Ministro da Educação

Weintraub anuncia saída do MEC sem ouvir agradecimentos de Bolsonaro

Situação do ministro da Educação se tornou insustentável e prejudicial para o governo Bolsonaro

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O ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou por volta das 16h desta quinta-feira (18), que vai deixar o comando da pasta nos próximos dias depois de garantir uma transição.

Ao confirmar a saída do ministério, Weintraub elogiou os valores defendidos por Bolsonaro e disse que encerra um ciclo e começa outro. Economista ex-diretor e ex-CEO do Banco Votorantim, Weintraub revelou que recebeu convite para ser diretor do Banco Mundial, convite que foi referendado pelo presidente.

O agora ex-ministro agradeceu o carinho recebido por ele e pela família dos apoiadores. “Eu achava que tinha pouco Weintraub aqui no Brasil, mas eu sinto que vocês fazem parte da minha família e hoje eu acho que tem muitos Weintraubs. Muito Obrigado”, disse.

Após o pedido de demissão, o presidente pediu a palavra, mas não elogiou o ministro demissionário e nem agradece sua participação no governo, como é praxe. Disse que é um momento difícil, mas reiterou que todos os compromissos de campanha continuam de pé. “A confiança você não compra, você adquire”, disse.

Segundo Bolsonaro, todos sabem “o que o Brasil está passando” e que o momento é de confiança. “Jamais deixaremos de lutar por liberdade. Eu faço o que o povo quiser”, concluiu Bolsonaro.

Motivos da saída

A permanência de Weintraub como ministro do governo se tornou insustentável após a revelação do vídeo da reunião onde disse que “por ele” colocaria todos “esses vagabundos” na cadeia, começando pelo STF.

O ex-ministro também é alvo de investigação por racismo depois de um tweet em que acusou a China de se beneficiar economicamente com a pandemia do novo coronavírus.

Para isso, ele usou o Cebolinha, personagem criado por Maurício de Sousa e que troca o R por L nas palavras, fazendo alusão ao sotaque de orientais que aprendem a falar o português.

Weintraub também era alvo de críticas rotineiras de acadêmicos por representar uma visão mais ideológica do governo com relação à Educação.

Futuro do MEC

O nome do substituto não foi informado, mas a opção mais provável é que um funcionário do quadro atual do ministério assuma de modo interino.

O nome do secretário nacional de Alfabetização, Carlos Nadalim, tem sido ventilado como substituto de Weintraub. Nadalim é defensor da educação domiciliar, sem precisar durante um período da escola regular.

Outro que tem ganhado força é Benedito Aguiar, presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Também são avaliados, ainda dentro do MEC, a secretária de Educação Básica, Ilona Becskeházy, e o secretário-executivo Antonio Vogel.