Mulheres no Poder


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12/11/2018

Estrutura do Ministério da Agricultura deve ser definida nesta semana

Governo Bolsonaro

Estrutura do Ministério da Agricultura deve ser definida nesta semana

Presidente eleito tem reunião com Tereza Cristina nesta terça, em Brasília

A estrutura do Ministério da Agricultura, que poderá englobar pesca e agricultura familiar, será definida nesta terça (13), em Brasília. O presidente eleito, Jair Bolsonaro, tem reunião marcada com a deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS), que comandará a pasta. Também é aguardado o anúncio do nome para o Ministério do Meio Ambiente que atuará em conjunto com a Agricultura. No encontro, Tereza Cristina indicou que quer definir com o presidente eleito as medidas que poderão ser adotadas para garantir mais segurança jurídica para os produtores e a redução de impostos. A deputada federal é presidente da Frente Parlamentar da Agricultura (FPA) na Câmara. Tereza Cristina disse que sua intenção é começar o trabalho nas primeiras horas de segunda-feira (12). Engenheira agrônoma e empresária, ela afirmou que vai se sentar com técnicos e especialistas do atual ministério para entender melhor como funciona o trabalho. “É momento de ouvir muito agora”, afirmou a futura ministra. Para a deputada federal, é fundamental também a definição sobre o Ministério do Meio Ambiente, que inicialmente seria fundido com a Agricultura. Segundo disse, ela espera ter uma relação “muito boa” com o titular que assumir a pasta. Após encontro com Bolsonaro, integrantes da bancada ruralista afirmaram que o nome para o Meio Ambiente será indicado pelo grupo. Não foi citado um nome específico. (ABr)
23/10/2018

CBF homenageia Marta e emociona a melhor jogadora do mundo de futebol

Rainha do futebol

CBF homenageia Marta e emociona a melhor jogadora do mundo de futebol

Rainha recebeu carinho de crianças e brincou que não existe Rei Pelé sem Rainha Marta

A Casa do Futebol Brasileiro viveu um dia especial nesta segunda-feira (22). A Rainha Marta, melhor jogadora de futebol do mundo, esteve na sede da CBF e proporcionou momentos inesquecíveis a diversas crianças de projetos sociais e escolas do Rio de Janeiro, gravou entrevistas e trouxe os seis troféus de melhor do mundo da FIFA. “É emocionante. Sem dúvida, um momento especial. A gente costuma dizer: não existe rei sem rainha. Estou brincando”, disse a Rainha Marta em entrevista descontraída à Rede Globo. Marta foi recebida pelo presidente da CBF, Antônio Carlos Nunes, e pelo diretor executivo de gestão da entidade, Rogério Caboclo. A craque caminhou pelo tapete vermelho, passou pelos seis troféus, que ficarão expostos na Casa do Futebol Brasileiro até o final do ano, e fez a festa da garotada que a aguardava, com muito abraços, fotos e autógrafos. Com camisas personalizadas para a Rainha, as crianças emocionaram a atleta com tanto carinho. A camisa 10 da Seleção Brasileira Feminina recebeu uma placa de agradecimento do presidente Nunes. “Ver o rosto das crianças com um sentimento de euforia, de alegria, de dividir esse momento comigo, é tocante. Elas me puxavam para ver se era verdade. Você se sente completa. Você olha assim e imagina toda a sua história, toda a sua trajetória no esporte. […] A resenha é grande. Todo lugar que eu chego, a galera já fala: ‘Como é desbancar o Messi e o Cristiano Ronaldo?’. Nem penso nisso. Deixo essa resenha para vocês”, brincou a atacante da seleção brasileira de futebol, na entrevista. O diretor executivo de gestão da CBF, Rogério Caboclo, esteve no último “The Best”, quando Marta recebeu o sexto prêmio de melhor do mundo, em Londres, na Inglaterra. O dirigente relembrou o encontro com a craque na ocasião e destacou a representatividade dela para a modalidade. “Tive a oportunidade de cumprimentá-la e abraçá-la quando você [Marta] recebeu o justíssimo sexto título de melhor jogadora do mundo pela FIFA em Londres recentemente. Naquela ocasião eu disse a você do desejo da CBF de fazer uma homenagem e uma recepção digna da rainha do futebol. E é para isso que estamos aqui hoje. Marta, você é um símbolo máximo do futebol feminino. Você é um orgulho e uma inspiração para todos nós brasileiros”, declarou Caboclo. A CBF afirma que não cansa de demonstrar sua gratidão. Há algumas semanas, a Casa do Futebol Brasileira exibe um grande painel de agradecimento em sua entrada. Mesmo assim, nunca é demais agradecer à alagoana que aprendeu a jogar futebol em um rio seco da cidade sertaneja de Dois Riachos, em Alagoas. (Com informações da CBF)
22/10/2018

Diferença salarial entre mulheres e homens diminuiu entre 2016 e 2017

Igualdade

Diferença salarial entre mulheres e homens diminuiu entre 2016 e 2017

Em 2017, o salário médio real das mulheres foi de R$ 2.708,71, enquanto o do homem alcançou R$ 3.181,87

