Oposição prestigiada

Família retaliada por Renan Filho vai para oposição e presidente da ALE prestigia ato

Marcelo Victor foi ao ato de filiação dos Pereira ao PP do ex-senador Benedito de Lira

Família retaliada por Renan Filho vai para oposição e presidente da ALE prestigia ato

Marcelo Victor prestigia ida da família Pereira para a oposição liderada por Benedito de Lira. Foto: Divulgação

A não aceitação da derrocada do plano de eleger seu tio Olavo Calheiros (MDB-AL) para presidir o Legislativo de Alagoas rendeu ao governador Renan Filho (MDB) a formalização das primeiras baixas em sua base de apoio, no último sábado (9), com o ingresso de duas integrantes da família Pereira no Progressistas (PP) presidido pelo ex-senador Benedito de Lira, rival da família Calheiros. A filiação ao PP da prefeita de Campo Alegre (AL), Pauline Pereira (ex-PMB), e da primeira-dama e secretária de Saúde de Teotônio Vilela (AL), Izabelle Alcântara (ex-MDB), teve dimensão política ampliada por ter sido prestigiada por deputados alvos do vale-tudo inútil do governador, entre eles o presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), Marcelo Victor (SD-AL), e o 1º secretário da Mesa Diretora, Paulo Dantas (MDB-AL).

As novas filiadas fazem parte de um dos clãs políticos que mais crescem no Estado de Alagoas, liderado pelo prefeito de Teotonio Vilela (AL), Joãozinho Pereira, e pela deputada Jó Pereira, ambos ainda filiados ao MDB que também presenciaram a filiação ao PP, no apartamento do senador Biu de Lira. No encontro, as fichas de filiação foram assinadas com o apoio do deputado federal Arthur Lira (PP-AL)

Após receber apoio da maioria dos deputados estaduais e da família Pereira para ser reeleito com folga em 2018, Renan Filho exonerou cargos de indicados de parlamentares aliados que negaram se render ao seu apelo e rejeitaram eleger Olavo Calheiros para presidir a ALE. E após pressionar sem sucesso os Pereira para que a deputada Jó apoiasse seu tio, retirou do comando da pasta da Assistência Social o ex-prefeito de Junqueiro (AL), Fernando Pereira.

Joãozinho Pereira chegou a confidenciar para deputados que ouviu de Renan Filho, em encontro na noite de 3 de janeiro, a afirmação de que, caso não houvesse apoio da deputada à eleição de Olavo Calheiros, o governador deixaria de apoiar a eleição da prefeita de Campo Alegre, Pauline Pereira (PMB), para a presidência da Associação Alagoana dos Municípios (AMA) e o governo suspenderia um convênio que envia recursos para atendimento à saúde da população de 12 cidades do Consórcio Intermunicipal do Sul do Estado de Alagoas (Conisul), reduto do clã Pereira. Pauline foi eleita vice-presidente da AMA, em composição com a reeleição de Hugo Wanderley (MDB).

Renan Filho confirmou a interferência no Legislativo, que abriu feridas em sua base de apoio e sepultou a pré-candidatura de seu tio. Uma atitude que chegou a ser tratada como “pedrada de doido e coice de burro”, mas somente quando comentou a iniciativa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello de tornar aberta a votação para a Presidência do Senado.

Paulo Dantas acompanha deputado federal Arthur Lira na filiação de Pauline Pereira ao PP. Foto: Divulgação

Marcelo Victor ainda é alvo

Apesar de prestigiar o fortalecimento da oposição ao governador, o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Victor, segue negando que será um opositor a Renan Filho, no Legislativo que o chefe do Executivo tentou tratorar, usando os cargos indicados por parlamentares na velha estratégia do “toma lá, dá cá”. O presidente da ALE foi eleito por unanimidade dos deputados presentes em plenário, no pleito que não teve o voto de Olavo Calheiros, que desistiu da disputa.

Além de Fernando Pereira, Renan Filho exonerou a ex-secretária de Cultura Melina Freitas, sobrinha do deputado Inácio Loiola (PDT-AL); o presidente do Procon, vereador de Maceió Galba Netto (MDB-AL), filho do deputado Galba Novaes (MDB-AL); e mais dezenas de indicados dos parlamentares que negaram voto ao tio do governador.

A defesa intransigente da pré-candidatura do tio do chefe do Executivo foi apenas o primeiro ato da estratégia que visa manter o domínio do clã Calheiros sobre Alagoas, a partir de uma eventual sucessão do governo por Olavo Calheiros na eleição de 2022, quando Renan Filho tentará ser senador. Marcelo Victor sabe disso.

 

Davi Soares
Davi Soares
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