FRUTO “HÍBRIDO”

Brasil CT&I

Pesquisa busca cultivar variedades de cana com a parede celular amolecida como a de um mamão
22/03/2019

Pesquisadores avançam no desenvolvimento da “cana papaia”

FRUTO “HÍBRIDO”

Pesquisadores avançam no desenvolvimento da “cana papaia”

Pesquisa busca cultivar variedades de cana com a parede celular amolecida como a de um mamão

Durante o período de amadurecimento do mamão (Carica papaya), as células da parede celular do fruto se separam, tornando o tecido mais amolecido e de fácil digestão. Esse processo permite a disponibilização de conteúdos celulares e facilita a extração do açúcar (sacarose) da fruta ao ser ingerida. Recentemente, constatou-se que a raiz da cana-de-açúcar realiza um processo similar. Durante seu desenvolvimento, as paredes celulares são modificadas e formam-se espaços preenchidos de ar (chamados de aerênquimas) que separam as células. “Os aerênquimas são muito comuns em plantas alagadas, como o arroz, pois favorece a sustentação ou a flutuação na água, a chegada de oxigênio e a retirada de gás carbônico das partes submersas do vegetal”, disse Marcos Buckeridge, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP). Nos últimos anos, Buckeridge e colaboradores têm se dedicado a estudar os genes envolvidos na separação celular na raiz da cana a fim de desenvolver variedades transgênicas da planta que permitam que esse processo ocorra em outras partes, como no colmo, onde se acumulam biomassa e sacarose. Dessa forma, seria possível cultivar variedades de cana com a parede celular amolecida como a de um mamão – a chamada “cana papaia”. E, com isso, facilitar a degradação da parede celular e viabilizar a produção em larga escala de bioetanol de segunda geração (obtido a partir da biomassa). Agora, um grupo de pesquisadores vinculados ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol – um dos INCTs apoiados pela FAPESP em São Paulo em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – deram um importante passo nesse sentido. Eles conseguiram descrever, em parceria com colegas de outras universidades e instituições de pesquisa no Brasil e no exterior, as primeiras sequências de genes envolvidos na separação celular na raiz da cana e elucidar suas funções nesse processo. Os resultados do estudo, foram publicados no Journal of Experimental Botany. “Se conseguirmos promover o efeito de separação da parede celular da raiz no colmo da cana, será possível não só diminuir a quantidade de coquetéis enzimáticos usados hoje para fazer a hidrólise enzimática [degradação e conversão de carboidratos da palha e do bagaço da cana em açúcares capazes de sofrer fermentação] para obter o etanol de segunda geração como também aumentar a extração de sacarose”, disse Buckeridge, que também coordena o INCT do Bioetanol, à Agência FAPESP. Foram sequenciados dois genes considerados essenciais nas etapas iniciais de desenvolvimento do aerênquima na raiz da cana-de-açúcar. O primeiro é o que codifica a proteína RAV (scRAV1), fator de transcrição que controla o envelhecimento das folhas das plantas. O segundo gene é o da endopoligalacturonase (scEPG1), enzima que ataca polissacarídeos (pectinas) que mantêm as células unidas e, dessa forma, realiza a separação celular durante o amadurecimento de frutos e a formação de aerênquima. Devido à alta complexidade do genoma da cana, que possui várias cópias de cada cromossomo e numerosas variantes de cada gene, os dois genes foram sequenciados a partir de 17 clones cromossômicos bacterianos com regiões genômicas correspondentes a de uma variedade de cana, a R570. As sequências dos genes foram comparadas com as do sorgo (Sorghum bicolor), uma vez que essa planta tem um dos genomas mais parecidos com o do cana. Uma sequência semelhante de cada um dos dois genes foi expressa em folhas de tabaco para ensaios de transativação – em que se avalia quais outros genes eles ativam. “O tabaco é uma planta fácil de transformar geneticamente e serve como modelo para demonstrar se mecanismos como esses de fato funcionam”, disse Buckeridge. As análises das regiões genômicas e dos ensaios de transativação demonstraram que o scRAV1 controla a degradação precoce de pectinas durante a formação do aerênquima da raiz da cana. Além disso, que a proteína produzida pelo gene scRAV1 se liga ao promotor do gene scEPG1, reprimindo sua transcrição. “Isso abre a perspectiva de usar biotecnologia para fazer manipulação genética da cana e, com isso, poder aumentar a produção de etanol de segunda geração”, disse Buckeridge. Primeiro passo Os pesquisadores desenvolveram uma variedade de cana com expressão aumentada de scRAV1. Descobriram também um microRNA – molécula reguladora de expressão gênica – capaz de inibir especificamente o scRAV1 e estimular a expressão do scEPG1 em toda a planta. “Estamos começando a ver nessa variedade transformada geneticamente o que parece ser um efeito de amolecimento da parede celular da cana próximo ao que queremos. O colmo de algumas delas, por exemplo, não consegue ficar ereto. Isso pode representar o primeiro passo para chegarmos ao desenvolvimento da cana papaia”, disse Buckeridge. Um vídeo da tomografia da formação do aerênquima na raiz de cana pode ser visto em www.botany.one/2017/11/creative-destruction-death-leads-function. O artigo The control of endopolygalacturonase expression by the sugarcane RAV transcription factor during aerenchyma formation(DOI: 10.1093/jxb/ery362), de Eveline Q. P. Tavares, Amanda P. de Souza, Grayce H. Romim, Adriana Grandis, Anna Plasencia, Jonas W. Gaiarsa, Jacqueline Grima-Pettenat, Nathalia de Setta, Marie-Anne Van Sluys e Marcos S. Buckeridge, pode ser lido noJournal of Experimental Botany em academic.oup.com/jxb/article/70/2/497/5272591?searchresult=1 . (Agência FAPESP)   Leia mais sobre Ciência, Tecnologia e Inovação em BRASIL CTI.
22/03/2019