A diferença salarial entre homens e mulheres vem diminuindo aos poucos nos últimos anos. Em 2017, o salário médio real das mulheres cresceu mais do que o dos homens, chegando a R$ 2.708,71, uma elevação de 2,6% em relação a 2016, enquanto o rendimento masculino subiu 1,8%, alcançando R$ 3.181,87. O aumento da remuneração feminina é maior do que o registrado para todos os trabalhadores, que teve alta de 2,1%, como mostram os dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho, divulgada nesta segunda (22). Embora tenha havido crescimento maior para as mulheres, a remuneração média feminina em 2017 correspondia a 85,1% do salário dos homens. Em 2016, o rendimento feminino correspondia a 84,4% do masculino e, em 2015, 83,43%. “Apesar da melhora registrada em 2017, ainda há muitos desafios que precisam ser enfrentados, sobretudo no que se refere ao acesso das mulheres a postos de trabalho mais bem remunerados e garantia de recebimento de salários equivalentes pelo desempenho da mesma ocupação”, destaca o coordenador-geral de Cadastros, Identificação Profissional e Estudos do Ministério do Trabalho, Felipe Pateo, em nota. Em 2017, houve crescimento real na remuneração média, que alcançou R$ 2.973,23. Em relação a 2016, a remuneração média real cresceu R$ 61,64, equivalente a 2,1%. No ano passado, houve crescimento no emprego tanto para homens quanto para mulheres. Os vínculos empregatícios ocupados por homens correspondiam a 25,9 milhões de postos de trabalho, equivalente a 56,0% do estoque de empregos. Por sua vez, os empregos desempenhados por mulheres somavam 20,4 milhões de vínculos, 44% dos vínculos empregatícios no ano. A participação feminina no mercado de trabalho formal correspondia em 2017 a 78,6% do estoque de empregos ocupados por homens. Em comparação com 2016, os homens registraram ampliação de 114,6 mil de empregos, equivalente à expansão de 0,4%. As mulheres aumentaram seu estoque de empregos em 106,7 mil postos de trabalho (0,5%). Jovens Ao analisar os dados por idade, no ano passado a faixa etária 30-39 anos apresentou a maior quantidade de vínculos empregatícios (14,4 milhões de empregos, equivalente a 31% do estoque), seguida das faixas 40-49 anos (10,4 milhões, 22,6% do total), 50-64 anos (7,7 milhões, 16,7% do total), 25-29 anos (6,6 milhões de vínculos, 14,2% do universo), 18-24 anos (6,2 milhões de empregos, 13,5% do total), 65 anos ou mais (649,4 mil vínculos, 1,4% do estoque) e até 17 anos (292,6 mil, 0,6% do total). Em comparação a 2016, a faixa etária 40-49 anos registrou o maior crescimento, da ordem de 225,7 mil empregos (2,2%), seguido por 30 a 39 anos (141,3 mil, 1,0%), 50 a 64 anos (123,8 mil, +1,6%) e 65 anos ou mais (+50,5 mil, 8,4%). A redução no estoque de empregos concentrou-se nos jovens: 25 a 29 anos (-154,7 mil, -2,3%), 18 a 24 anos (123,0 mil, -1,9%) e até 17 anos (-42,1 mil, -12,6%). Escolaridade Em 2017, as faixas de escolaridade mais elevada registraram expansão no estoque de empregos, ao passo que as faixas com escolaridade mais baixa apresentaram retração em sua quantidade de vínculos empregatícios. A escolaridade de Ensino Médio Completo apresentava o maior estoque de empregos (22,4 milhões, 48,4%), seguido pelo Superior Completo (9,8 milhões, 21,2%), Ensino Fundamental Incompleto (4,6 milhões, 10,0%), Fundamental Completo (4,2 milhões, 9,2%), Ensino Médio Incompleto (2,9 milhões, 6,4%), Ensino Superior Incompleto (1,8 milhão, 3,8%), Mestrado (343,3 mil, 0,7%) e Doutorado (117,3 mil, 0,3%). Em comparação com 2016, a expansão do emprego concentrou-se no Ensino Médio Completo (513,9 mil, 2,3%), Superior Completo (348,0 mil, 3,7%), Mestrado (36,5 mil, 11,9%) e no Doutorado (16,2 mil, 16,0%). A queda no estoque ocorreu principalmente na escolaridade até Ensino Fundamental Incompleto (-313,7 mil, -6,3%), seguido pelo Ensino Fundamental Completo (-231,9 mil, -5,2%), Ensino Médio Incompleto (-142,2 mil, -4,6%) e Ensino Superior Incompleto (-5,5 mil, -0,3%). Pretos e pardos Em 2017, as modalidades de raça/cor preta e parda registraram expansão no estoque de empregos, ao passo que as modalidades branca, amarela e indígena apresentaram redução em sua quantidade de vínculos empregatícios. Mesmo assim, os brancos concentram a maior quantidade de vínculos empregatícios. De acordo com a Rais, o universo de empregados que autodeclararam sua raça ou cor atingiu 33,6 milhões (72,5% do estoque). Os brancos chegaram a 19 milhões, equivalente a 56,5% do estoque de empregos, seguido pelos empregados autodeclarados como pardos (12,3 milhões, correspondente a 36,7%), pelos pretos (1,9 milhão, 5,8%), amarelos (259,8 mil vínculos, 0,8%) e indígenas (74,9 mil empregos, 0,2%). Em comparação a 2016, a raça/etnia parda descreveu a maior expansão no estoque de empregos (39,2 mil, 0,3%), seguida pela preta (35,9 mil, 1,9%). A queda no estoque de vínculos empregatícios atingiu principalmente os brancos (-494,8 mil, -2,5%), seguida pela raça/cor amarela (-14,6 mil, -5,3%) e pela raça/cor indígena (-0,5 mil, -0,7%). (ABr)
14/10/2018

