplente. Do total de candidaturas para o Senado, apenas 17% eram femininas — no Acre, na Bahia e em Tocantins não houve candidata. Pelo menos, o Distrito Federal elegeu pela primeira vez uma mulher: a senadora Leila (PSB) ficou em primeiro lugar na disputa eleitoral. No Mato Grosso, também foi uma mulher quem recebeu o maior número de votos para o Senado, a juíza Selma Arruda (PSL). Deputadas estaduais A quantidade de mulheres eleitas para cargos de deputada estadual e distrital nas eleições de 2018 foi de 161, número cerca de 35% maior que o de 2014, quando 120 mulheres foram eleitas para cadeiras nas assembleias legislativas e Câmara Legislativa, no caso do Distrito Federal. O estado com o maior número de deputadas estaduais eleitas foi São Paulo, com 18 mulheres eleitas. Em seguida aparece o Rio de Janeiro, com 12. Minas Gerais, Bahia e Pernambuco aparecem com dez cada. O Mato Grosso do Sul foi o único estado que não elegeu nenhuma mulher para o cargo. Mulheres no Executivo estadual No Executivo das unidades federativas, a situação foi ainda mais crítica. Apenas uma mulher foi eleita como governadora. Fátima Bezerra (PT) desbancou Carlos Eduardo (PDT) no segundo turno pelo governo do Rio Grande do Norte. Até então senadora, Bezerra foi a governadora eleita com o maior número de votos da história do estado. Em 2014, o resultado foi o mesmo, com apenas uma mulher eleita governadora. Suely Campos, do PP, assumiu o governo de Roraima. Ao todo, no ano passado, 30 mulheres se candidataram para o governo de seus estados. No entanto, Alagoas, Amapá, Ceará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rio Grande do Sul e Rondônia não tiveram nenhuma candidatura feminina para o cargo. Por outro lado, Pernambuco e Piauí tiveram, cada, três candidatas ao Executivo local. Pouca representatividade Mundialmente, o cenário para as mulheres brasileiras que querem ingressar na política também não animador. Em um levantamento realizado pela União Parlamentar, o Brasil ocupa a 156ª posição de 190 países em relação a paridade de gênero em espaços políticos. Em todo o mundo, entre 2017 e 2018, a participação feminina nesses locais não cresceu nem 1% — passou de 23,4% para 24,3%. De acordo com a União Parlamentar, apesar do crescimento ter sido leve, o número de mulheres na política vem melhorando a cada ano. A organização destaca o crescimento entre os anos de 1995 e 2008, quando a participação feminina passou de 11,3% para 18,3%.
16/02/2019

Bancada feminina alagoana solicita criação da Comissão de Direitos da Mulher na ALE

Proteção à mulher

Bancada feminina alagoana solicita criação da Comissão de Direitos da Mulher na ALE

Projeto da deputada mais votada de Alagoas foi ignorado na legislatura passada

Depois de ser ignorada pela legislatura passada, a proposta da deputada estadual Jó Pereira (MDB-AL) para a criação da 15ª Comissão de Direitos da Mulher na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) voltou a ser protocolada nesta sexta-feira (15), por meio de um requerimento para que a Presidência do Legislativo estadual desarquive o Projeto de Resolução Nº 79/2017. O pedido é uma iniciativa da Bancada Feminina, composta ainda pelas deputadas Ângela Garrote (PP), Cibele Moura (PSDB), Flávia Cavalcante (PRTB) e Fátima Canuto (PRTB). O projeto não apreciado na legislatura anterior é de autoria de Jó Pereira, para facilitar as discussões, o acompanhamento de ações, o recebimento de denúncias, em especial referentes às vítimas de violência de qualquer espécie, e a busca por soluções de demandas relativas à proteção da mulher alagoana. Caberá ainda à comissão a fiscalização de programas governamentais com foco nessa proteção, da aplicação de recursos destinados a políticas públicas em diversos setores (saúde, segurança, educação e trabalho), voltadas à mulher, em especial nas regiões mais carentes do Estado. “A criação dessa comissão faz parte de um projeto de fortalecimento da atuação parlamentar e da construção de uma rede estadual de proteção mais efetiva em defesa dos direitos das mulheres. O colegiado será também um mecanismo específico, na Casa, para atuar conjuntamente com entidades públicas e privadas, estimular a promoção de ações e debates, o combate ao preconceito e tudo o que traga mais dignidade para as alagoanas”, explicou Jó Pereira. Futuro e retomada de programa Em outro requerimento apresentado nesta sexta, a parlamentar solicitou à Mesa Diretora da Casa que não meça esforços para realizar, em Alagoas, um seminário nos mesmos moldes do que aconteceu neste dia 15 de fevereiro, no Rio de Janeiro, “Alagoas: caminhos para o futuro”. O seminário promovido pela Fundação Getúlio Vargas, contou com a presença do governador Renan Filho (MDB) e de secretários estaduais. Na ocasião, foi lançado também o Caderno Técnico Alagoas: Caminhos para o Futuro, com 12 capítulos onde são analisados os principais temas e políticas públicas do Estado. Por fim, Jó Pereira apresentou também uma indicação ao governador, com cópia para a Secretaria de Estado de Assistência e Desenvolvimento Social pedindo a retomada do Programa Estadual de Complementação Alimentar para Gestantes, Nutrizes e Crianças em Situação de Vulnerabilidade Social e Insegurança Alimentar e Nutricional. (Com informações da Ascom da deputada Jó Pereira)