Taxação fora do palanque

Rodrigo Cunha: Jamais vetaria taxa das blusinhas com fins eleitoreiros

Senador que derrubou jabuti que taxaria compras internacionais nega ter sido convidado para ser vice do prefeito JHC em Maceió

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JHC (PSB-AL) e o senador Rodrigo Cunha (PSDB-AL) em campanha em 2018. Foto: Divulgação/Arquivo

O senador Rodrigo Cunha (Podemos-AL) foi acusado de contrariar interesses eleitorais do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) em Alagoas, ao decidir excluir de seu relatório de projeto de lei um “jabuti” enviado ao Senado para fixar em 20% a taxação de compras internacionais acima de US$ 50. Rodrigo disputa com uma prima de Lira, Jó Pereira, a vaga de vice na chapa de reeleição do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o “JHC” (PL). Mas garantiu ao Diário do Poder, nesta quarta (5), que jamais vetaria a chamada “taxa das blusinhas” com finalidade eleitoreira.

O principal argumento de Rodrigo Cunha para descartar ter medido forças com Lira na aliança comum com JHC é sua negativa de ter sido convidado para ser candidato a vice na capital alagoana, ou sequer conversado com o prefeito sobre se aceita ou não tal possibilidade de trocar dois anos de seu mandato na cúpula do Congresso Nacional, pelo papel coadjuvante na administração de Maceió.

“Eu não conversei com o prefeito JHC para aceitar ou não aceitar. Não teve esse convite como noticiaram que teve. Essa situação do PL da Blusinha, você me conhece, e nunca fui a favor de aumento de impostos. Sempre me posicionei contra. […] Jamais iria me permitir usar uma questão nacional para atingir algum fim eleitoreiro em Alagoas. Esta é a minha verdade”, garantiu Rodrigo Cunha, ao Diário do Poder.

Os rumores de que a indicação do senador para ser vice da chapa de reeleição do prefeito de Maceió surgiram com a informação de que JHC comunicou a Lira tal decisão, no mesmo dia em que Rodrigo Cunha divulgou que vetaria o “jabuti da taxa das blusinhas”. Eventual escolha representa um racha do presidente da Câmara na aliança com os dois líderes políticos alagoanos, porque Arthur Lira estaria esperando que a vice de JHC fosse a sua prima e secretária de Educação de Maceió, Jó Pereira.

A crise levou JHC a publicar e suas redes sociais fotos com Lira e a seguinte mensagem, incluída também nos perfis do presidente da Câmara: “Tenho uma relação de imenso respeito e amizade pelo presidente Arthur Lira. Sei o quanto ele tem sido parceiro de Maceió, que melhora a cada dia. As conversas políticas são fundamentais para a consolidação da maior e melhor aliança política de Alagoas. O diálogo amistoso continua. As decisões políticas serão anunciadas no momento correto”, disse o prefeito.

 

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Acaso, no vácuo do PT

O enxerto que foi tratado por Rodrigo Cunha como uma “artimanha legislativa da Câmara” foi inserido no projeto aprovado na semana passada pelos deputados. Mas o foco central da matéria é o Programa Mobilidade Verde (Mover), do governo de Lula (PT), que prevê investir até R$ 20 bilhões na transição do setor automotivo para o uso de energia limpa.

Mas a falha na articulação política do governo de Lula, com a inércia de seu ministro das Relações Institucionais Alexandre Padilha, levou Rodrigo Cunha a confrontar diretamente a decisão da Câmara presidida pelo seu aliado. E, mesmo sem acordo no Senado, o PT tenta contornar a lambança que fez com uma emenda ao relatório de Rodrigo Cunha.

“Estou como relator desse projeto, que é um projeto muito importante, porque eu sou presidente da Frente Parlamentar Mista pela Eletromobilidade. Venho trabalhando há um ano e meio com o setor, governo e parlamentares. E já estava para ser relator da medida provisória que caiu. Aí, na semana passada, entrou essa questão das blusinhas, e não teria como não relatar e demonstrar que este assunto da taxação não é para ser tratado neste momento”, concluiu.

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