Bancada feminina cresce, mas recebe parentes de políticos tradicionais

DNA político

Bancada feminina cresce, mas recebe parentes de políticos tradicionais

Câmara dos Deputados terá a maior bancada feminina das últimas três legislaturas

A Câmara dos Deputados terá, na legislatura que se inicia dia 1º de fevereiro, a maior bancada feminina das últimas três legislaturas, mas o Brasil ainda continuará abaixo da média da América Latina em número de mulheres no Legislativo. Uma das características do grupo de deputadas eleitas é o parentesco com políticos tradicionais: 10,4% das 77 eleitas. Na bancada feminina, o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) identificou oito integrantes de famílias de políticos. A campeã de votos no Distrito Federal é Flávia Arruda (PR), mulher do ex-governador, ex-senador e ex-deputado federal José Roberto Arruda. Ele está inelegível, porque foi condenado em 2014 por improbidade administrativa, após as investigações da Operação Caixa de Pandora. Ao aproveitar os feitos do governo do marido, no qual desenvolveu projetos sociais, a empresária Flávia Arruda foi eleita para a Câmara com 121.140 votos. Pelo Espírito Santo, o senador Magno Malta (PR-ES) não conseguiu se reeleger, mas o eleitorado capixaba mandou para a Câmara sua mulher, a empresária e música Lauriete (PR-ES). Ela já exerceu mandato na Câmara de 2011 a 2015. Outro derrotado nas urnas que conseguiu eleger a herdeira política foi o deputado Alex Canziani (PTB-PR). Nestas eleições, Canziani disputou uma cadeira no Senado e cedeu a vaga na Câmara para sua filha Luísa (PTB-PR), de 22 anos, a mais jovem deputada. Ela conquistou 90.249 votos. Reeleitas De Rondônia, chegará à Câmara outra deputada com sobrenome tradicional: Jaqueline Cassol (PP). Empresária e advogada, Jaqueline é irmã do senador Ivo Cassol (PP-RO) e teve 34.193 votos. Ambos são filhos do ex-deputado federal Reditário Cassol (PP-RO), suplente de senador na chapa do filho. No Rio de Janeiro, Daniela do Waguinho (MDB) foi eleita com 136.286 votos. A nova deputada federal é mulher do prefeito de Belford Roxo, Wagner dos Santos Cerneiro, o Waguinho. Ela foi secretária de Assistência Social e Cidadania do município. Entre as atuais deputadas, renovaram os mandatos: Clarissa Garotinho (Pros-RJ), filha do ex-governador Anthony Garotinho; Soraya Santos (PR), casada com o ex-deputado federal Alexandre Santos; e Rejane Dias (PT), a campeã de votos no Piauí (138.800 votos), esposa do governador reeleito Wellington Dias. Crescimento Segundo balanço feito pelo Diap, houve crescimento de 15% no total de mulheres eleitas para a Câmara, mas isso ainda é “insuficiente para equilibrar a participação de homens e mulheres no exercício da função de legislar e fiscalizar em nome do povo brasileiro”. Nestas eleições, a legislação estabeleceu um mínimo de 30% de candidaturas femininas por partido ou coligação. O percentual de mulheres eleitas vem aumentando nas últimas legislaturas e, neste pleito, teve discreta aceleração. Em 2014, quando foram eleitas 51 deputadas, a taxa de crescimento foi 10% na comparação com a bancada de 45 deputadas eleitas em 2010. “O índice alcançado na eleição de 2018 sinaliza um cenário mais otimista, de modo que o Brasil avance no ranking de participação de mulheres no Parlamento”, informa o Diap. No entanto, segundo o Diap, o Brasil ainda está “abaixo da média na América Latina, em torno de 30%” de representação feminina nos legislativos. Na bancada da Câmara, 47 eleitas são novatas. Outras 30 já são deputadas e foram reeleitas. Das que exercem mandato, 14 não se reelegeram. Há também deputadas que disputaram outros cargos. Janete Capiberibe (PSB-RO) foi derrotada na disputa para o Senado, Jô Moraes (PCdoB) perdeu como vice em Minas Gerais, ao contrário de Luciana Santos (PCdoB) que assumirá como vice-governadora em Pernambuco. (Agência Brasil)
13/10/2018

Bancada feminista cresce e promete oposição a conservadores

Contra conservadores

Bancada feminista cresce e promete oposição a conservadores

No Congresso, haverá reforço de mais nove feministas e o total de mulheres subiu de 56 para 84

