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Dama da Lâmpada

Operação contra filha do vice de Renan Filho quis iluminar Alagoas contra corrupção, diz PF

Combate a desvios de R$ 30 milhões homenageou Florence Nightingale e sua postura ética e humana

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Lívia Barbosa com seu pai e vice-governador de Alagoas Luciano Barbosa, e seu marido Pedro Silva. Foto: Divulgação Redes Sociais

A Policia Federal divulgou nota nesta terça-feira (17), informando que se inspirou na enfermeira britânica Florence Nightingale e em sua postura ética e humana para deflagrar a operação batizada com seu nome, para desbaratar esquema de R$ 30 milhões na saúde pública, no último dia 11. A PF diz que ação policial buscou iluminar os caminhos da sociedade alagoana, para torná-la livre de corrupções e atos de má índole a partir da Operação Florence “Dama da Lâmpada”.

A nota ainda diz que a ação policial que prendeu a filha do vice-governador e secretário de Educação de Alagoas, Luciano Barbosa (MDB), Lívia Barbosa de Almeida Margallo, também buscou adotar a postura de proteção e de cuidado com os pacientes necessitados de saúde no Estado de Alagoas.

O genro do vice-governador, Pedro da Silva Margallo, também foi preso. O casal é sócio da empresa LP Ortopedia, que fornecia material para procedimentos de Órtese, Prótese e Materiais Especiais (OPME), sem licitação.

A homenagem é justificada como homenagem à enfermeira reconhecida por ser pioneira no tratamento a feridos de guerra durante a Guerra da Crimeia. Seu codinome de “Dama da Lâmpada” marcou a história pelo fato de servir de auxiliar na iluminação dos feridos durante as noites de trabalho.

“Florence Nightingale escolheu os plantões noturnos, porque sabia que o escuro da noite amedrontava os enfermos. Escolheu está presente na dor dos pacientes, porque esteve muito perto do sofrimento. Escolheu servir ao próximo, porque sabia que todos precisariam de ajuda. Escolheu o branco, porque quis transmitir paz aos necessitados. Escolheu estudar métodos de trabalho, porque os livros eram, e continuam sendo, fonte do saber. Escolheu ser enfermeira, porque amou e respeitou à vida”, diz um trecho da nota da PF.

PF e CGU cumprindo mandados da Operação Florence, na Secretaria de Saúde de Alagoas. Foto: Comunicação Social da PF em Alagoas

Outros alvos

A operação deflagrada em conjunto com a Controladoria Geral da União (CGU) e o Ministério Público Federal (MPF) também teve como alvos de prisões preventivas decretadas pela Justiça as diretoras do Hospital Geral do Estado (HGE), Marta Celeste Silva de Oliveira, e do Hospital de Emergência do Agreste (HEA), Regiluce Santos Silva.

E os alvos de prisões temporárias foram Luciane Araújo, Geane Marinho da Silva, Fábio Luiz Gomes dos Santos, Henrique Dartagnan de Cerqueira Barros, Noélia Nunes da Costa, Rachel Nascimento Vasconcelos, Merentino Francisco de Moraes do Nascimento, Carlos Alberto Correia Braga Júnior, Janaína de Fátima da Silva Marinho e Verônica Maria de Oliveira Leite.

O médico ortopedista Gustavo Francisco Nascimento, coordenador do setor de ortopedia do HGE, foi apontado pela PF como chefe da organização criminosa. Ele está foragido junto com a sua esposa Cristiane Araújo. Seus nomes foram inseridos no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP) e também no Sistema de Tráfego Internacional (STI-MAR), que dispara alertas sobre os foragidos.

Em entrevista ao radialista Isve Cavalcante, na Rádio 96 FM de Arapiraca (AL), no dia seguinte à operação, o vice-governador chorou ao defender a inocência de sua filha. “Tenho a absoluta certeza de que a minha filha é inocente. Tenho a absoluta certeza do que ela fez, fez bem feito, trabalhando. E não tenho nada que desabone a conduta dela. Quando isso tudo for apurado, a gente vai perceber que, infelizmente, se cometeu uma injustiça com uma jovem, trabalhadora, sonhadora…”, disse Luciano Barbosa.

 

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