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Closet da fortuna

MPF pede 92 anos de prisão para Marluce Vieira Lima, mãe do ex-ministro Geddel

Dinheiro de esquemas do clã Vieira Lima passavam pelo closet da matriarca, denuncia MPF

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A Força-tarefa da Operação Greenfield protocolou ontem (21) as alegações finais na ação penal que investiga a atuação proeminente de Marluce Vieira Lima, 81, no controle das finanças ilegais de sua família, que tinha seus filhos, o ex-ministro Geddel Vieira Lima e o ex-deputado federal Lúcio Vieira Lima, como lideranças políticas do clã na Bahia. Nas alegações, o Ministério Público Federal (MPF) pede a aplicação de pena de pelo menos 92 anos e seis meses de reclusão pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa, envolvendo os R$ 51 milhões apreendidos em malas em um apartamento vazio de Salvador (BA).

Segundo a denúncia, dinheiro de esquemas sempre passavam pelo closet de Marluce, que seria responsável por gerir, guardar e determinar a saída e inserção, no mercado formal, dos recursos ilícitos captados pelos filhos, que foram condenados nesta terça (22) por unanimidade da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).

O MPF relaciona os crimes a propinas recebidas em operações de financiamentos e empréstimos da Caixa Econômica Federal (CEF), investigadas pelas operações “Cui Bono?” e “Sépsis”. Movimentações que aconteceram no período em que Geddel estava na vice-presidência de Pessoas Jurídicas do banco e o recebimento da propina, no valor de quase R$20 milhões, foi intermediado pelo delator Lúcio Funaro.

Também é citado o recebimento, em espécie, de vantagem indevida de quase R$ 4 milhões do Grupo Odebrecht pelos irmãos Geddel e Lúcio Vieira Lima. O esquema contava ainda com a retenção de parte dos salários pagos a secretários parlamentares lotados nos gabinetes dos irmãos Vieira Lima.

A Greenfield concluiu que Marluce, apesar da idade avançada, tinha papel relevante na associação criminosa. Os procuradores sustentam que, além de ceder a sua residência para a ocultação de milhões de reais e de dólares – em caixas e malas – a acusada recolhia propina em sua casa, dava ordens de como utilizá-las e a quem entregá-las.

Os valores eram armazenados no closet do apartamento em que morava e, posteriormente, enviado ao apartamento em que foram achados os R$ 51 milhões. Marluce também constituiu empresas – junto com os filhos – e as administrava e tomava decisões financeiras. Ela combinava a forma de aportar os recursos ilícitos com o sócio da COSBAT e ainda chegou a ordenar que destruíssem documentos relacionados a sua atuação ilícita.

Sobre o caso, a Força-Tarefa Greenfield destacou: “Trata-se da maior apreensão em dinheiro vivo da história do Brasil, cuja fotografia de caixas e malas de dinheiro estampa, no cenário nacional, a face visível da corrupção praticada contra os cofres públicos”.

Confira a íntegra das alegações finais. (Com informações da Ascom da Procuradoria da República no Distrito Federal)