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Corrupção na Argentina

Cristina Kirchner é processada no caso de subornos; juiz pede prisão preventiva

Por ter foro privilegiado, ex-presidente da Argentina não pode ser presa sem crivo do Senado

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Cristina Kirchner e seus filhos foram indiciados na ação conhecida como "caso Hotesur" (Foto: Reprodução)

A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner foi processada nesta segunda-feira, 17, no caso conhecido como “cadernos das propinas”, que envolve subornos em obras públicas do país, empresários e ex-funcionários do governo, entre 2005 e 2015.

Na decisão, o juiz Claudio Bonadio acusa Cristina de ser membro de uma associação ilícita e comandar uma estrutura para a arrecadação de fundos ilegais. Ele também acusa o marido de Cristina, o ex-presidente Néstor Kirchner, que morreu em 2010, e o ex-ministro de Planejamento Julio de Vido.

O juiz ainda pediu a prisão preventiva da senadora e ex-presidente, mas por ter foro privilegiado, o pedido precisa ser aprovado pelo Senado argentino, de maioria peronista.

Com este caso, Cristina Kirchner passa a responder a cinco processos.

Segundo investigações, mais de 20 empresas participaram do circuito que teria movimentado mais de US$ 160 milhões de dólares. As empresas venceram licitações durante os 12 anos do kirchnerismo na Argentina.

A causa judicial se baseia em anotações feitas por um ex-motorista do Ministério de Planejamento, Oscar Centeno, em 8 cadernos escolares. Durante 10 anos, Centeno era o responsável pela entrega das sacolas com a propina. No que seria uma espécie de “diário da corrupção”, ele anotou cada movimento com riqueza de detalhes: datas, horários, placas de carros, nomes, endereços e montantes. Algumas vezes fotografou e filmou. O dinheiro era recolhido semanalmente e teria sido entregue aos Kirchner em mãos. Diversos empresários confessaram as propinas.