Propina valia transferências

Operação Panóptico combate venda de vagas em presídios de Minas

PF participa de investigação de servidores e advogados citados em esquema de corrupção

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Policiais na Operação Panóptico atuaram contra corrupção no sistema prisional mineiro. Foto: Polícia Federal/Divulgação

A Força-Tarefa de Segurança Pública coordenada pela Polícia Federal e composta pelas Polícias Civil e Militar de Minas Gerais, além das Polícias Penais Estadual e Federal, deflagrou hoje (5) a Operação Panóptico, para combater a corrupção no Sistema Penitenciário de Minas Gerais, através do comércio de vagas em presídios mineiros.

Foram apreendidos cerca de R$ 50 mil e barras de ouro no endereço de um dos investigados. E 214 policiais das instituições integrantes da Força-Tarefa cumpriram 23 mandados de prisão preventiva, 54 mandados de busca e apreensão e cinco medidas cautelares de afastamento de função pública, expedidas pela Vara de Inquéritos da Comarca de Contagem. Os mandados judiciais foram e cumpridos nas cidades mineiras de Belo Horizonte, Contagem, Vespasiano, Lagoa Santa, Ribeirão das Neves, Ouro Preto, Patrocínio, Formiga, Francisco Sá, Muriaé e São Joaquim de Bicas, em Mossoró (RN) e em Viana (ES).

As investigações tiveram como ponto de partida possível ocorrência dos delitos de tráfico de drogas, concussão e corrupção passiva, após apreensão de uma barra de maconha encontrada com um detento do Complexo Penitenciário Nelson Hungria (CPNH), durante ação fiscalizatória.

Com o preso, ainda foi apreendido um aparelho celular, que continha mensagens e cópias de comprovantes bancários em favor da esposa de um servidor, forte indício de participação de servidores da unidade prisional em suposto esquema de corrupção dentro do CPNH.

A evolução das apurações identificou a participação de policiais penais, advogados, detentos do CPNH e de outros estabelecimentos penitenciários, servidores públicos do Departamento Penitenciário de Minas Gerais (DEPEN/MG) e um assessor parlamentar de um Deputado Estadual. Os servidores púbicos alvos da Operação ocupam altos cargos de direção dentro do sistema prisional de Minas Gerias.

Os elementos colhidos até o momento evidenciam a participação de diversos indivíduos, de forma associada, para práticas criminosas que envolvem o recebimento de vantagem indevida em troca de transferências prisionais e outras benesses dentro do sistema.

Os autos tramitam em segredo de justiça, e o acesso é restrito ao Juízo, Polícia Judiciaria, Ministério Público e partes envolvidas. Por isso, os nomes dos investigados não foram divulgados. (Com informações da Comunicação Social da PF em Minas Gerais)