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Dados da Pnad Contínua

Nordeste tem maior taxa de desocupação no terceiro trimestre

Construção e agricultura foram as únicas atividades com crescimento

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Para o conjunto do território nacional, o salário médio de admissão em janeiro/2022 foi de R$ 1.920,59. Foto: Ascom Sete

O Nordeste foi a região brasileira que apresentou a maior taxa de desocupação no terceiro trimestre deste ano, atingindo o recorde de 17,9% em relação ao período anterior. A menor taxa foi registrada no Sul: 9,4%. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada hoje (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo a pesquisa, entre julho e setembro, a taxa de subutilização chegou a 43,5% na Região Nordeste.

Para a analista da pesquisa Adriana Beringuy, isso mostra não apenas a região com a maior taxa. Mostra também que, do primeiro para o segundo trimestre, o Nordeste e o Sudeste, somados, foram as regiões que mais aceleraram a subutilização. Segundo Adriana, o Nordeste sempre apresenta taxas maiores de subutilização, mas agora, com o processo da pandemia, o Sudeste foi a região mais afetada. “Portanto, trazendo parte da força de trabalho para a subutilização.”

De acordo com a economista, quando se analisa a retração da população ocupada, verifica-se que, em maio, a queda decorreu da informalidade, que puxou muito a ocupação para baixo. “Esse processo da subutilização está intimamente ligado à informalidade”, disse Adriana.

O Nordeste tem as maiores taxas de informalidade. O trabalhador informal, que foi o mais atingido no auge da pandemia, acaba tendo um aspecto geográfico, porque, proporcionalmente, em relação à população ocupada, está nas regiões Norte e Nordeste”, completou.

A construção e a agricultura foram as únicas atividades em que houve crescimento da população ocupada no terceiro trimestre de 2020. Na construção, a alta ficou em 7,5%, ou 399 mil pessoas a mais trabalhando no setor. A agricultura, com expansão de 3,8%, agregou mais 304 mil trabalhadores. No caso da construção, a explicação é que, como pedreiros e outros trabalhadores do setor afastaram-se, por conta própria, do mercado por causa do distanciamento social, retornaram nesse período, com a reabertura das atividades. Além disso, aumentou a demanda por pequenas obras, como reforma de imóveis.

Para Adriana Beringuy, o aumento na taxa de ocupação na agricultura pode estar relacionado à sazonalidade do cultivo. Ela explicou que a atividade, de um modo geral, tem ritmo diferente das demais. Somado a isso, o setor sofreu menos os efeitos da pandemia, porque, ao se desenvolver no campo, o impacto do distanciamento social foi menor, na comparação com o que ocorreu na cidade. “A construção e a agricultura são atividades que já mostram efetivamente crescimento na sua ocupação”, disse Adriana.

Vendedora de rua comercializando máscaras no Rio de Janeiro. Foto: Ricardo Wolffenbuttel/Secom

Força de trabalho

A população inserida na força de trabalho no Brasil chegou a 96,5 milhões de pessoas entre julho e setembro e, na comparação com o trimestre anterior, manteve-se estável. No entanto, em relação ao mesmo período de 2019, registrou queda de 9,2%, ou seja, menos 9,8 milhões de pessoas.

Já a população fora da força de trabalho atingiu 78,6 milhões no terceiro trimestre deste ano, o maior nível da série histórica, com altas de 1,0%, mais 785 mil pessoas, frente ao trimestre anterior e de 21,2%, mais 13,7 milhões de pessoas, ante o mesmo período de 2019.

Outro recorde da série histórica foi o nível da população desalentada, com 5,9 milhões. Isso significa crescimento de 3,2% ou mais 183 mil pessoas, se comparado ao trimestre anterior, e de 24,7%, sendo mais 1,2 milhão de pessoas, em relação a julho a setembro de 2019. O percentual de 5,7% de desalentados na população indica estabilidade frente aos três meses anteriores e alta de 1,5 ponto percentual. contra o mesmo trimestre de 2019.

