Oswaldo Teixeira de Macedo

Difícil de entender

Difícil de entender

Para o sociólogo e geógrafo Demétrio Magnoli, que escreve sempre n’O Globo, o chanceler Ernesto Araújo – que entende que a fé cristã, a família, a liberdade e a grandeza são princípios e valores que devem integrar a diplomacia brasileira – é uma personalidade autoritária que propõe asneiras retóricas.

Para Magnoli, o ministro das Relações Exteriores, que defende a transferência da embaixada do Brasil para Jerusalém – reafirmando nossas relações com Israel, a única democracia do Oriente Médio, um dos mais avançados centros mundiais de ciência e tecnologia, onde estão as mais profundas origens espirituais e materiais da cultura judaico-cristã – e a reaproximação com os Estados Unidos – nosso mais tradicional aliado, parceiro fundamental no processo da industrialização brasileira e formalmente repudiado, desde 1977, por Ernesto Geisel e seu chanceler criptocomunista – é alguém que propõe insanas iniciativas.

Não satisfeito com suas acusações, Demétrio Magnoli considera que Ernesto Araújo “plagia” Celso Amorim, o chanceler petista, insinuando em ambos um viés autoritário.

No entanto, ao reconhecer que “o paralelo entre os dois chanceleres tem limites”, Magnoli admite, implicitamente, que, ao contrário de Ernesto Araújo, Celso Amorim tomou iniciativas sadias e sábias tais como:

– inventar a cúpula América do Sul – Países Árabes (ASPA) formada pela Unasul e a Liga dos Estados Árabes (LEA) para buscar pontos de convergência em temas políticos, comerciais, sociais e culturais de grande importância;

– ir reunir-se com o chanceler turco Ahmet Davutoglu para convocar uma reunião, “o mais rápido possível”, entre o Irã e os maiores poderes mundiais, inclusive os Estados Unidos, para negociar o programa nuclear iraniano e assim “criar uma nova ordem mundial”;

ou

– engendrar com o presidente russo Vladimir Putin e o economista Jim O’Neal, do Goldman Sachs Group Inc., a formação do BRICS, um clube reunindo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, para exercer maior influência geopolítica,

Para finalizar sua esdrúxula comparação, Magnoli afirma que “a política externa de Amorim obedecia a centros de comando claros: Lula e o PT” e que a de Ernesto Araújo “emana de um centro de comando clandestino, constituído por Olavo de Carvalho, Eduardo Bolsonaro e Steve Bannon”.

Três perguntas, Demétrio Magnoli:

  • Desde quando o Lula é centro de comando?
  • Qual a clareza de comando que iluminava a associação do Partido dos Trabalhadores com o Fórum de São Paulo, a obscura cúpula que reunia, na mesma sala, partidos clandestinos e grupos terroristas como as Farc e o Mir chileno?
  • Desde quando ‘centro de comando clandestino’ é formado por pessoas que possuem nome e sobrenome?
Oswaldo Teixeira de Macedo é diplomata.