Ao mesmo tempo em que o PSL de Jair Bolsonaro explodiu e garantiu a segunda maior bancada da Câmara, as mulheres feministas também obtiveram sucesso nestas eleições, prometendo fortes embates na próxima legislatura. Levantamento realizado pela reportagem identificou que o número de feministas eleitas para o Congresso chegou a pelo menos 36, nove a mais do que no último pleito, em 2014. Já o número total de mulheres subiu de 56 para 84. Mais do que isso, diferentemente do que ocorreu em 2014, algumas candidaturas se impulsionaram por meio da constante defesa do feminismo e de suas pautas, como a legalização do aborto e o combate à violência de gênero. É o caso de jovens com forte presença nas redes sociais, como Sâmia Bomfim (PSOL-SP), que teve cerca de 250 mil votos, Talíria Petrone (PSOL-RJ), que conquistou mais de 100 mil, e Marília Arraes (PT-PE), com quase 200 mil votos. Todas eram vereadoras e estreiam na Câmara dos Deputados. A aprovação das propostas, no entanto, não será tarefa fácil. Projetos de lei e medidas provisórias só passam adiante com o voto favorável da maioria dos presentes na sessão. A Câmara tem 513 deputados. Frentes parlamentares conservadoras, cujos deputados costumam se posicionar contrariamente a pautas feministas, têm ampla base na atual legislatura. Na Câmara, a bancada da bala conta com 270 deputados e evangélica, tem 150. Ainda não é possível determinar quantos parlamentares cada bancada terá a partir de 2019, mas a ascensão do PSL, que elegeu 52 deputados, indica que o conservadorismo não deve arrefecer. Sâmia, eleita por São Paulo, promete enfrentamento no seu mandato. “[A eleição de feministas] não significa só que vão ter mulheres debatendo temas feministas, mas que vai haver uma postura de não abaixar a cabeça, de fazer o enfrentamento, o debate”, disse à reportagem. 20 vezes mais votos Eleita vereadora de São Paulo em 2016, Sâmia, 29, teve sua votação multiplicada em 20 vezes. Ela credita o fortalecimento das candidaturas feministas aos movimentos de rua em defesa das questões de gênero e à vontade do brasileiro de eleger mulheres que representassem um contraponto a Bolsonaro. Ela também considera que as redes sociais tiveram papel fundamental na divulgação. “Apareci uma vez na TV por 30 segundos e só. Alguns vídeos de materiais de Facebook e WhatsApp chegaram a 8 milhões de pessoas”, afirma. As mulheres serão 15% dos 513 deputados a partir de 2019 -é o maior percentual feminino já alcançado na Casa, embora elas sejam mais de 51% da população. Em 2014, a eleição de mulheres atingiu 10%. “A gente só está aqui por conta da luta feminista. Acredito que é um processo de ocupação desses espaços que historicamente eram masculinos”, avalia Marília, 34, eleita em Pernambuco. Ela também prevê embates na Câmara. “A ala mais conservadora vai tentar levar o debate para o campo moral. A gente vai fazer o possível para aprovar pautas progressistas, mas vai precisar de mobilização popular e conscientização de outras mulheres”, diz. Assim como Sâmia, Talíria, 33, também teve sua votação multiplicada em 20 vezes. Em 2016, foi eleita vereadora em Niterói (RJ), com 5.000 votos. Ela diz que a candidatura foi impulsionada pela revolta da sociedade frente ao assassinato de sua amiga, a vereadora Marielle Franco (PSOL), em março deste ano. “Há uma mobilização de mulheres negras que nunca esteve em silêncio e, depois da execução da Marielle, se mostrou muito forte.” Para ela, as redes sociais são um lugar “de disputar narrativa, ainda dominado pelo setor do fascismo”. “As fake news, as mensagens falsas de WhatsApp, infelizmente isso produziu uma vitória eleitoral desse setor. Nossa tarefa é ampliar nossa inserção”, diz. Nas Assembleias, candidaturas feministas também venceram. O Rio, por exemplo, elegeu três mulheres negras que assessoraram Marielle, todas pelo PSOL. Em São Paulo, Erica Malunguinho (PSOL) tornou-se a primeira deputada transexual do país. Ao seu lado na Assembleia, estará Isa Penna, 27, bissexual, também do PSOL. Minas elegeu Andreia de Jesus (PSOL), apoiada pelo “Campanha de Mulher”, união de ativistas para aumentar a representatividade feminina na política, e pelo coletivo “Muitas”, que também defende causas progressistas e feministas. (Folhapress)
08/10/2018

Mais mulheres foram eleitas para a Câmara, mas número ainda é muito baixo

De 51 para 74

Mais mulheres foram eleitas para a Câmara, mas número ainda é muito baixo

Foram 74 deputadas federais eleitas este ano, contra 51 em 2014, o que representa 14% dos deputados federais