O número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado, não incluídos os trabalhadores domésticos, foi estimado em 29,4 milhões, o que representa queda de 2,6%, ou menos 788 mil pessoas, ante o trimestre anterior e de 11,2%, menos 3,7 milhões de pessoas, se comparado ao período de  julho a setembro de 2019.

Já o número de empregados sem carteira assinada no setor privado foi de 9 milhões, com alta de 4,3%, ou mais 374 mil pessoas em relação ao segundo trimestre, e de  23,9%, sendo menos 2,8 milhões, na comparação ao mesmo período de 2019.

O número de trabalhadores por conta própria atingiu 21,8 milhões, em uma variação de 0,6 ou mais 119 mil contra o trimestre anterior. Frente ao mesmo período de 2019, houve recuo de 10,8%, ou menos 2,6 milhões de pessoas.

“Parte da ocupação que cresce no terceiro trimestre é a que vem do trabalho informal, ou seja, não se observa ainda uma reação de emprego com carteira, por exemplo. Por outro lado, o trabalho sem carteira assinada já mostra, sim, um processo de recuperação. O que se pode perceber é que, no terceiro trimestre, há um cenário menos desfavorável do que aquele cenário ruim visto no segundo trimestre”, disse.

A economista ressaltou que, ante esse resultado do terceiro trimestre, é preciso aguardar os próximos meses e ver se outras atividades que já começam a ter perdas reduzidas, começam, efetivamente, a apresentar mais contratação e mais absorção de trabalhadores. “Isso ainda não é realidade para grande parte das atividades econômicas, muito pelo contrário. Muitas ainda, apesar de terem menos perdas no terceiro trimestre, mostram ainda redução da sua ocupação.”

Foto: Agência Brasil/Arquivo

Perdas menores

Adriana Beringuy destacou que, embora tenha ocorrido menor queda da população ocupada no terceiro trimestre, representando 3% do que ocorreu no segundo trimestre, isso não pode ser entendido ainda como um processo de recuperação do mercado de trabalho. Pode-se observar, no entanto, que as perdas são menores do que as que vinham ocorrendo.

Na população desocupada, as maiores taxas ocorreram entre as mulheres, os jovens e pessoas pretas. De acordo com a pesquisa, enquanto entre os homens a taxa foi estimada em 12,8%, entre as mulheres, chegou a 16,8%. Entre os que se declararam brancos (11,8%), ficou abaixo da média nacional (14,6%), mas entre os pretos (19,1%) e os pardos (16,5%), ficou acima.

A taxa de desocupação nas pessoas com ensino médio incompleto era de 24,3% e, portanto, superior à dos demais níveis de instrução. No grupo com nível superior incompleto, a taxa foi estimada em 17,1%. O percentual é mais que o dobro do verificado para aqueles com nível superior completo, que ficou em 7,0%.

A taxa de desocupação dos jovens de 14 a 17 alcançou 44,2%, mais elevada do que a daqueles na faixa entre 18 e 24 anos, que ficou em 31,4%. Os percentuais estão acima do patamar da taxa média total de 14,6%.

O número de trabalhadores domésticos caiu 2,2% e somou 4,6 milhões, o que significa menos 102 mil pessoas, na comparação com o trimestre anterior, e 26,5 %, ou menos 1,7 milhão de pessoas, ante os mesmos três meses de 2019, frente ao mesmo trimestre de 2019.

Rendimento

De acordo com os dados da Pnad Contínua, o rendimento médio real habitual chegou a R$ 2.554 no período de julho a setembro deste ano, sendo estatisticamente estável na comparação com o período anterior, quando estava em R$ 2.519. Já contra o mesmo trimestre de 2019, houve alta de 8,3% – o rendimento era de R$ 2.359.

A massa de rendimento real habitual alcançou R$ 205,3 bilhões, mantendo-se estável em relação aos três meses anteriores, e com queda de 4,9%, ou menos R$ 10,6 bilhões, na comparação com o mesmo trimestre de 2019. (Com informações da Agência Brasil)

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