Luta por respostas

Alagoas

Rui Palmeira afirma que eleição e fim da era Temer adiaram respostas para o Pinheiro
22/01/2019

Prefeito de Maceió rejeita comício diante da angústia em bairro rachando

Luta por respostas

Prefeito de Maceió rejeita comício diante da angústia em bairro rachando

Rui Palmeira afirma que eleição e fim da era Temer adiaram respostas para o Pinheiro

Enquanto maior parte dos políticos alagoanos ainda ignora ou somente desperta agora o interesse na busca por soluções para as rachaduras e tremores de terra no bairro do Pinheiro, o prefeito de Maceió (AL) Rui Palmeira (PSDB) enxerga oportunismo em parte da classe política, mas prega união da bancada federal pela resolução do problema. Inclusive, já articula com seu rival na política, o governador de Alagoas Renan Filho (MDB), ações conjuntas para pressionar por respostas para a angústia de mais de 20 mil maceioenses da região. Após iniciar sozinho o desafio de desvendar um mistério geológico que ameaça desabrigar quase 500 famílias das áreas de risco, Rui Palmeira obteve a promessa de apoio federal do presidente Jair Bolsonaro. E receberá, na próxima sexta-feira (25), o novo chefe da Defesa Civil Nacional, coronel Alexandre Lucas Alves, em Maceió. Já com agenda marcada para segunda-feira (28), ser recebido pelo ministro do Desenvolvimento Regional Gustavo Canuto. A ambos, pedirá mais esforços e agilidade para a questão, antes da chegada da quadra chuvosa. “Não adianta eu ir para o Pinheiro fazer um comício, se não tenho a solução. A gente não sabe nem o diagnóstico. Então, a gente pede cautela, pede calma. Mas não acho que minha visita ou minha presença vá resolver isso. A gente está aqui de portas abertas, recebemos uma comitiva de moradores de forma muito tranquila, passando a realidade”, disse o prefeito tucano, em um trecho da entrevista concedida ao Diário do Poder no fim da tarde desta segunda-feira (21). Leia a entrevista completa: Pelo menos até dezembro, até a decretação da situação de emergência, o senhor tem agido de certa forma sozinho em busca de soluções para as rachaduras no solo e em imóveis do bairro do Pinheiro. Como foi a trajetória dessa luta até o decreto? Foi o seguinte. Assim que houve a história do tremor e que as fissuras aumentaram lá no Pinheiro, a gente foi buscar especialistas. Inicialmente, vieram alguns técnicos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte; começaram esse estudo. Posteriormente, já vieram os técnicos do DNPM [Departamento Nacional de Produção Mineral, convertido na Agência Nacional de Mineração, ANM, há três meses], que é um órgão do Governo Federal responsável por toda essa parte de solo, e do Serviço Geológico do Brasil [CPRM], com geólogos extremamente competentes. Eles vieram para cá e começaram os estudos. Só que realmente os estudos demandam tempo, já que é algo nunca visto em uma área urbana no Brasil. Esses técnicos começaram esses estudos e, se não me engano em outubro, eles passaram um documento sugerindo a decretação de emergência. Como foram os primeiros contatos com o Governo Federal em busca de solução? Em agosto, a gente começou a solicitar audiências aos ministérios de Integração Nacional e Minas e Energia. Como havia já… No final do governo Temer, período eleitoral, eu senti que os caras foram nos empurrando com a barriga, até que chegou esse documento do DNPM. Quando o pessoal viu que a situação era realmente de gravidade, a gente conseguiu uma agenda lá com o então coordenador da Defesa Civil Nacional. E, naquele momento ficou certa a decretação realmente da emergência, posteriormente convalidada pela Defesa Civil Nacional. Esses estudos vêm sendo feitos há alguns meses. Vários tipos de estudos diferentes. Há técnicos mais uma vez em Maceió trabalhando isso. Eu entendo a angústia das famílias que querem respostas. Mas, infelizmente, a gente não tem ainda essas respostas. Como ter respostas mais rápidas? Então, para isso, na próxima sexta-feira [25] o novo chefe da Defesa Civil Nacional vem a Maceió. E para segunda-feira [28] já consegui uma agenda com o ministro Gustavo Canuto, do Desenvolvimento Regional, para pedir ainda mais esforços, ainda mais agilidade para a gente detectar realmente o que está acontecendo no Pinheiro. Porque, hoje, tudo o que se fala é especulação: Casal, Braskem, instabilidade do próprio terreno ou podem ser vários fatores. Realmente não se sabe. E segunda eu vou lá em Brasília para pedir um esforço maior. Eles têm apoiado, os técnicos estão sempre aqui, mas a gente precisa mesmo é de celeridade. Até porque está chegando a quadra chuvosa e acho que a preocupação aumenta. Quando esta situação do Pinheiro passou a ter uma atenção especial do prefeito? Houve tremores em fevereiro e março de 2018. Na verdade, quando esse documento chegou às minhas mãos, dos primeiros estudos que mostraram realmente que a situação demandava uma decretação de emergência, a partir daí a preocupação aumentou e decretamos emergência, assim que esse documento nos chegou. Até porque, a partir desse decreto convalidado pelo Governo Federal já conseguimos o apoio financeiro para as famílias. Uma espécie de auxílio moradia no valor de R$ 1 mil para as famílias que já saíram das casas. A tendência é de que esse número aumente, porque está chegando na quadra chuvosa e muito provavelmente