A bancada feminina no Congresso Nacional cresceu nestas eleições. Na Câmara dos Deputados, foram eleitas 74 parlamentares do total de 513, o que representa 13,8% do total de deputados federais. O número ainda é muito baixo, mas é maior em comparação às eleições de 2014, quando 51 mulheres chegaram ao Legislativo federal. O maior número de mulheres eleitas é de São Paulo. Entre as 11 candidatas eleitas, a mais bem votada foi Tábata Amaral (PDT), integrante do movimento político suprapartidário Acredito, eleita com 264.450 votos. Com 24 anos, a paulistana de Vila Missionária, periferia da Zona Sul de São Paulo, estudou em escola pública até o 8º ano. Aos 12 anos, começou uma carreira como “atleta” do conhecimento. Ao todo, colecionou mais de 30 medalhas em olimpíadas de física, química, informática, matemática, astronomia, robótica e linguística. No segundo ano do Ensino Médio, ela ganhou uma bolsa para estudar inglês e contou com a ajuda de instituições para cobrir os gastos do processo de candidatura às vagas das universidades norte-americanas. Filha de um cobrador de ônibus e uma ex-vendedora de flores, Tábata é formada em Ciências Políticas e Astrofísica. O Distrito Federal, proporcionalmente, elegeu mais. Das oito vagas na Câmara, cinco serão ocupadas por deputadas: Flavia Arruda (PR), Erika Kokay (PT) Bia Kicis (PRP), Paula Belmonte (PPS) e Celina Leão (PP). A única reeleita foi a petista. Na lista dos mais jovens eleitos para a Câmara há uma mulher, a estudante de Direito Luiza Canziani (PTB-PR), 22 anos, filha do também deputado federal Alex Canziani (PTB-PR). Reeleita deputada federal, Luiza Erundina (PSol-SP), 84 anos, no sexto mandato, é a parlamentar mais idosa do novo Parlamento. Amazonas, Goiás, Maranhão e Sergipe não elegeram deputadas. Entre os partidos, o PT foi o que mais elegeu deputadas federal. Foram dez no total. PSDB e o PSL, de Jair Bolsonaro, elegeram oito e nove mulheres para a Câmara dos Deputados, respectivamente. O percentual de mulheres concorrendo a deputada federal quase não se alterou em relação às últimas eleições. O total ficou um pouco acima do mínimo de 30% de candidatos de cada gênero para cargos proporcionais exigido por lei. Foram pouco mais de 2,6 mil candidatas, segundo a Justiça Eleitoral. Em 2014, eram 2,3 mil. Senado Das 54 cadeiras do Senado em disputa nestas eleições, sete serão ocupadas por mulheres – 12,9% do total. O número se manteve nas eleições deste ano sem alteração. Foram eleitas para o Senado: Leila do Vôlei (PSB-DF), Eliziane Gama (PPS-MA), Juíza Selma Arruda (PSL-MT), Soraya Thronicke (PSL-MS), Dra. Zenaide Maia (PHS-RN), Mara Gabrili (PSDB-SP) e Daniella Ribeiro (PP-PB). Foram 62 candidaturas femininas para o Senado, um aumento expressivo em relação aos anos anteriores. Em 2014, quando a renovação foi de um terço das 81 vagas, 35 concorreram. Assembleias Considerando os deputados estaduais, as mulheres são 15% dos eleitos. Foram 161 deputadas, um aumento de 35% em relação a 2014. Alguns casos chamam atenção, como o do Mato Grosso do Sul. Dos 24 deputados estaduais eleitos, nenhum é mulher. Já São Paulo aparece como o Estado que mais elegeu mulheres como representantes nas Assembleias. Das 94 vagas, 18 serão preenchidas por mulheres, o que equivale a 19%. O número, no entanto, continua baixo. Proporcionalmente, o Amapá elegeu mais. Das 24 vagas, 8 serão de mulheres (33%). Desproporção Desde 1997, a lei eleitoral brasileira exige que os partidos e as coligações respeitem a cota mínima de 30% de mulheres na lista de candidatos para a Câmara dos Deputados, a Câmara Legislativa, as Assembleias Legislativas e as Câmaras municipais. Mesmo assim, diversos partidos e coligações precisaram ser notificados para cumprir a cota. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu também que 30% dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), formado por dinheiro público, deveria ir para a propaganda das candidatas, bem como 30% do tempo no horário eleitoral gratuito. No Brasil, a cada 10 pessoas, 5 são mulheres. O País fica atrás de dezenas de países quanto à presença de mulheres na política. Está na 115ª posição no ranking mundial de representatividade feminina no Parlamento dentre os 138 países analisados pelo Projeto Mulheres Inspiradoras (PMI), com base no banco de dados do Banco Mundial (Bird) e do TSE. Estamos atrás do Afeganistão, Cuba, África do Sul, Senegal e muitos outros países. Confira lista das deputadas federais eleitas: Acre: 4 Mara Rocha (PSDB) Jéssica Sales (MDB) Dra. Vanda Milani (SD) Perpetua Almeida (PCdoB) Alagoas: 1 Tereza Nelma (PSDB) Amapá: 4 Aline Gurgel (PRB) Professora Marcivânia (PCdoB) – reeleição Patricia Ferraz (PR) Leda Sadala (Avante) Bahia: 2 Alice Portugal (PCdoB) – reeleição Lídce da Mata (PSB) Ceará: 1 Luiziane (PT) – reeleição Distrito Federal: 5 Flavia Arruda (PR) Erika Kokay (PT) – reeleição Bia Kicis (PRP) Paula Belmonte (PPS) Celina Leão (PP) Espírito Santo: 3 Dra. Soraya Manato (PSL) Norma Ayub (DEM) Lauriete (PR) Mato Grosso: 1 Professora Rosa Neide (PT) Mato Grosso do Sul: 2 Rose Modesto (PSDB) Tereza Cristina (DEM) – reeleição Minas Gerais: 4 Aurea Carolina (PSOL) Margarida Salomão (PT) – reeleição Alê Silva (PSL) Greyce Elias (Avante) Pará: 2 Elcione (MDB) Julia Marinho (PSC) – reeleição Paraíba: 1 Edna Henrique (PSDB) Paraná: 5 Gleisi Lula (PT) Leandre (PV) – reeleição Christiane Yared (PR) – reeleição Luisa Canziani (PTB) Aline Sleutjes (PSL) Pernambuco: 1 Marília Arraes (PT) Piauí: 4 Rejane Dias (PT) Iracema Portella (PP) – reeleição Margarete Coelho (PP) Dra. Maria (PTC) Rio de Janeiro: 9 Flordelis (PSD) Daniela do Waguinho (MDB) Talíria Petrone (PSol) Jandira Feghali (PCdoB) – reeleição Rosangela Gomes (PRB) – reeleição Soraya Santos (PR) – reeleição Benedita da Silva (PT) – reeleição Chris Tonietto (PSL) Clarissa Garotinho (PROS) – reeleição Rio Grande do Norte: 1 Natalia Bonavides (PT) Rio Grande do Sul: 3 Fernanda Melchionna (PSol) Maria do Rosário (PT) – reeleição Liziane Bayer (PSB) Rondônia: 3 Mariana Carvalho (PSDB) – reeleição Jaqueline Cassol (PP) Silvia Cristina (PDT) Roraima: 2 Shéridan (PSDB) – reeleição Joenia Wapichana (Rede) Santa Catarina: 4 Caroline de Toni (PSL) Geovania de Sá (PSDB) – reeleição Angela Amin (PP) Carmen Zanotto (PPS) – reeleição São Paulo: 11 Joice Hasselmann (PSL) Tabata Amaral (PDT) Policial Katia Sastre (PR) Sâmia Bomfim (PSol) Luiza Erundina (PSol) – reeleição Renata Abreu (Podemos) – reeleição Rosana Valle (PSB) Bruna Furlan (PSDB) – reeleição Carla Zambelli (PSL) Maria Rosas (PRB) Adriana Ventura (Novo) Tocantins: 2 Professora Dorinha (DEM) – reeleição Dulce Miranda (MDB)
08/10/2018

