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Buenos Aires

Mourão participa da posse de Alberto Fernández, novo presidente da Argentina

Para vice-presidente, Brasil e Argentina devem se ajudar mutuamente devido à importância da relação entre os dois países

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Presidente da República em exercício, Hamilton Mourão, durante Sessão Solene de posse dos novos dirigentes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

Enviado de última hora à Argentina para a posse do presidente Alberto Fernández, o vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão, disse a jornalistas na manhã desta terça-feira, 10, que está “contente por representar o Brasil” e que “ambos os países têm de se ajudar mutuamente”.

Mourão chegou a Buenos Aires na noite de quinta-feira (9), depois de uma decisão do presidente Jair Bolsonaro, e hospedou-se na residência da embaixada do Brasil.

“A decisão é do presidente. Óbvio que o presidente deve ter considerado que a Argentina é o nosso terceiro parceiro comercial. Muitas das coisas que nós tivemos neste ano no Brasil, de não termos atingido determinados níveis que queríamos em termos de crescimento, são fruto da crise por que a Argentina passa. São dois países que têm que se auxiliar mutuamente. É óbvio que o gesto político do presidente é enviar o vice-presidente para representá-lo nesta cerimônia”, disse ao O Globo.

O vice-presidente disse ainda que os chanceleres do Brasil e do novo governo argentino deverão se reunir “no devido momento”, e que ainda não há previsão para um encontro bilateral entre Fernández e Bolsonaro.

O dia da posse de Fernández começou agitado, com a chegada de várias delegações do exterior.

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, cancelou sua vinda, devido ao desaparecimento de um avião na noite anterior.

Já com relação à Venezuela, houve problemas com a chegada do representante de Nicolás Maduro, o ministro da comunicação, Jorge Rodríguez, que está na lista dos funcionários chavistas vetados pelos países do Grupo de Lima. O atual presidente argentino, Mauricio Macri, mantém uma proibição expressa de que ele ingresse no país.

Seu avião, porém, saiu da Venezuela e está por chegar a Buenos Aires, provavelmente antes da posse de Fernández. Ainda não se sabe se sua entrada será permitida.

O ex-presidente equatoriano Rafael Correa era um dos presentes na posse. “Vim aqui para prestigiar o amigo Alberto, mesmo sendo uma vítima de ‘lawfare’, assim como Lula, como Cristina, e sei que vindo aqui corro o risco de ser preso. Mas era necessário vir até para expor esse problema para o mundo”, disse à Folha de S.Paulo. “Não quero me vitimizar, precisamos estar juntos e reunificar a América Latina. Que viva a Argentina”.

Também chegou Fernando Lugo, ex-presidente do Paraguai, de esquerda, que saiu com um processo de impeachment. Entrou sem dar declarações e sentou-se ao lado de Correa.

O presidente do Peru, Martín Vizcarra, está a caminho, assim como o do Paraguai, Mario Abdo, e o do Uruguai, Tabaré Vázquez, que virá acompanhado do presidente eleito de seu país, Luis Lacalle Pou.

Bolsonaro mudou de ideia várias vezes sobre a ida à cerimônia. A viagem de Mourão foi confirmada apenas na segunda-feira. O presidente foi pressionado por parlamentares, empresários e diplomatas que alegaram que a ausência de um enviado poderia afetar o fechamento de futuros negócios entre os países. (Com informações da Folhapress)

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