nós vamos ter que evacuar aproximadamente 490 famílias. Até o momento saíram 80, tem mais 80 para sair e esse primeiro recurso a gente já garantiu. Mas a gente precisava decretar a emergência para ter acesso a esse recurso que não vai resolver, mas vai minimizar o sofrimento dessas famílias lá do Pinheiro. Os órgãos públicos demoraram a atuar nesse caso? Não. Acredito que não. Pelo menos no momento em que a Prefeitura solicitou esse apoio, os recursos vieram de Brasília e começaram os estudos. É porque realmente os estudos demandam tempo. O que aconteceu é um fenômeno praticamente único aqui no país. E no momento em que apresentaram essa documentação e encaminharam aqui para a Prefeitura, a gente já correu para decretar a emergência. Porque a gente tem que estar realmente em estado de atenção. E claro que vamos pedir mais esforços do Ministério do Desenvolvimento Regional e mais celeridade para a gente ter esse diagnóstico o quanto antes. Sobretudo antes da quadra chuvosa, que é um momento que realmente nos preocupa bastante. Vimos a reunião ministerial do presidente Bolsonaro sobre o assunto, no dia 11. A partir daquela reunião, houve mais algum contato diretamente com o presidente ou com seus ministros? No dia da reunião o ministro Gustavo Canuto me ligou. Na semana passada já solicitei essa agenda ao ministro e ao próprio presidente Jair Bolsonaro para levar nossa aflição a respeito desse problema. Conversei por telefone também com o governador Renan Filho e propus que solicitássemos em conjunto essas reuniões para mostrar que… Acho que é um problema tão grave que temos que deixar, claro, questões políticas de lado para buscar realmente um diagnóstico e a possível solução para esse problema. Esse foi seu primeiro contato com o governador para tratar desse assunto? Sim. Foi. Não houve também procura da parte dele? Não! O próprio governador me ligou mostrando a preocupação, a gente se falou duas vezes por telefone, e eu sugeri que nós solicitássemos também essa audiência em conjunto. Já solicitei e está marcada com o ministro Gustavo Canuto, lá em Brasília. A classe política tem somente agora demonstrado maior interesse no caso. A que se deve, na sua avaliação, essa busca da classe política agora, já que o Estado passou por um período de campanha eleitoral onde o interesse poderia ser maior? Acho que agora as pessoas, todo mundo, tem ciência da seriedade e da gravidade desse problema. Acho que, no momento em que o Governo Federal convalida um decreto de um município em relação a um fato que hoje ainda há causas desconhecidas, todo mundo passa a ficar preocupados. Claro que os moradores do Pinheiro que são as vítimas desse problema ficam realmente angustiados, mas a gente sabe que vai também aparecer o oportunismo político. Infelizmente, a gente já vê algumas movimentações que a gente sabe que tem cunho político. E o que tenho buscado é evitar. Não participar de reuniões com esse cunho. Porque acho que é uma coisa tão séria que está afetando a vida de tantas famílias, que a gente tem que buscar é unidade, união. Que a bancada federal realmente nos ajude e o Governo do Estado e Prefeitura de Maceió trabalhem juntos, para a gente buscar uma possível solução para esse problema. Pelas informações com que já teve contato sobre a Braskem e a Casal, o senhor acredita na tese de que podem ter contribuído com isso? É prematuro. Converso muito com os técnicos aqui. Pessoal do DNPM [ANM], que estão sempre por aqui e me passam que pode ser um ou outro [Braskem ou Casal], ambos, excesso de…, uma região que não tem esgotamento sanitário, pode ser também a questão de sumidouros e fossas, podem ser todos esses problemas ocasionando aquilo, ou o próprio terreno da região que pode ter algum tipo de instabilidade. Tudo está sendo discutido e estudado. Nenhum desses fatos foi descartado. Mas a gente não pode afirmar que a culpa é de A, B ou C. É preciso cautela. Acho que todo momento vão surgir as especulações, fake news. E com rede social isso se propaga muito rapidamente. Então, realmente não é fácil para quem está sofrendo isso na pele. Mas é preciso de cautela e calma neste momento, para que os pesquisadores nos tragam um dado oficial, que tenha a chancela dos órgãos federais, dizendo o que realmente está causando aquilo. Para o morador do Pinheiro que ainda reclama da ausência do prefeito no local para discutir isso mais próximo da comunidade, o que o senhor tem a dizer? Olha, recebi aqui uma comitiva com moradores do Pinheiro, há 15 dias. Foram seis representantes da comunidade. A gente tem tentado fazer isso da forma menos política possível. Não adianta eu ir para o Pinheiro fazer um comício, se não tenho a solução. A gente não sabe nem o diagnóstico. Então, a gente pede cautela, pede calma. Mas não acho que minha visita ou minha presença vá resolver isso. A gente está aqui de portas abertas, recebemos uma comitiva de moradores de forma muito tranquila, passando a realidade. As pessoas têm muitas dúvidas se a gente passou o que hoje está acontecendo. E as informações que nós temos demos publicidade. E é preciso ter cautela e aguardar. A gente não pode fazer outra coisa senão aguardar e torcer para que esses técnicos tragam as informações o mais rápido possível para que a gente possa remediar esse problema que é tão sério.
21/01/2019