Jó Pereira é deputada mais votada de Alagoas, na Assembleia com 12 novos nomes

Poder feminino

Jó Pereira é deputada mais votada de Alagoas, na Assembleia com 12 novos nomes

Campeã de votos atribui conquista à interlocução de seu primeiro mandato com a sociedade

A advogada Jó Pereira (MDB-AL) foi reeleita deputada estadual neste domingo (7) com a maior votação de Alagoas, onde obteve 53.707 votos, 3,59% dos votos válidos. Os alagoanos reelegeram 15 deputados estaduais e haverá uma renovação de 44%, com 12 novos eleitos para a próxima legislatura. Dos novos parlamentares, apenas Flávia Cavalcante (PRTB) já foi deputada. A votação expressiva de Jó Pereira após um primeiro mandato a colocou a quase 10 mil votos de distância do 2º deputado mais votado, Olavo Calheiros (MDB), irmão do senador Renan Calheiros e sobrinho do governador Renan Filho, também emedebistas. A deputada é sobrinha neta do senador Benedito de Lira (PP-AL), que não conseguiu se reeleger. É a segunda vez que o clã Pereira fica no topo da lista de eleitos para o Legislativo alagoano. Em 2010, o irmão da deputada Jó, Joãozinho Pereira, foi eleito pelo PSDB com a maior votação da história política de Alagoas para a Assembleia Legislativa, com 64.080 votos. “Estou feliz e muito emocionada. Não foi uma conquista apenas do período eleitoral, mas de um mandato que teve uma interlocução muito grande com a sociedade. Sinto-me muito mais responsável e comprometida para criar vínculos cada vez mais fortes com a sociedade civil organizada, para construirmos uma Alagoas cada vez mais justa e inclusiva, com muita participação popular”, disse Jó Pereira através de sua assessoria de imprensa. Os vereadores de Maceió (AL) Silvio Camelo (PV) e Dudu Ronalsa (PSDB) foram eleitos para o Legislativo Estadual. O atual presidente da Assembleia, Luiz Dantas (MDB), conseguiu deixar o mandato de herança para seu filho Paulo Dantas (MDB). Já o clã do deputado João Beltrão (PRTB) terá dois representantes: Yvan Beltrão (PSD) e Marcelo Beltrão (MDB), ex-prefeito de Jequiá da Praia (AL). Fora Os deputados que não conseguiram se reeleger para a Assembleia são Thaíse Guedes (PTB), Edval Gaia Filho (PSDB), Pastor João Luiz (PSC) e Carimbão Júnior (Avante). O deputado Dudu Hollanda (PSD) também não se reelegeu, nem teve sucesso ao tentar transmitir seu mandato para o irmão, Marcos Holanda. Dudu desistiu da candidatura quando o Ministério Público Eleitoral solicitou seu enquadramento como “ficha suja” por lesão corporal grave, decorrente de uma mordida sua que arrancou um pedaço da orelha do então vereador Paulo Corintho, há cerca de dez anos. Já os deputados Isnaldo Bulhões (MDB), Severino Pessoa (PRB) e Sérgio Toledo (PR) deixam a ALE para ingressar na bancada alagoana da Câmara dos Deputados. E Rodrigo Cunha (PSDB) foi eleito senador. Veja a lista de reeleitos e as novidades na Assembleia Legislativa de Alagoas e suas respectivas votações: Reeleitos: Jó Pereira (MDB): 53.707 Ricardo Nezinho (MDB): 43.961 Olavo Calheiros (MDB):40.466 Marcelo Victor (SD): 39.422 Davi Davino Filho (PP): 39.342 Antônio Albuquerque (PTB): 38.556 Jairzinho Lira (PRTB): 32.165 Gilvan Barros Filho (PSD): 31.316 Galba Novaes (MDB): 30.481 Marcos Barbosa (PPS): 29.079 Bruno Toledo (PSDB): 28.431 Inácio Loiola (PDT): 27.828 Léo Loureiro (PP): 27.130 Francisco Tenório (PMN): 25.432 Tarcizo Freire (PP): 24.709 Novos deputados: Paulo Dantas (MDB): 38.397 Cibele Moura (PSDB): 37.824 Fátima Canuto (PRTB): 37.151 Yvan Beltrão (PSD): 34.403 Cabo Bebeto (PSL): 31.573 Flávia Cavalcante (PRTB): 29.561 Marcelo Beltrão (MDB): 28.434 Ângela Garrote (PP): 26.845 Breno Albuquerque (PRTB): 26.355 Dudu Ronalsa (PSDB): 24.095 Davi Maia (DEM): 23.748 Silvio Camelo (PV): 15.594  
07/10/2018

