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Tempos de chumbo

Aliados da ditadura, EUA acharam que bomba no Riocentro foi obra de militares

Bomba explodiu no colo de sargento do Exército, que morreu

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Foto de "O Globo" mostrou o corpo do sargento Guilherme Pereira do Rosário, do DOI-Codi, ainda no Puma.

O governo dos Estados Unidos sabiam que foi obra de militares radicais contrários à abertura política, a bomba que explodiu no colo de um sargento do Exército no estacionamento do centro do convenções Riocentro, no Rio de Janeiro, em 30 de abril de 1981, onde se realizava um show comemorativo  do Dia do Trabalho, que transcorreria no dia seguinte. Dizia-se na época que a explosão foi “acidente de trabalho” de agentes da repressão que pretendiam espalhar pânico na multidão reunida no Riocentro.

A importância do documento é ainda mais destacável porque, afinal, o governo americano era na ocasião aliado do regime militar brasileiro, tendo sido inclusive insprador do golpe militar de 1964, segundo a quase unanimidade dos historiadores. Esse relatório, que trata do atentado no Riocentro, foi doado pelo governo americano de Barack Obama e chegou ao Brasil em meados de 2015, tendo sido confiado ao Arquivo Nacional. Há outros 715 documentos que compõem três lotes doados pelo governo dos EUA.

O relatório de integrantes da inteligência americana, revelado pelo Jornal Nacional, da TV Globo, descreve as circunstâncias discute o nível de participação de integrantes do governo militar. No canto direito de uma das páginas, um carimbo revela que o documento chegou ao Departamento de Defesa americano, em Washington, no dia 29 de maio de 1981.

Cerca de 20 mil pessoas se aglomeravam no Riocentro. Eram as festas do Dia do Trabalho, naquela ocasião. Já passava das 21h quando a bomba explodiu no interior de um carro Puma. Dentro dele, o sargento Guilherme Pereira do Rosário, que morreu, e o capitão Wilson Luís Chaves Machado, que ficou ferido, ambos integrantes do DOI-Codi. Houve também uma segunda explosão, na subestação de força do Riocentro.

“Não restam dúvidas de que o sargento Guilherme Pereira do Rosário, que foi morto, e o capitão Wilson Luís Chaves Machado (…) provocaram o ataque a bomba e não foram as vítimas. É nítido que os dois, como membros do DOI-Codi, agiram sob ordens superiores no momento em que a bomba explodiu acidentalmente no carro”, diz o relatório do governo dos EUA, que continua uma conclusão importante: o diretor do Serviço Nacional de Inteligência e o comandante do Exército provavelmente sabiam de todos os detalhes da bomba no Riocentro.

O serviço de inteligência dos Estados Unidos achava, contudo, que o então presidente João Figueiredo “não precisa necessariamente ter se envolvido de alguma forma com as ações do Exército nestes incidentes”.

.”O governo tentou afastar a possibilidade de uma crise prometendo publicar os resultados da investigação 60 dias depois do episódio, mantendo as negociações, visitas presidenciais e tentando preencher o noticiário com qualquer outro assunto que não fosse a discussão ou especulação sobre a bomba no Riocentro”, afirma o relatorio.

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