"Não é um bleg"

Putin mobiliza cidadãos russos e ameaça guerra nuclear contra Ocidente

Presidente da Rússia diz que não está blefando, e Papa reage: "é uma loucura"

acessibilidade:
O governo russo negou as acusações. (Foto: Evgeniy Paulin/Klemilin).

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou nesta quarta-feira, 21, que convocou 300 mil reservistas para lutar na Guerra da Ucrânia. Esta é a primeira grande mobilização militar feita pela Rússia desde a Segunda Guerra Mundial.

O líder russo afirmou ainda que não está blefando quando diz que está pronto para usar armas nucleares a fim de defender a Rússia.

“Isto não é um blefe. (…) Nosso país possui uma variedade de armas de destruição, algumas mais modernos até que as dos países da Otan. E, se a integridade territorial do nosso país estiver ameaçada, sem dúvida usaremos todos os meios à nossa disposição para nos proteger”, afirmou.

Putin alegou que altos funcionários de vários estados membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) mostraram à Rússia a possibilidade de usar armas nucleares. Ele também acusou o Ocidente de arriscar uma “aniquilação nuclear” ao permitir que as forças ucranianas bombardeassem a usina nuclear de Zaporizhia, ocupada pela Rússia.

“A agressiva política anti-Rússia do Ocidente ultrapassa todos os limites (…) Aqueles que tentam nos chantagear com armas nucleares devem saber que os ventos podem mudar”, ameaçou.

O discurso de Putin veio depois que o exército russo sofreu uma derrota decisiva no nordeste da Ucrânia, com avanço das tropas ucranianas e recuo das russas. A escolha do presidente foi então pela escalada do conflito bélico.

Volodymyr Zelenskiy

Logo após o discurso ameaçador de Putin, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, foi a público e afirmou que não acredita que o mundo permitirá que a Rússia use armas nucleares, e prometeu continuar com a libertação do território capturado pelas forças russas.

“Não acredito que ele [Putin] usará essas armas. Não acho que o mundo permitirá que ele use essas armas”, disse Zelenskiy à TV alemã BILD. “Ele vê que suas unidades estão simplesmente fugindo”, afirmou, acrescentando que Putin “quer afogar a Ucrânia em sangue, incluindo o sangue de seus próprios soldados”.

Zelenskiy também rejeitou os planos de quatro regiões da Ucrânia, ocupadas pelos russos, de realizar referendos de 23 a 27 de setembro sobre adesão à Rússia. Disse que se trata de “farsa”, que não será reconhecida pela maioria dos países.

Papa Francisco

O papa Francisco também se pronunciu e disse que a ideia de Putin é “loucura”. O pontífice também afirmou que os ucranianos estão sendo submetidos a selvageria, monstruosidades e tortura, chamando-os de um povo “nobre” sendo martirizado.

Ao falar a uma multidão, em sua audiência-geral na Praça de São Pedro, o papa elogiou o país da Ásia Central por desistir de armas nucleares após sua independência da União Soviética em 1991.

“Isso foi corajoso. Em um momento nesta guerra trágica em que alguns estão pensando em armas nucleares, o que é uma loucura, o país disse não desde o início”, disse Francisco.

Otan

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, chamou as palavras de Putin de “retórica perigosa e imprudente”.

“Vamos garantir que não haja mal-entendidos em Moscou sobre exatamente como vamos reagir. Claro que depende do tipo de situação ou de que tipo ou armas eles podem usar. O mais importante é evitar que isso aconteça, e é por isso que estamos sendo muito claros em nossas comunicações com a Rússia sobre as consequências sem precedentes desse ataque”, declarou Stoltenberg.