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18/01/2019

Com paralisação nos EUA, Trump cancela viagem de delegação americana a Davos

'Shutdown'

Com paralisação nos EUA, Trump cancela viagem de delegação americana a Davos

Em seu 27º dia, o chamado shutdown já é o mais longo da história do país

O governo dos Estados Unidos (EUA) anunciou nessa quinta-feira (17) que o presidente Donald Trump decidiu cancelar a viagem da delegação americana à cidade de Davos, na Suíça, onde representantes de vários países se reúnem na próxima semana para o Fórum Econômico Mundial. A Casa Branca justificou que as autoridades são necessárias em Washington para lidar com a paralisação que atinge vários setores do governo. Em seu 27º dia, o chamado shutdown já é o mais longo da história do país. “Em consideração aos 800 mil trabalhadores americanos que não estão recebendo pagamento e para garantir que sua equipe possa ajudar como necessário, o presidente Trump cancelou a viagem ao Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, em comunicado. O secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, deveria chefiar a delegação de cinco pessoas, que incluía o secretário de Estado, Mike Pompeo, o secretário de Comércio, Wilbur Ross, o representante comercial dos Estados Unidos Robert Lighthizer e o assessor de Trump Chris Liddell. Na semana passada, o próprio presidente já havia anunciado que não participaria do evento em Davos, também usando como justificativa a paralisação parcial que atinge o governo. O Fórum Econômico Mundial ocorre entre 22 e 26 de janeiro e, neste ano, terá como tema principal a globalização na era da quarta revolução industrial, caracterizada por fenômenos como a inteligência artificial, a nanotecnologia e a aceleração da indústria robótica. O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, comparecerá ao evento, em sua primeira viagem internacional desde que tomou posse. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, e os primeiros-ministros da Itália, Giuseppe Conte, e da Espanha, Pedro Sánchez, também têm presença confirmada. Tensão  Nessa quinta-feira, Trump negou à presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, o uso de aeronave oficial para uma viagem ao exterior. “À luz dos 800 mil trabalhadores americanos que não recebem pagamento, tenho certeza que você concordaria que adiar esse evento de relações públicas é totalmente apropriado”, escreveu o presidente em carta à deputada democrata. Pelosi e outros congressistas fariam uma viagem oficial, em um avião militar, para a Bélgica, onde se reuniriam com líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), e para o Afeganistão, onde visitariam tropas americanas. A decisão de Trump foi tomada momentos antes de os parlamentares embarcarem. Um porta-voz de Pelosi informou que a viagem à Bélgica pretendia “afirmar o compromisso dos Estados Unidos com a Otan”, aliança militar que é alvo frequente das críticas do presidente. Já a visita ao Afeganistão visava a obter “informações críticas de inteligência e segurança nacional dos que estão na linha de frente”. O porta-voz, inclusive, lembrou uma viagem que Trump fez ao Iraque em 26 de dezembro, pouco depois do início da paralisação do governo. Alguns viram a decisão do líder republicano como uma retaliação a Pelosi, que na véspera pedira ao presidente que adiasse seu tradicional discurso sobre o Estado da União, previsto para 29 de janeiro, até que a paralisação do governo seja resolvida. Governo paralisado Em 22 de dezembro, o governo americano deu início ao fechamento de cerca de um quarto de seus serviços, depois de republicanos e democratas não terem chegado a um acordo orçamentário no Congresso sobre as exigências de Trump para o financiamento de um controverso muro na fronteira com o México. Embora dias antes os parlamentares tivessem concordado com um orçamento, o presidente se negou a assiná-lo, uma vez que o documento não incluía os mais de US$ 5 bilhões que ele havia exigido para a construção do muro, levando assim à atual paralisação. O shutdown atinge agências de dez departamentos do governo federal, incluindo Transporte e Justiça, assim como dezenas de parques nacionais. Além disso, afeta cerca de 800 mil dos 2,1 milhões de funcionários do governo, que pararam de receber seus salários. Deles, 420 mil têm que comparecer ao trabalho, em serviços considerados “essenciais”, enquanto o restante permanece em casa. (ABr)
18/01/2019

Regime de Maduro constitui um mecanismo de crime organizado, diz Itamaraty

Governo ilegítimo

Regime de Maduro constitui um mecanismo de crime organizado, diz Itamaraty

Líderes venezuelanos vieram ao Brasil pedir apoio ao governo brasileiro contra Nicolás Maduro