Gestão eficiente muda café de patamar, conclui estudo

EMPRESAS CAFEEIRAS

Gestão eficiente muda café de patamar, conclui estudo

Estudo avaliou mais de mil empresas cafeeiras em 233 municípios brasileiros

Regiões brasileiras que passaram ou passam por um processo de especialização na produção de café, com nível tecnológico mais elevado e diferenciação em termos de qualidade de grãos e de bebida, apresentam uma gestão mais eficiente e obtêm produtos de melhor qualidade – caso das regiões de Ribeirão Preto, oeste da Bahia e Cerrado mineiro. Esta é a conclusão apresentada pelo economista Adriano Augusto Bliska na dissertação de mestrado “Indicadores de gestão dos arranjos produtivos cafeeiros no Brasil: Uma análise de correspondência múltipla”, orientada pelo professor Gustavo Oliveira Aggio, do Instituto de Economia (IE) da Unicamp. O autor da pesquisa avaliou 1.122 empresas cafeeiras entre 2014 e 2017, em 233 municípios, sendo 795 minifúndios, 236 pequenas, 72 médias e 19 de grande porte. “Em função da crescente diversificação das estratégias competitivas no segmento cafeeiro, decorrentes da instabilidade dos preços do café, bem como da expansão do mercado de cafés especiais, este estudo analisa se a adoção de uma das estratégias genéricas de Porter [Michael Porter, renomado professor da Harvard Business School] por um empresário rural está relacionada com um sistema de gestão eficiente, e se esses resultados são perceptíveis nas principais mesorregiões cafeeiras brasileiras”, justifica Adriano Bliska na dissertação. O professor Gustavo Aggio afirma que é preciso destacar a grande mudança ocorrida no mercado nos anos 1980 e 90, com o fim da interferência estatal na regulação da produção de café. “A liberalização impactou, a princípio, as produções mais vulneráveis, seja de pequenos produtores ou mesmo de grandes empresas que não estavam preparadas para a mudança. Do ponto de vista histórico, se o café chegou a ser o principal produto da pauta produtiva brasileira até antes da metade do século 20, hoje ele não tem a mesma importância. No entanto, o Brasil ainda é o maior produtor mundial, o maior exportador e, também, o maior consumidor – o mercado interno é um diferencial em relação a outros países produtores.” O professor Gustavo Oliveira Aggio, orientador da pesquisa: “Temos instrumentos que analisam custos e as técnicas de melhores práticas”   Dados reunidos na dissertação dão conta de que a produção brasileira corresponde a aproximadamente 32,2% do volume de café produzido mundialmente, vindo depois o Vietnã (19,2%) e a Colômbia (9,4%). “No Brasil, a produção cafeeira ocorre em 190,5 mil propriedades rurais (IBGE, 2006), distribuídas em cerca de 1.500 municípios, sendo que 38% do volume de café são produzidos por agricultores familiares. Atualmente a produção se concentra em Minas Gerais, que responde por 59%, seguido pelos estados do Espírito Santo (17%), São Paulo (12%), Bahia (4%), Rondônia (3%) e Paraná (2%),” destaca o autor. Adriano Bliska lembra que o mercado brasileiro de café sofreu uma forte regulamentação governamental durante décadas, sendo beneficiado por políticas agrícolas específicas quanto a preços e venda. No início dos anos 90, porém, deixou de vigorar o Acordo Internacional do Café (AIC), que garantia preços atrativos e estabilidade da oferta, e extinguiu-se o Instituto Brasileiro de Café (IBC). Estas mudanças, escreve o economista, levaram à desregulamentação do preço e absorção do risco pelos agentes da cadeia produtiva e à falta de coordenação estratégica do setor. O longo período de garantias fez com que a cafeicultura brasileira se especializasse no produto de baixa qualidade; finda a tutela estatal, os produtores depararam-se com um novo cenário caracterizado pelo acirramento da concorrência e queda nos lucros. Segundo Gustavo Aggio, dentro deste processo, empresas cafeeiras buscaram não apenas uma, mas várias estratégias para minimizar os custos, através da melhoria de processos e introduções tecnológicas. “Mais recentemente, empresas vêm procurando aumentar a qualidade do produto, surgindo assim os cafés especiais, vistos pelos consumidores como produtos pelos quais vale a pena pagar mais, oferecendo ao produtor um retorno maior. As estratégias não são exclusivas umas das outras, pois mesmo empresas que produzem um café diferenciado, não se especializaram totalmente nesse produto especial, buscando processos mais eficientes