Ação na área nobre

Conselho de Segurança cobrará da PM apuração de bombas contra torcida, em Maceió

Celebração de título do CSA foi marcada por bombas em avenida de restaurantes na Jatiúca

Conselho de Segurança cobrará da PM apuração de bombas contra torcida, em Maceió

Comemoração de título do CSA no Campeonato Alagoano foi marcada por bombas em região de bares em Maceió. Foto: Reprodução Gazetaweb

O Conselho Estadual de Segurança Pública de Alagoas (Conseg) vai cobrar investigação da Corregedoria Geral da Polícia Militar sobre o tumulto ocorrido na noite desse domingo (21), em Maceió (AL), após a decisão do Campeonato Alagoano 2019, que sagrou o CSA bicampeão do estadual. Torcedores que estavam reunidos em uma avenida que concentra diversos bares no bairro da Jatiúca denunciaram ação truculenta da PM, que atirou bombas e usou spray de pimenta para dispersar a multidão. Mas a corporação alegou que foi preciso agir para manter a ordem pública.

Os torcedores denunciaram que foram agredidos por policiais militares, na localidade onde famílias e algumas autoridades comemoravam tranquilamente o título, na área nobre da capital alagoana. A PM disse ter sido alvo de xingamentos e atingida por pedras e garrafas e, diante disso, agido dentro da legalidade.

A confusão teria começado por causa do som alto na antiga Avenida Amélia Rosa, na Jatiúca.

O presidente em exercício do Conseg, procurador de Justiça Márcio Roberto Tenório, informou à Gazetaweb que vai se reunir com representantes da Polícia Militar para saber o andamento das investigações sobre o tumulto. “Vamos tratar de outros assuntos e dentre os assuntos está incluída essa questão. Vamos buscar que os fatos sejam apurados com todo rigor, sob a supervisão do Conseg”, disse Márcio Roberto.

“Se a Corregedoria não tomar as providências para apurar com isenção os fatos que ocorreram, nós vamos então instaurar um procedimento próprio do Conseg ou então avocar o procedimento que por acaso a polícia já tenha feito. Vamos ouvi-lo e saber quais as providências que foram tomadas. Vamos cobrar investigação rigidez necessária”, explicou o integrante do Conseg.

Veja o momento da ação policial:

‘Que polícia é essa?’

“Nós estávamos curtindo a festa, bem tranquilos, sem briga, sem som. A gente estava cantando, quando a polícia chegou e queria que fôssemos embora e, do nada, os policiais começaram a jogar bombas. Muita gente passando mal. Isso não existe, eles [militares] destruíram nossa comemoração. Tem que ter respeito pela sociedade. Que polícia é essa?”, relatou à Gazetaweb a estudante Letícia, de apenas 16 anos, que chegou a desmaiar com a ação policial.

A empresária e torcedora Isala Mesquita também lamentou a situação. “Estávamos aqui e a polícia chegou, começou a jogar bombas no meio do restaurante, onde tinha muita gente. Queremos saber o motivo disso, porque não tem sentido”.

“A polícia aqui de Alagoas é despreparada demais. Tinham cerca de 40 policiais que saíram dando tiro de forma desnecessária. Não tinha precisão disso. Jogaram bomba até em carro com criança. Por isso que digo que são totalmente despreparados, não sabem lidar com o ego. O policial militar correto vai ter vergonha dessa farda”, disse, revoltado, o advogado Eduardo Moura.

O proprietário de um dos estabelecimentos atingidos, Pedro Tenório, relatou que muita gente entrou nas dependências do restaurante para se proteger. Ele disse ter sofrido um grande prejuízo, já que muitos clientes saíram sem pagar a conta, receosos por conta da suposta ação agressiva das guarnições.

“Foi um absurdo o que a polícia fez. Foi uma falta de preparo danado, porque havia crianças, mulheres. Todo mundo se reúne de forma tradicional e, mais uma vez, a polícia chegou para acabar com a festa, soltando bomba e outras coisas. Infelizmente, algumas condutas da polícia, a gente não entende”, comentou o dono do restaurante.

Leia a nota da PM de Alagoas:

Sobre a ocorrência na Avenida Dr. Antônio Gomes de Barros, na noite desse domingo (21), durante as comemorações da torcida do CSA após conquista do título do Campeonato Alagoano 2019, a Polícia Militar de Alagoas informa que agiu dentro da legalidade após ter sido agredida por alguns torcedores. Conforme foi registrado no Boletim de Ocorrência, foi solicitado que desligassem o som e houve revolta por parte de torcedores, que jogaram pedras, garrafas e outros objetos nos policiais, causando o tumulto. Foi necessário utilizar os meios necessários para dispersar, conter e resguardar os que estavam no local. A PM reitera o compromisso com o cumprimento do dever constitucional em defesa do povo alagoano e sempre agirá para manter a ordem pública.

(Com informações da Gazetaweb)

Redação
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