O Itamarty divulgou nesta quinta (17) uma nota em que afirma que o regime do ditador venezuelano Nicolás Maduro “constitui um mecanismo de crime organizado”. O comunicado declara ainda que “está baseado na corrupção generalizada, no narcotráfico, no tráfico de pessoas, na lavagem de dinheiro e no terrorismo”. O comunicado foi feito após o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, se reunir com forças políticas democráticas venezuelanas, que vieram ao país em busca de apoio do governo brasileiro contra o regime do ditador. Na reunião, autoridades brasileiras e venezuelanas discutiram sobre a ilegitimidade do segundo mandato de Nicolás Maduro e a intenção do presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, assumir temporariamente a presidência do país. No último domingo (13), Guaidó chegou a ser detido pelo regime de Maduro, sendo liberado momentos depois. De acordo com a nota, o encontro “teve igualmente por objetivo discutir ideias de ação concreta para restabelecer a democracia na Venezuela”. Segundo o governo, “o Brasil tudo fará para ajudar o povo venezuelano a voltar a viver em liberdade e a superar a catástrofe humanitária que hoje atravessa”. Estiveram presentes autoridades como o Presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela; o representante do Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA); e representantes de países do Grupo de Lima — formado pelo Brasil e mais 13 países — e dos Estados Unidos. Lideranças venezuelanas afirmam que 300 mil pessoas no país correm risco de morrer de fome e que o déficit de medicamentos é de 85%. Mais de 11 mil recém-nascidos perdem a vida anualmente por falta de atendimento primário pós-natal. Segundo eles, “se trata de um genocídio silencioso”. Nesta terça (15), o Parlamento venezuelano aprovou um acordo em que autoriza a entrada de ajuda humanitária no país para que medidas como o envio de vacinas para epidemias de sarampo, difteria e malária possam ser amenizadas. Mensagem do presidente O presidente Jair Bolsonaro (PSL) também recebeu o presidente do Tribunal Supremo de Justiça venezuelano no exílio, Miguel Ángel Martín, e o representante da OEA Gustavo Cinosi. Em um vídeo divulgado pelo Palácio do Planalto, Bolsonaro afirma que fará de tudo para restabelecer a democracia na Venezuela. “Sabemos como esse desgoverno chegou ao poder, inclusive com ajuda de presidentes que o Brasil já teve, como Lula e Dilma, e isso nos torna responsáveis pela situação que vocês se encontram, em parte”, afirmou o presidente brasileiro. Representante da OEA, Gustavo Cinosi afirmou que Bolsonaro e o ministro Ernesto Araújo expressam “com contundência” o apoio ao fim do regime de Nicolás Maduro. Já Martín declarou que assim que a Venezuela for “recuperada”, o país seguirá “na luta para resgatar todos e cada um dos países que têm problemas em sua democracia”.
17/01/2019

Crise na Venezuela é tema de reunião em Brasília conduzida por Araújo

Portas fechadas

Crise na Venezuela é tema de reunião em Brasília conduzida por Araújo

Em discussão, alternativas para a crise política e econômica que se instalou na Venezuela

A reunião coordenada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, no Itamaraty, com oposicionistas e críticos do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, além de representantes de países do Grupo de Lima e dos Estados Unidos, durou cerca de seis horas. Após o encontro, eles almoçaram. A conversa, a portas fechadas, ocorreu no dia seguinte ao encontro dos presidentes Jair Bolsonaro e da Argentina, Mauricio Macri. Em discussão, alternativas para a crise política e econômica que se instalou na Venezuela, gerando desabastecimento, fuga de famílias e denúncias de violação de direitos. Para líderes internacionais, o governo de Maduro não tem legitimidade, pois há dúvidas sobre a lisura do processo eleitoral. Em declaração à imprensa após a reunião de ontem (16) com Bolsonaro, no Palácio do Planalto, Macri disse que os governos brasileiro e argentino compartilham preocupação com a situação dos venezuelanos. De acordo com Macri, Bolsonaro e eles reafirmaram a condenação ao que chamaram de “ditadura de Nicolás Maduro”. “A comunidade internacional já se deu conta: Maduro é um ditador que busca se perpetuar no poder com eleições fictícias, encarcerando opositores e levando os venezuelanos a uma situação desesperadora”, afirmou Macri. “Reiteramos que reconhecemos a Assembleia Nacional como a única instituição legítima na Venezuela, eleita democraticamente pelo povo venezuelano”, completou o presidente argentino. Parlamento Há dois dias, a Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela aprovou um acordo, classificado de histórico pelos parlamentares, em que é declarada “formalmente a usurpação da Presidência da República” por Nicolás Maduro. A moção estabelece ainda a anulação de “todos os supostos atos emanados do Poder Executivo”. A decisão foi tomada após a prisão e libertação do presidente do Parlamento venezuelano, Juan Guaidó, um dos principais opositores de Maduro. Grupo de Lima No começo do mês, integrantes do Grupo de Lima, com exceção do México, aprovaram uma declaração em defesa da tomada do poder pelo Parlamento da Venezuela, promovendo eleições imediatas e afastando Maduro do governo.