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MENSALINHO NO SERTÃO

Prefeito preso na véspera do Natal é denunciado pelo MP em Alagoas

MP: Erivaldo Mandu pagou propina mensal de R$7 mil a vereadores

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Preso desde a véspera do Natal sob a acusação de que paga R$ 7 mil mensais em propina para vereadores de seu município, o prefeito de Mata Grande (AL), Erivaldo de Melo Lima, o “Erivaldo Mandu”, foi denunciado, nessa quarta-feira (27), pelo Ministério Público Estadual de Alagoas (MP/AL), por crimes contra a administração pública. Além do prefeito, também foram denunciados os vereadores Diana Gomes Brandão Malta (também secretária de Governo), Joseval Antônio da Costa, Teomar Gomes Brandão e Josivânia Cordeiro Freitas de Oliveira.

O MP de Alagoas pediu a condenação dos denunciados por crimes de corrupção, bem como a perda dos cargos do prefeito e dos vereadores. E ainda solicitou, ao Poder Judiciário, que realize nova oitiva do colaborador premiado e perícia no vídeo entregue, a fim de verificar se houve montagem, além da realização do interrogatório dos acusados.

Erivaldo Mandu segue preso e pode perder o cargo (Foto: Facebook)O prefeito Erivaldo Mandu foi enquadrado no artigo 333 do Código Penal, que qualifica como crime “oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício”. Já os vereadores foram denunciados pelo ilícito previsto no artigo 317, que tipifica como crime “solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem”.

A denúncia foi ajuizada pelo chefe do MP de Alagoas, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, em função do foro por prerrogativa de função de que goza o denunciado Erivaldo de Melo Lima. Segundo o procurador-geral de justiça, as provas acostadas aos autos são suficientes para mostrar que o prefeito de Mata Grande praticou o crime de corrupção.

“Era um verdadeiro ‘mensalinho mata-grandense’. O teratológico ilícito destinava-se a manutenção de apoio político, evitar a fiscalização dos atos do prefeito pela Câmara de Vereadores, bem como a aprovação dos projetos por ele enviados”, afirmou Alfredo Gaspar.

Segundo a denúncia, a dinâmica do crime ocorria da seguinte forma: utilizando-se de interposta pessoa (o nome será mantido em sigilo porque ela aceitou fazer uma colaboração premiada), o prefeito pagava mensalmente a importância de R$ 7 mil, fato ocorrido durante três meses do 1º semestre deste ano, para cada um dos três vereadores e a secretária de governo, ora denunciados, em espécie, totalizando sempre R$ 28 mil por mês, conforme vídeo e documentos anexados como provas.

O prefeito permanece preso desde o último dia 24, a pedido do Ministério Público. (Com informações do MP de Alagoas)