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Operação Greenfield

Assessor de Guedes vira réu por fraudes em fundo de pensão

Esteves Colnago e 28 gestores participaram de investimentos irregulares da Sete Brasil

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Esteves Colnago, assessor do ministro da Economia, Paulo Guedes. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

O juiz da 10ª Vara Federal de Brasília, Vallisney de Oliveira, aceitou a denúncia contra o ex-ministro do Planejamento Esteves Colnago, atualmente assessor especial do ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele e outras 28 pessoas se tornaram réus por fraudes nos principais fundos de pensão de empresas estatais e privadas.

Os procuradores acusam os réus de gestão temerária de instituição financeira por causa de investimentos feitos na empresa Sete Brasil no âmbito da Operação Greenfield (que apura desvios em fundos de pensão e bancos).

“O MPF produziu e apresentou a este Juízo peça acusatória formalmente apta, acompanhada de vasto material probatório, contendo a descrição pormenorizada contra todos os denunciados”, afirma o juiz em sua decisão.

Em sua decisão, Vallisney torna réus 29 ex-dirigentes dos fundos de pensão da Caixa (Funcef), Banco do Brasil (Previ), Petrobras (Petros) e Vale (Valia). No total, os investimentos dos fundos de pensão na Sete geraram perdas de R$ 5,475 bilhões às entidades, segundo o MPF (em valores atualizados até outubro de 2019).

O juiz também dá sinal verde para que a Funcef vire assistente de acusação do MPF “se for de interesse” da Fundação no caso e em outros processos conexos.

Colnago foi membro do conselho deliberativo da Funcef e votou favoravelmente a um investimento feito pelo fundo de pensão na Sete em 2012.

Segundo a força-tarefa Greenfield, ele, como membro do conselheiro deliberativo da Funcef, aprovou de forma temerária investimentos feitos na empresa Sete Brasil, de construção de sondas de petróleo.

Na visão do MPF, Colnago e outros gestores do Funcef autorizaram os aportes ignorando riscos, diretrizes do mercado financeiro e do CMN (Conselho Monetário Nacional), além dos próprios regimentos internos. Além disso, não teriam sido feitos estudos de viabilidade sobre os aportes.

Criada no auge dos investimentos do setor naval do país e da bonança do pré-sal, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a Sete tinha como missão gerenciar a compra e a operação de 28 sondas para exploração de petróleo para a Petrobras.

A derrocada financeira da Sete começou ainda na fase inicial da Lava Jato, no final do ano de 2015. As primeiras denúncias de executivos da Sete, que também eram da Petrobras (no envolvimento de pagamento de propinas a estaleiros brasileiros que construiriam as sondas) levou o BNDES a vetar o empréstimo de longo prazo que permitiria manter a máquina da Sete funcionando.

Em entrevista na última semana, Colnago se defendeu das acusações do MPF. Ele disse não se arrepender de votar pelo investimento porque, em sua visão, as informações disponíveis na época não o fariam tomar outra decisão.

“Naquele momento, com as informações que tinha, sinceramente não sei se teria outra posição a dar. Hoje é muito fácil olhar para trás e falar: ‘Puxa, não deveria ter feito’. Mas naquele momento as informações que eu tinha não me levavam a tomar outra decisão”, disse.

Ele chegou a revelar que a recomendação de voto feita pela diretoria da Funcef ao conselho era de não fazer um novo investimento na Sete Brasil, mas que na hora da reunião os conselheiros foram informados pelos executivos que a visão tinha mudado para pró-aporte.

“Não me arrependo. Deu errado. Podia ter dado muito certo. Mas deu errado. Você ia imaginar que a Petrobras tava cheia de coisa lá dentro? Nunca. Que o petróleo ia despencar? Os grandes bancos estavam entrando, não só os públicos”, afirmou.(Folhapress)