Janaina Paschoal é a deputada mais votada em toda História do Brasil

Eleitos em São Paulo

Janaina Paschoal é a deputada mais votada em toda História do Brasil

Ela teve 2 milhões de votos para deputada estadual; Bolsonaro, 1,8 milhão

Filho de Jair Bolsonaro, o candidato a deputado federal por São Paulo, Eduardo Bolsonaro (PSL), foi eleito a deputado federal no pleito deste domingo, 7. Ele tem 1.814.443 votos válidos, com 98,28% das urnas apuradas no Estado. Com este número, Eduardo Bolsonaro se torna o deputado federal mais votado da história. O desempenho do Bolsonaro só não foi melhor do que da candidata Janaína Paschoal (PSL), uma das autoras do pedido de impeachment de Dilma Rousseff. Ela conseguiu se eleger para a Assembleia Legislativa de São Paulo como a candidata mais votada para todos os cargos de deputado, com 2.031.829 votos.
05/10/2018

Mulheres buscam o espaço delas na cadeia produtiva do café

Agricultura

Mulheres buscam o espaço delas na cadeia produtiva do café

Brasileiras se unem para crescer no mercado e iniciativas buscam o empoderamento de mulheres cafeicultoras

Ele é figura conhecida na mesa dos brasileiros. Servido de manhãzinha, depois da refeição ou no lanche da tarde, o café está sempre presente — coado ou expresso, de acordo com o gosto de cada um. Só entre os brasileiros, no ano passado, foram consumidas 1,07 milhão de toneladas do grão, aumento de 3,3% em comparação a 2016 que colocou o país no segundo lugar de maiores consumidores de café do mundo. Até 2021, a estimativa é de que o consumo da bebida queridinha dos brasileiros cresça para 1,24 milhão de toneladas, como aponta a pesquisa Tendências do Mercado de Cafés em 2017, patrocinada pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). A paixão pelo café é tanta que o grão tem até um dia para ser comemorado. Em 1º de outubro, se comemora o Dia Internacional do Café. A data foi instituída pela Organização Internacional do Café (OIC) há quatro anos com o objetivo de desenvolver o mercado do produto ao redor do mundo. Desde então, todo ano, são organizados eventos em diversos países que reúne desde os produtores até os amantes do café. As comemorações são organizadas ao redor de um tema, instituído também pela OIC. O deste ano debate a participação da mulher na cadeia produtiva do café em todas as regiões do globo. De acordo com um relatório “Igualdade de gênero no setor cafeeiro” divulgado em setembro pela organização, “entre 20% e 30% das fazendas de café são operadas por mulheres e mais de 70% da força de trabalho na produção do café é realizada por mulheres, dependendo da região.” A participação feminina nesse mercado é de extrema importância, aponta o Centro de Comércio Internacional (ITC, na sigla em inglês). Em 2008, o percentual de trabalho exercido pelas mulheres dentro dos processos produtivos nas fazendas de café representava 70%. No entanto, a pesquisa faz um alerta para a igualdade de gênero nesse mercado: as mulheres teriam menos acesso à terras, crédito e informação do que os homens. “Mulheres enfrentam restrições ligadas a questões de gênero no acesso a recursos, o que dificulta a produtividade agrícola e afeta negativamente o bem-estar das família”, apontou a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O resultado dessa desigualdade está em colheitas e retornos financeiros menores para elas. De acordo com o relatório, em Uganda e na Etiópia, por exemplo, a venda de café é de 39% a 44% menor entre as mulheres dessas regiões. Problemas são apontados ainda no tamanho das terras de propriedade feminina e no nível de estudo na área. A busca pela solução dessas diferenças entre homens e mulheres nos campos pode impulsionar a produção agrícola em até 4%, de acordo com a FAO. Nos campos brasileiros De acordo com a publicação “Mulheres dos cafés no Brasil”, divulgada pela Embrapa no ano passado, a mulher brasileira que atua na produção de café no Brasil atua majoritariamente como produtora ou proprietária; em seguida, elas estão presentes no ensino, pesquisa e extensão do mercado e comércio de café. O benefício destinado a elas cresceu ao longo dos anos, o que pode facilitar na participação delas na produção agrícola: em 2014, 10,5% dos beneficiários do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) foram mulheres; já em 2015, o índice da participação feminina na busca de créditos por meio do Pronaf subiu para 16,6%. No entanto, elas ainda têm muito a conquistar, principalmente pelo meio rural brasileiro ainda ter um perfil mais tradicional. De acordo com a Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres, em 2013, um homem no meio rural recebia em média R$ 977,50, enquanto as mulheres recebiam uma média de R$ 614,80, abaixo até do salário mínimo vigente à época. Em algumas regiões, elas pouco participam das associações e cooperativas voltadas ao café. No Cerrado Mineiro, por exemplo, a participação delas nesses locais é de apenas 9,6%, de acordo com a publicação da Embrapa. O motivo é a necessidade que as mulheres encontram de associar o trabalho com os afazeres domésticos e o cuidado da família, o que não as permite ter tempo de exercer outras atividades. Mas as mulheres seguem conquistando seu espaço e se unindo para atingir seus objetivos na produção do café. Formada por mulheres que vivem exclusivamente da produção do grão, a Associação das Mulheres Empreendedoras do Café da Serra da Mantiqueira do Sul do Estado de Minas Gerais (Amecafé Mantiqueira) é um exemplo dessa reunião. Segundo a diretora presidente da associação Iraci de Fatima Inácio Carvalho, o trabalho delas na Mantiqueira, no Sul de Minas, é pesado, já que por ser uma região montanhosa não há uso de maquinário. “Temos que contar exclusivamente com a mão de obra manual”, afirmou a diretora. Outro desafio está na luta constante contra o preconceito, que ela acredita já estar menor. “Nosso desafio como mulher é poder fazer o nosso trabalho bem feito sem que um homem chegue e queira ensinar como fazê-lo, mas nós mulheres estamos acostumadas a caprichar. A maioria das associadas faz um café maravilhoso; estão batendo um bolão. É até engraçado ver maridos felizes por suas esposas conseguirem vender melhor seus cafés. Preconceito sempre há, mas hoje em dia já é bem melhor.” Ao descobrir sobre a pesquisa da Organização Internacional do Café que aponta que 30% das fazendas do mundo inteiro são operadas por mulheres, Iraci contesta e diz acreditar que, na realidade brasileira, esse número é menor. Ela tem razão: de acordo com o Censo Agro 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 18,6% dos estabelecimentos agropecuários brasileiros são comandados por elas. Se a codireção for considerada, a proporção aumenta para 34,8%. Mesmo que o comando ainda não seja em sua maioria feminino no Brasil, Iraci aponta para a força feminina na produção do café, de acordo com a experiência que tem dentro da associação. “Nossa participação é forte. Dentro da nossa associação, as mulheres sempre estão presente, nas panhas e nos terreiros de cafés. A participação já chega a 50% dentro das propriedades.” Para Iraci, o segredo do sucesso está no cuidado que a mulher tem com os processos de produção. “Quando fazemos a coisa bem feita, consequentemente temos ótimas colheitas, tanto na questão do fruto quanto da qualidade e consequentemente produzimos ótimos grãos.” Projeto Florada Pensando no empoderamento de mulheres cafeicultoras e para trazer diversidade ao campo brasileiro, o Grupo 3corações criou em março deste ano o Projeto Florada. Entre as iniciativas realizadas pelo projeto estão a promoção de conversas e encontros, a oferta de capacitação e informação, e a criação de um concurso para premiar os melhores cafés. Junto com o lançamento do projeto foi apresentado o Café Florada Edição Especial, desenvolvido pela cafeicultora Jane Muniz, da Fazenda Santa Tereza, na região Sul de Minas Gerais. Já em fase de andamento, a primeira edição do concurso — destinada a espécie de café arábica nas categorias via úmida e via seca — conhecerá suas vencedoras no dia 9 de novembro, durante a Semana Internacional do Café. Para participar, a mulher não precisa ser proprietária da fazenda produtora de café, mas precisa ter participado ativamente dos processos da safra do café com o qual irá concorrer. No site do Projeto Florada, as mulheres encontram ainda videoaulas gratuitas sobre as melhores práticas na produção de cafés especiais, com temas como gestão e lavoura e produção.
01/10/2018