também para elevar o lucro com o chamado café de commodity, mais homogêneo e que as pessoas compram mais pelo preço que pela qualidade. As duas atividades são complementares.” Questionários O autor da dissertação é filho de Flávia Maria de Mello Bliska e Antonio Bliska Júnior, ela do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e ele da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp, que desenvolveram um projeto Fapesp cujo resultado foi um banco de dados gigantesco sobre o grau de gestão da produção nas regiões cafeeiras brasileiras – trabalho destacado pelo Jornal da Unicamp. Foi por meio desta ferramenta, denominada Método de Identificação do Grau de Gestão (MIGG Café), que Adriano Bliska elaborou os 1.122 questionários e obteve o nível de gestão das empresas; outra técnica, a Análise de Correspondência Múltipla (ACM), permitiu extrair e analisar as combinações das variáveis qualitativas. As estratégias competitivas preconizadas por Michael Porter são relativas ao custo (produzir em grande volume para minimizar gastos de todo o processo), diferenciação (opção por investir na imagem e marca de um produto diferenciado) e foco (escolher segmentos ou nichos específicos por meio da diferenciação ou dos custos). “O questionário é bem extenso e traz um número grande de perguntas sobre gestão de resultados, armazenamento, questões técnicas e valorização dos negócios (ética, responsabilidade, certificação). Uma evidência extraída dos questionários é que as empresas que mais pontuaram no índice de gestão foram aquelas que utilizam as estratégias de minimização de custos e de busca de qualidade e diferenciação do seu produto”, informa o professor do IE. O orientador da pesquisa afirma que foi identificado, por exemplo, que as mesorregiões de Ribeirão Preto e do oeste da Bahia são caracterizadas também pela produção de cafés de qualidade diferenciada, inclusive com certificação de origem. “A certificação é importante para que os consumidores construam suas preferências aceitando pagar mais pelo produto, com maior margem para o produtor. Os questionários apontam que essas duas regiões tinham níveis de gestão melhores. Basicamente, podemos reduzir as várias dimensões da pesquisa a duas: a primeira, relacionada à qualidade do produto, processos e eficiência econômica e operacional; e a segunda, referente a liderança, ética, pessoas e resultados.” Aggio, que é professor de teoria econômica, costuma explicar aos alunos que há diversos vetores de boa gestão, podendo a empresa visar a minimização dos custos, maximização dos lucros, o seu crescimento ou mesmo a satisfação pessoal do empresário que ambiciosa produzir um vinho ou café premiado e reconhecido internacionalmente. “Acontece que em economia é preciso ter lucro. Quando ensinamos sobre maximização dos lucros, parece evidente que os gestores têm controle sobre isso, quando, no mundo real, muitos deles sequer conhecem esta informação. Por isso, temos instrumentos que analisam custos e as técnicas de melhores práticas – é a racionalização da gestão, para saber o que está acontecendo na produção.” O docente da Unicamp cita outros vetores importantes, como a relação com funcionários ou fornecedores e a construção da reputação no mercado para que as transações ocorram mais naturalmente. “Tudo isso pode ser mapeado. Foi construído um índice de gestão com pontuação de 1 a 9: entre as notas altas, 19% das empresas consultadas obtiveram a máxima de 9, 16% tiveram 8 e 18% receberam 7 – mais de 50% ficaram na faixa de 7 a 9. Dentre as notas baixas, nenhum teve 1, enquanto 1% recebeu 1 e 4%, nota 3. Uma constatação interessante é que 46% das grandes empresas e 11% dos minifúndios tiveram a nota máxima, havendo, portanto, uma heterogeneidade entre tamanho da empresa e também entre regiões.” Conforme Gustavo Aggio, o índice mostra que no grau mais elevado encontram-se pequenas e médias empresas situadas nas regiões de Ribeirão Preto, que tem tradição em café e em pecuária (considerando a possibilidade de produção conjunta), do Vale do Rio Doce e do extremo oeste baiano. “Existe uma inércia na produção brasileira de café, devido a uma marca construída mundialmente, um bom mercado interno (as pessoas não vão mudar esse hábito de consumo) e, agora, com os cafés especiais, que também podem virar produtos de exportação.” (Jornal da Unicamp)   Leia mais sobre Ciência, Tecnologia e Inovação em BRASIL CTI.
22/03/2019