MP e órgãos federais apuram se a Braskem causou rachaduras em Maceió

Fortes indícios

MP e órgãos federais apuram se a Braskem causou rachaduras em Maceió

Poços de extração da sal-gema podem ter aberto cavernas no subsolo do Pinheiro

O procurador-geral de Justiça Alfredo Gaspar de Mendonça Neto disse que o Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) vai sugerir a suspensão das atividades da Braskem em 31 poços exploração de sal-gema da Braskem no entorno do bairro do Pinheiro, até a conclusão do laudo que investiga as causas do agravamento de rachaduras no solo e em imóveis em Maceió (AL). A declaração ocorreu em visita do chefe do MP a moradores do bairro, no último sábado (19) e mais de 30 minas estão sob investigação técnica de 60 especialistas da Agência Nacional de Mineração (ANM), do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e da Comissão Nacional de Defesa Civil. Os estudos que incluem entre as suspeitas a Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) devem ser ampliados para outras áreas de Maceió para que haja um diagnóstico amplo sobre os tremores e problemas geológicos que causam danos graves ao bairro do Pinheiro e levaram 20 mil maceioenses a conviver com a insegurança, após cerca de 200 famílias abandonarem seus imóveis com medo de novos tremores como os ocorridos em fevereiro e março de 2018. Para saber o que houve no bairro e ajuizar eventuais ações contra possíveis culpados pelos prejuízos de proprietários de imóveis na região, o MPAL inicia amanhã (22) uma série de encontros para que não deixar impunes possíveis responsáveis por arcar com os danos, caso a área seja condenada. As reuniões acontecem depois de o órgão ministerial alagoano decretar sigilo na apuração do caso, antes de remetê-lo ao Ministério Público Federal (MPF), por envolver a atividade de mineração entre as suspeitas. O procurador-geral de justiça fará nesta terça (22) uma reunião com promotores de justiça e uma equipe técnica da Braskem para debater o fenômeno no bairro do Pinheiro. O chefe do MPAL também marcou para quinta-feira (24) um encontro com a Prefeitura de Maceió e ainda discutirá o tema com o Conselho Superior do Ministério Público. “Após essas reuniões, será designada uma força tarefa de promotores, sob a presidência de um procurador de justiça, para acompanhar o caso e decidir quais procedimentos devem ser adotados”, disse a assessoria de imprensa do MPAL ao Diário do Poder. Cautela O diretor-geral substituto da ANM, Tasso Mendonça, confirmou na última semana que a Braskem suspendeu em julho de 2018 a exploração dos três poços localizados no bairro do Pinheiro, por causa dos tremores e rachaduras. Técnicos trabalham com base em hipóteses como a exploração nas minas de sal-gema da Braskem; o esvaziamento do aquífero por exploração desordenada em poços; vazamento na rede de saneamento e abastecimento de água no bairro fiscalizados e operados pela Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal); e o somatório de causas geológicas que teriam começado na década de 70 com a ocupação urbana daquele bairro. Testes de especialistas em Geociências tentam entender o que está ocorrendo no subsolo. Mas em entrevista ao jornal Gazeta de Alagoas, o diretor da ANM foi cauteloso sobre diagnósticos, enquanto as pesquisas avaliam as condições dos poços da Casal, das minas ativas e inativas da Braskem localizadas entre a Lagoa Mundaú e os bairros do Mutange, Pinheiro e Bebedouro; e a situação geológica do bairro. “Existem indicativos muito forte sobre algumas