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Descartou o Boubolina

Navio alemão Voyager I é único suspeito de derramar óleo no Nordeste, diz dossiê da Ufal

Pesquisador Humberto Babosa diz que dossiê será enviado à PF e à Marinha do Brasil

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Navio Voyager I é suspeito de derramar óleo na costa do Nordeste do Brasil. Foto: Divulgação

O coordenador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite (Lapis), Humberto Barbosa, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), confirmou em audiência na Câmara dos Deputados, nesta quinta (21), que o navio Voyager I, da empresa alemã Gulf Marine Menagement Deutschland é o principal suspeito de ser responsável pelo derramamento de óleo no litoral do Brasil, que atingiu toda costa do Nordeste. A conclusão refuta suspeitas sobre o navio grego Bouboulina, e outros navios que passaram na região.

O pesquisador disse aos parlamentares que o dossiê com dados completos sobre a conclusão da apuração que utilizou dados de satélites e da Marine Traffic será enviado à Polícia Federal, à Marinha e a outros órgãos que investigam o desastre.

“Esse é o navio que a gente aponta como suspeito. Não está dizendo que ele [é o culpado]… O Lapis não tem capacidade, não tem ferramenta criminal para dizer que o Voyager I é o culpado. Porém baseado em informações, em evidências de satélite, e em informações da Marine Traffic, chegamos a essa conclusão”, disse Humberto Barbosa, durante audiência da Comissão Externa Derramamento de Óleo no Nordeste.

O pesquisador relatou que a Marine Traffic associou o navio como “fantasma”, porque a embarcação passou pela costa brasileira com o transponder desligado, impedindo rastreamento por satélite. Mas o estudo observou sua trajetória frequente de viagens da Índia até próximo a Bahamas e em direção aos Estados Unidos, passando geralmente pela Venezuela.

Humberto Barbosa disse que, pela primeira vez, evidências de imagens de satélite indicam que as manchas de óleo dos dias 19 e 24 de julho se correlacionam em termos de espaço e tempo que o navio normalmente leva no trajeto, embora com sinal desligado naquela região. 

“A gente não saber se nesse trajeto do Voyager, ele passou na Venezuela. Ele normalmente, vai”, disse o pesquisador da Ufal, após afirmar que o navio suspeito apresentou trajetória muito irregular, entre 06 de julho e 13 de agosto.

A tonelagem bruta do navio Voyager I é quase o dobro do volume interno do Bouboulina. E a embarcação presta serviços à empresa Pacific Star, da Arábia Saudita.

Marinha discorda

Por meio de nota, a Marinha afirmou que o Voyager I não está entre as cinco embarcações que a corporação aponta como principais suspeitas pelo derramamento de óleo, conforme estudos do Centro de Hidrografia da Marinha e da geointeligência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

E relata que um eventual derramamento de óleo por um navio a 26 km da costa da Paraíba, em 19 de julho, como citado pelo estudo da Ufal, “não geraria o espalhamento de manchas que foi observado em nosso litoral, principalmente no sul do Estado da Bahia e norte do Estado do Espírito Santo”. Indicando que o óleo surgiria antes de 30 de agosto, quando houve a primeira ocorrência.

As cinco embarcações gregas apontadas pela Marinha e a PF como suspeitas são Maran Apollo, Maran Libra, Bouboulina, Minerva Alexandra e Cap Pembroke. Mas o estudo da Ufal contesta a hipótese desde a deflagração da Operação Mácula, em 1º de novembro, por concluir que o navio Bouboulina só passou pelo local no dia 26 de julho, dois dias depois.

O Diário do Poder tenta contato com as empresas ligadas ao navio Voyager I.

Veja a apresentação completa do pesquisador Humberto Barbosa: