DOENÇA DE LUTZ

Estudantes planejam adaptar diagnóstico para doença fúngica endêmica

Grupo pretende desenvolver projeto nos EUA, em competição de biologia sintética

Estudantes planejam adaptar diagnóstico para doença fúngica endêmica

Parte da equipe iGEM UFMG no evento Jamboré Brasuca, na USP. Foto: Facebook / iGEM UFMG

Pouco conhecida, a Doença de Lutz, ou Paracoccidioidomicose, é uma doença fúngica que provoca lesões nas mucosas, linfonodos, pele e nas glândulas adrenais. É considerada por especialistas a infecção fúngica de maior relevância na América Latina, e o Brasil é um polo endêmico da doença. No entanto, apesar da abrangência, não há um diagnóstico preciso e rápido para a enfermidade, que pode levar até 45 dias para ser detectada.

Para contornar essa dificuldade, grupo de alunos da UFMG pretende adaptar método de diagnóstico do zika vírus para a detecção eficaz da Paracoccidioidomicose. Os estudantes pretendem apresentar a novidade na International Genetically Engineered Machine Competition (iGEM), competição disputada anualmente no Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Boston, nos Estados Unidos.

Como explica Yala Sampaio, gestora do iGEM UFMG, a equipe busca reunir graduandos interessados em participar do concurso. “O iGEM é a maior competição de biologia sintética do mundo, e seu objetivo é prospectar soluções para problemas nas áreas de saúde, meio ambiente e produção de energia”, relata Yala.

Incubadora de protótipos
A ideia de desenvolver um diagnóstico para a Paracoccidioidomicose surgiu em conversas com a professora Raquel Virgínia Rocha Vilela, do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da UFMG. O objetivo é viabilizar um mecanismo de diagnóstico rápido, barato e preciso, capaz de atenuar o quadro endêmico da enfermidade no país.

O grupo recorre ao método Toehold, que já é utilizado para reconhecimento de outras doenças. “Nossa proposta é produzir um sistema biomolecular capaz de identificar o DNA do fungo por meio de uma molécula de RNA. Na presença do fungo, o RNA reagirá induzindo um sinal colorimétrico através de proteínas específicas”, afirma Raquel, lembrando que a competição “funciona como uma espécie de incubadora de protótipos, na qual os participantes terão a oportunidade de desenvolver as propostas submetidas”.

Práticas sociais
Realizada desde 2003, a competição busca estimular soluções para problemas de saúde pública que afligem grandes populações por meio de biologia sintética. Na última edição, foram registrados mais de cinco mil participantes, provenientes de universidades de 44 países.

Para viabilizar a inscrição e o custeio da viagem, os alunos estão arrecadando recursos por meio de campanha on-line. As inscrições encerram-se em 30 de abril, e a competição será realizada de 30 de outubro a 4 de novembro. Segundo Yala Sampaio, a participação da equipe na competição é fundamental para a execução do projeto, que, futuramente, poderá ser incluído no sistema de saúde público.

Campeã em 2015
O grupo iGEM UFMG foi fundado em 2013. A equipe participou da competição no MIT nos anos de 2013 e 2015 e sagrou-se campeã com o melhor projeto em práticas humanas em 2015, com proposta desenvolvida para conscientização dos sintomas da artrite.

A equipe também desenvolve ações para a comunidade, como cursos e palestras. Em março, apresentou o método de diagnóstico no Jamboré Brasuca, evento realizado na Escola de Engenharia de Lorena (EEL), da Universidade de São Paulo (USP), que reuniu equipes iGEM de todo o país.

Participam do projeto, além da professora Raquel Virgínia, os docentes Jadson Cláudio Belchior, do Departamento de Química, do ICEx, e Ana Paula Salles Moura Fernandes, do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da Faculdade de Farmácia. Mais informações estão disponíveis nas redes do iGEM UFMG. (UFMG)

 

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João Paulo Alves
João Paulo Alves
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