causas, mas não temos ainda um diagnóstico definitivo”, afirmou. O jornalista Arnaldo Ferreira apurou que cinco minas que ficavam próximo ao Pinheiro estão desativadas, há 32 minas lacradas e apenas três operam no bairro do Mutange. A Casal tem 80 poços artesianos localizados na Grande Maceió. E cerca de 15 empresas particulares têm licença para explorar poços na cidade. A exploração ocorre de forma descontrolada e a Casal reclama de prejuízos para a companhia. A reportagem da Gazeta de Alagoas relata que a empresária Socorro Buarque tenta há um ano manter sua casa em pé com obras paliativas de “amarração” da estrutura. O imóvel fica na rua jornalista Augusto Vaz Filho e está com o chão afundando e rachaduras por todos os lados. Ela e o marido Rodolfo Farias não querem sair, mas mandaram o filho para casa de parentes. O jornalista Herivaldo Ataíde só não se mudou ainda porque não tem como pagar aluguel. Todos esperam a conclusão dos estudos técnicos para cobrar indenizações dos prejuízos. Causa natural ou provocada Estudos coordenados pelo engenheiro civil Abel Galindo Marques, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), avaliaram, no ano passado, a situação geológica do bairro do Pinheiro. E o relatório aponta a extração de sal-gema como um dos fatores que podem ter causado ou contribuído para as fissuras que estão atingido áreas públicas e imóveis da região. Segundo o especialista, tanto a atuação da Braskem como da Casal em um bairro entrecortado por uma falha geológica podem ter aberto cavernas no subsolo, que podem não ter sido preenchidas após a retirada dos líquidos e desestabilizado o terreno. Mas o próprio Abel Galindo lembra que há, no subsolo do Pinheiro, uma espécie de laje estrutural formada por uma camada de mais de 300 metros de arenito e/ou conglomerados consolidados. Veja a localização das áreas de exploração sal-gema e água e seus possíveis efeitos no solo:               Braskem se defende A Braskem tem negado ter causado problemas geológicos no bairro do Pinheiro e afirma que contribui buscando “as reais causas do fenômeno”, com estudos e repasse de informações para as autoridades. Veja a nota publicada pela multinacional subsidiária da Odebrecht: A Braskem realiza atividades de mineração em Alagoas desde 1975. Estas atividades são precedidas de minuciosos exames geológicos e geomecânicos das áreas exploradas. Todo acompanhamento do processo de extração é realizado por Engenheiros de Minas e Técnicos da empresa, utilizando a mais moderna tecnologia do setor. Ao longo do período de extração, a Braskem monitora e realiza estudos de acompanhamento com empresas e consultores especializados e de renome internacional, seguindo todas as normas técnicas e legais nacionais e internacionais referentes a este tipo de operação. Todo este permanente trabalho de monitoramento ao longo dos anos permite afirmar, até o momento, que não há qualquer relação entre as atividades de mineração e as ocorrências observadas na região do Pinheiro. Vale ressaltar que a empresa não possui poços em operação neste bairro. A Braskem tem prestado todos os esclarecimentos aos órgãos de fiscalização e controle e tem apoiado com estudos e ações adicionais a investigação das causas do ocorrido. A empresa tem estabelecido canais de comunicação com a comunidade, com a imprensa e com outras entidades da sociedade civil organizada para participar da solução dos problemas. A Braskem reafirma seu compromisso com a segurança, a sustentabilidade e com uma atuação empresarial responsável.
21/01/2019

