Eleições Argentina 2023

Em 1º debate, candidatos discutem crise econômica da Argentina

Faltando 20 dias do 1º turno das eleições, debate teve como discussão: fechar o Banco Central, trocar a moeda do país para o dólar, promessas ao combate da inflação e ditadura

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Em 1º debate para as eleições da presidencia da Argentina, candidatos debate avivadamente crise economica do país. (Foto: Reprodução/redes sociais).

O 1º debate entre os candidatos para a Presidência da Argentina, teve como foco a situação econômica do País. Surgiram pontos como fechar o Banco Central, trocar a moeda para o dólar, promessas ao combate da inflação e ditadura. O debate foi realizado neste último domingo (01), faltando 20 dias do 1º turno das eleições. 

Os candidatos Javier Milei, Sergio Massa, Patricia Bullrich, Juan Schiaretti e Myriam Bregman disputam a cadeira de liderança do executivo. 

Durante o debate, o candidato e atual ministro da Economia, pela coalizão centro-esquerda, União pela Pátria, Sergio Massa foi alvo das críticas dos demais aspirantes a presidente devido à crise que o país enfrenta, com um índice de pobreza que supera 40% da população.  

“A Argentina está em decadência. Se continuarmos assim, em 50 anos seremos a maior favela do mundo”, afirmou o candidato libertário de extrema-direita Javier Milei, líder das pesquisas eleitorais, tornando-se o favorito dos argentinos. 

Em resposta, Sergio Massa pede desculpas pela atual gestão presidencial que causou danos aos argentinos, mesmo não tendo feito parte.  “Eu tenho claro que a inflação é um problema enorme na Argentina. Também tenho claro que os erros deste governo causaram danos às pessoas”, afirmou Massa. “E por isso, embora eu não fosse parte [da atual gestão] até assumir como ministro da Economia [em agosto de 2022], peço desculpas”, destacou Massa. 

Além de Milei, a candidata Patricia Bullrich também criticou a atuação de Sergio Massa no ministro da Economia do país. Patricia culpou o Massa pelo “desastre econômico” e pediu-lhe que explicasse “como sendo o pior Ministro da Economia” poderia se tornar “o melhor presidente” para o país latino-americano. Juan Schiaretti questionou se a vida da população “melhorou” desde que Massa assumiu a pasta.   

O candidato Javier Milei liderou 31,1% das primárias obrigatórias, que é uma espécie de pesquisa eleitoral com a opinião popular. Milei em aspecto político ideológico tem a tendência de extrema direita, porém na Economia traz ideias liberais. Javier Milei defende fechar o Banco Central da Argentina e dar um fim na moeda peso e substituí-la pelo dólar norte-americano. 

Milei se autodenomina “anarcocapitalista” e “libertário”, ou seja, o candidato é contra a interferência do Estado na sociedade, a favor do sistema de livre mercado, afirma querer acabar com o sistema de “castas” que assola o país e diz que seu programa será uma “motosserra” para cortar gastos públicos. 

O candidato declarou que “a Argentina começou o século 20 sendo o país mais rico do mundo” , posição que foi perdendo ao longo dos anos por causa do “modelo de castas” vigente. “Propomos reformar o Estado, baixar drasticamente a despesa pública, reduzir impostos, fazer privatizações para se livrar das desastrosas empresas estatais, abrir a economia e fechar o Banco Central”, afirma. 

De acordo com Milei, essas reformas no Estado que o mesmo propõe em “15 anos, a Argentina poderá atingir níveis de vida semelhantes aos da Itália ou da França”  e afirma que se derem 20 anos, alcançam a Alemanha e se derem 35 anos, atingem os Estados Unidos. 

As propostas de Milei foram atacadas pela candidata Myriam Bregman, que disse que Javier Miliei “não é um leão” mas sim “um gatinho mimado do poder econômico”

Outro tema discutido, foi sobre os direitos humanos. Javier Milei questionou o número de desaparecidos da ditadura argentina. “Não foram 30.000 desaparecidos, foram 8.753”, disse. 

Segundo o Registro Unificado de Vítimas do Terrorismo do Estado o número atual de mortos e desaparecidos durante a ditadura na Argentina, no último relatorio de 2015, é de 8.631, mas o texto reconhece que o valor é subestimado. 

A candidata Bullrich aproveitou o tema para se defender de ativismo político na década de 1970. “Eles (adversários da candidata) me chamam de violenta. Mas eu não sou. Eu fazia parte de uma organização de jovens (Montoneros)”, afirma. “E sempre disse isso. Digo isso aqui diante de milhões de argentinos. A mesma coisa aconteceu com líderes, como o Mandela e o Mujica, que eram líderes de seus países”, completou. 

Também foi debatido educação e convivência democrática, mas sem intensidade, de acordo com a imprensa argentina, comparada a discussão sobre a economia.

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