Pesquisa da USP sobre moradia e participação política busca voluntários

HABITAÇÃO E CIDADANIA

Pesquisa da USP sobre moradia e participação política busca voluntários

Estudo quer entender como as pessoas participam de atividades onde moram

O InCiDir, Laboratório de Estudos sobre Intersubjetividade, Crítica Social e Direitos Humanos do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia (IP) da USP, está conduzindo uma pesquisa no campo da psicologia socioambiental. Com coordenação do professor Gustavo Martineli Massola, a pesquisa falará da relação entre os afetos pelo lugar de moradia e a participação política e comunitária. Os interessados devem preencher o questionário disponível neste link por meio de computadores, tablets ou celulares. A duração estimada para preenchimento é de 20 minutos. O fomulário traz uma série de perguntas sobre as atividades desempenhadas no lugar onde se mora e sobre os sentimentos em relação a esse lugar. É importante ressaltar que a participação de voluntários engloba moradores das diversas cidades do Estado de São Paulo. Não será feita qualquer menção a nomes das pessoas, locais ou episódios que possam servir para identificar o participante, quando houver a finalização e divulgação da pesquisa. O participante não terá nenhuma despesa ou qualquer remuneração por participar do estudo, além de ser livre sua retirada da pesquisa a qualquer momento. O estudo é apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp). As informações relativas à aprovação pelo comitê de ética em pesquisa com seres humanos estão localizadas na primeira página do questionário. (Jornal da USP) Mais informações: e-mail gustavomassola@usp.br   Leia mais sobre Ciência, Tecnologia e Inovação em BRASIL CTI.
22/03/2019

