Comorbidades

Vacinação de menores como Guilherme, em Brasília, provoca emoção

Começa finalmente a imunização dos 12 aos 18 com comorbidades

acessibilidade:
A farmacêutica já fez a entrega de 100 milhões de doses previstas no primeiro termo assinado com o governo brasileiro Foto: Geovana Albuquerque

Finalmente foi vacinado nesta quinta-feira (5), em Brasília, o adolescente cujo drama levou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, a autorizar a imunização de menores de 12 aos 18 anos portadores de comorbidades. A aplicação da dose da Pfizer em Guilherme, 17, após longa expectativa, emocionou seus familiares e amigos que compartilhavam a angustiante espera.

Guilherme é portador de uma comorbidade muito rara, a Síndrome de Snyder Robinson, e a família enfrentava o drama de mantê-lo protegido de contágio do coronavírus, até pela dificuldade de o adolescente entender a necessidades, por exemplo, de usar máscara.

Provocada pela Pfizer, a Anvisa, agência reguladora de vigilância sanitária, liberou a aplicação de vacinas desse laboratório em adolescentes a partir dos 12 anos, mas, apesar disso, o Ministério da Saúde não autorizava porque sua prioridade era concluir a meta de imunizar a até setembro toda a população adulta do País.

Guilherme sendo vacinado, sob as vistas do pai-herói.

O pai de Guilherme, empresário Jack Corrêa, uma das pessoas mais queridas de Brasília, iniciou uma luta sem tréguas para que o Ministério da Saúde e seu Programa Nacional de Imunizações (PNI) não persistissem no erro de impedir a vacinação de adolescentes com comorbidades.

Ele chegou a apelar à Justiça, mas o juiz negou seu pedido de autorização para vacinar o filho. Corrêa não conseguia entender: “Se a vacina foi liberada para comorbidades de 18 a 57, porque não pode sê-lo para jovens com comorbidades de 12 a 18?”, perguntava.

Finalmente, a solução

O Diário do Poder revelou o drama da família Corrêa no dia 21 de julho e a reportagem impactou integrantes do governo federal.

O ministro das Relações Exterior, embaixador Carlos França, promoveu um encontro do pai de Guilherme com Queiroga, e logo em seguida o ministro anunciou em seu Twitter a autorização para vacinar todos os adolescentes que, como Guilherme, são portadores de comorbidades.

A tarefa de vacinar esses adolescentes passou aos estados e, no caso do Distrito Federal, estava prevista inicialmente a vacinação apenas de portadores de Síndrome de Down e Autismo. Mas os secretários da Casa Civil, Gustavo Rocha, e da Saúde, Osnei Okumoto, determinaram a ampliação do grupo, para a imediata aplicação de doses da Pfizer também em portadores de síndromes como a de Snyder Robinson, que, rara, afeta uma dezena de pessoas. E Guilherme finalmente exerceu o direito de ser imunizado.

Jack Corrêa vai celebrar feliz a aliviado o Dia dos Pais, no próximo domingo (8).