Repercursão negativa

‘Surto sem precedentes de dengue no Brasil’, critica jornal britânico

O vírus, transmitido por mosquitos, se espalhou por grande parte da América do Sul e do Caribe. Mas é o Brasil que está sendo mais duramente atingido

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O jornal britânico The Telegraph publicou nesta segunda-feira (18), uma matéria criticando o surto de dengue sem precedentes que surgiu no Brasil. (Foto: Raul Santana/Fiocruz)

O jornal britânico The Telegraph publicou nesta segunda-feira (18), uma matéria criticando o surto de dengue sem precedentes que surgiu no Brasil: “Hospitais e médicos estão no limite depois que mais de 1,5 milhão de pessoas contraíram o vírus neste ano”, escreveu o jornal, alertando que o “país luta contra uma epidemia que está esgotando os recursos e se espalhando muito além das áreas tradicionalmente afetadas”

A assessora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Thais dos Santos, explicou à equipe do Telegraph que a epidemia era única: “A forma como a curva epidêmica cresceu no início do ano foi realmente preocupante, estava crescendo muito mais rápido do que normalmente vemos”, disse ela.

O vírus, transmitido por mosquitos, se espalhou por grande parte da América do Sul e do Caribe. Mas é o Brasil que está sendo mais duramente atingido, informa ainda o jornal, que também consultou Julio Henrique Rosa Croda, médico e professor associado da Faculdade de Medicina da UFMS e da Escola de Saúde Pública de Yale. 

“Os pacientes de lugares como Brasília estão sofrendo, esperam seis horas para serem atendidos na capital do país e ainda nem chegamos ao pico da doença”, disse Croda.

O professor Ribas Freitas, mostrou preocupação com o fato de a resposta do país ser desarticulada entre as autoridades federais, estaduais e locais e também lastimou que as autoridades de saúde tenham deixado para conter tarde demais a propagação do mosquito Aedes aegypti, que transmite a doença. 

“O controle dos mosquitos neste momento não é muito eficiente, porque eles estão voando com o vírus. O controle dos mosquitos é mais eficiente quando você faz isso antes (da eclosão), em novembro ou dezembro para evitar até mesmo o início de uma epidemia”, explicou ao jornal londrino.

A matéria também apontou que a quantidade mínima de vacinas como medida é insuficiente para conter o surto: “o Brasil (com 214 milhões de habitantes) garantiu apenas doses suficientes para vacinar 3,3 milhões de pessoas este ano. Para começar, apenas 521 cidades receberão a vacina, numa campanha voltada para crianças de 10 e 11 anos”.

E ainda comenta, como promissor é o programa que libertou mosquitos infectados pela bactéria Wolbachia, que impede o Aedes aegypti de transmitir dengue. 

“a Science informou que em Niterói, onde a Wolbachia está implantada desde 2015, apenas 58 casos confirmados foram notificados este ano. O vizinho Rio de Janeiro é 14 vezes maior, mas registrou 161 vezes mais casos, com 9.355 detectados desde janeiro”.

O desafio maior é a expansão do programa em todo país que será lenta. Além disso, cita-se como bastante preocupante a existência de outra doença transmitida por mosquitos da mesma família: a Chikungunya.

“Há duas epidemias ao mesmo tempo”, disse o professor Ribas Freitas ao jornal The Telegraph. “As complicações são muito diferentes… e se os médicos não souberem se um paciente tem dengue ou chikungunya, eles podem interpretar as complicações incorretamente”, diz ele. “Acho que este é um grande, grande problema agora.”

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