Aplicativo monitora processos que tramitam nas casas legislativas

E-DEMOCRACIA

Aplicativo monitora processos que tramitam nas casas legislativas

Meta é monitorar projetos de lei nas esferas federal, estaduais e municipais

A democracia só é realmente efetiva quando existe a participação do povo em todos os processos políticos. Dessa forma, a sociedade se torna forte, crítica e menos desigual. Mas você já pensou em como a computação, mais especificamente as ferramentas da área de inteligência artificial, podem se tornar aliadas da democracia, contribuindo para aumentar a participação popular? Preocupado com a falta de transparência dos processos que tramitam no Congresso Nacional, o pesquisador Danilo Oliveira criou o Sigalei, uma ferramenta de monitoramento legislativo desenvolvida no início de 2015, na versão de aplicativo. Diante dos desafios que surgiram a partir da criação da iniciativa, o empreendedor decidiu desenvolver um projeto de pesquisa para aperfeiçoar a ferramenta. Resultado: em janeiro, com a apresentação do trabalho Compreendendo e prevendo o processo legislativo via ciência de dados, Oliveira conquistou o título de mestre pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. No início, o app Sigalei tinha algumas limitações e o monitoramento dos projetos era bastante restrito. Apesar disso, a ideia era tão inédita que ganhou o Prêmio Nacional de Inovação (Inovapps) em 2015, uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. O pesquisador imaginou que “se pudesse facilitar o acesso do cidadão à informação, o engajamento político poderia aumentar”, explica. Dessa forma, a ideia inicial era fazer um aplicativo destinado ao cidadão comum. Entretanto, percebeu que o app era utilizado, na maioria das vezes, por pessoas que estavam em Brasília e em São Paulo. Considerando esse público, o nível de engajamento político já era extremamente alto. É por isso que hoje o Sigalei tem como público-alvo os chamados grupos de pressão (empresas, associações, sindicatos, ONGs e instituições), pois é esse segmento que mais precisa acompanhar automaticamente as atividades do poder público, relata. “Para essas pessoas, seria muito mais fácil quando existe um mecanismo em que você pode encontrar todas as informações do seu interesse em um só lugar, sem que você precise entrar em diversos sites para achar o que procura”, explica. Danilo Oliveira (à direita) e seu orientador, o professor Alexandre Delbem (ao centro), após a apresentação da dissertação dia 28 de janeiro, no ICMC – Foto: Arquivo pessoal Então, o app deu origem a uma startup, sediada em São Carlos, que tem como objetivo analisar dados de diversas fontes públicas, de maneira que os grupos de pressão possam fazer um monitoramento automático dos projetos de lei em andamento e influenciar o poder legislativo em nível federal, estadual e municipal. Para isso, um software monitora e interpreta dados de 19 sites legislativos no País entre assembleias estaduais, câmaras municipais, Câmara dos Deputados e Senado Federal. O avanço Para aperfeiçoar o Sigalei, Oliveira desenvolveu um projeto de pesquisa utilizando técnicas estatísticas e de inteligência artificial, em especial da área de aprendizado de máquina, já que era necessário analisar uma grande quantidade de dados. Algoritmos foram empregados para coletar os dados e “aprender” com eles. Assim, o sistema computacional se tornou capaz de selecionar o que é relevante para determinado grupo de pressão, afirma. Dessa forma, o pesquisador conseguiu que a plataforma Sigalei fosse capaz de fazer um prognóstico sobre os projetos de lei. Com base no histórico de outros projetos, que versam sobre temáticas similares, o software identifica a trajetória futura mais provável. “Assim, os grupos de pressão que estão cadastrados no nosso site podem acompanhar quais são os projetos do seu interesse que estão sendo debatidos, como eles podem afetar o grupo e, dependendo do prognóstico, quais estratégias poderiam ser adotadas”, conclui. (ICMC) O Jornal da USP no Ar também conversou com o idealizador da ferramenta, Danilo Oliveira. Ouça a entrevista:   Leia mais sobre Ciência, Tecnologia e Inovação em BRASIL CTI.