Maya Gabeira entra no Livro dos Recordes por pegar maior onda do mundo

Após cinco anos

Maya Gabeira entra no Livro dos Recordes por pegar maior onda do mundo

Em 2013 a surfista quase morreu no mesmo local, na Praia de Nazaré em Portugual

Após cinco anos, no mesmo local onde quase perdeu sua vida em 2013, a surfista Maya Gabeira, 31 anos, entrou no Guinness Book, o Livro dos Recordes, por surfar a maior onda entre as mulheres. “Estabelecer o recorde mundial é um sonho meu há muitos anos “. A Liga Mundial de Surf (WSL) anunciou o feito nesta segunda-feira (1). No dia 18 de janeiro, na Praia do Norte em Nazaré, Portugal, a carioca pegou uma onda de  20,72 metros, episódio que rendeu a ela o recorde mundial. Maya que tem 1,68 de altura é a primeira surfista mulher que entrou no Guinnes, por pegar uma onda tão grande. A surfista agradeceu o apoio dos fãs, já que desde agosto, por meio de uma petição online, pedia ajuda para que pressionar a Liga a encaminhar o protocolo para o Livro dos Recordes. “Sonho realizado. Obrigada a vocês que me apoiaram, assinaram e compartilharam! Juntos somos fortes”. Queda da onda gigante Em outubro de 2013, na mesma praia, a surfista quase perdeu a vida ao cair de uma dessas ondas gigantes. Ao ser retirada do mar, Maya foi submetida a  técnicas de ressuscitação cardiopulmonar para reanimá-la. Maya é filha do ex-deputado e jornalista Fernando Gabeira. O fato ficou marcado para a surfista, mas a sua capacidade de superação resultou no recorde mundial. “Tem sido uma viagem e tanto. Mas posso dizer, honestamente, que em 2013, quando cheguei à Nazaré, a minha vida mudou como nunca antes. Claro, houve um acidente, ferimentos e assim por diante. Mas também me mudei para Nazaré estar mais perto da onda, dediquei a maior parte do meu tempo ao local e tive anos para me concentrar na melhoria, na segurança e em estar perto das melhores pessoas para chegar onde queria estar”. Veja o momento que a brasileira controla a imensa onda, por um instante parece que ela foi engolida.