Candidato único

Chefe do MP de Alagoas deve ser reconduzido e prevê avanço do cerco à corrupção

Alfredo Gaspar disputa pela segunda vez como candidato único e destaca avanços.

Chefe do MP de Alagoas deve ser reconduzido e prevê avanço do cerco à corrupção

Procurador-geral de Justiça Alfredo Gaspar. Foto: Márcio Ferreira/Agência Alagoas

Reconhecido nacionalmente pelo combate à violência e à criminalidade dentro e fora dos gabinetes, o procurador-geral de justiça de Alagoas, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, deve ser reconduzido no próximo dia 30 como candidato único da eleição para chefiar o Ministério Público do Estado de Alagoas (MP/AL) para o biênio 2019/2020. O candidato destacou a contribuição de sua gestão para o combate aos crimes de colarinho branco nos municípios, e disse que o combate à corrupção continuará sendo norte para seu trabalho, porque há muito a ser corrigido.

Presidente do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), que reúne os Gaecos de todos os MPs do Brasil, Alfredo Gaspar destaca como mérito de seu trabalho a criação dos núcleos de combate ao crime, da perícia e da educação, além de criar uma casa de acolhimento de menores desvalidos e de mais de dez frentes de combate ao crime organizado em Alagoas, além do Gaesf, contra a sonegação fiscal, e do núcleo de patrimônio. Tudo isso com o apoio do Colégio de Procuradores de Justiça.

“Todos os promotores e procuradores estão atuando nessas frentes todas. E não podemos registrar nesse momento que o Ministério Público está muito atento ao combate à corrupção. Essa tem sido a frente principal e continuará sendo o nosso norte, porque muita coisa ainda precisa ser corrigida”, declarou Alfredo Gaspar, ao Diário do Poder.

O candidato à reeleição que está afastado do cargo desde 29 de outubro aponta ainda o sucesso das frentes que garantiram o encerramento de 100% dos lixões de Alagoas e o esforço para a criação e funcionamento efetivo dos portais de transparência dos legislativos e dos conselhos municipais de segurança.

No final do prazo de inscrições, somente Alfredo Gaspar formalizou inscrições para o pleito. O ex-procurador geral de Justiça Coaracy Fonseca tentou sem sucesso questionar o prazo de inscrições, mas perdeu em todas instâncias e não conseguiu ingressar na disputa, após divulgação da resolução sobre a eleição no Diário Oficial e no site do MP.

“Em nenhum momento isso me afasta de querer uma disputa com quem quer que seja. O que desejo é que seja sempre uma disputa que não exponha o Ministério Público de forma leviana para a sociedade, já que a instituição está sujeita diariamente a ataques externos”, disse Alfredo Gaspar, sobre o assunto.

Êxito atraiu a política

Até o primeiro semestre, Alfredo Gaspar cogitou abandonar a carreira no Ministério Público de Alagoas, após convites para ser candidato a senador, como uma das maiores ameaças ao projeto de reeleição de Renan Calheiros (MDB-AL). Mas se manteve na instituição, onde terá mais dez anos de atuação, até sua aposentadoria.

Sob a gestão de Alfredo Gaspar desde 2017, o MP de Alagoas intensificou operações contra gestores públicos, processando e condenando e até prendendo prefeitos em flagrante, em operações que contaram com a presença do procurador-geral de Justiça em Alagoas.

Um dos grandes feitos do MP de Alagoas foi convencer o Judiciário a destinar a hospitais públicos cerca de 5 mil tipos de medicamentos apreendidos na deflagração da Operação Placebo, contra a sonegação de R$ 197 milhões em impostos na comercialização de remédios e insumos hospitalares para Alagoas. O volume de 24 carretas de medicamentos começou a ser distribuído sob fiscalização do chefe do MP.

Antes de assumir a chefia do Ministério Público de Alagoas, Alfredo Gaspar foi secretário de segurança pública de Alagoas, no primeiro ano e três meses do governo de Renan Filho (MDB), quando conseguiu uma redução histórica da violência em Alagoas. Mas disse publicamente não aceitar ser adjetivado como ‘cria’ e ‘traidor’ do clã Calheiros, já que afirma ter trabalhado com lealdade àquela gestão e ao povo alagoano.

Em 30 de novembro, promotores e procuradores de justiça alagoanos votarão e, na sequência, ao final do dia, a Comissão Eleitoral anunciará o resultado, que depois será enviado ao governador do estado para a devida nomeação.

Todo o pleito está sendo presidido e organizado por uma comissão nomeada pelo Colégio de Procuradores do Ministério Público de Alagoas.

Davi Soares
Davi Soares
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