Acusado de rombo de R$ 213,2 milhões no Rio repete prática em Alagoas, alerta Gaesf

Sefaz de Renan Filho

Acusado de rombo de R$ 213,2 milhões no Rio repete prática em Alagoas, alerta Gaesf

Chefe do Gaesf do Rio acusa titular da Sefaz de Alagoas de favorecer empresas ilegalmente

Denunciado à Justiça do Estado do Rio de Janeiro com mais três réus acusados de causar um dano de R$213,2 milhões aos cofres fluminenses, o secretário da Fazenda do Estado de Alagoas George André Palermo Santoro é acusado de ter ingressado no governo de Renan Filho (MDB) para repetir as práticas flagradas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), entre 2013 e 2015, nos governos dos ex-governadores presidiários Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão. A acusação foi feita pelo coordenador do Grupo de Atuações Especializadas no Combate à Sonegação Fiscal (Gaesf) do MPRJ, o promotor de Justiça Vinicius Leal Cavalleiro. Para o integrante do MPRJ, Santoro estaria repetindo o esquema de liberação de usufruto irregular de benefícios fiscais sobre o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), concedidos à época em que o agora integrante do governo de Renan Filho (MDB) foi subsecretário da Receita da Secretaria da Fazenda do Estado do Rio de Janeiro. As declarações de Cavalleiro foram dadas ao jornalista Carlos Nealdo e publicadas na edição deste fim de semana do jornal Gazeta de Alagoas. “Às vezes a gente fica aqui bradando umas informações e dizem: ‘Ah, esse cara é doido’, quando na verdade isso é um tipo de coisa que acontece em qualquer lugar. [George Santoro] está indo praí [para Alagoas] fazendo a mesma coisa que ele fazia aqui [no Rio]”, disse o promotor Cavalleiro. A Portaria nº 76, editada por George Santoro em 16 de outubro de 2014 beneficiou a Zamboni Comercial Ltda, acusada pelo MPRJ de usufruto irregular de benefícios fiscais de ICMS que somam R$ 213,2 milhões. E o Gaesf também investiga se a empresa Ramos e Veiga Comercial Ltda foi beneficiada pela mesma portaria, quando era subsecretário da Receita da Secretaria de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro. Também houve o benefício para outras 75 empresas alvos de suspeitas de terem sido beneficiadas irregularmente pela mesma portaria, mas sem investigação conclusiva a esse respeito. ‘Olhos fechados’ Além de Santoro, a Zamboni Comercial, a Associação de Atacadistas Distribuidores do Estado do Rio de Janeiro (Aderj) e Guillermo Gutierrez Hernández foram denunciados na Justiça do Rio de Janeiro por improbidade administrativa e danos ao erário, em ação civil pública que tramita na 16ª Vara de Fazenda Pública do Rio desde 18 de junho de 2018. Nela, o MP pede a imediata suspensão dos benefícios fiscais até o trânsito em julgado da ação, além da quebra do sigilo fiscal e a indisponibilidade dos bens dos quatro denunciados até o limite dos R$ 213,3 milhões, para garantir um eventual ressarcimento ao erário. “O Santoro foi chefe de uma pasta que autorizava todas esses benefícios fiscais do Rio. No caso específico da Zamboni, ele não só contribuiu para que houvesse o benefício, como fez força para que ele acontecesse. Ele foi lá, despachou in loco, fez o processo andar, negociou, se esforçou um pouco mais que o comum do que se espera de um secretário de Receita numa situação como essa”, afirma Vinicius Cavalleiro, ao complementar “Santoro não só fechou os olhos [para esse problema] como fez questão de fechar os olhos”. O Gaesf afirma que as investigações contra a Ramos e Veiga Comercial Ltda já deveriam ter sido concluídas, mas atrasaram porque a Secretaria de Fazenda do Rio vem se negando a prestar informações fiscais sobre a empresa. E o Gaesf ingressou com um mandado de segurança na Justiça do Rio para agilizar as apurações, em novembro do ano passado. Obtendo liminar no último dia 14, em que foi estabelecido prazo de dez dias para a Sefaz fornecer as informações requisitadas, a cópia do processo administrativo. “Aquela portaria [editada por George Santoro] parte de uma premissa equivocada: a de que, na dúvida, se concede o benefício, quando na verdade o que ela atribuiu foi a possibilidade das empresas se autodeclararem quanto passíveis daquele recurso, quando era ele [Santoro] que tinha que analisar se ela tinha condições ou não”, enfatiza Vinicius Cavalleiro, na entrevista à Gazeta de Alagoas. A denúncia aponta que a portaria de George Santoro atribuiu a responsabilidade de verificar as condições mínimas de funcionamento de determinado estabelecimento à Associação de Atacadistas Distribuidores do Estado do Rio de Janeiro (Aderj), quando, por lei, essa fiscalização compete à Secretaria da Fazenda. E o promotor de Justiça disse acreditar que o volume de dinheiro envolvido no esquema explicaria o interesse de George Santoro em conceder os benefícios fiscais. “São empresas de médio e grande portes do Rio de Janeiro em que ele atribui a possibilidade de reduzir muito a carga tributária. A gente está falando de uma queda de 19% para 12% no ICMS dessas empresas. Isso faz com que a empresa produza muita riqueza”, completa. O secretário da Fazenda de Alagoas e sua assessoria não atenderam às nossas solicitações de posicionamento feitas pela Gazeta de Alagoas. Mas George Santoro publicou nota na edição de 29 de dezembro do ano passado, dizendo reconhecer a Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público  do Rio de Janeiro e atribuindo a citação de seu nome em referência a uma decisão técnica específica. “Todos os esclarecimentos iniciais já foram encaminhados às  instâncias devidas, mesmo antes de sua ciência formal, com a confiança de que  a Justiça avaliará o caso com o necessário rigor”, justificou. (Com informações da Gazeta de Alagoas)
20/01/2019

