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ANCESTRAIS INDÍGENAS

Urna funerária indígena de mil anos é encontrada na Serra da Barriga

Artefato cerâmico para sepultar índios precedeu Quilombo, em AL

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Quartel general do Quilombo dos Palmares, em Alagoas, a Serra da Barriga é símbolo da resistência contra a escravidão do povo negro, há cerca de 300 anos, mas deu provas, nesta sexta-feira (6), de que foi reduto importante de ancestrais brasileiros, no último milênio, com a descoberta de uma urna funerária indígena de aproximadamente mil anos de idade, por pesquisadores, em suas terras tombadas como patrimônio cultural do Mercosul, em União dos Palmares (AL).

O arqueólogo Scott Joseph Allen, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e responsável por comandar os estudos no local, explicou ao site Gazetaweb que a urna encontrada é um vasilhame de cerâmica que alguns grupos indígenas utilizavam para enterrar seus mortos, onde realizavam os rituais deles, ou colocando o corpo primariamente na urna ou fazendo algum tratamento antes, com um aterramento secundário.

Scott lembra que os achados são comuns no Brasil e que a urna palmarina é uma de cerca de dez já encontradas pela equipe de profissionais de Arqueologia composta por graduados, mestres e doutorandos. O grupo atua em conjunto com o Núcleo de Ensino e Pesquisa Arqueológica da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), ligado ao Museu de História Natural e ao Centro de Arqueologia Palmarina, instalado em União dos Palmares, em 2009.

“Essas urnas não são incomuns e também várias outras culturas enterravam em urnas diferentes, com formas diferentes. Os Tupinambás, por exemplo, usavam urnas mais decoradas. Essas são mais simples, porém, muito bem feitas. Temos delas no Brasil inteiro, mas a datação varia bastante. Em Alagoas, pelos estudos que conheço, já foram encontradas datações de dois mil anos até 700 anos atrás”, disse Scott Joseph Allen.

As pesquisas na Serra da Barriga começaram em 1996. E as novas escavações foram motivadas pelas obras de acesso ao parque memorial, iniciadas este mês. E também são exigências do Mercosul e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

“Quando chegamos falei para as pessoas que vão fazer a estrada e também para a equipe que encontraríamos algo e achamos essa urna funerária da tradição arqueológica Aratu. Estamos com uma oportunidade imensa de nos aprofundarmos sobre esse sítio arqueológico”, ressaltou o arqueólogo, ao explicar que a população pré-colonial da Serra da Barriga vivia em aldeia a céu aberto, em grandes ocas e com a presença de praças centrais, entre as quais foram encontradas as urnas.

As escavações com “caráter de resgate” seguem até meados de junho, também em outras duas áreas da serra, onde foram encontrados pisos de uma ou duas velhas ocas indígenas de aproximadamente 900 anos. (Com informações da Gazetaweb)