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Ameaça não descartada

Mancha de 200 km² na costa da Bahia não é confirmada pela Marinha e Ibama

Alerta de pesquisadores não foi confirmado por aviões e navios que foram checar informação

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Após pesquisadores das universidades Federal de Alagoas (UFAL) e do Rio de Janeiro (UFRJ) alertarem sobre uma suposta mancha de óleo no oceano com aproximadamente 200 km² e a 54 km da costa da Bahia, o comandante da Marinha, almirante de Esquadra Ilques Barbosa Junior, disse hoje (30) que não há confirmação da existência de uma gigantesca mancha de petróleo avançando em direção ao litoral sul baiano. Mas a ameaça não foi descartada.

De acordo com Ilques, após a informação de que imagens de satélite teriam identificado uma mancha de óleo, aeronaves da Força Aérea Brasileira e navios foram deslocados para a região para verificar a informação, mas o resultado foi negativo.

“Até o momento ela [a mancha] não foi confirmada. Não quer dizer que não exista, estamos buscando com maior atenção, mas até o momento ela não foi confirmada”, disse Ilques após reunião com o presidente em exercício Hamilton Mourão para atualizar as ações desenvolvidas para conter o desastre.

As imagens citadas pelo comandante foram captadas por um satélite da Agência Espacial Europeia e analisadas por pesquisadores brasileiros do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite (Lapis), da Ufal, e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Após três semanas de processamento de imagens do satélite Sentinel-1A, o pesquisador Humberto Barbosa, do Lapis, identificou na última segunda-feira (28) um enorme vazamento de óleo, em formato meia lua, com 55 km de extensão e 6 km de largura.

“Ontem [segunda-feira] tivemos um grande impacto, pois pela primeira vez, encontramos uma assinatura espacial diferenciada. Ela mostra que a origem do vazamento pode estar ocorrendo abaixo da superfície do mar. Com isso, levantamos a hipótese de que a poluição pode ter sido causada por um grande vazamento em minas de petróleo ou, pela sua localização, pode ter ocorrido até mesmo na região do Pré-Sal”, alertou Barbosa.

De acordo com o comandante, como o óleo fica submerso há dificuldade em identificar as manchas. Ilques disse que houve uma intensificação nas ações de monitoramento e contenção das manchas, mas que ainda precisam ser aprimoradas.

“O monitoramento está funcionando, mas tem sempre que ser aprimorado. É uma característica do óleo que ele vem sempre submerso, como foi apontado por nós [da Marinha] e ratificado pela UFRJ, é muito difícil de localizar”, disse. “Como é um acidente inédito, não existe protocolo específico e, nesse caso, queremos cumprir o melhor possível as rotinas de monitoramento e contenção”, acrescentou.

Mancha de petróleo na praia de Sítio do Conde (BA) modifica paisagem natural. Foto: Raul Spinassé/Folhapress

Desastre ambiental

Até o momento, o óleo já atingiu 254 localidades dos nove estados da região Nordeste. Ontem, manchas de óleo foram encontradas nas cidade de Canavieiras, Belmonte e Santa Cruz Cabrália, que ficam no sul da Bahia, dentro da chamada região do arquipélago de Abrolhos, importante área de reprodução da biodiversidade da vida marinha.

Questionado se o óleo poderia chegar até Abrolhos, o comandante não descartou a possibilidade, mas disse que foi intensificado o monitoramento na área do entorno do arquipélago. A Marinha deslocou uma fragata equipada com um helicóptero para ampliar a área de monitoramento.

“Estamos com essa possibilidade. Eu não posso afiançar que ela [mancha] não chegará a Abrolhos, mas o que eu posso afiançar é que estamos fazendo o máximo possível para não chegar a Abrolhos”, disse.

Investigação da origem

O comandante disse ainda que a investigação sobre os responsáveis pelo vazamento de óleo restringiu o número de embarcações apontadas como suspeitas pelo derramamento. Antes eram 30 navios investigados, agora a Marinha trabalha com 10 embarcações.

“Já estamos em 10 navios, estamos sintetizando a busca para chegarmos aquele [responsável]. Nesse momento são de 11 bandeiras, tem um navio que pode ser que tenha dupla bandeira”, disse.

Perguntado se a Marinha trabalha com a possibilidade de o vazamento ter sido causado por um navio dark ship, Ilques disse que nenhuma linha está descartada. Também chamados de navios fantasmas, os dark ships são embarcações que navegam em águas internacionais sem o sistema AIS (Automatic Identification Sistem, em inglês) desligado. O sistema é um tipo de transponder que identifica constantemente a localização e o rumo da embarcação.

“Nenhuma linha de investigação está abandonada. Não se pode dizer se essa linha foi abandonada ou não. Estamos com um amplo espectro e uma probabilidade é ser um navio mercante que passou pela nossa costa”, disse. (Com informações da Agência Brasil e Ascom Ufal)