Projeções do edifício de luxo de Renan protesta contra sua candidatura à presidência do Senado

#ForaRenan

Projeções do edifício de luxo de Renan protesta contra sua candidatura à presidência do Senado

Manifestantes lembraram os casos de corrupção do senador enrolado

A residência de Renan Calheiros (MDB-AL), em Maceió, foi alvo de mais um ato contra a sua candidatura para presidir o Senado Federal, na noite deste sábado (19). Grupos de movimentos sociais projetaram na fachada do prédio de luxo, uma lista com os escândalos de corrupção dos quais o senador é acusado, e pediram investigações. Entre os escândalos, não deixaram de citar o da Transpetro, subsidiária da Petrobras,  cujo ex-presidente Sérgio Machado, fez acordo de delação e cumpre pena. Renan manteve Machado na presidência da Transpetro durante todos os anos dos governos do PT (Lula e Dilma). O senador mesmo sendo alvo de dezenas de processos, no Supremo Tribunal Federal tramitam oito processos contra ele, é apontado como favorito para presidir o Senado Federal. Ele ainda não admitiu oficialmente que está concorrendo ao pleito, até porque a definição dos candidatos pelos partidos, só vai ocorrer em 31 de janeiro. Mas desde o final do ano passado, várias ações de iniciativa popular, como os abaixo-assinados na internet pedem que ele não seja eleito para comandar o Senado. Em dezembro, até Janaína Paschoal aderiu a campanha, que hoje conta com mais de 200 mil assinaturas contra a candidatura de Renan. Renan já foi presidente do Senado Federal por quatro vezes. Em 2007 chegou a renunciar à presidência, para evitar a cassação de seu mandado, na época ele foi acusado de ter despesas de um relacionamento extraconjugal, com a jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha, pagas por lobistas da construtura Mendes Júnior. Atos contra Renan Neste domingo, vão ocorrer manifestação contra a candidatura e eleição de Renan Calheiros a presidência do Senado, em cidade como Brasília, na Esplanada dos Ministérios, e na Avenida Paulista em São Paulo. Os atos são coordenados pelos movimentos: Nas Ruas, Vem Pra Rua, Avança Brasil e Patriotas, e estão sendo organizados pelas redes sociais.